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    Atenção e Intenção: são coisas distintas ou complementam-se?

    4 semanas atrás · · 0 Comentários

    Atenção e Intenção: são coisas distintas ou complementam-se?

    Num mundo cheio de distrações como este em que vivemos, manter a atenção pode ser desafiante. Então, atenção e intenção, são coisas distintas ou complementam-se? Onde é que habitualmente coloca o seu foco? Se for como eu, o mais provável é que faça algumas coisas importantes – como conduzir, por exemplo – sem grande atenção. Normalmente queixamo-nos da falta de tempo, mas esse não é o verdadeiro problema. Na realidade temos é demasiadas distrações que interferem com o nosso foco e nos fazem dispersar.

    Precisamos de disciplina para manter o foco no momento presente

    Precisamos de desenvolver a disciplina de manter o foco no momento presente, especialmente se queremos ter uma vida mais satisfatória. Ou seja, precisamos de mais autoconsciência. Assim, se queremos sentir-nos plenos necessitamos de alinhar a atenção com a intenção para alcançarmos o que desejamos. Por outras palavras, e o que mais deseja na vida é sentir realização e propósito, então a sua atenção e intenção precisam de estar alinhadas.

    Se não prestar devida atenção às coisas que são importantes para si e se dispersar com o que se passa ao seu redor irá sentir que o tempo nunca é suficiente. O que importa realmente é se estamos atentos no tempo que temos – e ao que estamos atentos.

    Quem se interessa por temas de desenvolvimento pessoal já ouviu falar certamente de intenção, de despertar da consciência ou de atenção plena. Na verdade, a atenção está estreitamente ligada à presença enquanto a intenção está intimamente relacionada com objectivos.

    Realização e propósito

    Mais do que uma moda ou uma filosofia de vida, alinhar as nossas intenções com a nossa atenção é essencial para nos realizarmos em qualquer área da nossa vida. O equilíbrio entre estes dois tipos básicos de consciência – intenção e atenção – está no cerne do desenvolvimento humano. É esta simbiose perfeita que sustenta uma vida com realização e propósito.

    Quando os nossos próprios sistemas internos estão alinhados com as nossas intenções ficamos inspirados e aptos para criar resultados positivos e alcançarmos satisfação com a vida a longo prazo.

    Mas então, qual a diferença entre atenção e intenção e como podemos alinhá-las?

    A primeira grande distinção é que a atenção ocorre no presente e a intenção preocupa-se com o futuro. Todavia, infelizmente, com frequência do que seria desejável, algumas pessoas colocam a sua atenção no futuro e as suas intenções no presente. Anseiam por uma vida mais gratificante mas a sua atenção está nas circunstâncias que não podem mudar.

    Atenção

    Aquilo a que dedicarmos a nossa atenção cresce, para o bem e para o mal. Se colocarmos a nossa atenção na tarefa que estamos a realizar temos maiores probabilidades de a concluir com sucesso. Mas se estivermos a ser constantemente interrompidos dificilmente chegaremos a bom porto. É a atenção concentrada nas etapas menores dos nossos objectivos que conduz à acção necessária para os concluir.

    Por outro lado, se focarmos a atenção nos aspectos negativos das nossas vidas, somos capazes de mantê-los vivos também.

    Se eu tiver uma ligeira dor de cabeça e só me focar nela, vou ficar com a sensação de que a dor aumenta de intensidade. Mas se focar a atenção no corpo e/ou na respiração a dor acaba por diminuir ou desaparece por completo. Isso funciona se eu definir a intenção de estar mais atenta às mensagens do meu corpo e de me tornar consciente de onde coloco a minha atenção em comparação com o que decido simplesmente observar.

    Quando se presta atenção consciente, experimenta-se a profundidade da percepção. É o que acontece quando nos envolvemos numa actividade de que gostamos e nem damos pelo tempo passar. Podemos saborear a vida interiormente e sentir e os nossos valores e visão com a mesma clareza. É o que sentimos quando desfrutamos de um momento de beleza extraordinária, como observar um pôr do sol divinal, ou nos deixamos capturar pela beleza da natureza ou pelo riso de uma criança…

    A grande diferença está em onde, como e em que momento se coloca o foco.

    Intenção

    A intenção cria o espaço para o que desejamos. É a esperança que nos encoraja e nos permite testar diferentes soluções para atingirmos o nosso objectivo.

