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Novo Ano, Nova Década, Nova Vida!?

2 semanas atrás · · 0 Comentários

Novo Ano, Nova Década, Nova Vida!?

Poderá um novo ano, uma nova década, ser mesmo visto como o começo de uma nova vida? O início de um novo ano e de uma nova década, pode ser encarado como uma época de renascimento que nos convida à reflexão. Para muitos de nós, a chegada de um novo ano representa um momento de balanço da vida, ou uma oportunidade para recomeçar e focar no que queremos alcançar.

Um novo ano é uma oportunidade para fazer uma mudança de rumo

É uma oportunidade para sairmos de caminhos sem saída que já não nos servem e fazer uma mudança de rumo. Uma porta que se abre para uma nova vida, libertando-nos do antigo, e alinhando-nos com novas possibilidades, porventura, ilimitadas.

Pessoalmente, eu não faço resoluções de Ano Novo e, a Vida Nova há já alguns anos que a sustento. A cada novo ano renovo a intenção de trabalhar continuamente no meu bem-estar: físico, mental emocional e espiritual. Tenho sempre o desejo de ir o mais fundo que possa no meu processo de cura e auto-conhecimento, para melhor ajudar, não só a mim mesma, mas as pessoas que eu amo, os meus clientes e o mundo como um todo. E, acedito que não estou só nesta cruzada.

Aproveitar o poder desta energia é uma questão de fé

Aproveitar o poder da energia transformadora de um novo recomeço é uma questão de fé. Confiar verdadeiramente que as resoluções de ano novo possam vencer os padrões do passado. Se acreditarmos que somos capazes de mudar as nossas vidas, torna-se mais fácil reconhecermos que somos humanos e, capazes de desculpar os nossos erros. O nosso compromisso e empenho, que de outra forma poderiam vacilar, são sustentados pela esperança.

O início de um novo ano é tradicionalmente uma época favorável para encarar decisões difíceis como deixar de fumar, perder peso ou concretizar aspirações mais materialistas. Todavia, a transição de um ano para o outro também pode ser uma ocasião propícia para procurar impulsionar o desenvolvimento emocional, espiritual e intelectual porque já não nos sentimos tão sobrecarregados pelo arrependimento e frustração.

Pequenas mudanças de atitude podem transformar o mundo

Em geral, ao fim de algumas semanas, a maioria das resoluções de Ano Novo, ficam pelo caminho. Se formos honestos o suficiente, reconhecemos que isto já aconteceu connosco ou ainda acontece. Porquê? Porque colocamos demasiado no nosso prato. O que eu aprendi ao longo dos anos é que, com pequenas mudanças de atitude, mudança de hábitos, podemos transformar o mundo, o nosso e o das pessoas à nossa volta.

Há pequenos passos que, quando dados de forma consistente, transformam a nossa vida, sem nos darmos conta. Aprender a calar o crítico interior; a interromper a auto-sabotagem e os pensamentos ruminantes; reconhecer o que o nosso lado sombra – o que reprimimos – tem para nos ensinar, são alguns desses passos mágicos. Se estivermos realmente comprometidos com o nosso equilíbrio emocional tornarmo-nos quem queremos ser.

Qualquer que seja a sua realidade, está ao seu alcance trilhar um caminho mais consciente e fundamentado

Qualquer que seja a sua realidade, está ao seu alcance desenvolver formas que lhe permitam trilhar um caminho mais consciente e fundamentado. Ver o início do ano como uma época de renascimento permite-nos focar no que queremos realizar nas próximas semanas, meses e anos. Porque somos pessoas renovadas – ou seja, uma folha em branco – podemos experimentar novas experiências, novas abordagens mais criativas. Se sentir necessidade de se reconectar com a sua espiritualidade, considere fazer ioga, meditação ou outra actividade que desafie tanto o seu eu físico quanto mental (eu acrescentei o Yoga às minhas práticas).

Aprenda a redefinir e reinventar a sua “história”

Aprenda a redefinir e reinventar a sua “história” e a se reconectar com o seu propósito. Acabe com a auto-sabotagem, recrie o seu mundo interior e ultrapasse os bloqueios subconscientes para o sucesso. Habitue-se a dissolver a energia emocional negativa armazenada no seu corpo. Desafie-se a abordar certos tópicos e conecte-se mais profundamente com o seu eu interior, aceda a informações que aguarda internamente e alcance progressos significativos no seu desenvolvimento pessoal.

