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O que é ser emocionalmente inteligente?

2 semanas atrás · ·0 Comentários

O que é ser emocionalmente inteligente?

Ser emocionalmente inteligente é muito mais do que possuir um conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as nossas próprias emoções. Trata-se, acima de tudo, de um poder pessoal com o qual podemos adquirir de uma verdadeira consciência emocional a partir da qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos, além de ser essencial para nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

Ser emocionalmente inteligente consiste na capacidade de percepção, atenção, expressão e regulação das emoções, e compreensão e regulação das emoções,  próprias e de outros.

O que é inteligência emocional?

Certamente a maioria de nós já ouviu falar ou leu sobre Inteligência Emocional ou até já fez algum curso relacionado com o tema. Ela está presente em muitos contextos da nossa vida pessoal e social diária. Esta inteligência revela-se nas interacções com os outros, em família, com amigos, na escola ou universidade, no trabalho, ou qualquer contexto de interacção social.

As primeiras definições de inteligência referiam-se às capacidades cognitivas e intelectuais, deixando de lado as competências emocionais. O psicólogo e investigador Howard Gardner, num esforço de analisar e descrever melhor o que é a inteligência, desenvolveu, durante os anos da década de 1980, a Teoria das Inteligências Múltiplas. Numa fase inicial, Gardner (1983) identificou sete tipos de inteligência: musical, linguística, lógico-matemática, visuo-espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal e interpessoal.  Isto levou a uma classificação da inteligência em diferentes tipos, como a lógico-matemática, linguística e emocional.

O debate em torno das inteligências pessoais de Gardner, conduziu à definição básica de Inteligência Emocional (IE). O psicólogo Salovey expandiu as aptidões pessoais a 5 domínios: a capacidade de conhecer as próprias emoções; a capacidade de lidar com essas emoções e sentimentos; a automotivação; a capacidade de reconhecer emoções nos outros; e de lidar com as emoções dos outros. Para Salovey estas eram as habilidades necessárias para se ser emocionalmente inteligente.

Uma definição de Inteligência Emocional

Apesar das pesquisas terem sido desenvolvidas por diversos investigadores, usualmente este tema é, quase que instantaneamente, relacionado com o nome do psicólogo Daniel Goleman. Para ele, Inteligência Emocional significa a capacidade de se motivar, perseverar diante das frustrações, controlar impulsos e regular o humor, e também de ser capaz de sentir empatia e confiar nos outros.

Daniel Goleman define a Inteligência Emocional como “a capacidade de reconhecer os nossos sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerirmos bem as emoções em nós e nas nossas relações.” (1)

O termo Inteligência Emocional foi cunhado por Michael Beldoch em 1964, que o utilizou em artigos científicos, muito antes de Goleman publicar o seu famoso livro “Inteligência Emocional” em 1995. Estes artigos falavam da comunicação e da sensibilidade emocional, das suas implicações e da forma como determinam a nossa personalidade e os nossos relacionamentos. Desde então, o tema avançou de forma notável, dando lugar a diferentes abordagens e críticas.

A inteligência emocional é muito mais do que um mero conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as próprias emoções. A implicação que esta perspectiva psicológica, social e motivacional teve no nosso dia a dia supera possíveis brechas que possam existir na teoria de Daniel Goleman.

Componentes da Inteligência Emocional

Goleman elencou cinco pilares que se referem à definição anterior, na qual foram identificados vários componentes.

Autoconhecimento emocional

Autoconhecimento emocional refere-se à capacidade de identificar, conhecer e expressar de maneira adequada e confiável os nossos próprios sentimentos e emoções, e também os seus efeitos. O primeiro passo é conhecermo-nos, analisar as nossas emoções e as acções que fazemos como resposta aos estímulos.

Devemos estar conscientes de que a Inteligência Emocional é um processo gradual e que varia de pessoa para pessoa. É essencial conhecermos bem as próprias emoções e sentimentos, e as acções que originam. Só assim poderá ter respostas adequadas, para si e para os outros.

Autocontrolo emocional

Autocontrolo emocional é a capacidade de controlar os próprios impulsos e regular as emoções.

Tenha em mente que todos nós temos momentos stressantes ou em que nos sentimos ansiosos por algum motivo. Aprender a lidar com as emoções e regulá-las, colocá-la-á na direcção certa conforme cada situação, fará toda a diferença entre o equilíbrio e a disfunção. Seja optimista, procure ver sempre o lado positivo das coisas e lembre-se que cada situação tem diversas saídas.

