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    Como reunir coragem para fazer o luto

    2 meses atrás · · 0 Comentários

    Como reunir coragem para fazer o luto

    Vivenciar a perda, movimentar-se através do luto e recuperar dele não é, vulgarmente, um caminho recto ou fácil. Após uma perda significativa é necessário descobrir como reunir coragem para fazer o luto e sair fortalecido pela experiência. Encontrar a coragem de caminhar através da dor e descobrir o que está do outro lado dela pode levar a uma vida extraordinária e transformada.

    Abrir-se à dor da perda é um acto de coragem

    A perda traz a dor indesejada às nossas vidas. Ao abrir-se à presença da dor da sua perda, reconhecer a inevitabilidade do seu pesar e abraçar suavemente o seu processo de luto, demonstra coragem para honrar e expressar o que sente bem como o amor partilhado.

    Honrar significa “reconhecer o valor de”, “orgulhar-se” e “respeitar”. Encarar abertamente a dor e a necessidade de fazer o luto como algo a honrar, não é instintivo. Todavia, a capacidade de amar implica a necessidade de fazer o luto. Honrar o seu luto não é algo autodestrutivo ou prejudicial. É, na verdade, algo corajoso e gerador de vida.

    Muitos acreditam que a coragem é uma qualidade rara ou inata. Embora algumas pessoas tenham naturalmente mais facilidade em activar a coragem, ela pode ser aprendida e treinada. A verdade é que ela é uma virtude altamente valorizada na nossa cultura.

    O seu propósito espiritual não é reprimir ou exagerar as suas emoções

    A palavra expressar significa literalmente “declarar ou manifestar, expor, dar a conhecer e revelar”. A auto-expressão pode mudar-nos e à forma como percebemos e experienciamos o mundo. Contudo, transformar os seus pensamentos e sentimentos em palavras confere-lhes significado e forma. A sua vontade de afirmar honestamente a sua necessidade de lamentar ajudá-lo-á a sobreviver a este momento difícil da sua vida. O seu propósito espiritual não é reprimir ou exagerar as suas emoções, e sim permitir que elas se desloquem plenamente através de si.

    A dor do luto irá continuar a chamar a sua atenção até que desenvolva a sua coragem para gentilmente, e em pequenas doses, abrir-se à sua presença. Rejeitar ou suprimir a sua dor é, de facto, a escolha mais dolorosa que pode fazer. Acima de tudo, se não honrar a sua dor reconhecendo-a, ela irá acumular-se e agravar-se. Por isso, é importante que acolha a sua perda, faça as pazes com a sua dor, em vez de fazer dela sua inimiga.

    Um coração fechado pelo luto produz dor contra si próprio

    Ao longo de todos estes anos a trabalhar os meus lutos e com pessoas em luto aprendi que a dor que envolve um coração fechado pelo luto é a dor de viver contra si próprio. Ao negarmos a forma como a dor da perda nos muda, ao nos sermos incapazes de lamentar abertamente, isolamo-nos. Consequentemente tornamo-nos incapazes de amar e de receber o amor daqueles que nos rodeiam. Em vez de desistir da vida enquanto está vivo, pode escolher abrir-se à dor, o que, em grande parte, honra o amor que sente pela pessoa que morreu. Afinal, o amor e a dor são duas faces da mesma moeda e a morte não determina o fim do amor.

    Curiosamente, é o próprio acto de reunir coragem para avançar em direcção à dor que, em última análise, conduz à cura.

    Ter coragem para chorar e lamentar a perda pode ser um acto de rebelião

    Se perdeu alguém a quem deu e de quem recebeu amor, o seu coração ficou “despedaçado”. Quer esteja a começar, ou já esteja no meio de uma jornada que é dolorosa, frequentemente solitária e naturalmente assustadora, tem “necessidades especiais”.

    Entre essas necessidades especiais, a mais relevante neste momento é ter a coragem para chorar e lamentar a sua perda. Todavia, numa cultura que nem sempre nos faz sentir seguros para o fazer, este pode ser um verdadeiro acto de rebelião. A verdade é que a coragem – para aceitar o luto e o pesar à medida que eles surgem – já existe dentro de si.

    Pode ainda não conseguir ver a luz ao fundo do túnel. Contudo, avance com coragem e confiança de que a luz da esperança e da plenitude existem de facto. Sinta a sua dor, pesar, tristeza, agonia, desgosto, medo, ansiedade e solidão tanto quanto lhe for possível suportar.

    Isto pode parecer contra-intuitivo, pois estas emoções podem muito bem ser as emoções e sentimentos que mais deseja evitar. Poderá ter a vontade de “fazer vista grossa” aos seus sentimentos e manter-se ocupada à espera que a dor “passe”. No entanto, ironicamente, a única forma de superar estes sentimentos dolorosos é avançando pela lama através deles. Por isso, permita-se chafurdar na lama e atravessar esse pantanal.

    O luto não é limpo, organizado ou conveniente

    O luto não é limpo, organizado ou conveniente. No entanto, senti-lo e expressá-lo é a única forma de voltar a se sentir inteiro novamente. O luto não resolvido pode fazê-lo sentir-se “vazio” ou desconectado. A sua capacidade de se entregar à vida pode ser inviabilizada e pode sentir-se como se estivesse desligado de tudo e de todos.