Nas antigas tradições chinesas e celtas, o período que marcava a transição do ano velho para o ano novo era visto como uma contenda entre o caos e a ordem, na qual a ordem acabava sempre por prevalecer. A sua crença de que também é capaz de eliminar o caos da sua vida e incorporar mais plenamente os seus sonhos, desejos e objectivos,  dar-lhe-á a determinação e a força necessárias para mudar a sua vida para melhor.

Algo novo que promova o equilíbrio e bem-estar emocional

A promessa contida num ano novo de uma vida nova. Preencha a sua mente com saber estimulante, conhecimento impactante e habilidades úteis. Eliminar a desordem da sua casa ou do local de trabalho pode melhorar o fluxo de energia na sua vida, e dar-lhe o impulso que precisa para se manter fiel às suas resoluções. Começar um diário pode ser outra forma maravilhosa de tansformar alguns eventos da sua vida em desenvolvimento pessoal. Faça algo novo e estimulante que promova o seu equilíbrio e bem-estar emocionalO seu bem-estar e saúde beneficia a todos; as suas oscilações de humor não beneficiam ninguém, particularmente as pessoas que ama.

Comprometa-se com a sua harmonia interior, o mundo agradece.

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Equinócio de Outono – que influência tem na nossa vida?

4 meses atrás · · 0 Comentários

Equinócio de Outono – que influência tem na nossa vida?

O Equinócio é o fenómeno em que o dia e a noite têm aproximadamente a mesma duração, 12 horas. Equinócio deriva do latim “æquinoctium, composto pelas palavras aequus e nox, que significam “igual” e “noite”. Este termo é utilizado para assinalar a transição entre estações, o início do Outono e da Primavera. Os dias de equinócio são tipicamente considerados dias de ajuste, de equilíbrio entre o dia (que tem uma energia Yang, masculina, activa) e a noite (que tem uma energia Yin, feminina, receptiva).

O Equinócio de Outono tem um profundo simbolismo

O Equinócio de Outono tem um profundo simbolismo de libertação do que já não serve, de desprendimento e de criação de espaço para o novo. Os frutos amadurecidos ao longo do Verão são colhidos, as folhas das árvores caiem, deixando-as despidas para acolher o Inverno. É uma estação de colheitas e de celebração, de mudança e de renovação. À semelhança da natureza, também nós somos convidados ao recolhimento, à reflexão, ao desapego e à libertação do que já não nos serve para criar espaço para o novo.

É um tempo de celebração e de reconhecimento

É um tempo de celebração do que se realizou e alcançou, e também de fazer balanços e reflectir sobre o que conseguimos e para onde queremos seguir. É um período de reconhecimento do que se tem aprendido e colhido ao longo do ano e de como se irá usar essa aprendizagem no futuro.

O Outono é o encerramento de um ciclo e a abertura de outro. É uma estação que propicia o senso de equilíbrio e convida a um olhar atento e cuidadoso sobre a nossa vida. É uma época em que podemos observar a dualidade entre as nossas necessidades pessoais e os compromissos com o mundo que nos rodeia.

É um tempo de autoavaliação, celebração e partilha

É um momento de autoavaliação e de balanço; de celebração e de partilha; de preparação para os rigores do Inverno, de autocuidado e reforço do sistema imunitário; de expansão da criatividade, de planeamento e de estruturação para o futuro. Neste período é-nos dada a oportunidade de encontrar o ponto de equilíbrio das nossas vidas, de conciliar as nossas necessidades internas com as exigências do mundo exterior.

À medida que as noites se alongam, podemos reservar tempo para meditar e reflectir sobre o que desejamos, identificar forças e vulnerabilidades, e nutrir novas sementes que florescerão na próxima primavera. É um período em que somos convidados a focar no essencial e a dispensar o acessório, a largar o supérfluo e a cultivar o autêntico. O Outono recorda-nos a importância de sermos genuínos, de nos libertarmos das máscaras, de levarmos luz às nossas sombras e de integrarmos todas as nossas partes.