Automotivação

Automotivação é o que nos permite alcançar os nossos próprios objectivos, através da gestão adequada das emoções. Ao saber utilizar adequadamente as suas emoções terá mais facilidade em alcançar os seus objectivos, sem passar por cima de ninguém.

É essencial aprender a responder aos seus estímulos, para depois decidir como quer agir para atingir as suas metas. Por outro lado, temos um processo inconsciente, onde experienciamos os gatilhos emocionais a que reagimos, expressando as emoções de forma instantânea. Isto muitas vezes gera arrependimentos e desvios das nossas metas.

Consciência Social ou Empatia

Empatia é definida como a capacidade de responder adequadamente às necessidades expressas pelos outros, bem como a capacidade de partilhar esses sentimentos.

Aprender a se colocar no lugar do outro, de reconhecer as emoções dos outros e compreender os seus comportamentos, torna-nos mais sensíveis e abertos.

Relações interpessoais

Relações interpessoais neste caso, é a capacidade de nos relacionarmos eficientemente com os outros, fazendo com que se sintam bem e gerando emoções positivas.

Saber se relacionar interpessoalmente é outro ponto chave para o sucesso. Ao perceber e gerir as emoções dos outros será capaz de manter boas relações. Isso irá criar um ambiente positivo à sua volta, melhorando não só a sua qualidade de vida, mas também contagiando aqueles que estão ao seu redor.

Benefícios da Inteligência Emocional

Agora que compreendeu quais são os 5 pilares da Inteligência Emocional, já deve ter extraído alguns benefícios de ter uma IE bem desenvolvida. Todos temos desafios diários, metas e prazos para cumprir, família e filhos com quem lidar, reuniões onde participar e decisões para tomar. Estamos a ser constantemente observados e avaliados e vivemos quase sempre sob pressão. Para lidarmos com as pressões diárias, a chave é aplicar os pilares da Inteligência Emocional, o que lhe trará vários resultados positivos.

Principais benefícios

Veja alguns dos principais benefícios que obterá ao desenvolver melhor a sua Inteligência Emocional:

  •  Diminuirá os seus níveis de ansiedade e de stress;
  •  Evitará discussões e melhorará os seus relacionamentos interpessoais;
  •  Terá mais empatia pelo outro e maior compreensão;
  •  Irá obter mais equilíbrio emocional;
  •  Ganhará maior clareza dos objectivos e acções;
  •  Irá melhorar a sua capacidade de tomar decisão;
  •  Melhorará a sua gestão de tempo e produtividade;
  •  Aumentará o nível de comprometimento com as suas metas;
  •  Terá mais senso de responsabilidade e uma melhor visão do futuro;
  •  Elevará a autoestima e autoconfiança.

Conclusão

Ser emocionalmente inteligente envolve a aquisição de uma verdadeira consciência emocional com a qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos. A IE, além de nos permitir a auto-regulação emocional, é uma chave de poder com a qual nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

Uma vez que consigamos nos tornar mais conscientes das emoções, nossas e dos outros, e do papel que desempenham nas nossas acções, podemos usar essa conscientização e reflectir. Reflectir sobre o que aconteceu e sobre o que poderia ter tornado o resultado mais positivo é útil para prevenir dissabores futuros.

Os investigadores concluíram que estas competências emocionais têm enorme influência nas habilidades adaptativas e cognitivas das pessoas. Por isso, lembre-se que ponderar antes de tomar decisões trar-lhe-á diversos benefícios e prevenirá o surgimento de conflitos ou de arrependimento pelos seus actos. E, quando estiver sob pressão, o mais importante é procurar manter a calma. Encontre uma distracção, faça uma actividade prazerosa e canalize a sua ansiedade de forma positiva.

Se gostou do tema e/ou do artigo, por favor deixe o seu comentário ou envie um e-mail. Adoraria saber a sua opinião.

 

Refeências Bibliográficas:

Daniel Goleman, Trabalhar com Inteligência Emocional (Lisboa: Círculo de Leitores e Temas e Debates, 1998, 5ª edição, 2012.

O que é o Trabalho Interior?

4 meses atrás · ·0 Comentários

O que é o Trabalho Interior?

O trabalho interior é a verdadeira essência da espiritualidade, é o que nos conduz ao verdadeiro despertar.

Quando fazemos trabalho interior, estamos a acender a luz da consciência na nossa paisagem interior. A parte de nós que é composta pelas várias camadas da nossa mente: o consciente, o subconsciente e o inconsciente.