    A intenção é a dimensão que nos faz avançar de onde estamos para onde queremos ir. É algo que determina a direcção que estabelecemos para o nosso futuro. Uma intenção poderosa é uma decisão de sermos, de fazermos, ou de termos algo que é verdadeiramente importante para nós. É a intenção que nos dá a energia necessária para concretizarmos os nossos objectivos.

    Quando a nossa chama interior é forte e brilhante, ela ilumina o caminho que nos conduzirá à vida que almejamos. É a intenção que nos inspira naturalmente a desenvolver ainda mais as nossas capacidades. Sem uma intenção clara e poderosa, podemos ser facilmente influenciados pelas agendas de diferentes pessoas; podemos entreter a nossa mente com as preocupações da vida ou deixar-nos distrair pelos múltiplos futuros possíveis.

    Porque razão o alinhamento entre atenção e intenção promove o sucesso

    A atenção e a intenção são conceitos básicos indissociáveis do desenvolvimento humano. Quando estes dois níveis de consciência estão simultaneamente activos criam o chamado estado de fluxo.

    Ao afirmarmos a nossa intenção, a força do nosso “estado de espírito intencional” move-nos eficaz e propositadamente para a acção a fim de alcançarmos o que desejamos. Quando temos um “porquê” suficientemente forte que oriente a nossa vida para o que é importante para nós, manter a nossa atenção focada torna-se fácil.

    Se criarmos o hábito de alinhar a atenção e a intenção de forma consciente, tornamo-nos praticamente imparáveis. Tornamo-nos capazes de criar alegria, sucesso, liberdade e alcançar a realização que desejamos! Podemos viver profundamente os momentos de cada dia, sabendo que o nosso futuro está constantemente a convidar-nos a avançar. Portanto, podemos tornar-nos plenamente presentes no agora. Sermos o nosso próprio guia de sabedoria, e ter objectivos e intenções claras.

    Assim, dado que o nosso mundo está cheio de distracções, a questão que precisamos responder é: como nos encorajamos a estar atentos às coisas mais importantes das nossas vidas?

    A melhor cura para a distração pode ser encontrada fazendo-se uma única pergunta: o que pretendo alcançar?

    Se o seu porquê for realmente forte, se a sua intenção for congruente com os seus valores nucleares e anseios do seu coração, alinhar a atenção à intenção torna-se fácil. É como caminhar sobre areia molhada pelas ondas do mar.

     

    A Intenção e a Atenção são dois tipos de consciência que estão no cerne do desenvolvimento humano. Portanto, este mundo cheio de distrações manter a atenção focada é um desafio.

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    O que é a crise existencial e como enfrentá-la

    2 meses atrás · · 0 Comentários

    O que é a crise existencial e como enfrentá-la

    Enquanto seres humanos, evitamos e resistimos à mudança porque se trata de um território desconhecido. Por conseguinte, tememo-la. Todavia a mudança é uma constante na nossa vida, desde que nascemos. E, quanto maior a nossa resistência, maior a probabilidade de passarmos por uma crise existencial. Mas o que é a crise existencial e como podemos enfrentá-la?

    A vida é como a natureza e a lua

    A vida é feita de ciclos como as estações do ano ou a lua. Esses ciclos trazem mudanças a que, com frequência, resistimos. Todavia, quanto maior a resistência à mudança maior o desencontro com a nossa essência. Uma crise existencial é um período da vida da pessoa em que quase tudo deixa de fazer sentido. É uma fase em que tudo parece insignificante, incluindo todas as realizações e conquistas anteriores, sonhos, interesses profissionais, relacionamentos e objectivos.

    A crise existencial é uma época de morte e renascimento

    A crise existencial é uma época de morte e renascimento. É uma fase de morte de crenças antigas, de velhas fomas de ser e a morte de velhos valores. Mas depois da morte vem o renascimento.

    Basta olharmos para os ciclos da natureza. O que está a viver não vai durar para sempre. Depois da noite vem o dia, e depois do inverno vem a primavera.

    Espero que este episódio do podcast lhe mostre como este processo que está a atravessar é realmente valioso.

    A Crise Existencial não tem de ser uma coisa má. É um momento em que se sente a necessidade de encontrar sentido ou propósito na vida. Não há nada de errado consigo. Nem estás sozinha.

    Na verdade, está mais sã do que a maioria das pessoas, porque está a questionar a insanidade do mundo à sua volta. Está no processo de entrar em contacto com a sua verdadeira natureza espiritual.

    Diga-me, está a atravessar uma crise existencial neste momento? Como é que isso lhe faz sentir?