O Outono traz-nos uma nova oportunidade de cura e libertação

O Outono traz-nos uma nova oportunidade de cura das feridas emocionais, de libertação de mágoas e ressentimentos, de reencontro com nós mesmos e de resgate de quem verdadeiramente somos. Convida-nos ao mergulho interior, a tomar consciência de padrões de comportamento e pensamento nocivos, a eliminar hábitos prejudiciais e a libertar emoções tóxicas.

É também neste período que somos lembrados da importância da harmonia e do equilíbrio emocional para as nossas vidas. Somos instados a cultivar a paz interior e a fortalecer a nossa estrutura emocional para permitir que um novo “Eu” renasça, mais forte, mais livre, mais realizado, mais pleno e mais feliz.

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Maturidade Emocional

11 meses atrás · · 2 comentários

Maturidade Emocional

A maturidade emocional caracteriza-se pela manifestação de competência para lidar com as adversidades da vida. Esta competência para alinhar pensamentos e emoções, é o resultado do exercício de habilidades de inteligência emocional como: autoconsciência, autocontrolo, automotivação.

A maturidade emocional está relacionada com a resiliência.

A maturidade emocional está directamente relacionada com a resiliência. É a habilidade de desenvolver tolerância às frustrações e revezes inevitáveis a que todos nós estamos sujeitos. Tolerar bem as frustrações e desenvolver capacidade de absorver os golpes e dores da vida não significa não sofrer com eles. Ter maturidade emocional, implica enfrentar as frustrações e adversidades, com responsabilidade, sem culpar terceiros pelo que ocorreu ou pelo que sente.

Ser emocionalmente maduro implica ser capaz de enfrentar os desafios e livrar-se, tão depressa quanto possível, da tristeza ou do ressentimento que esses eventos possam ter causado. As pessoas emocionalmente maduras também se irritam, simplesmente transformam a raiva em motivação para a mudança positiva.

Maturidade emocional implica consciência social

A maturidade emocional implica consciência social, empatia e competência para se relacionar com as pessoas em todos os ambientes. É adquirir habilidade para evitar ou mediar conflitos, e apetência para desenvolver relacionamentos positivos e saudáveis. Assim, a pessoa mais amadurecida procura evoluir também social e moralmente, o que a leva a agir com equidade, afabilidade, compreensão e gentileza.

O crescimento emocional é um processo evolutivo e, por isso mesmo, interminável. Somos todos obras em construção e, o nosso progresso só é possível através de autoconhecimento, autorregulação e consciência social. Agir com inteligência e maturidade emocional requer, tal como tantas outras competências, aprendizagem, apoio, prática e experiência.

Maturidade é reconhecer e aceitar a nossa vulnerabilidade

Finalmente, em prol da paz e harmonia interiores, é importante termos presente a nossa condição de seres humanos e, portanto, vulneráveis. Reconhecer e aceitar a nossa vulnerabilidade, é uma prova de maturidade e coragem. Saber se colocar perante as circunstâncias, sem se vitimizar, sem se culpar ou culpabilizar outros, é o primeiro passo para sair do modo de sobrevivência e começar a ter uma vida mais plena, mais realizada e mais feliz.

A Vida e os ciclos de 7 anos

2 anos atrás · · 1 comentário

A Vida e os ciclos de 7 anos


Hoje vou abordar um tema que me diz muito. Os ciclos da vida!

Todo o Universo, tudo na natureza tem uma ordem implícita. Este facto foi identificado pelas civilizações antigas que perceberam a renovação cíclica da natureza e da vida.

Desde as estações do ano, às fases da lua, as marés, as ondas, entre inúmeros eventos de transformação, renovação e mudança, facilmente visíveis ou imperceptíveis, é identificável uma ordem cíclica. Todavia, nós, os povos modernos e evoluídos, raramente vemos isso.

Os nossos ancestrais reconheceram que cada fase da vida oferece um conjunto específico de desafios e lições que aumentam a nossa maturidade e apoiam a nossa individuação.

No início do século XX, o filósofo Rudolf Steiner, presenteou a humanidade com o seu próprio mapa da vida que revelou algumas das lições importantes que devemos dominar à medida que nos desenvolvemos.

Steiner apresentou este mapa como os 10 ciclos que todos aqueles que chegam à idade de 70 anos devem passar.  Cada ciclo, disse Steiner, é composto por sete anos, e oferece os seus próprios desafios e recompensas.