O que poderia ser melhor do que curar, evoluir, tornar-se mais feliz, sentir-se livre, assumir o seu poder pessoal, viver em harmonia consigo e com os outros, e emanar energias de mudança para todo o ambiente envolvente? Todavia, é aqui que reside um dos temores mais secretos do se humano.

Então, se o trabalho interior é um caminho tão digno, por que nos sentimos secretamente aterrorizados em relação a ele?

A verdadeira cura emocional,  a transformação e o despertar só são possíveis com trabalho interior.

O trabalho interior é a prática psicológica e espiritual de mergulhar profundamente no nosso eu interior com o propósito de auto-exploração, auto-compreensão, cura e transformação. Contudo a maioria de nós oferece resistência, inconscientemente, porque que penetrar no nosso íntimo aterroriza-nos.

O nosso eu interior é o fiel depositário dos nossos sentimentos, memórias, preconceitos, pensamentos, crenças, feridas psicológicas, sombras e outras situações mentais/emocionais que influenciam a nossa capacidade de transformação e de nos sentirmos Inteiros a um nível nuclear. Ao fazermos trabalho interior, temos acesso ao âmago do nosso ser e concedemo-nos a oportinidade de ultrapassar medos, bloqueios, depressões, solidão e sentimentos de desconexão que tendem a atormentar a maioria dos seres humanos.

Preferimos morrer na ignorância do que admitir que estamos errados

A realidade é que é mais fácil apontar o dedo a outras pessoas e encontrar um culpado fora de nós, do que procurar dentro de nós mesmos a fonte do nosso próprio sofrimento. Preferimos adoptar uma mentalidade de vítima do que ousarmos olhar-nos ao espelho com honestidade. Em alguns casos, preferimos morrer na ignorância obstinada do que admitir que estamos errados, enganados, ou que somos culpados, responsáveis pelo nosso sofrimento e pela dor dos outros.

Os nossos egos são construções frágeis, sedentas de controlo e poder. O trabalho interior enfraquece o Ego porque, na sua própria essência, coloca a verdade e o desejo de Amor acima de tudo. O trabalho interior é um processo de desconstrução e de renascimento. É um processo incessante porque, mesmo depois de atingirmos um nível de consciência elevado, se acreditarmos que o trabalho está concluido, é quando a sombra volta a reaparecer. É quando ocorre a estagnação que o narcisismo espiritual prospera.

Quando nos entregamos intencionalmente ao trabalho interior, estamos em busca de abraçar a dualidade da nossa existência, de percorrer os nossos recantos mais escondidos, dispostos a morrer e a renascer uma e outra vez. Procuramos entrar em contacto com tudo aquilo em que nos podemos tornar, enfrentar as nossas sombras mais tenebrosas, encarnar a nossa luz mais divina, experienciar a Unicidade.

O trabalho interior é escolher o caminho menos percorrido

É muito mais fácil viver uma existência de seguidores e percorrer o caminho que os outros abriram antes de nós do que escolher o caminho menos percorrido. É muito mais fácil adoptar o papel de vítima, apontar o dedo aos outros e negligenciar a auto-responsabilidade.

Percorrer o caminho menos percorrido é muito mais difícil, desconfortável, e muito mais exigente. E a maioria das pessoas NÃO está pronta ou disposta a fazer essa escolha.

A auto-comiseração e a complacência proporcionam um certo conforto, mas é precisamente esse conforto que ironicamente leva ao vazio, à perda da alma e à completa privação de qualquer coisa verdadeiramente real, verdadeiramente digna de ser vivida.

Quando for capaz de seguir a sua intuição, o caminho torna-se mais bem definido.

Há várias maneiras de tornar o caminho do trabalho interior mais suportável. A ligação com a sua fonte de poder mais profunda, o seu espírito livre interior e a sua essência pura, é a primeira. Quando for capaz de seguir o seu instinto e intuição, de ver claramente, de fazer escolhas sábias, e de se proteger daqueles que procuram prender-se a si, o caminho torna-se mais bem definido.

Lembre-se que por muito doloroso que seja, “a fénix renasce das cinzas”,  ou seja, por muito mal que se sinta, a dor é um catalisador para uma profunda transformação espiritual. Aliás, atrevo-me a dizer que sem dor não há apelo ao trabalho interior.

Por último, quero que compreenda que, pela sua natureza, o ego será sempre contra o trabalho interior. É a nossa alma que nos conduz ao trabalho interior, por isso seria benéfico para si aprender a distinguir entre a voz do medo (o ego) e a voz da sua intuição (a alma).