    Por favor, partilhe abaixo ou envie um e-mail. Vamos ajudar-nos uns aos outros para não se sentirem tão sós.

    Se deseja saber mais sobre o tema veja este vídeo no Youtube onde partilho algumas dicas para lidar com a crise existencial com mais amor do que dor.

     

    A importância dos actos aleatórios de bondade

    2 meses atrás · · 0 Comentários

    A importância dos actos aleatórios de bondade

    Neste episódio falo da importância dos actos aleatórios de bondade quer para quem os pratica quer para quem os recebe e dos seus benefícios.

    Este artigo tem como objectivo complementar o que foi abordado no Podcast. Assim, abordo conceitos retirados de diferentes pesquisas científicas para fundamentar a importâcia dos actos aleatórios de bondade e os seus benefícios.

    Porque é importante ser bondoso?

    A investigação científica sobre o tema da bondade é cada vez mais abundante. Os actos aleatórios de bondade têm se revelado determinantes na melhoria do bem-estar e da saúde. Por outras palavras, a ciência tem demonstrado que ser bondoso compensa.

    A bondade parece ser um atributo inerente a qualquer ser humano. Porém, como a maioria das coisas vitais, ela é ao mesmo tempo muito simples e muito complexa. As suas múltiplas camadas podem ser exploradas extensivamente.

    A um nível básico a bondade manifesta-se através da consideração pelos outros. E todos os seres humanos apreciam a bondade, incluindo bebés e crianças. Mas a um nível mais profundo, ela revela-se benéfica para a saúde e o aumento da longevidade.

    As nossas motivações mais básicas, além da luta pela sobrevivência, são o bem-estar e a felicidade. Portanto, todos nós, seres humanos, queremos que ser tratados com bondade e gentileza. E isto está directamente relacionado não só com a nossa conscientização, mas também com a auto-consciência.

    O que diz a Ciência sobre a bondade

    Segundo o antropólogo Oliver Curry, director de investigação do Kindlab, na Universidade de Oxford, “A bondade é muito mais antiga do que a religião.” Curry refere ainda que a bondade é universal e, “a razão básica pela qual as pessoas são amáveis é porque somos animais sociais”.

    Tem surgido muita investigação sobre a importância, a longo prazo, do toque afectivo para as crianças, bem como o seu impacto nos adultos. A partir destes dados podemos perceber que a bondade não é um mero conceito. Ela é também uma realidade biológica no nosso corpo.

    Quando estudei psicologia positiva fiquei um pouco surpreendida ao descobrir que a bondade era objecto de estudo científico. Os resultados de várias pesquisas científicas referiam a importância dos actos aleatórios de bondade no aumento do bem-estar emocional. Ou seja, a bondade é importante para o aumento da felicidade, tanto do dador como do receptor. Todavia, o que me surpreendeu mais não foram os dados da pesquisa, mas o facto disso ter surpreendido os pesquisadores.

    Desde criança, eu observei essa alegria nos meus pais. No início eu não compreendia porquê. Agora percebo!

    A bondade activa diferentes partes do cérebro

    O nosso sistema nervoso está ligado de tal forma que o toque afectivo, como o toque amoroso de alguém ou a bondade, activa diferentes partes do cérebro. O toque afectuoso de alguém que percepcionamos como gentil ou amável pode fazer-nos sentir seguros, relaxados e calmos. Isso provoca a activação do nosso sistema nervoso parassimpático o que leva à libertação de serotonina e oxitocina.

    Por outro lado, se o toque vem de alguém com quem não simpatizamos, pode ser interpretado pelo nosso cérebro como uma ameaça. Em consequência, provoca uma resposta fisiológica e química completamente diferente (e menos saudável) no nosso corpo – a “resposta de fuga ou luta”. Esta activação do sistema nervoso simpático pode causar-nos stress. Isso leva à libertação de hormonas como a adrenalina e o cortisol, elevando, assim, o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea.

    Os actos aleatórios de bondade são muito poderosos

    A pesquisa ciêntífica confirma-o abundantemente. “Fazer bondade torna-nos mais felizes e ser mais feliz faz-nos praticar actos de bondade”, disse Richard Layard, professor emérito de economia na London School of Economics e autor do livro “Can We Be Happier?”

    Sonja Lyubomirsky, professora de psicologia na Universidade de Riverside na Califórnia, testou esse conceito em várias experiências ao longo de 20 anos. Ela constatou, reiteradamente, que as pessoas se sentem ainda melhor quando são bondosas para com os outros do que quando são bondosas para consigo próprias.