Se confrontarmos essas lições com coragem, honestidade e sinceridade, as lições serão dominadas e o nosso desenvolvimento psicológico e espiritual será profundamente beneficiado.

Eis os ciclos da vida de Steiner:

Idades dos 0 aos 7 anos: Da unidade com a mãe à autonomia crescente

Desde que nascemos, e durante os primeiros anos das nossas vidas, somos totalmente dependentes.

No entanto, afastamo-nos naturalmente das nossas mães para um sentido crescente da nossa própria individualidade e autonomia.

Esta é a lição da primeira etapa da vida – a experiência de total dependência para um sentido crescente de individualidade e poder.

É neste ciclo de desenvolvimento físico e mental que se inicia a aprendizagem no seio da família. Nos primeiros anos de vida, especialmente entre o nascimento e os dois anos de idade, a criança dificilmente consegue distinguir entre ela e a mãe.

Mas à medida que começa a ganhar autonomia, começa a experimentar naturalmente um maior sentido de poder pessoal e liberdade.

Gradualmente, a criança percebe-se separada da mãe, experimenta os estágios iniciais dos seus desejos e necessidades, que precisa que sejam satisfeitos, começa a socializar com outras crianças, a   experienciar o senso de individualidade, a ter noção do seu corpo, dos seus limites e a ter as suas percepções do mundo.

Dos 7 ao 14 anos: Sentido se Si e comprometimento com a vida

O poder emergente da força vital da criança e o compromisso com a vida é testado durante este período.

Ocorrem grandes mudanças energéticas, surgem as doenças infantis, o corpo físico é posto à prova para enfrentar os desafios e ameaças à vida e, apoiando-se nas forças vitais, luta pela sua vida e, no processo, o sistema imunológico reforçar-se a fim de enfrentar os desafios e apostar na sua vida.

É também neste ciclo que a criança desenvolve o sentido crítico e, os pais e educadores desempenham um papel determinante para a imagem do mundo que a criança criará.

A autoridade excessiva pode levar, no futuro, à timidez, introversão, baixa autoestima, etc., enquanto que a permissividade excessiva pode conduzir à extroversão exagerada, desrespeito, libertinagem, ou mesmo quadros de histerismo.

Este é o período de desenvolvimento das emoções e em que são absorvidas as normas e hábitos. O desenvolvimento sadio do ser humano está profundamente relacionado com a dosagem, o equilíbrio e a harmonia das relações de autoridade, valores, limites e permissões.

Dos 14 aos 21 anos:  Emoções selvagens, sexualidade e crise de identidade

Steiner sustentou que as nossas emoções estão alojadas num aspecto específico do nosso espírito, a que ele se referiu como corpo astral.

O corpo etéreo é a energia pura da vida, com a sua própria inteligência, necessária para executar o corpo físico e manter a sua saúde.  O corpo astral é outra camada de energia que compreende o campo energético humano.

O aspecto astral do campo energético detém as emoções, que durante este período se acendem como um cavalo selvagem e exigem atenção e aproveitamento.

Esta fase da vida é dominada por energias emocionais muitas vezes incontroláveis ​​e confusas. Esta turbulência reflecte-se na imprevisibilidade das relações.

Fazemos amizades que, de alguma forma, se transformam em conflitos e traições.

Apaixonamo-nos, estabelecemos ligações românticas intensas e, com a mesma facilidade, desapaixonamo-nos, resultando em muita dor e dramas emocionais.

Steiner sustentou que, durante este período, a nossa natureza animal governa as nossas vidas.   Somos impulsionados por energias emocionais, necessidades irracionais e instintivas para cujo confronto estamos pouco preparados, razão pela qual este período é tão conturbado.

Idades entre 21 e 28 anos:  O “Eu” – Independência e responsabilidade

O fim do crescimento corporal dá lugar ao processo de crescimento mental e espiritual. A partir dos 21 anos a nossa individualidade, o nosso Self, ganha uma força considerável na tentativa de se mostrar.

No entanto, para que esse “Eu” se forme e apareça, mesmo sendo algo subjectivo e interno, depende do mundo exterior, da sociedade. As histórias pessoais começam a ser traçadas pelos próprios. É a emancipação a todos os níveis.