Conforme escreveu Carl Jung:

“As pessoas farão tudo, por mais absurdo que seja, para evitar enfrentar as suas próprias almas.”

 

P.S. Se gostou deste artigo, deixe o seu comentário abaixo. Eu sinto-me sempre inspirada cada vez que alguém deixa um comentário.

Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

12 meses atrás · ·2 comentários

Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

Todos nós, provavelmente, em algum momento da nossa vida, já nos sentimos vítimas. Face a circunstâncias difíceis das nossas vidas em que tivemos de enfrentar experiências dolorosas ou traumáticas, certamente nos sentimos vulneráveis e frágeis, desejosos de cuidado e protecção.

Neste tipo de situações em que existe uma condição objectiva de vitimização, a vítima requer atenção, cuidado, apoio e carinho.  Todavia esta é uma condição passageira, muito diferente daquela em que a pessoa passa a ostentar a condição de vítima como algo definitivo. A isto se chama cultura da Vitimização e da Manipulação emocional.

Comecemos pela Vitimização!

A vitimização ocorre quando o acontecimento traumático se converte em identidade própria da pessoa que o experienciou.  Ao descobrirem que, sendo vítimas, beneficiam do cuidado e atenção permanente dos outros, as pessoas com tendência para a vitimização, entram num ciclo vicioso de chamada de atenção. A vitimização, só por si, não é uma patologia classificada no DSM-5, embora indicie a possibilidade do desenvolvimento de um transtorno paranóico de personalidade.

As pessoas com propensão à vitimização acreditam que tudo que lhes acontece é culpa dos outros ou das circunstâncias. O seu locus de controlo é externo, ou seja, a pessoa não assume a responsabilidade pelas suas próprias acções. Pelo contrário, transfere-a para factores externos, alheios a si própria.

A vitimização é uma estratégia benéfica para quem assume a condição de vítima

A vitimização é, em muitas situações, uma estratégia extremamente benéfica para a pessoa que assume a condição de vítima, porque lhe permite obter privilégios que de outra forma não conseguiria alcançar. A pessoa acaba por contar, de uma forma ou de outra, com a compaixão e a compreensão das outras pessoas, independentemente do que faça.

Com efeito, quem coloque em causa os comportamentos e as acções das supostas vítimas, arrisca-se a ser apontado como desumano ou insensível. Este aspecto abre espaço para uma espécie de permissividade e imunidade, dando total cobertura a tudo o que a vítima diz ou faz, sem questionar. Todavia, a vitimização calculada, seja ela consciente ou inconsciente, encobre uma espécie de chantagem emocional.

A manipulação é uma estratégia da pessoa propensa à vitimização

A manipulação é uma estratégia desenvolvida pela pessoa com propensão para a vitimização, no sentido de ver satisfeitas as suas necessidades de atenção. O manipulador emocional usa a sua condição de vítima para impor os seus desejos e caprichos. O manipulador age de forma a que o outro se sinta culpado e faça tudo o que ele deseja. Esse é o grande problema da manipulação. Por ser um comportamento velado, as pessoas que são manipuladas nem sempre se apercebem do que está realmente a acontecer e acabam por ser iludidas permitindo que os manipuladores façam o que querem.

O manipulador usa a chantagem como forma de comunicação

O manipulador usa a chantagem emocional como forma de comunicação. Quando as outras pessoas não fazem o que ele desejacoloca-as no papel de carrascos, reclamando para si mesmos o papel de vítima. Essa atitude provoca sentimentos de culpa nos outros que tudo farão para corrigir o dano causado, mesmo que tenham de abdicar de si mesmos.

A pessoa manipuladora com tendência à vitimização é capaz de fazer grandes sacrifícios pelos outros, sem que ninguém lhe peça nada, colocando-se assim no papel de vítima da vida. Quando alguém apresenta este tipo de comportamento, estamos perante uma pessoa com baixa auto-estima que só se sente válida quando se sacrifica em prol dos outros.

Nestes casos, trata-se de alguém que não fechou o ciclo de uma experiência traumática ou que perdeu o gosto pela vida. Estas pessoas precisam de apoio urgente. Necessitam de alguém que as compreenda, que seja emocionalmente competente, que lhes mostre compaixão e as ajude a lidar com o seu trauma e a desenvolver maturidade emocional, para mudarem de atitude.

