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Emoções no ambiente de trabalho

1 mês atrás · ·0 Comentários

Emoções no ambiente de trabalho

Os profissionais de gestão de recursos humanos e de outras áreas de estudo do mundo do trabalho chamam às competências emocionais “soft skills”. Esta é uma competência reconhecidamente essencial em todas as situações da vida, e especialmente, no ambiente de trabalho. Mas saber gerir as emoções no ambiente de trabalho, as próprias e as dos outros, muitas vezes é tudo menos suave.

Passamos mais tempo no trabalho do que com a família.

A maioria de nós passamos mais tempo no trabalho (pelo menos era esse o cenário antes da pandemia), do que com a nossa família. Se somarmos as horas de trabalho e o tempo passado nos trajectos, e adicionarmos o tempo despendido em formação profissional para progredir na carreira, facilmente concluiremos que passamos mais tempo no trabalho do que em qualquer outro lugar. No entanto, para a maioria das pessoas, o local de trabalho não proporciona um ambiente agradável, saudável ou emocionalmente bem gerido. Muitos de nós temos tido empregos onde a atmosfera emocional foi tão mal gerida que afectou todos os aspectos possíveis do nosso trabalho e, não raras vezes, com impacto na nossa própria vida.

Sabemos que as emoções são aspectos vitais da nossa capacidade de pensar, compreender o mundo, sentir e agir adequadamente. As competências emocionais são as aptidões mais importantes que podemos possuir. No entanto, a maioria de nós não foi explicitamente ensinado acerca dos estados emocionais em contexto de trabalho; supostamente, deveríamos simplesmente absorvê-los por osmose cultural. E, apesar de muitos de nós termos sido ensinados a reprimir ou a suprimir as emoções e não a sermos emocionalmente ágeis. Estranhamente, apesar de não aprendermos sobre as emoções no ambiente de trabalho, temos espectativas em relação ao estado emocional das pessoas em contextos profissionais.

Expectativas de trabalho emocional

Tipicamente temos expectativas implícitas em relação às pessoas em funções de atendimento ou de venda ao público. Assumimos que devem ser empáticas para com o cliente e mostrar que se preocupam connosco, mesmo que ganhem o salário mínimo e que nós sejamos ricos; mesmo que estejam bem vestidos e que nós tenhamos acabado de sair da praia, com o cabelo ainda molhado. A nossa posição como cliente – ou mesmo como potencial cliente – independentemente da nossa aparência ou do nosso comportamento, confere-nos o direito a receber gratuitamente empatia e respeito.

É um facto que, fruto das mudanças que se operaram nas nossas vidas devido à situação pandémica, os estados emocionais de muitas pessoas assemelham-se mais a montanhas russas. No entanto, repare nas situações carregadas de tensão emocional das pessoas que a servem, e das pessoas a quem serve. Provavelmente há regras emocionais muito específicas para o seu trabalho (mesmo que não sejam expressas), para os proprietários e funcionários das empresas que visita (especialmente restaurantes e lojas), mesmo que nunca tenha posto os olhos em cima de ninguém nesse estabelecimento antes.

As nossas expectativas em relação às emoções dos profissionais e à empatia profissional estão tão enraizadas que sabemos o que esperar. Sabemos como cada pessoa numa determinada área de negócio se deve comportar para connosco, como nos devemos comportar para com elas, e como os outros clientes se devem comportar em relação a todos nós. Todos temos um papel muito específico a desempenhar, e um desempenho emocional e empático particular imprescindível.

Verifique por si mesmo

No seu próprio trabalho, seguramente que tem expectativas muito específicas em termos de desempenhos emocionais e empatia para si próprio, para os seus colegas de trabalho, ou para os seus colaboradores e clientes, e para os gestores ou patrões. No entanto, embora saibamos como todos se devem comportar, este conhecimento não é claro. As nossas emoções e estados emocionais fazem parte do que damos (e do que se espera de nós) no local de trabalho. Mas os séculos de deseducação emocional ainda nos assombram, e continuam a ser cometidos imensos erros neste âmbito.