    Em vez disso, escolha vivenciar o seu luto. E enquanto trilha o caminho do seu luto, lamente activamente. Chore quando precisar, telefone a um amigo quando se sentir sobrecarregado, ou procure um especialista de apoio ao luto, exprima-se através da escrita, da música, da arte ou do desporto. Ao tomar medidas para lidar com a dor, acabará por integrar a perda do seu ente querido na sua vida. Em troca, irá encontrar a esperança, a coragem e o desejo de voltar a viver uma vida plena de sentido, gratificante e feliz.

    A dor da perda pode nunca sair do seu lado, mas permitir-lhe-á deixar-se ir e se aventurar por si próprio cada vez mais à medida que os dias, semanas, meses, e anos passam. Tire partido da sua coragem inata e aceite a mão estendida pelo seu pesar.

    Procure dar voz à coragem

    Cultive a sua coragem todos os dias. Acolha-a todas as manhãs. Antes de se levantar, diga uma citação sobre coragem em voz alta. Pode ser a Oração da Serenidade, que é uma das minhas favoritas: “Que eu tenha a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que posso, e a sabedoria para distinguir a diferença entre elas”. Ou talvez haja outra que lhe agrade especialmente. Se quiser, anote as suas citações favoritas sobre coragem e coloque-as no seu frigorífico, ou no painel de instrumentos do carro, no espelho ou no computador no trabalho. Qualquer que seja a forma como o faz, isso irá ajudá-lo a manter a coragem por perto ao longo de todo o dia.

    Procure formas simples de dar voz à coragem ao longo do dia. Talvez seja apenas o acto de se levantar da cama. Ou pode ser a coragem de partilhar o que sente sobre a sua perda com um colega de trabalho ou amigo, ou de procurar a ajuda de um especialista de apoio ao luto. Pode ser simplesmente fazer um telefonema ou escrever uma mensagem que tem adiado, para agradecer a alguém a ajuda que lhe prestou após o funeral. Ou quem sabe seja ir à igreja ou ao cemitério sozinho, ou arranjar maneira de ser honesto consigo mesmo sobre algo que teme.

    Nutra a sua coragem todos os dias

    Coragem é a capacidade de enfrentar o perigo, a dificuldade, a incerteza, ou a dor sem se deixar dominar pelo medo. A recuperação após uma perda é difícil. É preciso coragem de todas as formas e dimensões para lamentar plenamente enquanto se procura viver o dia-a-dia. Por isso, congratule-se por acolher a coragem, independentemente do seu tamanho ou forma.

    A mais longa caminhada faz-se passo a passo. Não importa quanto tempo demore, se são passos longos ou curtos, se pára para descansar mais ou menos vezes, ou até se tropeça e cai. O importante é que, por cada vez que cambaleie ou cai, reúna coragem para se reerguer e continuar a caminhar através do seu luto.

     

     

    Fazer o luto dessa perda é tanto uma necessidade como um acto de coragem.

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    Fazer o luto com Mais Amor do que Dor

    3 meses atrás · · 0 Comentários

    Fazer o luto com Mais Amor do que Dor

    O luto é algo que nos transforma, por vezes de formas nunca imaginadas. Além disso, ninguém está imune à perda. E, embora a dor seja inevitável, é possível fazer o luto com mais amor do que dor.

    O luto é a resposta natural à perda

    Quando perdemos alguém que nos é querido ou coisas que eram valiosas ou amadas, é normal e natural sentir dor, pesar e tristeza. O processo de luto é natural e necessário para que a recuperação emocional ocorra e se faça a adaptação à nova realidade de forma saudável. Mas quando os sentimentos dolorosos do luto assumem o controlo da nossa vida, começamos a sentir-nos desalentados, desesperançados e impotentes para prosseguir com a nossa vida.

    O luto é complexo e é uma transição de vida significativa com impacto pessoal e social. Ao nível pessoal afecta o estado emocional, cognitivo e físico, e repercute-se nas outras as áreas da vida: familiar, social, profissional, religiosa e cultural; mas também é uma transição de vida marcante, quer devido à experiência dolorosa de quebra de um vínculo emocional significativo como à perda de uma parte relevante da própria identidade.

    Cada luto é único como a impressão digital

    Cada pessoa vivencia o luto de forma diferente dependendo de inúmeros factores, desde o meio em que está inserido e as próprias circunstâncias da perda em si. Tudo pode ter impacto e influenciar a forma como agimos e enfrentamos os nossos lutos. Uma parte importante do processo de cura é aceitar e permitir-se sentir todas as emoções que surgem devido à perda.

    Aceite os seus sentimentos. A perda, por vezes, desencadeia uma avalanche de emoções e sentimentos, muitas vezes antagónicos e, geralmente muito intensos. Não deve varrer os seus sentimentos para debaixo do tapete. Permita-se sentir tudo o que surgir e saiba que tudo isso é normal e natural num processo de luto sadio. Por outro lado, também é preciso voltar a vislumbrar as coisas boas da vida, por menores que sejam.

    Dê tempo ao tempo para o luto com mais amor do que dor

    O luto é algo profundamente perturbador e é absurdo esperar estar em condições de voltar à azáfama do dia a dia após algumas semanas ou meses. É absurdo querer forçar-se a recuperar o mais cedo possível da sua perda. Deixe que o tempo faça o seu trabalho respeitando o seu ritmo. Procure encarar o luto como um processo, um ciclo. Ele pode durar bastante tempo, mas a dor não será sempre intensa. Alguns dias serão melhores do que outros. Viva um dia de cada vez, respeitando sempre o seu ritmo, com amor.