Em conclusão: a cultura da vitimização e da manipulação leva-nos a renunciar aos nossos próprios desejos e necessidades em prol dos outros. Este tipo de comportamento é comum em pessoas emocionalmente imaturas ou com baixo QE. Assim, é importante que estejamos conscientes destes padrões de comportamento, não só para nos protegermos, mas também para ajudarmos a promover a mudança na pessoa que assume o papel de vítima e/ou manipuladora.

Autoconsciência – o que é e porque é importante

1 ano atrás · ·0 Comentários

Autoconsciência – o que é e porque é importante

O interesse pelo tema da auto-conscientização remonta à Grécia antiga, expresso no famoso aforismo “conhece a ti mesmo”, uma das máximas de Delfos inscrita no pronau (pátio) do Templo de Apolo. No último século, a psicologia ocidental voltou a interessar-se pelo tema da autoconsciência, o qual tem sido extensivamente estudado por filósofos e psicólogos.

Neste artigo, irei abordar o que é a autoconsciência, em que medida ela pode ser benéfica numa uma sessão de terapia, por que é difícil alcançá-la e como é possível cultivá-la.

Definição de auto-conscientização

Enquanto a conscientização é saber o que está a acontecer à nossa volta, a autoconsciência é saber o que estamos a vivenciar. Por outras palavras, a autoconsciência é uma consciência do self, sendo o eu o que torna a identidade única. Esses aspectos únicos incluem pensamentos, experiências e habilidades.

Os psicólogos Shelley Duval e Robert Wicklund desenvolveram a teoria da autoconsciência em 1972. Segundo eles:

“Quando focamos a nossa atenção em nós mesmos, avaliamos e comparamos o nosso comportamento actual com os nossos padrões e valores internos. Nós tornamo-nos autoconscientes e avaliadores objectivos de nós mesmos”.

Em essência, eles consideram a autoconsciência um importante mecanismo de auto-rgulação.

A autoconsciência é a capacidade de saber o que estamos a fazer, quando estamos a fazê-lo e entender por que o estamos a fazer.

O psicólogo Daniel Goleman, no seu best-seller “Inteligência Emocional”, propôs uma definição de autoconsciência: “conhecer os estados internos, preferências, recursos e intuições”.

Essa definição coloca mais ênfase na capacidade de monitorar o nosso mundo interior, os nossos pensamentos e emoções à medida que eles surgem.

Para que nos serve a autoconsciência?

A autoconsciência é a base para a inteligência emocional, a auto-regulação e a maturidade emocional.

A capacidade de monitorar as nossas emoções e pensamentos a cada momento é fundamental para nos compreendermos melhor, estar em paz com quem somos e gerir proactivamente os nossos pensamentos, emoções e comportamentos.

É importante reconhecer que a autoconsciência não se limita ao que percebemos sobre nós mesmos, mas também sobre como percebemos e monitoramos o nosso mundo interior.

A autoconsciência vai muito além do acumular de conhecimento sobre nós mesmos: trata-se também de prestar atenção ao nosso estado interior com uma mente de principiante e um coração aberto.

À medida que percebemos o que está a acontecer dentro de nós, podemos reconhecê-lo e aceitá-lo como parte integrante do ser humano, em vez de nos incomodarmos com isso. Assim, desenvolvemos agilidade emocional.

A autoconsciência é importante?

Segundo Daniel Goleman, a autoconsciência é a pedra basilar da inteligência emocional.

As pessoas autoconscientes tendem a agir conscientemente (em vez de reagir passivamente), e tendem a ter boa saúde psicológica e a ter uma visão positiva da vida. Elas também têm uma maior profundidade de experiência de vida e são mais propensas a ser compassivas.

Um estudo desenvolvido por Sutton (2016) sobre os benefícios da autoconsciência, concluiu que aspectos da autoconsciência como a auto-reflexão, introspecção e atenção plena podem levar a benefícios como mais receptividade e conexão, enquanto os aspectos de ruminação e desconexão podem causar sobrecargas emocionais.

Por que é difícil ser auto-consciente?

A resposta mais óbvia é que na maioria das vezes simplesmente não nos observamos. Ou seja, não prestamos atenção ao que está a acontecer dentro de nós ou à nossa volta. Outra razão é porque a autoconsciência é uma habilidade e, como qualquer habilidade, precisa de ser aprendida.

Toda a aprendizagem passa por vários estágios primários, sendo um deles a incompetência inconsciente. Devido ao desconforto que essa incompetência nos traz, muitas vezes evitamos aprender coisas novas. Aprender a autoconsciência requer o mesmo desconforto.