Muitos dos problemas observáveis nos locais de trabalho giram em torno das emoções relacionadas com o trabalho que ou não está a ser feito (o empregado problemático), ou está a ser realizado, mas não é valorizado (o empregado sobrecarregado ou o empregado que está a trabalhar em excesso). O local de trabalho pode tornar-se realmente miserável quando há problemas na esfera da gestão das emoções.

Exigências de trabalho emocional no local de trabalho

Em muitos casos, as regras relativas às questões emocionais exigem que nos comportemos de forma inautêntica uns com os outros e em relação a nós próprios. Isto não quer dizer que as emoções relacionadas com o trabalho não sejam autênticas ou sejam tóxicas: Em termos empáticos, todos nós nos esforçamos por nos ajudarmos uns aos outros a funcionar (e a nos tornarmos mais competentes) no mundo social, e por vezes isso significa mostrar emoções que não estamos propriamente a sentir ou esconder as que sentimos.

No entanto, o trabalho emocional é trabalho, e se não temos consciência de quanto trabalho emocional fazemos (ou quanto se espera que os outros façam por nós) então o burnout ou o esgotamento empático é uma possibilidade muito real para todos. Este trabalho emocional quotidiano é o que faz com que as relações fluam sem problemas; é o que nos ajuda a nos relacionarmos e a nos apoiarmos uns aos outros, e é o que nos ajuda a amadurecer como seres emocionais, sociais e empáticos. As emoções ajudam-nos em tudo aquilo que fazemos e cada emoção traz-nos uma forma única de inteligência, competência e engenho.

Valorização do trabalho emocional

Ao observar empaticamente o seu mundo social, faça um inventário do trabalho emocional que desenvolve e pergunte-se a si própria/o: O meu trabalho emocional está a ser reconhecido por alguém? Está a ser apreciado? É sequer referenciado? Poderá tornar-se mais intencional e consciente? E será que resulta bem com toda a gente?

O trabalho emocional é um aspecto intrínseco das aptidões de empatia e relacionamento, mas tende a ser completamente inconsciente e, como tal, tende a permanecer no mundo oculto de subtilezas, subjectividades, gestos e expectativas não expressas. Todavia, existem formas de tirar o trabalho emocional das sombras.

A natureza oculta do trabalho emocional

O trabalho emocional no local de trabalho é determinante para a produtividade e eficiência. Empaticamente falando, já vi e já experienciei situações de emoções mal geridas, de emoções injustas em acção e empatia imposta, inautêntica, com impacto profundo na qualidade do ambiente de trabalho. Agora percebo que a empatia imposta é um factor importante e integrante da não rentabilidade e ineficiência no local de trabalho, mas simplesmente não sabia como lhe fazer referência de forma correcta.

Durante décadas interroguei-me muitas vezes sobre a atmosfera emocionalmente conservadora (quando não tóxica) no local de trabalho, mas as referências em termos de literatura ou pesquisa relativas à natureza do trabalho emocional eram escassas. Ao nível do ensino académico, quer em Gestão de Recursos Humanos ou Gestão das Organizações quase não despendem tempo com trabalho emocional e exigências de empatia forçada, pois o foco principal é a organização administrativa e a forma de lidar com empregados problemáticos. Portanto muito pouca compreensão dos cambiantes das emoções no trabalho e de como um local de trabalho sem apoio pode criar uma atmosfera emocional improdutiva que depois criará empregados problemáticos!

Há também muito pouca consciência da razão pela qual as pessoas se esgotam: a maioria das respostas e prevenção do “burnout” que me ensinaram incidiam em como tornar os empregos mais variados e interessantes, mas quase não havia consciência do potencial de “burnout” em trabalhos sem apoio emocional, pouco justos ou de empatia forçada.

O que dizem os peritos

A questão da gestão dos estados emocionais no local de trabalho sempre foi algo que me suscitou interesse. Na minha formação profissional extracurricular em gestão de equipas ou gestão de conflitos também não encontrei qualquer menção relativa ao trabalho emocional ou ao seu efeito de contágio na disposição moral no local de trabalho. Até mesmo a Inteligência Emocional que é referênciada há várias décadas como crítica para o bom desempenho profissional, continua a não ser muito valorizada em termos de formação. Infelizmente, temos especialistas e processos no local de trabalho para quase todos os outros problemas que existem no local de trabalho, excepto para a problemática do trabalho emocional.