    “Os actos de bondade são muito poderosos”, disse Lyubomirsky.

    Numa experiência que efectuou, Lyubomirsky pediu aos participantes para praticarem três actos de bondade adicionais por semana. Ao primeiro grupo pediu que realizassem três actos de bondade para com outras pessoas. E, aos participantes de outro grupo, pediu que os realizassem para consigo mesmos. Poderiam ser pequenos gestos, como abrir uma porta para alguém, ou algo com mais impacto. Os dados demonstraram que as pessoas que foram bondosas para com os outros sentiam-se mais felizes e mais ligadas ao mundo do que as que tinham sido gentis para consigo mesmas.

    As sociedades mais bondosas são também as mais felizes

    Anat Bardi, psicóloga da Universidade de Londres que estuda sistemas de valores, realizou um estudo cujos dados revelaram que a bondade é o valor mais prezado acima de qualquer outro. Os investigadores agruparam os valores em dez categorias e perguntaram às pessoas qual o mais importante. A benevolência ou bondade, destacou-se, ultrapassando a segurança, o hedonismo, ter uma vida excitante, a criatividade, a ambição, a obediência ou a justiça.

    Bardi realizou este estudo em dezenas de outros países e obteve sempre o mesmo resultado. As pessoas tendem a valorizar mais a bondade. A bondade também ficou em 1º lugar nos países escandinavos, os mais felizes nos rankings mundiais anuais. Então, não é surpreendente que as sociedades mais bondosas sejam também as mais felizes.

    O “World Happiness Report“, um projecto desenvolvido pelas Nações Unidas, também revelou que não é a riqueza das sociedades que as torna mais felizes. A felicidade e a satisfação com a vida são mais fomentadas por factores como a confiança e o apoio social, manifestações de bondade explicitas, do que por factores económicos.

    O “World Happiness Report” de 2019 sugeria que, mais do que a riqueza, é a generosidade (ser bondoso distribuindo riqueza) que está positivamente correlacionada com a felicidade nas sociedades. Isto coincide com outros dados científicos que mostram que tendemos a sentir-nos mais recompensados quando agimos com bondade e beneficiamos os outros.

    Bondade, empatia e compaixão andam de mãos dadas

    A bondade é naturalmente influenciada pela empatia e pela compaixão. Dado que a bondade é vital para nós, tanto a nível biológico como social, devemos investir em formas de a cultivar.

    No entanto, cultivá-la apenas por nós próprios pode ser insuficiente se queremos transformar o mundo num lugar mais pacífico. Assim, é essencial ensinarmos também as crianças a desenvolver estas competências e as tendências que as sustentam.

    Isso inclui introduzir práticas de auto-cuidado e bondade tanto em casa como nas escolas para que as crianças beneficiem deste conhecimento. Só assim poderão iniciar práticas de bondade e auto-cuidado desde a mais tenra idade.

    Ensinar a bondade às crinaças pelo exemplo

    Eu referi atrás que aprendi sobre bondade, sobretudo, com a minha mãe. Ela era a personificação da generosidade e vibrava sempre que praticava o bem ou o testemunhava em alguém. Acima de tudo, ela salientava a importância de o fazer, especialmente para quem o praticava. Esse conceito ficou entranhado em mim, pelo exemplo.

    A verdade é que as crianças aprendem por modelagem, ou seja, reproduzem o que vêem os adultos fazerem. O lema “faz o que eu digo e não o que eu faço” não funciona. Logo, é preciso que tanto progenitores como educadores pratiquem o auto-cuidado e a bondade para que as crianças interiorizem, efectivamente, esses conceitos.

    E, quero aqui sublinhar dois aspectos importantes. Em primeiro lugar, o auto-cuidado é uma necessidade, não um luxo. Não se pode matar a sede a alguém com um copo vazio.

    Em segundo lugar, da mesma forma que precisamos de praticar a auto-compaixão, o mesmo se aplica a actos de bondade para connosco. A bondade para consigo mesmo é tão importante quanto para com os outros. Geralmente, somos muito céleres a nos criticarmos e depreciarmos e menos deligentes a nos valorizamos.

    Este é outro conceito importante a ensinar às crianças desde cedo. Todavia requer mudanças de comportamento nos adultos se quiserm que as crianças venham a ser adultos emocionamente equilibrados e felizes.

