fbpx

Li e Aceito a Política de Privacidade.

Marcação

Entre em contacto directo comigo para marcar uma sessão presencial (em Alfragide, Lisboa) ou online. A data indicada no formulário é apenas uma data da sua preferência, não a definitiva. Irei entrar em contacto para agendamento, tendo em conta a preferência que indiciou.

Telefone:
918 762 620

Envie um email:
contacto@anapaulavieira.pt

O Luto em Crianças e Adolescentes

1 mês atrás · · 0 Comentários

O Luto em Crianças e Adolescentes

A morte é um assunto Tabu na nossa sociedade (Ocidental) e, consequentemente, o tema não é abordado nas escolas nem pelas famílias. Todavia é expectável que, qualquer pessoa que viva de acordo com a esperança de vida estimada, sofra muitas perdas ao longo da sua vida, sejam de familiares e amigos, de colegas ou de animais de estimação. O resultado desta atitude é que, quando a perda ocorre não sabemos o que fazer e/ou dizer às crianças, deixando-as à deriva, confusas e frequentemente assustadas.

Como explicar a morte às crianças e adolescentes

Se o adulto, perante a morte fica desorientado, a criança e o adolescente ficam muito mais perdidas pois falta-lhes a informação, a explicação do que aconteceu e de como irá continuar a viver sem o ente querido que perdeu. É óbvio que isso irá causar dor e sofrimento, mas é o primeiro passo para que haja uma compreensão da morte e iniciar o processo de luto, pois a elaboração do luto implica, necessariamente, sentir a dor da perda.

A criança, tal como o adulto, tem idêntica dificuldade em compreender a morte como irreversível, mas se ela já teve um animal de estimação que morreu, pode sempre usar-se o exemplo para explicar-lhe essa irreversibilidade. Também é útil dizer à criança que é natural sentir tristeza e/ou vontade de chorar, ou desejar que o ente querido volte, pois isso vai de encontro ao que ela está a experienciar e dá-lhe a segurança de que os seus sentimentos e emoções são aceites, que é compreendida.

Se a família acredita na vida depois da morte, ou tem crenças religiosas, filosóficas ou outras, deve explicá-las à criança para que esta possa entendê-las e participar no luto familiar. Estas práticas irão ajudar a criança a sentir o seu pesar pelo ente querido, e a expressar as suas emoções e pensamentos de forma saudável.

Por mais doloroso e penoso que seja para o adulto, a criança deve ser informada tão cedo quanto possível, da perda. A verdade é que temos tanto medo de traumatizar a criança que, em geral, optamos por ocultar a verdade à criança dizendo que o ente querido foi viajar, ou que agora é uma estrelinha… e isto é precisamente o que não se deve dizer.

O que não dizer à criança

Quando a pessoa morre, por mais penoso que seja para o adulto, há coisas que nunca deve dizer:

  • Que foi viajar – a criança aguarda pelo regresso do ente querido e, quando se apercebe do logro, culpa o adulto pelo engano e perde a confiança.
  • Que está a dormir – a criança interpreta isso de forma literal e pode suscitar-lhe medo de adormecer e não voltar a acordar.
  • Que foi para o céu – a criança acredita que o céu é um lugar como os outros e, por conseguinte, aguarda o seu regresso.

O luto deve ser vivenciado em família, portanto a tristeza e a dor devem ser partilhadas e não ocultadas da criança e/ou do adolescente, sob pena de optarem, também elas, por esconder as suas emoções, deixar de fazer perguntas ou expressar os seus sentimentos.

O que a criança necessita para fazer o luto

Tudo o que a criança – ou adolescente – necessita para elaborar o seu luto de forma saudável, é sentir-se amada, protegida, bem nutrida e acolhida no seio da família (ou pelos cuidadores). O processo de luto da criança torna-se mais fácil se esta se sentir segura para falar das suas angústias e dos seus sentimentos. O adolescente, em particular, precisa sentir esta segurança e protecção na medida em que, além das suas próprias mudanças sente que os seus pares não o compreendem.

Em suma, tudo o que a criança (ou adolescente) necessita perante a perda é de se sentir amada, acolhida e protegida, ser cuidada e nutrida, ser tratada com honestidade e sinceridade, sentir que tem liberdade de expressão e alguém que a ouça e compreenda, e que, sempre que queira, dispõe de um porto de abrigo seguro onde se refugiar.

Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

2 meses atrás · · 2 comentários

Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

Todos nós, provavelmente, em algum momento da nossa vida, já nos sentimos vítimas. Face a circunstâncias difíceis das nossas vidas em que tivemos de enfrentar experiências dolorosas ou traumáticas, certamente nos sentimos vulneráveis e frágeis, desejosos de cuidado e protecção.