    Evite comparar a sua perda ou a sua recuperação a outra pessoa. A vida e as circunstâncias de cada pessoa e a natureza da sua perda são únicas como a impressão digital. O que significa que mesmo que os detalhes circunstanciais pareçam semelhantes, comparar o seu luto é o mesmo que comparar maçãs e com laranjas. A única coisa que têm em comum é serem ambas frutos.

    Aquilo a que resistimos, persiste.

    Outro aspecto importante para que o luto seja vivenciado com mais amor do que dor é acolher todas as emoções. Aquilo a que resistimos, persiste, ou seja, tentar evitar emoções difíceis só as torna mais fortes a longo prazo.

    Ao aproximarmo-nos deliberadamente de emoções difíceis como a tristeza, podemos treinar o nosso cérebro para nos tornarmos mais confortáveis com elas. E embora a dor do luto esteja sempre presente, é muito mais fácil de enfrentar e suportar quando não estamos sobrecarregados com medo, vergonha, frustração, e todo o tipo de outros sentimentos difíceis que podem surgir.

    Em suma, não há problema em sentir o que quer que surja quando se está de luto. Apesar de muitas das emoções que sentimos serem difíceis ou mesmo dolorosas, é importante reconhecer e validar todas elas como legítimas e naturais.

    O luto saudável significa abraçar com compaixão e compreensão toda a gama de emoções que ele contém. A partir da aceitação é possível crescer a partir da experiência de perda, com mais amor do que dor.

    Neste episódio do podcast partilho um pouco da minha história e como usei a minha experiência de luto para iniciar este movimento de sensibilização para a temática do luto.

    A perda e o luto é algo que nos toca a todos, mais cedo ou mais tarde.

    Neste episódio eu falo do movimento que criei e intitulei Mais Amor do que Dor que se destina a apoiar pessoas em luto ou servir de guia a quem queira apoiar alguém que esteja de luto.

    Deixe o seu comentário. Adoro saber como as minhas mensagens estão a ser recebidas.

    Do meu coração para o seu, mais amor do que dor

    A importância dos actos aleatórios de bondade

    6 meses atrás · · 0 Comentários

    A importância dos actos aleatórios de bondade

    Neste episódio falo da importância dos actos aleatórios de bondade quer para quem os pratica quer para quem os recebe e dos seus benefícios.

    Este artigo tem como objectivo complementar o que foi abordado no Podcast. Assim, abordo conceitos retirados de diferentes pesquisas científicas para fundamentar a importâcia dos actos aleatórios de bondade e os seus benefícios.

    Porque é importante ser bondoso?

    A investigação científica sobre o tema da bondade é cada vez mais abundante. Os actos aleatórios de bondade têm se revelado determinantes na melhoria do bem-estar e da saúde. Por outras palavras, a ciência tem demonstrado que ser bondoso compensa.

    A bondade parece ser um atributo inerente a qualquer ser humano. Porém, como a maioria das coisas vitais, ela é ao mesmo tempo muito simples e muito complexa. As suas múltiplas camadas podem ser exploradas extensivamente.

    A um nível básico a bondade manifesta-se através da consideração pelos outros. E todos os seres humanos apreciam a bondade, incluindo bebés e crianças. Mas a um nível mais profundo, ela revela-se benéfica para a saúde e o aumento da longevidade.

    As nossas motivações mais básicas, além da luta pela sobrevivência, são o bem-estar e a felicidade. Portanto, todos nós, seres humanos, queremos que ser tratados com bondade e gentileza. E isto está directamente relacionado não só com a nossa conscientização, mas também com a auto-consciência.

    O que diz a Ciência sobre a bondade

    Segundo o antropólogo Oliver Curry, director de investigação do Kindlab, na Universidade de Oxford, “A bondade é muito mais antiga do que a religião.” Curry refere ainda que a bondade é universal e, “a razão básica pela qual as pessoas são amáveis é porque somos animais sociais”.

    Tem surgido muita investigação sobre a importância, a longo prazo, do toque afectivo para as crianças, bem como o seu impacto nos adultos. A partir destes dados podemos perceber que a bondade não é um mero conceito. Ela é também uma realidade biológica no nosso corpo.

    Quando estudei psicologia positiva fiquei um pouco surpreendida ao descobrir que a bondade era objecto de estudo científico. Os resultados de várias pesquisas científicas referiam a importância dos actos aleatórios de bondade no aumento do bem-estar emocional. Ou seja, a bondade é importante para o aumento da felicidade, tanto do dador como do receptor. Todavia, o que me surpreendeu mais não foram os dados da pesquisa, mas o facto disso ter surpreendido os pesquisadores.

    Desde criança, eu observei essa alegria nos meus pais. No início eu não compreendia porquê. Agora percebo!

    A bondade activa diferentes partes do cérebro

    O nosso sistema nervoso está ligado de tal forma que o toque afectivo, como o toque amoroso de alguém ou a bondade, activa diferentes partes do cérebro. O toque afectuoso de alguém que percepcionamos como gentil ou amável pode fazer-nos sentir seguros, relaxados e calmos. Isso provoca a activação do nosso sistema nervoso parassimpático o que leva à libertação de serotonina e oxitocina.