Os profissionais de Recursos Humanos cujo trabalho é humanizar o local de trabalho não foram formados ou treinados de forma fiável para compreender o trabalho emocional. Os profissionais de Organização de Processos cuja função é planear e organizar o trabalho e/ou equipas, não têm qualquer formação de base sobre o trabalho emocional, que é a habilidade empática central que torna o local de trabalho funcional (ou, mais comummente, disfuncional). Os Orientadores de Carreira, cujo trabalho é ajudar-nos a encontrar trabalho, normalmente não têm qualquer formação directa ou compreensão do trabalho emocional. E, em resultado disso, acaba por haver muitos locais de trabalho onde o ambiente emocional e empático não é gerido de forma eficaz.

As emoções são aspectos vitais da nossa capacidade de pensar, decidir, comportar e agir, e cada uma delas traz-nos dons e habilidades específicas e, se não compreendermos que as emoções vêm para nos ajudar, podemos culpar as emoções pelos problemas. Os gestores podem aprender a identificar as cargas emocionais dos seus colaboradores e, com base nessa informação, começar a criar locais de trabalho emocionalmente bem geridos que não esgotem as pessoas desnecessariamente.

Criar um local de trabalho emocionalmente produtivo

A chave para criar um local de trabalho emocionalmente consciente e produtivo que respeite as necessidades sociais e emocionais de todos é empenhar-se para que as cargas emocionais sejam reconhecidas, apreciadas e geridas adequadamente. Com estes objectivos em mente, eis algumas abordagens para o ajudar a criar um ambiente emocionalmente bem regulado no local de trabalho que funcione para todos.

  1. Tenha consciência das cargas emocionais relacionadas com o trabalho que os seus colegas levam para casa. Em muitos (ou na maioria?) dos locais de trabalho, as pessoas devem gerir as suas próprias emoções, acalmar as emoções dos outros e oferecer empatia gratuita ao longo do dia. Isto é óptimo quando o ambiente é bom, mas se as pessoas estiverem a ser drenadas emocionalmente o trabalho emocional pode ser fatigante.
  2. Apoie o direito das pessoas de se sentirem confortáveis no trabalho. A maioria dos modelos de local de trabalho baseiam-se na poupança de custos ou em tendências actuais de organização no local de trabalho – mas raramente se focam na realidade que as pessoas vivem no trabalho. Se as pessoas trabalham 35 a 40 horas por semana, passam mais tempo no trabalho do que em casa ou com as suas famílias, por isso devem estar física e emocionalmente confortáveis no seu ambiente de trabalho.
  3. Esteja atento às exigências emocionais no seu local de trabalho. Identifique qualquer trabalho emocional não apoiado e reconheça-o abertamente. Que emoções são exigidas na interacção com clientes, fornecedores e colegas de trabalho? É necessária empatia para com os clientes, a qual não é reconhecida? Existe algum apoio para as pessoas que estão sobrecarregadas ou a caminho de um esgotamento? E que tipo de regras emocionais existem, e para quem?
  4. Identifique e reconheça qualquer situação de desigualdade emocional. Há excepções às regras emocionais em diferentes níveis da organização? É permitido a uma pessoa ou grupo expressar (por exemplo) raiva, depressão ou ansiedade, enquanto os outros devem demonstrar apenas satisfação e complacência? A empatia está disponível para todos ou é dirigida unicamente aos clientes e fornecedores? Na medida do possível, reconheça abertamente qualquer exigência de empatia ou trabalho emocional desigual ou diferenciado.
  5. Promova conversas abertas sobre o impacto do trabalho nas emoções. O esgotamento ocorre quando as pessoas não estão autorizadas a identificar ou a falar sobre as suas emoções no trabalho ou sobre as exigências de empatia na profissão. Pode ajudar a conceber um local de trabalho mais saudável, mais funcional e mais bem regulado do ponto de vista emocional se puder simplesmente falar aberta e honestamente sobre as emoções e a empatia no trabalho.