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    A importância da esperança face à perda significativa

    5 meses atrás · · 0 Comentários

    A importância da esperança face à perda significativa

    A esperança face à perda significativa é de extrema importância. É ela que nos encoraja a avançar na jornada de luto e a descobrir uma centelha divina de renovação. O desejo de reentrar na vida com sentido e propósito.

    Face à perda somos confrontados com as nossas limitações

    Quando experienciamos uma perda significativa – quer se trate de uma perda por morte de alguém amado, um divórcio, a perda de um emprego, ou a perda de saúde – somos confrontados com as nossas limitações. Somos lembrados do pouco controlo que temos realmente sobre alguns aspectos da nossa vida e do nosso modo de viver.

    O confronto com a perda, qualquer que seja o tipo, pode ser uma oportunidade para reavaliarmos as nossas vidas. Pode ser uma forma de nos abrirmos à mudança.

    A solidão e o vazio estão frequentemente presentes

    A perda é uma parte integrante da vida. Todavia, quando ela nos bate à porta, nunca estamos realmente preparados.

    Com frequência, a solidão e o vazio estão presentes, mesmo quando estamos rodeados de familiares e amigos. Acima de tudo, à medida que cada um vai retomando a sua vida, quem está a processar um luto, sente-se cada vez mais só, mais isolado.

    Perante a solidão e o vazio, a esperança pode se revelar o alento verdadeiramente importante para enfrentar a dor da perda.

    A perda muda-nos

    Quando as vidas das pessoas que tocaram as nossas vidas se silenciam, sentimo-nos como se, de alguma forma, as nossas próprias vidas também se tivessem perdido. Com efeito, a perda muda-nos.

    Porém, à medida que vamos trilhando o caminho sinuoso do luto começamos a perceber que, apesar de mudados, podemos criar uma vida com significado. Porventura com mais significado do que antes.

    Descubra mais sobre a improtância da esperança face à perda significativa neste episódio do podcast

    Como viver uma vida mais corajosa

    7 meses atrás · · 0 Comentários

    Como viver uma vida mais corajosa

    A coragem é uma virtude universalmente admirada. Em todas as culturas, as pessoas corajosas são aquelas que, ao longo do tempo se tornam os heróis das gerações vindouras. Mas a verdade é que todos nós podemos escolher viver uma vida mais corajosa. Com todos os desafios que muitos de nós temos enfrentado recentemente, (e continuaremos a enfrentar no futuro próximo), a coragem é a virtude na ordem do dia.

    O que é coragem?

    A maioria dos filósofos e psicólogos concorda que a coragem envolve persistência face ao perigo ou a adversidade. Alguns dizem que coragem é sinónimo de destemor, enquanto outros sugerem que a presença ou a ausência de medo nada tem a ver com coragem.

    O psicólogo S. J. Rachman (2010) entrou neste debate com uma definição de coragem que tem em conta três componentes do medo:

    • o sentimento subjectivo de apreensão
    • a reacção fisiológica ao medo (por exemplo, aumento do ritmo cardíaco)
    • a resposta comportamental ao medo (por exemplo, um esforço para escapar à situação de medo).

    Já Mark Twain, observador atento do comportamento humano, referiu que: “Coragem é resiliência ao medo, domínio do medo, não ausência de medo.” Ou seja, quaisquer se sejam as circunstâncias que nos ponham à prova, com a coragem o medo deve ser superado.

    Diferentes tipos de coragem para diferentes tipos de medo

    O medo assume muitas formas: medo da perda do emprego, da pobreza, de perder amigos, de ser criticado, de perder estatuto, de fazer inimigos (ara citar apenas alguns medos humanos), e pode invocar a coragem moral. A coragem moral permite que a pessoa faça o que acredita ser correcto, apesar do medo das consequências.

    Da mesma forma que há muitas variações do medo, há muitas dimensões de coragem moral, desde a coragem social representada pela Madre Teresa de Calcutá e Gandhi até à coragem política (embora pouco frequentemente), representada por dirigentes eleitos como Barack Obama. As oportunidades para agir com coragem moral são inúmeras, e os medos que exigem coragem moral são tão diversos como as próprias pessoas.

    Como enfrentar o medo

    Então, se a coragem não é a ausência de medo, como é que as pessoas corajosas conseguem enfrentá-lo? As pessoas corajosas sentem medo, mas são capazes de gerir e superar o seu medo de modo a que ele não as impeça de agir. Com frequência, elas usam o medo para se certificarem de que não estão demasiado confiantes e que tomam as medidas adequadas. Elas treinam a sua resposta emocional ao medo, de modo a conseguirem geri-lo em vez de serem dominadas por ele.