    Por outro lado, se o toque vem de alguém com quem não simpatizamos, pode ser interpretado pelo nosso cérebro como uma ameaça. Em consequência, provoca uma resposta fisiológica e química completamente diferente (e menos saudável) no nosso corpo – a “resposta de fuga ou luta”. Esta activação do sistema nervoso simpático pode causar-nos stress. Isso leva à libertação de hormonas como a adrenalina e o cortisol, elevando, assim, o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea.

    Os actos aleatórios de bondade são muito poderosos

    A pesquisa ciêntífica confirma-o abundantemente. “Fazer bondade torna-nos mais felizes e ser mais feliz faz-nos praticar actos de bondade”, disse Richard Layard, professor emérito de economia na London School of Economics e autor do livro “Can We Be Happier?”

    Sonja Lyubomirsky, professora de psicologia na Universidade de Riverside na Califórnia, testou esse conceito em várias experiências ao longo de 20 anos. Ela constatou, reiteradamente, que as pessoas se sentem ainda melhor quando são bondosas para com os outros do que quando são bondosas para consigo próprias.

    “Os actos de bondade são muito poderosos”, disse Lyubomirsky.

    Numa experiência que efectuou, Lyubomirsky pediu aos participantes para praticarem três actos de bondade adicionais por semana. Ao primeiro grupo pediu que realizassem três actos de bondade para com outras pessoas. E, aos participantes de outro grupo, pediu que os realizassem para consigo mesmos. Poderiam ser pequenos gestos, como abrir uma porta para alguém, ou algo com mais impacto. Os dados demonstraram que as pessoas que foram bondosas para com os outros sentiam-se mais felizes e mais ligadas ao mundo do que as que tinham sido gentis para consigo mesmas.

    As sociedades mais bondosas são também as mais felizes

    Anat Bardi, psicóloga da Universidade de Londres que estuda sistemas de valores, realizou um estudo cujos dados revelaram que a bondade é o valor mais prezado acima de qualquer outro. Os investigadores agruparam os valores em dez categorias e perguntaram às pessoas qual o mais importante. A benevolência ou bondade, destacou-se, ultrapassando a segurança, o hedonismo, ter uma vida excitante, a criatividade, a ambição, a obediência ou a justiça.

    Bardi realizou este estudo em dezenas de outros países e obteve sempre o mesmo resultado. As pessoas tendem a valorizar mais a bondade. A bondade também ficou em 1º lugar nos países escandinavos, os mais felizes nos rankings mundiais anuais. Então, não é surpreendente que as sociedades mais bondosas sejam também as mais felizes.

    O “World Happiness Report“, um projecto desenvolvido pelas Nações Unidas, também revelou que não é a riqueza das sociedades que as torna mais felizes. A felicidade e a satisfação com a vida são mais fomentadas por factores como a confiança e o apoio social, manifestações de bondade explicitas, do que por factores económicos.

    O “World Happiness Report” de 2019 sugeria que, mais do que a riqueza, é a generosidade (ser bondoso distribuindo riqueza) que está positivamente correlacionada com a felicidade nas sociedades. Isto coincide com outros dados científicos que mostram que tendemos a sentir-nos mais recompensados quando agimos com bondade e beneficiamos os outros.

    Bondade, empatia e compaixão andam de mãos dadas

    A bondade é naturalmente influenciada pela empatia e pela compaixão. Dado que a bondade é vital para nós, tanto a nível biológico como social, devemos investir em formas de a cultivar.

    No entanto, cultivá-la apenas por nós próprios pode ser insuficiente se queremos transformar o mundo num lugar mais pacífico. Assim, é essencial ensinarmos também as crianças a desenvolver estas competências e as tendências que as sustentam.

    Isso inclui introduzir práticas de auto-cuidado e bondade tanto em casa como nas escolas para que as crianças beneficiem deste conhecimento. Só assim poderão iniciar práticas de bondade e auto-cuidado desde a mais tenra idade.

    Ensinar a bondade às crinaças pelo exemplo

    Eu referi atrás que aprendi sobre bondade, sobretudo, com a minha mãe. Ela era a personificação da generosidade e vibrava sempre que praticava o bem ou o testemunhava em alguém. Acima de tudo, ela salientava a importância de o fazer, especialmente para quem o praticava. Esse conceito ficou entranhado em mim, pelo exemplo.

    A verdade é que as crianças aprendem por modelagem, ou seja, reproduzem o que vêem os adultos fazerem. O lema “faz o que eu digo e não o que eu faço” não funciona. Logo, é preciso que tanto progenitores como educadores pratiquem o auto-cuidado e a bondade para que as crianças interiorizem, efectivamente, esses conceitos.

    E, quero aqui sublinhar dois aspectos importantes. Em primeiro lugar, o auto-cuidado é uma necessidade, não um luxo. Não se pode matar a sede a alguém com um copo vazio.

    Em segundo lugar, da mesma forma que precisamos de praticar a auto-compaixão, o mesmo se aplica a actos de bondade para connosco. A bondade para consigo mesmo é tão importante quanto para com os outros. Geralmente, somos muito céleres a nos criticarmos e depreciarmos e menos deligentes a nos valorizamos.

    Este é outro conceito importante a ensinar às crianças desde cedo. Todavia requer mudanças de comportamento nos adultos se quiserm que as crianças venham a ser adultos emocionamente equilibrados e felizes.