Neste tipo de situações em que existe uma condição objectiva de vitimização, a vítima requer atenção, cuidado, apoio e carinho.  Todavia esta é uma condição passageira, muito diferente daquela em que a pessoa passa a ostentar a condição de vítima como algo definitivo. A isto se chama cultura da Vitimização e da Manipulação emocional.

Comecemos pela Vitimização!

A vitimização ocorre quando o acontecimento traumático se converte em identidade própria da pessoa que o experienciou.  Ao descobrirem que, sendo vítimas, beneficiam do cuidado e atenção permanente dos outros, as pessoas com tendência para a vitimização, entram num ciclo vicioso de chamada de atenção. A vitimização, só por si, não é uma patologia classificada no DSM-5, embora indicie a possibilidade do desenvolvimento de um transtorno paranóico de personalidade.

As pessoas com propensão à vitimização acreditam que tudo que lhes acontece é culpa dos outros ou das circunstâncias. O seu locus de controlo é externo, ou seja, a pessoa não assume a responsabilidade pelas suas próprias acções. Pelo contrário, transfere-a para factores externos, alheios a si própria.

A vitimização é uma estratégia benéfica para quem assume a condição de vítima

A vitimização é, em muitas situações, uma estratégia extremamente benéfica para a pessoa que assume a condição de vítima, porque lhe permite obter privilégios que de outra forma não conseguiria alcançar. A pessoa acaba por contar, de uma forma ou de outra, com a compaixão e a compreensão das outras pessoas, independentemente do que faça.

Com efeito, quem coloque em causa os comportamentos e as acções das supostas vítimas, arrisca-se a ser apontado como desumano ou insensível. Este aspecto abre espaço para uma espécie de permissividade e imunidade, dando total cobertura a tudo o que a vítima diz ou faz, sem questionar. Todavia, a vitimização calculada, seja ela consciente ou inconsciente, encobre uma espécie de chantagem emocional.

A manipulação é uma estratégia da pessoa propensa à vitimização

A manipulação é uma estratégia desenvolvida pela pessoa com propensão para a vitimização, no sentido de ver satisfeitas as suas necessidades de atenção. O manipulador emocional usa a sua condição de vítima para impor os seus desejos e caprichos. O manipulador age de forma a que o outro se sinta culpado e faça tudo o que ele deseja. Esse é o grande problema da manipulação. Por ser um comportamento velado, as pessoas que são manipuladas nem sempre se apercebem do que está realmente a acontecer e acabam por ser iludidas permitindo que os manipuladores façam o que querem.

O manipulador usa a chantagem como forma de comunicação

O manipulador usa a chantagem emocional como forma de comunicação. Quando as outras pessoas não fazem o que ele desejacoloca-as no papel de carrascos, reclamando para si mesmos o papel de vítima. Essa atitude provoca sentimentos de culpa nos outros que tudo farão para corrigir o dano causado, mesmo que tenham de abdicar de si mesmos.

A pessoa manipuladora com tendência à vitimização é capaz de fazer grandes sacrifícios pelos outros, sem que ninguém lhe peça nada, colocando-se assim no papel de vítima da vida. Quando alguém apresenta este tipo de comportamento, estamos perante uma pessoa com baixa auto-estima que só se sente válida quando se sacrifica em prol dos outros.

Nestes casos, trata-se de alguém que não fechou o ciclo de uma experiência traumática ou que perdeu o gosto pela vida. Estas pessoas precisam de apoio urgente. Necessitam de alguém que as compreenda, que seja emocionalmente competente, que lhes mostre compaixão e as ajude a lidar com o seu trauma e a desenvolver maturidade emocional, para mudarem de atitude.

Em conclusão: a cultura da vitimização e da manipulação leva-nos a renunciar aos nossos próprios desejos e necessidades em prol dos outros. Este tipo de comportamento é comum em pessoas emocionalmente imaturas ou com baixo QE. Assim, é importante que estejamos conscientes destes padrões de comportamento, não só para nos protegermos, mas também para ajudarmos a promover a mudança na pessoa que assume o papel de vítima e/ou manipuladora.

Equinócio de Outono – que influência tem na nossa vida?

2 meses atrás · · 0 Comentários

Equinócio de Outono – que influência tem na nossa vida?

O Equinócio é o fenómeno em que o dia e a noite têm aproximadamente a mesma duração, 12 horas. Equinócio deriva do latim “æquinoctium, composto pelas palavras aequus e nox, que significam “igual” e “noite”. Este termo é utilizado para assinalar a transição entre estações, o início do Outono e da Primavera. Os dias de equinócio são tipicamente considerados dias de ajuste, de equilíbrio entre o dia (que tem uma energia Yang, masculina, activa) e a noite (que tem uma energia Yin, feminina, receptiva).