    Para enfrentar o seu medo e colocar a coragem em acção faça a si mesma as seguintes perguntas:

    • Do que tenho realmente medo? Faz sentido ter medo disto?
    • Este medo é apropriado ou, racionalmente, devo ter menos ou mais medo?
    • Que mal pode esta coisa realmente fazer a mim ou a outros?
    • Quais são as coisas que podem acontecer como resultado das minhas acções e/ou inacções?
    • Qual a pior coisa que poderia acontecer em resultado das minhas acções e/ou inacções?
    • Quais são os riscos para mim e para os outros?

    A coragem dá-nos a força para avaliar uma resposta emocional (medo) e agir de forma correcta e racional (auto-regulação ou canalização emocional) realizando as acções que a emoção pede (como ensino no Programa Domine as Emoções).

    Os Benefícios da Coragem

    A coragem ajuda-nos a realizar coisas ‘extraordinárias’. Agir corajosamente geralmente faz-nos sentir bem, porque implica dominar as emoções em vez de sermos dominadas por elas.

    Em vez de encarar o medo como mau e tentar livrar-se dele quando surge, pode escolher aceitar o medo como parte do processo de mudança e praticar a coragem. Esta escolha pode ajudá-la a sentir-se mais resiliente emocionalmente à medida que faz mudanças na sua vida ou persegue os seus sonhos.

    Apesar da coragem ser frequentemente considerada um traço de carácter inato, na realidade ela é uma forma de ser que pode ser aprendida e praticada para lidar com as adversidades. O próprio facto de valorizarmos a coragem diz-nos que se trata de algo importante para o ser humano. A coragem, conforme ensino no meu Programa de Resiliência Emocional e Coragem é algo que se cultiva e exercita como um músculo, e que nos ajuda agir, a nos protegermos das ameaças, ou de quem age de uma forma errada.

    Como construir coragem

    Normalmente, pensamos nos hábitos como acções, como escovar os dentes ou fazer exercício físico. Contudo, os hábitos também consistem nas nossas respostas comportamentais a diferentes emoções. Para muitas pessoas, as respostas baseadas no medo são a resposta natural e habitual à adversidade. Isso deve-se ao facto dos nossos cérebros tenderem a procurar a forma mais rápida e eficiente de aliviar o stress quando o sentimos. Ou seja, confiamos em estratégias que nos proporcionaram alívio do stress a curto prazo no passado, como a procrastinação em resposta a sentimentos de dúvida sobre si mesmo, ou o perfeccionismo (o que acaba por levar à auto-sabotagem e ao esgotamento).

    Viver corajosamente implica, em primeiro lugar, olharmos para o nosso medo; em segundo lugar, reconhecermos as nossas dúvidas e hesitações, incluindo as vozes críticas interiores que são difíceis de encarar – e, por fim, olhamos para o que fazemos bem. Com base na investigação sobre a formação de hábitos e a redução do stress – e o meu próprio trabalho com clientes que enfrentam o medo – descobri quatro estratégias úteis para lidar com o medo e se aproximar da coragem.

    Estratégias para agir corajosamente:

    1. Aceder ao corpo – prestar atenção às sensações no corpo
    2. Ouvir sem se evolver – ouvir o criticismo interno sem tomar partido, como se fosse um observador
    3. Reformular histórias limitadoras – questionar a validade das histírias que conta a si mesma e ajustá-las à realidade
    4. Criar uma comunidade de apoio – procurar ajuda de um profissional ou o apoio de alguém em quem confia

    Conclusão

    Talvez este seja um momento de encruzilhada na jornada da sua vida ou apenas de uma pequena transição. Ao viver a vida com mais coragem, será mais provável que faça as mudanças que a levarão a uma maior realização. A realização provém mais de mudanças subtis e menos de fazermos grandes transformações que acabam por se revelar demasiado avassaladoras e ficam pelo caminho. Quer se trate de iniciar uma nova relação, um novo trabalho, ou de ajudar a tornar o mundo num lugar melhor, precisamos de coragem. Ao criarmos pequenos hábitos que nos aproximam, a pouco e pouco, de quem queremos realmente ser, sem darmos por isso, chegamos a onde sempre quisemos chegar…

    Viver corajosamente é um hábito como qualquer outro, só precisa de empenho, motivação, sentido e prática!

    Encontre o hábito corajoso que quer implementar, motive-se com cada passo que dá, empenhe-se, pratique regularmente e, acima de tudo, não desista!

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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