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    Como Ajudar as Crianças e Jovens em Luto nas festividades

    12 meses atrás · · 0 Comentários

    Como Ajudar as Crianças e Jovens em Luto nas festividades

    O Luto ser algo difícil de enfrentar durante as festividades, especialmente para as crianças e jovens, e muitos não sabem como ajudar. Os pais, familiares, amigos e educadores são quem está em melhor posição para fazê-lo. Neste artigo partilho algumas sugestões úteis de como ajudar as crianças e jovens em luto durante as festividades.

    AS FESTIVIDADES PODEM SER DOLOROSAS PARA OS ENLUTADOS

    Para onde quer que olhemos, durante o mês de Dezembro, há sinais de festa e celebração por todo o lado. Nas lojas, ouvimos música familiar numa tentativa de reacender o espírito do Natal. Nas ruas, as pessoas desejam boas festas umas às outras e falam sobre reuniões com a família alargada e amigos íntimos.

    Todavia, para os enlutados, o que costuma ser um momento especial para as famílias, escolas, organizações e comunidades pode adicionar sobrecarga emocional ao seu pesar.

    Além disso, durante esta época, a maioria de nós também pensa em pessoas de quem sentimos falta, incluindo entes queridos que morreram. Estas memórias podem ser especialmente intensas para crianças e adolescentes que perderam um ente querido.

    OS DESENCADEADORES DE SOFRIMENTO PODEM SER FORTES

    Os desencadeadores do sofrimento são lembretes súbitos da pessoa que morreu que causam respostas emocionais poderosas. Estes podem incluir odores ou sons, ouvir uma canção, participar numa tradição familiar, ou mesmo imaginar uma oportunidade perdida, como um jantar de Natal com a pessoa amada.

    As festividades estão repletas deste tipo de lembretes. Portanto, os estímulos de pesar podem ser frequentes e bastante intensos durante esta época e, muitos não sabem como ajudar as crianças e jovens. Eles podem vivenciar períodos de profunda tristeza, uma renovação da sua dor, ou ter reacções repentinas e inesperadas de raiva, desespero ou medo.

    AS EMOÇÕES PODEM SER PODEROSAS

    Em primeiro lugar, as crianças podem sentir-se particularmente vulneráveis quando têm reacções de pesar a eventos festivos. Em segundo lugar, podem isolar-se dos seus pares ou das celebrações, num esforço para evitar os estímulos desencadeadores de mais sofrimento. Além disso, podem sentir-se frustradas ou desiludidas por não conseguirem gerir estas reacções. E finalmente é comum os jovens sentirem que: “Já devia ter ultrapassado isto e ser capaz de manter o controlo agora”.

    Estas respostas podem acontecer no primeiro ou segundo ano após uma morte, ou muitos anos mais tarde. Este tipo de reacções são perfeitamente normais. O apoio e a compreensão que se oferece a todos aqueles que perderam um ente querido, especialmente às crianças e jovens em luto, durante as festividades podem ser especialmente úteis.

    OBJECTIVOS PARA OS PAIS E EDUCADORES

    Ao abordar as crianças e jovens em luto, os pais e educadores têm uma oportunidade de promover vários objectivos importantes, incluindo:

    1. Diminuir a sensação de isolamento das crianças e jovens em luto. É comum as crianças em luto sentirem que os outros não compreendem a sua experiência.
    2. Oferecer às crianças e jovens em luto uma oportunidade de falar. As crianças e jovens em luto estarão a pensar no seu ente querido. Por exemplo, poderão reflectir sobre memórias, experiências e sentimentos.
    3. Encorajar as crianças e jovens em luto a falar com os outros. Na maioria dos casos, é útil que as crianças e jovens em luto falem honestamente com os seus pares e família. Sobretudo que partilhem os seus pensamentos, sentimentos e memórias.

    ATITUDES A TOMAR PARA AJUDAR AS CRIANÇAS E JOVENS EM LUTO

    – Fazer perguntas abertas. Ouvir mais do que falar. Por exemplo, pergunte: “Como te estão a correr as férias? Pergunto-me que pensamentos tens tido ultimamente sobre o teu avô/pai”.

    – Aceitar expressões de emoção. As crianças podem exprimir tristeza, dor, frustração, raiva ou outras emoções poderosas.

    Evite minimizar os seus sentimentos ou tentar dar uma volta “positiva” às suas expressões. Por exemplo, dizer: “É importante que te concentres nos bons momentos que tiveste com o teu avô/pai”, é susceptível de levar a criança a pensar que não deseja ouvir uma criança a falar de coisas dolorosas.

    – Abordar as crianças e jovens em luto em eventos escolares. A ausência de um ente querido pode ser especialmente notória durante a festa escolar ou outras actividades. Faça questão de abordar o assunto de alguma forma. Por exemplo, diga a um/a estudante que está feliz por vê-la na festa.

    – Introduzir actividades de uma forma que reconheça as ausências e ofereça alternativas. Por exemplo, se as crianças estiverem a fazer cartões para membros da sua família, convide-os, se quiserem, a incluir também cartões para alguém que já não vive, ou que está longe da família.

    Acima de tudo, deixe claro à criança que ela pode contar consigo para a ouvir, para a apoiar ou para lhe oferecer o seu colo ou ombro se ela quiser chorar.

    CONCLUSÃO

    Em conclusão, as crianças e jovens (tal como qualquer pessoa enlutada) experienciam o luto de forma diferente ao longo do tempo. O que é verdade este ano para as festividades pode não ser o mesmo no próximo ano. É por isso que uma das coisas mais importantes que um membro da família pode fazer é colocar questões e depois ouvir, com presença e paciência.