A verdade é que geralmente passamos mais tempo no local de trabalho do que com a nossa família e amigos. E todos nós merecemos viver bem, ser bem tratados e ver o nosso trabalho emocional valorizado como o trabalho essencial que é. Enquanto líder ou gestor, pode ganhar consciência do trabalho emocional que faz e do trabalho emocional e de empatia que exige aos outros e, ao fazê-lo, pode desenvolver um ambiente mais solidário, emocionalmente bem regulado e verdadeiramente funcional para todos!

O que vai emergir da pandemia

5 meses atrás · ·0 Comentários

O que vai emergir da pandemia

Um simples virus foi quanto bastou para interromper uma normalidade viciada. Uma paragem forçada que veio expor as fragilidades de pessoas, famílias, organizações e das sociedades actuais, em geral. A inaptidão para lidar com o inesperado tornou-se visível em alguns países! Também se tornou claro que há uma dificuldade generalizada para lidar com o stress, a ansiedade e a solidão e que não existem redes de apoio suficientes para acudir a essas situações. E, uma vez mais, algumas redes de trabalho voluntário foram chamadas a dar 500%, porque os meios para lidar com estas questões são claramente insuficientes. Então, o que vai emergir da pandemia?

O isolamento social, tão necessário para nossa autopreservação, para protecção dos nossos entes queridos, e por respeito a quem está na linha da frente, para que nada nos falte (conforme referi no último artigo, “Não podemos baixar os braços“), nem sempre é encarado da forma mais positiva.

Quando uma crise se instala podemos entrar rapidamente em colapso

Quando uma crise se instala, se não houver estruturas sólidas ou planos de contingência, podemos rapidamente entrar em colapso. Mas podemos sentir-nos novamente gratos pelo voluntarismo de muitas pessoas que, apesar das suas dificuldades pessoais (porventura, financeiras porque a nossa economia é sustentada por prestadores de serviços e, portanto, sem um salário fixo), foram as primeiras a reagir positivamente e a disponibilizar, gratuitamente, todo o tipo de serviços e apoios nas redes sociais. Desde sessões terapêuticas, meditação, exercício físico, actividades lúdicas para as crianças, formação específica nas mais variadas àreas de conhecimento, etc., têm sido inscansáveis.

Certamente já todos viram as inúmeras mensagens que circulam nas redes sociais e nos meios de comunicação sobre como é fantástico ver o mundo solidário contra a Covid-19. Mas, o que vai surgir quando terminar o isolamento social? Se por um lado, isto nos dá esperança de que seja possível fazer mudanças profundas e nos inspira e motiva porque nos sentimos unidos num propósito, numa missão e numa visão, por outro há uma certa realidade escondida na qual, em geral, não pensamos. Esquecemos que há outras realidades que não estão a ser mostradas nas redes sociais porque estamos em modo de confinamento. Refiro-me aos sem-abrigo, às vítimas de violência doméstica, à fome escondida, que deixaram de estar visíveis graças à pandemia.

Por momentos acreditei que a interdependência humana seria reconhecida e honrada. Como dizia Einstein, “Nenhum dos problemas do mundo é tecnicamente difícil de resolver; eles têm origem no desacordo humano”.

O que está realmente a motivar os “decisores” políticos e económicos é uma história diferente

No entanto, quando olhamos para o que está realmente a motivar os “decisores” políticos e económicos nos dias de hoje, emerge uma história diferente.

Em vez de serem impulsionados por um desejo de bem comum, a partir de um lugar de motivação interna, de doação natural, de coração aberto, estamos a ver o ressurgimento acelerado de tendências pré-existentes, políticas, económicas e sociais… Basta olharmos para a polémica que se gerou em torno da celebração do 25 de Abril, ou prestarmos atenção às notícias acerca do aproveitamente que algumas organizações estão execer em vários quadrantes da economia. Mais uma vez, as futilidades se sobrepõem ao essencial.

Afinal, o que está a emergir da consciência colectiva? Queremos continuar a perpetuar sistemas de dominação e controlo, que obscurecem e tornam redutoras as questões mais profundas da vida humana, que precisamos de analisar e transformar?