O Equinócio de Outono tem um profundo simbolismo

O Equinócio de Outono tem um profundo simbolismo de libertação do que já não serve, de desprendimento e de criação de espaço para o novo. Os frutos amadurecidos ao longo do Verão são colhidos, as folhas das árvores caiem, deixando-as despidas para acolher o Inverno. É uma estação de colheitas e de celebração, de mudança e de renovação. À semelhança da natureza, também nós somos convidados ao recolhimento, à reflexão, ao desapego e à libertação do que já não nos serve para criar espaço para o novo.

É um tempo de celebração e de reconhecimento

É um tempo de celebração do que se realizou e alcançou, e também de fazer balanços e reflectir sobre o que conseguimos e para onde queremos seguir. É um período de reconhecimento do que se tem aprendido e colhido ao longo do ano e de como se irá usar essa aprendizagem no futuro.

O Outono é o encerramento de um ciclo e a abertura de outro. É uma estação que propicia o senso de equilíbrio e convida a um olhar atento e cuidadoso sobre a nossa vida. É uma época em que podemos observar a dualidade entre as nossas necessidades pessoais e os compromissos com o mundo que nos rodeia.

É um tempo de autoavaliação, celebração e partilha

É um momento de autoavaliação e de balanço; de celebração e de partilha; de preparação para os rigores do Inverno, de autocuidado e reforço do sistema imunitário; de expansão da criatividade, de planeamento e de estruturação para o futuro. Neste período é-nos dada a oportunidade de encontrar o ponto de equilíbrio das nossas vidas, de conciliar as nossas necessidades internas com as exigências do mundo exterior.

À medida que as noites se alongam, podemos reservar tempo para meditar e reflectir sobre o que desejamos, identificar forças e vulnerabilidades, e nutrir novas sementes que florescerão na próxima primavera. É um período em que somos convidados a focar no essencial e a dispensar o acessório, a largar o supérfluo e a cultivar o autêntico. O Outono recorda-nos a importância de sermos genuínos, de nos libertarmos das máscaras, de levarmos luz às nossas sombras e de integrarmos todas as nossas partes.

O Outono traz-nos uma nova oportunidade de cura e libertação

O Outono traz-nos uma nova oportunidade de cura das feridas emocionais, de libertação de mágoas e ressentimentos, de reencontro com nós mesmos e de resgate de quem verdadeiramente somos. Convida-nos ao mergulho interior, a tomar consciência de padrões de comportamento e pensamento nocivos, a eliminar hábitos prejudiciais e a libertar emoções tóxicas.

É também neste período que somos lembrados da importância da harmonia e do equilíbrio emocional para as nossas vidas. Somos instados a cultivar a paz interior e a fortalecer a nossa estrutura emocional para permitir que um novo “Eu” renasça, mais forte, mais livre, mais realizado, mais pleno e mais feliz.

Gostou deste artigo?

Deixe o seu comentário. Subscreva a newsletter para estar sempre a par das novidades, ofertas e promoções e novos artigos.

Como curar as feridas emocionais

3 meses atrás · · 0 Comentários

Como curar as feridas emocionais

As experiências dolorosas que vivenciamos ao longo das nossas vidas cravam-se na nossa mente e no nosso subconsciente como feridas emocionais. Podem ser muito variadas e podemos chamá-las por muitos nomes: traição, humilhação, desconfiança, abandono, injustiça, rejeição, fracasso, perda…

É importante termos consciência das nossas feridas emocionais e evitar encobri-las ou reprimi-las, devido ao impacto nocivo que têm no nosso bem-estar emocional e até mesmo a nossa saúde física. Quanto mais tempo demorarmos a reconhecê-las para cuidar delas e curá-las, piores ficarão e pior nos sentiremos. Quando nos sentimos feridos, estamos constantemente a viver situações que agravam a nossa dor, obrigando-nos a usar múltiplas máscaras por medo de reviver a dor.

Os 5 estágios para a cura das feridas emocionais

Por essa razão que partilho aqui os 5 estágios que precisa de passar para curar as suas feridas emocionais:

1- Aceitar a ferida como parte de si mesmo. 

A ferida existe! Quer se queira ou não, quer se compreenda ou não, ela existe e pede a nossa atenção. O primeiro passo é reconhecê-la. Segundo Lise Bourbeau, aceitar uma ferida é olhar para ela, observá-la cuidadosamente e saber que ter situações que precisam de ser resolvidas é normal e faz parte da experiência humana.