    Desejo-vos umas Felizes Festas, com muita saúde, paz e mais amor do que dor.

     

    P.S. E, como sempre, se gostou deste artigo, deixe o seu comentário abaixo. Se sentir que pode ser útil para alguém, partilhe.

    7 dicas para ser mais optimista

    1 ano atrás · · 0 Comentários

    7 dicas para ser mais optimista

    Neste episódio do Podcast sugiro 7 dicas para ser mais optimista. Apesar de vários estudos já terem demonstrado que os optimistas gozam de melhor saúde, um estudo recente sugere que uma mudança de perspectiva, de negativo para mais positivo, pode impulsionar directamente o sistema imunitário. E se há uma fase da nossa vida em que precisamos quer o sistema nervoso quer o imunitário fortes, este é o momento!

    Há esperança para aqueles que vêem o copo meio vazio.

    O optimismo é uma das variáveis da resiliência estudadas pela psicologia positiva, conforme referi no episódio nº 4 do podcast.

    Um estudo realizado por Suzanne Segerstrom, uma investigadora da Universidade do Kentucky, com 124 estudantes do primeiro ano de direito, revelou que o optimismo tinha influência no sistema imunológico.

    Os estudantes foram testados em cinco períodos diferentes do ano académico, para avliar a sua perspectiva psicológica, incluindo os níveis de optimismo e fizeram também um teste fisiológico especial que media a capacidade do seu sistema imunitário para combater infecções virais e algumas infecções bacterianas.

    O optimismo tem influência no sistema imunitário

    Os dados monstraram que quando os estudantes não tinham qualquer informação sobre o seu desempenho académico, como no início do semestre, os seus níveis de optimismo sobre as suas perspectivas académicas estavam de acordo com a sua disposição geral. No entanto, as quando as notas da turma eram divulgadas, o seu optimismo revelava uma correlação com o seu desempenho real.

    As mudanças no optimismo dos alunos foram igualmente acompanhadas por mudanças no seu sistema imunitário: à medida que o optimismo melhorava, o funcionamento do seu sistema imunitário também melhorava ; quando o optimismo diminuía, também diminuía o funcionamento do sistema imunitário.

    Estes resultados são muito importantes porque sugerem que as intervenções psicológicas para diminuir o pessimismo e aumentar o optimismo podem ser utilizadas para melhorar a saúde. Assim, mudar a visão geral da vida para se ser mais optimista poderia trazer ainda maiores benefícios para a saúde e imunidade, como a resistência às doenças virais e ao cancro.

    Podemos mudar a nossa mentalidade para sermos mais optimistas e mais felizes.

    Há cerca de duas décadas atrás, a minha família e eu, íamos a caminho da Serra da Estrela e, na zona da Covilhã, a estrada que leva à Torre tinha sido encerrada, devido a uma prova de atletismo que estava a decorrer, e o transito estava a ser desviado para uma estrada rural. Entrámos nessa estrada conforme nos indicaram e, quando demos por ela, a estrada tinha dando lugar a um autêntico caminho de cabras com valas e pedregulhos enormes. Eu entrei imediatamente em pânico. Preocupava-me que se espatifássemos o carro e ficássemos ali presos durante horas à espera de um reboque, e que o nosso fim-de-semana ficasse totalmente arruinado devido a algum problema com o carro.

    Enquanto o meu marido tentava encontrar forma de conduzir sem caír em nenhuma vala nem bater com o fundo do carro em algum pedregulho, como ele já sabe como eu sou, apercebeu-se das minhas inúmeras preocupações. Então, ele olhou para mim com ar calmo e disse: “Sai e vai me dizendo para onde virar para não meter nenhum pneu dentro de alguma vala”. Ele foi manobrando o carro de acordo com as minhas indicações de modo e, em breve estávamos de novo em estrada boa a caminho da serra.

    Esta história ilustra um princípio importante: algumas pessoas acham mais fácil adoptar uma atitude positiva do que outras, o que influencia a forma como respondem aos contratempos da vida. Enquanto eu via os pedregulhos e as valas como um grande problema, o meu marido via-os como um pequeno inconveniente. A sua mentalidade mais positiva manteve-o calmo e permitiu-lhe tomar as medidas adequadas. A minha visão pessimista levou-me simplesmente a sofrer e a sentir-me desamparada e impotente.

    O optimismo beneficia a saúde

    Esta diferença na forma como percebemos e respondemos aos acontecimentos e desafios da nossa vida é importante para a nossa felicidade e saúde. Quando temos uma mentalidade mais optimista, somos mais capazes de amortecer os efeitos comuns dos factores de stress da vida quotidiana e ainda nos sentirmos felizes.

    Segundo estudo realizado pela equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, liderada por Lewina O. Lee, verificou-se que o optimismo é saudável para nós. O estudo concluíu que as pessoas com idades compreendidas entre os 40 e os 90 anos tendem a viver mais tempo se forem mais optimistas. Apesar de outros factores, como a sua dieta, o consumo de tabaco e álcool, a pressão no trabalho e as suas condições de saúde, os optimistas têm maior esperança de vida.

    A boa notícia para aqueles de nós que têm dificuldade em encontrar o lado bom das coisas é que as nossas mentalidades podem mudar. Podemos mudar a nossa atitude num sentido mais optimista, qualquer que seja a nossa inclinação natural, com tempo, energia e empenho.