O que vai emergir quando for possível voltar à normalidade?

Quando for possível voltar às nossas rotinas teremos tido a oportunidade para nos perguntarmos se queremos mesmo voltar a essa normalidade. O que vai emergir desta situação? A minha esperança mais profunda é que, durante este tempo, tenhamos visto o que queremos mesmo levar para o futuro. Será que os estilos de vida que tínhamos são dignos de continuidade, ou teremos aprendido algo muito mais significativo com esta experiência? Os nossos valores mantêm-se inalterados ou sentimos necessidade de fazer uma reordenação na sua escala? O que ganhámos? E o que perdemos? Teremos percebido aquilo em que vale a pena continuar a investir tempo, recursos e energia? Que legado queremos deixar às gerações vindouras? Que tipo de pessoas, de organizações, de sociedade, de país queremos ser?

O sentido da vida não pode continuar a ser adiado. Esta pode ter sido uma das derradeiras oportunidades que nos foi dada, enquante espécie, para construirmos novas sociedades, mais holísticas para que possamos retomar o caminho de reencontro com o essencial, com o humanismo perdido nas teias do consumismo.

Temos um manancial de oportunidades de contribuir para uma nova normalidade

Agora, mais do que nunca, precisamos de nos examinarmos a nós próprios, de nos questionarmos se queremos continuar a mover-nos pelo medo ou em piloto automático. Queremos continuar a manter padrões de comportamento de ataque ou fuga, ou pelo contrário, estamos dispostos a entrar em contacto com a nossa natureza compassiva e generosa e a trabalhar com ponderação para criarmos sistemas de vida conectados e humanizadores, que sirvam verdadeiramente a vida de todos os seres que habitam no nosso planeta?  Como sempre, temos um manancial de oportunidades para contribuir para uma nova normalidade através do nosso próximo passo, da nossa próxima acção, da nossa próxima escolha, da nossa atitude, da nossa relação com os nossos medos e da nossa relação com os outros e com o mundo.

Creio que não podemos continuar a viver as nossas vidas, e a nos relacionarmos, connosco ou com os outros, a partir de uma posição de vítima ou de agressor/opressor.

Precisamos de desenvolver o hábito de nos relacionarmos connosco próprios e com os outros a partir da vulnerabilidade, da empatia, da compaixão, da humanidade partilhada e da interdependência. Acredito que o caminho para vivermos vidas mais plenas e gratificantes, para sermos realmente felizes será por aí.

Gostaria muito de saber qual é a sua opinião.

O que ressoou consigo?

Que questões adicionais lhe surgiram?

Ou se vê isto de forma diferente?

Que mais poderia acrescentar à discussão?

Não podemos baixar os braços!

6 meses atrás · ·0 Comentários

Não podemos baixar os braços!

Vivemos momentos conturbados à escala mundial e, dependendo da situação pessoal de cada um, podemos ter desafios menores ou maiores para enfrentar. Todavia, não podemos baixar os braços!

DESISTIR não é opção!

Não quero desvalorizar o que se está a passar, tanto em Portugal como no resto do mundo, quero apenas relembrar que, DESISTIR não é opção!

Podemos estar de pés e mãos atadas relativamente a alguns acontecimentos, mas a forma como lidamos com isso importa!

Não são as nossas circunstâncias e os acontecimentos que nos definem, mas a maneira como lidamos com eles. Mesmo no meio do caos podemos encontrar formas de mantermos alguma normalidade, e saírmos mais forte e mais sábios por causa disso.

Fazer ajustamentos para lidar com as adversidades

Estou encerrada em casa desde o dia 14 de Março, por opção própria e por respeito às recomendações dos órgãos competentes, mas também por uma questão de auto-preservação. Apesar de habitualmente já trabalhar 90% do tempo em casa, confesso que não está a ser nada fácil. Mas reconheço que em situações especiais, precisamos de fazer os ajustamentos necessários para lidar com as adversidades.

Estamos a ser colocados à prova, em várias vertentes das nossas vidas. Acredito que se avizinham muitas mais mudanças e que, para muita gente, elas serão radicais. Resta saber que atitude escolhemos ter face a ela. De flexibilidade ou de rigidez?