Não somos melhores nem piores porque algo ou alguém nos magoou. É perfeitamente normal e natural construirmos uma armadura protectora à nossa volta. É um acto heróico, um acto de auto-preservação, de amor-próprio muito meritório, mas também é algo que não nos serve necessariamente a longo prazo.

Por outras palavras, a armadura protege-nos de ambientes prejudiciais, mas uma vez que uma ferida se abre e a podemos ver, urge observá-la, cuidar dela, tratá-la para que sare. Aceitar a ferida é duplamente benéfico porque, além de criar a oportunidade de cura, põe termo ao desejo de nos mudarmos a nós mesmos.

2- Perceber que o que receia dos outros ou lhes censura é o que lhes faz ou faz a si mesmo.

Talvez às vezes não perceba que coloca as suas expectativas sobre os outros, na esperança de que viver de acordo com os seus padrões e de concretizar as suas aspirações. A verdade é que este comportamento acaba por levar muita tensão aos seus relacionamentos, e causa enorme desconforto quando os outros não respondem da maneira que esperava.

A resolução e a vontade de superar as nossas feridas é o primeiro passo para desenvolvermos paciência, compaixão e compreensão de nós mesmos. Estas são qualidades que irão ajudá-la a obter mais autoconhecimento e lhe permitirão ajudar outras pessoas a desenvolvê-las, o que nutrirá o seu bem-estar.

3- Dê a si mesma permissão para ficar com raiva das pessoas que aprofundaram essa ferida.

Quanto mais dolorosas e mais profundas são as suas feridas, mais normal e humano é culpar e ficar com raiva de quem a magoou. Permita-se sentir raiva delas e perdoe-se a si mesmo.

Quando se sente com raiva dos outros pela dor que eles lhe causaram, é como se estivesse constantemente a coçar as suas feridas que fazem comichão. Sentir culpa dificulta o perdão, enquanto livrar-se da culpa e do ressentimento é a única maneira de curar as suas feridas.

Quando perdoa reconhece que, provavelmente, as pessoas que magoam os outros carregam muita dor dentro delas. Magoamos os outros com as máscaras que usamos para proteger as nossas feridas, então quando perdoamos e tiramos essas máscaras, damos o primeiro passo importante para sermos pessoas mais autónomas, confiantes e menos ressentidas.

4- Nenhuma transformação é possível sem primeiro se aceitar a ferida.

Uma ferida tem sempre algo a nos ensinar, embora aceitar a ferida provavelmente tenha um custo elevado, porque o ego cria uma barreira de protecção bastante eficaz para esconder os problemas.

A verdade é que, normalmente, o ego pretende uma de duas coisas: aproximar-nos do prazer ou afastar-nos da dor. Assim, o ego deseja seguir o caminho mais fácil, convicto de que esse é o verdadeiro caminho para a cura, mas na realidade isso complica mais a sua vida. Na verdade, o que simplifica a sua vida é a agilidade emocional, ou seja, são as mudanças nos seus pensamentos, reflexões e acções, embora isso pareça demasiado difícil devido ao esforço que requer.

Tentar esconder as feridas que mais lhe fazem sofrer porque tem medo de olhá-las nos olhos e de revivê-las é um erro. Isso faz com que coloque as máscaras e agrave as consequências dos problemas que já tem. Alem disso, deixa de ser quem é, verdadeiramente.

5- Conceda-se tempo para perceber há quanto tempo está agarrada às suas feridas.

Idealmente, deveria tirar as suas máscaras o mais rápido possível, sem se julgar nem criticar. Amar-se a si próprio é conceder-se o direito de fazer aos outros o que lhes censura. Descubra que máscaras usa, perdoe-se e assuma a responsabilidade pelas suas consequências, sejam elas quais forem. Isso irá permitir-lhe e manter-se no caminho da cura.

Quando o coração se torna o guia deixa de haver hesitação ou vontade de fugir. Aproveitamos cada experiência para aprendermos a amar mais, e regressar à nossa humanidade compassiva. Isso permite-nos alcançar maturidade emocional e uma paz interior que nos faz sentir bem sem nos escondermos.

Saberá que está no caminho da cura quando for capaz de se aceitar verdadeiramente, sem se julgar nem se criticar, ciente das máscaras que usa, há quanto tempo e por que razão. Então quanto mais aceitar a sua humanidade, mais encara tudo como lições de vida e, mais tolerante e compassiva se torna, consigo e com os outros.

 

Feito com ♥ por Krystel Leal e Ana Paula Vieira
Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
error: Content is protected !!