    Seguidamente vou partilhar 7 dicas baseadas em investigação científica para se tornar mais optimista.

    1. Reenquadre os factores de stress

    O stress é inevitável. Quase todos nós enfrentamos diariamente longas filas de transito, ou lidamos com pessoas irritantes ou temos listas intermináveis de afazeres. E, embora não possamos eliminar todo o stress, podemos escolher como pensamos sobre os desafios que enfrentamos e adoptar uma mentalidade nova e mais positiva acerca deles.

    É claro que algumas pessoas optimistas parecem fazer isto naturalmente. (Sorte a delas!) Passam a vida a ver facilmente o lado positivo nas coisas irritantes e nos acontecimentos aborrecidos, o que ajuda a proteger o seu estado de espírito. Se fazer o reenquadramento positivo não for algo natural para si, comece por tentar se concentrar no que há de bom nos factores de stress da sua vida diária, em vez de se focar no que eles têm de mau. Por exemplo, se estiver preso num engarrafamento no trânsito, use esse tempo para olhar pela janela, reparar na natureza e contemplar a sua beleza.

    Eis alguns exemplos de como pode transformar um revés em algo positivo:

    Está preso numa fila qualquer? Utilize o tempo livre inesperado para telefonar a um amigo ou familiar.

    Foi preterido numa promoção? Isto pode significar que esta é a altura perfeita para melhorar o seu currículo ou explorar outras opções de carreira – talvez ainda mais satisfatórias.

    Não tem planos para a noite de Fim de Ano? Aproveite para se aconchegar confortavelmente em frente à televisão e veja as festividades no sossego do seu lar, ou talvez queira começar já uma resolução de Ano Novo e planear as acções das primeiras semanas ou mês.

    Podemos não controlar o que a vida nos traz, mas todos temos o poder de reenquadrar eventos difíceis como desafios a serem ultrapassados, em vez de calamidades.

     

    2. Pratique a autocompaixão

    Algumas pessoas têm uma tendência para se baterem quando as coisas não seguem o rumo desejado, o que, não surpreendentemente, não as faz sentir-se melhor. Para mudar a nossa mentalidade numa direcção mais positiva, podemos simplesmente fazer uma pausa e tratar-nos com amabilidade, da mesma forma que trataríamos um amigo próximo que estivesse a passar por dificuldades. (Eu até costumo dizer às minhas clientes para imaginarem que estão a falar assim para uma criança pequena, com os olhos rasos de água… A perspectiva muda, não?)

    As pessoas que praticam a autocompaixão têm menos probabilidades de se culparem quando acontecem coisas más, o que funciona a seu favor. São menos ansiosas e deprimidas e, de um modo geral, sentem-se mais felizes e mais optimistas em relação ao futuro. Por exemplo, as pessoas que sofrem desaires como a perda de um emprego e que têm mais auto-compaixão durante essa difícil transição de vida estão mais empenhadas e motivadas em abrilhantar o seu curriculum e em procurar um novo trabalho – talvez porque se sentem mais ligadas a outras pessoas nas suas vidas e mais capazes de lidar melhor com os desafios que a vida apresenta.

    Por isso, quando lhe acontecerem coisas más, conceda-se alguma folga. Perdoe-se, seja gentil consigo mesma/o, e trate-se com carinho e compaixão.

     

    3. Deixe ir

    Para além de se culparem por contratempos, as pessoas também podem cair na armadilha de ruminar sobre maus acontecimentos muito depois de terem terminado. Em vez de aceitarem o que aconteceu e seguirem em frente, ficam presas nos seus sentimentos negativos e, para piorar a situação, batem-se por se sentirem mal!

    As pessoas que se criticam por terem pensamentos e sentimentos negativos têm níveis de stress e ansiedade mais elevados, e níveis mais baixos de bem-estar psicológico e satisfação com a vida. Isto porque quando se culpam pelos seus sentimentos, criam um ciclo vicioso, onde a ruminação conduz a maus sentimentos que levam a mais ruminações.

    Se der por si a ruminar sobre uma contenda com um amigo, uma situação difícil no trabalho, ou o estado actual da economia, tente uma nova abordagem. Identifique e deixe de resistir a estes pensamentos e sentimentos negativos. Depois liberte-os. Por exemplo, pode pensar: “Estou a sentir-me só”, ou “O meu trabalho não está a correr bem”, ou “Estou frustrado neste momento com a nossa economia”. Nomear e aceitar as suas emoções e pensamentos negativos vai ajudá-la/o a não se agarrar a eles com tanta força e vai abrir o caminho para uma atitude e resposta mais positiva.

     

    4. Evite comparações

    As pessoas felizes não precisam de fazer comparações sociais. Em vez disso, focam-se nos seus pontos fortes – uma boa forma de aumentar o optimismo e o bem-estar.

    Apesar de sermos consideravelmente diferentes uns dos outros, aqueles de nós propensos a ter uma mentalidade mais negativa, tendem a se envolver em comparações sociais que têm dificuldade em evitar, particularmente nas redes sociais. A maioria das pessoas publica apenas as partes boas das suas vidas – crianças felizes, famílias bem sucedidas, férias fabulosas, carreiras impressionantes – o que nos pode levar a acreditar que as nossas próprias vidas não estão à altura.