Se virmos bem, a mudança é uma constante na nossa vida. No entanto, tipicamente somos avessos à mudança.

Eu costumava dizer: “só as árvores não mudam”. Mas, na verdade, actualmente já se transplantam árvores centenárias sem danificar as suas raízes.

Dá trabalho? Dá.

Demora tempo? Depende… do tipo de solo, da zona envolvente, da profundidade das raízes, enfim…  uma série de factores. Mas se houver vontade, a mudança acontece e, geralmente é para melhor.

Pessoas, organizações e empresas flexibilizam-se

Face ao caos, pessoas, organizações e empresas  flexibilizam-se para encontrar soluções que sejam benéficas para todos. Derrubam crenças, culturas organizacionais e padrões de operacionalidade rígidos para se manterem em funcionamento. Isso enche-me o coração de esperança.

O meu coração expande-se porque vejo resiliência. Vejo mentalidades de crescimento. Vejo pessoas que não cruzam os braços. Que agem apesar do medo, ou até, por causa do medo.

Há momentos que pode parecer ser mais fácil desistir

Há muitos momentos na nossa vida, quando surgem obstáculos no nosso caminho, que nos pode parecer ser mais fácil baixar os braços e desistir do que mobilizar recursos para continuarmos a lutar. Todavia DESISTIR não é uma opção.

Existem dificuldades  na vida de toda a gente e devem ser encaradas como oportunidades de aprendizagem. O que leva alguém a alcançar o sucesso é a procura activa de soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. O desenvolvimento de uma atitude de resiliência permite-nos ultrapassar obstáculos de forma positiva e percepcionar as dificuldades como possíveis de superar.

A resiliência procura alterar padrões de comportamento

É frequente confundir-se resiliência com resistência, mas elas são coisas muito distintas. A resiliência quando exercida em situações adversas procura alterar os nossos padrões de comportamento e isso gera mudanças. Se essas mudanças não forem percebidas como eficazes, acabam por prejudicar a acção da resiliência, e não perduram ao longo do tempo. São as chamadas mudanças momentâneas, muito distintas das duradouras. A resitência é o poder de encaixe, a capacidade de reprimir o que se está a sentir, ou fazer de conta que nada aconteceu. É uma espécie de estado de negação.

Ser resiliente é acima de tudo ter consciência do que nos acontece, e ter agilidade emocional para enfrentar e integrar esse acontecimento na nossa história de vida e perseverar. É mais do que pensamento positivo, é uma atitude de optimismo face aos desaires da vida. A capacidade de escolher olhar para o que ainda é possível fazer versus o sentimento de conformismo ou de derrota.  Todavia, poucas pessoas são verdadeiramente resilientes.

Há pessoas rendidas à derrota antes de entrarem na arena

Enquanto vejo pessoas e organizações resilientes, que procuram as oportunidades de crescimento, face às adversidades. Também vejo muitas mais pessoas rendidas à derrota, ainda antes de entrarem na arena.

É tão comum ouvir-se coisas como: “ah já não tenho idade para isso. Ou não posso me queixar, há quem esteja muito pior do que eu. Ou então, as coisas são como são. Não há nada a fazer.”

Isto parte-me o coração!

Fico destroçada quando vejo as pessoas DESISTIREM!

Porquê? Porque estas são respostas maladaptativas ao medo.

Desistem dos seus sonhos, desistem dos seus objectivos, desistem de si mesmas, desistem de ser felizes…

Depois sentem-se vazias, desconectadas interiormente e exteriormente, porque não se sentem amadas nem compreendidas…

E isso deixa-me mesmo triste!

Porque não compreendo porque razão alguém desiste de ser FELIZ!

Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

12 meses atrás · ·2 comentários

Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

Todos nós, provavelmente, em algum momento da nossa vida, já nos sentimos vítimas. Face a circunstâncias difíceis das nossas vidas em que tivemos de enfrentar experiências dolorosas ou traumáticas, certamente nos sentimos vulneráveis e frágeis, desejosos de cuidado e protecção.