Surpreendentemente, é também a fase em que mais somos influenciados pelos outros. Neste ciclo, os valores, os ensinamentos, as lições de vida, passam a fazer mais sentido. No início e até ao meio deste ciclo, ganhamos algum controlo sobre as nossas emoções e começamos a integrar as nossas faculdades racionais, que nos dão um maior controlo sobre as nossas ações.

Durante estes anos, a maioria das pessoas são saudáveis, cheias de energia e ávidas pela vida, sendo comum que os jovens sintam uma certa invencibilidade e até arrogância e, possuídos por um entusiasmo selvagem, independência e imprudência, por vezes correm riscos excessivos e desafiam os seus limites.

À medida que avançam na casa dos 20 anos surge a maturidade e, conforme o marco dos 30 anos de idade se aproxima, começam a sentir a necessidade de se tornar adultos responsáveis. Para muitos é o fim dos anos loucos.

Em compensação, disse Steiner, começamos a experimentar os primeiros sinais dos nossos talentos e habilidades especiais. Despertamos para vocações pelas quais sentimos uma atracção especial e, alguns, até mesmo para o amor. Os voos mitológicos de fantasia começam a chegar ao fim, iniciando-se as aterragens para a vida.

Também começamos a aprender a pensar em outras pessoas além de nós mesmos.  Estamos a expandir e ver a vida com um olhar mais altruísta e com outra amplitude.

Com efeito, os eventos coincidem com esses sentimentos e necessidades.  As pessoas casam-se, constituem família, têm empregos estáveis e tornam-se mais responsáveis. Em suma, começamos a nos tornarmos simplesmente mais práticos.

Dos 28 aos 35 anos:  O corpo em plena floração – fase organizacional e  crises existenciais

Entre os 28 e os 35 anos, as capacidades físicas do corpo chegam ao auge. O corpo físico atinge a maturação e podemos mesmo desfrutar de maior vitalidade física, se adoptarmos hábitos e comportarmos que promovam a melhoria da saúde física.

Tendo estabelecido os nossos alicerces físicos, começamos a experimentar o impulso pleno das nossas ambições.

Os talentos que podem ter começado a anunciar-se no final da década dos 20 anos, irrompem durante este período também e, é frequente sentirmos um enorme apetite para aprender e melhorar as nossas habilidades.

Este período desafia-nos a canalizar as nossas habilidades para áreas específicas da vida.  A vida pede-nos para nos especializarmos, tornarmo-nos peritos.

A vida diz-nos para nos individualizarmos, tornarmo-nos seres únicos.

Neste ciclo, o antagonismo das nossas ambições e desejos pode causar sensações de angústia, frustração e amargura, o que pode turvar a nossa visão, forçando-nos a ver as pessoas e situações numa perspectiva simplistas de amigo ou inimigo, preto ou branco.

Somos então desafiados a olhar para além da superficialidade e a ver mais profundamente a complexidade da vida e das pessoas.

Estamos sujeitos ao cosmos, às oscilações e por vezes é difícil ter harmonia. É-nos exigida firmeza e estabilidade, tanto material como mental e espiritual e, a consciência de que temos limites causa frustração e tristeza, surgem os abalos da nossa identidade, as crises existenciais. Então, surgem os desejos de mais autoconhecimento e busca espiritual.

A partir deste ciclo há uma renovação porque, partindo da avaliação da trajectória da nossa vida, surgem novos pensamentos, novos valores, novas relações e reorganizações. Estamos agora no comando dos nossos poderes físicos e instintos e temos a capacidade de os usar para realizar os nossos desejos e a nossa visão pessoal.

Idades dos 35 aos 42 anos:  Crise de autenticidade – o questionamento

Na jardinagem e fruticultura chama-se “poda”.  A planta é cortada, aparada, encurtada e, no processo fica mais forte.  Durante este período a crise atinge-nos em cheio. Muitos de nós somos podados por eventos que parecem estar além do nosso controlo e, no processo, sentimos decepção e uma sensação de fracasso.

As decepções mais comuns são as perdas relacionais, profissionais ou financeiras.  Outros sofrem abalos na saúde ou de outro tipo.