Como tal, a maioria das pessoas passa a vida sem desenvolver a autoconsciência.

Os psicólogos Matthew Killingsworth e Daniel T. Gilbert descobriram que nós operamos, quase metade do tempo, em “piloto automático”, isto é, inconscientes do que estamos a fazer ou de como nos sentimos, enquanto a nossa mente vagueia por outro lugar que não seja o aqui e agora.

Além do desvario mental, o viés cognitivo também afecta a nossa capacidade de compreensão precisa de nós mesmos; tendemos a acreditar no juízos e crenças que apoiam o nosso senso do eu já existente.

O economista comportamental Daniel Kahneman, autor do best-seller Pensar, Depressa e Devagar, mostra que apesar da nossa confiança no nosso autoconhecimento, geralmente estamos errados.

Como se pode constatar, não somos tão conscientes quanto poderíamos pensar. E, se não somos conscientes, somos inconscientes.

Como desenvolver a autoconsciência?

A autoconsciência é uma habilidade fundamental e essencial para qualquer pessoa interessada no desenvolvimento pessoal autêntico.

A chave para desenvolver a autoconsciência é a mesma de qualquer outra habilidade: é necessário método e orientação corretos combinados com a prática consistente.

Felizmente, há muitas actividades de autoconsciência e exercícios destinados a aumentar a nossa sensibilidade em relação ao que está a acontecer dentro de nós e à nossa volta.

Como aprofundar o autoconhecimento?

A maioria das tentativas de desenvolver a autoconsciência fracassa porque visam apenas o neocórtex (pensamentos, crenças, preconceitos). A nossa mente é extremamente hábil a armazenar informações sobre como reagimos a um determinado evento e a criar modelos da nossa vida emocional.

Essas informações acabam geralmente por condicionar a nossa mente a reagir de uma certa maneira, à medida que nos deparamos com eventos semelhantes no futuro.

A autoconsciência permite-nos estar conscientes desse condicionamento e dos preconceitos da mente, que pode ser o ponto de partida para os libertar.

O objectivo é tornarmo-nos mais conscientes do que impulsiona o nosso comportamento. Para isso, precisamos de aumentar a nossa sensibilidade às nossas emoções e instintos, e explorar os nossos pensamentos, crenças e preconceitos com mais eficácia.

O Autoconhecimento começa no interior

A autoconsciência consiste em estar atento às nossas identidades e experiências vividas e como elas se relacionam com as de outras pessoas à nossa volta.

Não é fácil, mas existem algumas opções simples.

  1. Reconexão: A reconexão deve ser sempre o ponto de partida porque aumenta a nossa atenção. Refugie-se por algum tempo, longe de distrações físicas, sonoras, digitais…, e preste atenção ao seu mundo interior – o que está a sentir, o que diz a si mesma e anote o que observa. Passe algum tempo consigo mesma todos os dias – escreva, medite e conecte-se consigo mesma – no início da manhã ou meia hora antes de dormir.
  2. Prática de Meditação Mindfulness: A atenção plena é a chave para a autoconsciência. A prática da atenção plena, consite em focar a atenção no estado interior – pode ser a respiração ou os pensamentos, mas também pode ser qualquer informação que venha através dos cinco sentidos. Através da meditação observacional, criamos um espaço entre o agente das acções, o pensador dos pensamentos e o sentimento dos sentimentos.
  3. Prática da escuta empática: Ouvir não é o mesmo que escutar. Escutar é estar presente e prestar atenção às emoções e à linguagem verbal e não verbal das outras pessoas. É mostrar empatia e compreensão sem avaliar ou julgar constantemente. Quando se tornar uma boa ouvinte, também ouvirá melhor a sua própria voz interior e tornar-se-á a melhor amiga de si mesma.
  4. Manter um diário: Escrever ajuda-nos, não só a processar os nossos pensamentos, mas também faz-nos sentir conectados e em paz connosco mesmos. Há abundante evidência ciêntifica de que escrever as coisas pelas quais somos gratos ou até mesmo coisas com as quais nos debatemos ajuda a aumentar a felicidade e a satisfação. Também pode usar o diário para registar o seu estado interno. Experimente – dedique a isso por uma hora no fim de semana. Poderá se surpreender com o que  escreve!

Ser autoconsciente é crucial, sobre todos os aspectos, para se estar ciente dos pensamentos e emoções que se está a sentir em cada momento, para agir em vez de reagir. A autoconsciência promove a resiliência!

Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
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