Neste tipo de situações em que existe uma condição objectiva de vitimização, a vítima requer atenção, cuidado, apoio e carinho.  Todavia esta é uma condição passageira, muito diferente daquela em que a pessoa passa a ostentar a condição de vítima como algo definitivo. A isto se chama cultura da Vitimização e da Manipulação emocional.

Comecemos pela Vitimização!

A vitimização ocorre quando o acontecimento traumático se converte em identidade própria da pessoa que o experienciou.  Ao descobrirem que, sendo vítimas, beneficiam do cuidado e atenção permanente dos outros, as pessoas com tendência para a vitimização, entram num ciclo vicioso de chamada de atenção. A vitimização, só por si, não é uma patologia classificada no DSM-5, embora indicie a possibilidade do desenvolvimento de um transtorno paranóico de personalidade.

As pessoas com propensão à vitimização acreditam que tudo que lhes acontece é culpa dos outros ou das circunstâncias. O seu locus de controlo é externo, ou seja, a pessoa não assume a responsabilidade pelas suas próprias acções. Pelo contrário, transfere-a para factores externos, alheios a si própria.

A vitimização é uma estratégia benéfica para quem assume a condição de vítima

A vitimização é, em muitas situações, uma estratégia extremamente benéfica para a pessoa que assume a condição de vítima, porque lhe permite obter privilégios que de outra forma não conseguiria alcançar. A pessoa acaba por contar, de uma forma ou de outra, com a compaixão e a compreensão das outras pessoas, independentemente do que faça.

Com efeito, quem coloque em causa os comportamentos e as acções das supostas vítimas, arrisca-se a ser apontado como desumano ou insensível. Este aspecto abre espaço para uma espécie de permissividade e imunidade, dando total cobertura a tudo o que a vítima diz ou faz, sem questionar. Todavia, a vitimização calculada, seja ela consciente ou inconsciente, encobre uma espécie de chantagem emocional.

A manipulação é uma estratégia da pessoa propensa à vitimização

A manipulação é uma estratégia desenvolvida pela pessoa com propensão para a vitimização, no sentido de ver satisfeitas as suas necessidades de atenção. O manipulador emocional usa a sua condição de vítima para impor os seus desejos e caprichos. O manipulador age de forma a que o outro se sinta culpado e faça tudo o que ele deseja. Esse é o grande problema da manipulação. Por ser um comportamento velado, as pessoas que são manipuladas nem sempre se apercebem do que está realmente a acontecer e acabam por ser iludidas permitindo que os manipuladores façam o que querem.

O manipulador usa a chantagem como forma de comunicação

O manipulador usa a chantagem emocional como forma de comunicação. Quando as outras pessoas não fazem o que ele desejacoloca-as no papel de carrascos, reclamando para si mesmos o papel de vítima. Essa atitude provoca sentimentos de culpa nos outros que tudo farão para corrigir o dano causado, mesmo que tenham de abdicar de si mesmos.

A pessoa manipuladora com tendência à vitimização é capaz de fazer grandes sacrifícios pelos outros, sem que ninguém lhe peça nada, colocando-se assim no papel de vítima da vida. Quando alguém apresenta este tipo de comportamento, estamos perante uma pessoa com baixa auto-estima que só se sente válida quando se sacrifica em prol dos outros.

Nestes casos, trata-se de alguém que não fechou o ciclo de uma experiência traumática ou que perdeu o gosto pela vida. Estas pessoas precisam de apoio urgente. Necessitam de alguém que as compreenda, que seja emocionalmente competente, que lhes mostre compaixão e as ajude a lidar com o seu trauma e a desenvolver maturidade emocional, para mudarem de atitude.

Em conclusão: a cultura da vitimização e da manipulação leva-nos a renunciar aos nossos próprios desejos e necessidades em prol dos outros. Este tipo de comportamento é comum em pessoas emocionalmente imaturas ou com baixo QE. Assim, é importante que estejamos conscientes destes padrões de comportamento, não só para nos protegermos, mas também para ajudarmos a promover a mudança na pessoa que assume o papel de vítima e/ou manipuladora.

Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
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