O que quer que ocorra, a verdade é que muitos de nós sofremos reveses e perdemos a confiança em nós e na vida. Neste ponto, podemos abraçar as nossas limitações e viver vidas menores, ou arregaçar as mangas e começar de novo.

Somos desafiados a começar de novo, a repensar e refinar os nossos caminhos, mas a permanecer fieis e comprometidos com os nossos sonhos.

Também somos convidados a ampliar a nossa visão da vida e a abraçar uma via mais espiritual.  Viemos a este mundo para aprender e fazer crescer as nossas almas e não para sermos totalmente consumidos por objectivos e ambições materialistas.

A alma abana a jaula da vida durante estes anos e acorda-nos para a sua presença e necessidades.

Somos instados pelo espírito a fazer algumas perguntas simples: Qual é a verdadeira fonte da minha felicidade e de tudo o que eu quero para mim na vida?  É o mundo material, ou tudo que eu preciso e quero flui do espírito?

Se o último é verdadeiro, então devo voltar-me para o espírito para tudo o que preciso e quero e, no processo, devo começar a formar uma nova relação com a minha fonte. Procuramos a essência de tudo, no outro e em nós. O desfio é encontrar valores espirituais e nos reconhecermos como seres únicos.

Segundo Steiner, a nossa humanidade, com as suas qualidades racionais e espirituais, está agora à frente dos nossos instintos, liderando o caminho.

O espírito vai emergindo e começa a tomar conta das nossas vidas. É um ciclo de transição. Antes vivíamos exclusivamente de acordo com os nosso desejos e poder.

Agora voltamo-nos cada vez mais para Deus (ou para a fonte) para tudo o que precisamos. Há uma maior aceitação do que se é, das histórias pessoais e experiências de vida.

Idades dos 42 aos 49 anos: A Busca da alma – altruísmo e expansão

Este ciclo tem tanto de perscrutação da alma como de emaravilhamento com a vida. Estejamos conscientes disso ou não, movemo-nos em direcção a um equilíbrio profundo entre o domínio das nossas habilidades precoces e novos poderes espirituais que nos ajudam a potencializar essas habilidades.

Este é um período de grandes mudanças. Os filhos saem de casa, as mulheres entram na menopausa, surge o medo do envelhecimento e, as questões internas despertadas pelos ciclos anteriores, entram em contradição com o saudosismo, o desejo de reviver experiências da adolescência e fazer coisas que os jovens fazem.

À medida que nos aproximamos dos 49 anos, tornamo-nos cada vez mais conscientes de uma grande transição na vida.

Conforme entramos nos últimos estágios deste período, a criatividade e a imaginação florescem. A nossa visão da vida expande-se e seguimos em novas direcções. Desenvolvemos uma visão mais ampla e humanitária da vida.

Procuramos estar ao serviço da nossa comunidade ou do mundo. Segundo Steiner, o espírito exige-nos que encarnamos os nossos valores espirituais e ideais nas nossas vidas diárias. É um momento em que a alma ganha o controlo crescente sobre as nossas vidas e nos impõe os seus valores.

Começamos a ver, mesmo que apenas intuitivamente, que deve ser alcançado um equilíbrio entre as nossas necessidades terrenas e as nossas preocupações idealistas para com a humanidade. À medida que nos aproximamos dos 50 anos, começamos a sentir que se adivinham grandes mudanças, a ver as partes das nossas vidas que enfatizamos demasiado, e as partes que negligenciamos.

Este é um tempo de reflexão. A nossa intuição torna-se a bússola pela qual dirigimos as nossas vidas.

Dos 49 aos 56 anos:  Uma visão e compreensão da vida cada vez maior

A dádiva dos 50 é a inspiração, o domínio e o poder crescente. Somos abençoados com uma riqueza de experiências que nos deram uma certa sabedoria e, se tivermos integrado os ideais e aprendizagens dos ciclos anteriores, e desenvolvido as nossas almas, emergimos naturalmente como guias e líderes nas nossas comunidades e na sociedade em geral.

É o início de um novo período de maestria e poder pessoal. É a fase de desenvolvimento do espírito e um período em que estamos mais conscientes do mundo e de nós mesmos.

Neste ciclo, desperta em nós o existencialismo e vemos os eventos numa perspectiva mais humanista, sem nos deixarmos abater pelas vicissitudes do dia-a-dia. Se tivemos cuidado da nossa saúde e mantido a vitalidade, agora podemos tornar-nos as pessoas que sempre desejámos ser. O nosso Eu autêntico começa a ganhar forma e a vida ensina-nos a ouvir a voz do coração.

Aqueles que negligenciaram a vida espiritual sentem-se cada vez mais confusos pelo processo de envelhecimento e aterrorizados pela sua própria mortalidade. Apegam-se a uma juventude ilusória e desbotada que, à medida que os anos avançam, se torna cada vez mais fugaz.

Idades dos 56 aos 63 anos.  A encruzilhada: maestria ou reavaliação.

Steiner afirmou que os 56 anos são um importante ponto de viragem na vida.  Nesta fase, emergem à consciência, novas capacidades intuitivas e espirituais, especialmente se tiver sido guiado na vida pelo seu coração e alma. A intuição torna-se o sentido mais importante, que nos conduz às respostas e nos orienta na vida.

É a base do senso de conexão com a fonte e, à medida que a conexão aumenta, experimentamos mais tranquilidade, harmonia e bem-estar com a vida. Tudo isso acontece à medida que o verdadeiro propósito de vida emerge à consciência com maior clareza e poder. Sentimo-nos atraídos para uma missão a que começamos a dedicar todos os nossos talentos, conhecimentos e competências ao serviço de uma causa maior do que as nossas próprias necessidades e ambições pessoais.

De acordo com Steiner, para aqueles que negligenciaram a vida espiritual, este ciclo marca um ponto de viragem em que a vida força uma reavaliação. Este período é frequentemente acompanhado por alguma forma de crise que nos faz reflectir e retornar a uma vida mais centrada no coração e baseada na espiritualidade.

Face a essa crise, disse Steiner, o espírito força a um olhar mais profundo sobre a vida o que, nesse momento, pode ser doloroso e confuso, especialmente se não tivermos dedicado muito tempo ao trabalho de desenvolvimento espiritual e, o medo da morte torna-se desesperante.

Idades dos 63 aos 70 anos:  Tempo de colheita e distribuição da riqueza.

Este período é um tempo de bênção, graça e oportunidade. Nas comunidades tradicionais, estes eram os anciãos, aqueles a quem recorriam pela sua sabedoria, visão e dons intuitivos. Estamos livres das labutas profissionais e, no entanto, ainda podemos ter uma energia e vitalidade consideráveis.  Somos professores, conselheiros, guias e fontes de inspiração para os outros.

Este é o período em que desejamos apoiar os que vêm a seguir a nós, que ainda estão envolvidos nas lutas da vida. É um período de grande poder e recompensa porque já estamos livres das lutas da vida, mas importamo-nos profundamente com as batalhas dos outros. O nosso principal elo de ligação à sociedade é o nosso amor e carinho, e a consciência de que os outros ainda precisam do dom da nossa experiência, sabedoria e orientação.

Acima dos 70 anos:  Reflexão.

Durante este período, já não estamos vinculados por qualquer responsabilidade para com os outros. É um momento em que se avalia e faz um balanço da vida, reflectindo sobre o passado, e experimentando a riqueza do presente.

Este é o limiar do Renascimento para o próximo mundo, o período de preparação para a próxima aventura.  Aguarda-se a chamada.

Todavia, aqueles que negligenciaram o trabalho espiritual, vivem agora atormentados pelo envelhecimento e pelo medo da eminência da sua morte.

Há bênçãos em todas as fases da vida. A nossa energia vital circula pelas diversas fases, a nossa mente tem diferentes níveis de aprendizagem e a nossa espiritualidade também pode estar mais ou menos aberta conforme cada estádio. Todas as culturas tradicionais sustentavam que a vida melhorava à medida que nos íamos tornando mais velhos.

Todavia, essa não é a mensagem passada a muitos de nós neste nosso mundo orientado para a juventude. Compete a cada um de nós, cidadãos do mudo, empreender as mudanças ao nosso alcance para que a vida seja vista com outras lentes, pois há muita verdade no que Steiner e outros disseram – os melhores anos estão à nossa frente, se seguirmos os ditames do coração e desenvolvermos os poderes impressionantes das nossas almas.

Feito com ♥ por Krystel Leal e Ana Paula Vieira
Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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