    Pode ser por isso que muitas pessoas acreditem que experienciam mais eventos negativos (por exemplo, mais dificuldades) e menos eventos positivos (por exemplo, férias divertidas) do que os seus pares, o que as torna amargas e insatisfeitas com a vida. Em contraste, as pessoas que acreditam no seu valor, que se apoiam nas suas forças de carácter tendem a ser mais felizes do que os seus pares.

    Se der por si numa armadilha de comparação, tente largar o seu hábito de navegar nas redes sociais, ou pelo menos mudar a forma como pensa sobre os retratos demasiado positivos que aí encontra. Em vez de se sentir triste com a forma como a sua vida não está à altura dessas imagens, concentre-se nas coisas muito reais que são boas na sua vida – por exemplo, o meu filho não vai ser o melhor aluno, mas tem um excelente grupo de amigos; a minha família não vai passar duas semanas no Havai, mas somos muito unidos e apoiamo-nos mutuamente.

     

    5. Pratique a gratidão

    Um artigo publicado em 2014 no Journal of Happiness Studies, divulgou que poderia haver uma forma de transformar estados emocionais de pessoas vulneráveis sem intervenção clínica. Os investigadores reuniram 48 pessoas que estavam em lista de espera para psicoterapia, que reportavam problemas que iam desde a depressão e ansiedade até ao abuso de substâncias e distúrbios alimentares. Os participantes foram distribuídos por de três grupos:

    Aos do primeiro grupo, foi-lhes pedido que mantivessem um diário de gratidão. As instruções referiam o seguinte: “Há muitas coisas nas nossas vidas, tanto grandes como pequenas, pelas quais podemos estar gratos”. “Pense no dia de ontem e escreva até cinco coisas na sua vida pelas quais está grato ou reconhecido”.

    O segundo grupo recebeu as seguintes instruções: “Os actos de bondade são comportamentos que beneficiam outras pessoas ou que fazem os outros felizes. Envolvem normalmente algum esforço da nossa parte. Não se esqueça de incluir pelo menos um acto bondoso que tenha feito intencionalmente”. Tal como ao primeiro grupo, também lhes foi pedido que relatassem os seus estados de espírito em cada dia no seu diário sobre bondade.

    O terceiro grupo – que actuou como grupo de controlo – foi convidado a escrever sobre o seu estado de espírito diário, registando as suas expectativas para o dia seguinte, o seu sentido de conexão com os outros, e a sua satisfação geral com a vida.

    Os dados da pesquisa revelaram que as pessoas do grupo de gratidão relataram sentir-se mais gratas no final das duas semanas do estudo, mas as do grupo da bondade não obtiveram o mesmo tipo de benefício. Ou seja, aqueles que contaram as suas gentilezas não se sentiram mais bondosos por causa disso, sugerindo que a gratidão pode ser cultivada neste curto espaço de tempo, mas a bondade não.

    Apesar desta assimetria, os grupos de bondade e gratidão mostraram melhorias mensuráveis em relação àqueles que simplesmente monitorizaram o seu estado de espírito. Ou seja, os dois grupos desfrutaram de uma maior percentagem de dias felizes, onde se sentiram optimistas e esperavam o melhor. Sentiam-se também mais satisfeitos com as suas vidas, que encaravam como mais significativas, e sentiam-se cada dia mais ligados aos outros.

    Todos estes resultados positivos – este aumento do sentimento de conexão, maior satisfação com a vida quotidiana, optimismo, e redução da ansiedade – abordaram de alguma forma os problemas que qualificaram os participantes para o estudo, em primeiro lugar. (Lembrem-se, todos eles estavam clinicamente angustiados e à procura de terapia que tardava em chegar).

    Portanto, estes resultados sugerem que esta breve intervenção – que durou apenas duas semanas – não aumentou só os sentimentos de gratidão, mas fez com que as pessoas se sentissem mais felizes, mais ligadas e mais significativas – fazendo parcialmente o trabalho para o qual a terapia foi concebida.

     

    6. Descubra algum humor

    É possível encontrar algum humor em praticamente qualquer situação e, fazer um esforço para isso, pode contribuir para, posteriormente, adoptar uma mentalidade mais positiva.

    Lembro-me de um episódio em que estávamos desertinhos por ir para casa porque, além do cansaço, a hora de as deitar as crianças (que ainda eram pequenas) já tinha passado há muito. Todavia, quando chegámos ao carro tinhamos dois carros, um à frente e outro atrás, a bloqueá-lo. No entanto, vimos que havia pessoas dentro do carro que estava parado atrás por isso entrámos no nosso carro e esperámos.

    Como o condutor nos ignorou, o meu marido saiu e dirigiu-se ao lado do condutor para lhe pedir que afastasse o carro para podermos sair. Resposta do condutor: Vá chamar o que estacionou à frente porque eu já aqui estava parado quando ele chegou. O meu marido regressou ao carro e sentou-se à espera. Quando lhe perguntei o que se passara ele respondeu simplesmente: para a próxima vai ser melhor levar um ramo de rosas! E contou-me a resposta que o homem lhe tinha dado. Eu fiquei perplexa! Mas a verdade é que a mudança de perspectiva do meu marido, em vez de fazer a irritação escalar, fez-nos rir e descontrair enquanto esperávamos que sua excelência afastasse o carro.

    Encontrar humor ajuda as pessoas a lidarem com as pequenas irritações da vida quotidiana, mas é particularmente importante para lidar com circunstâncias sérias da vida. Por exemplo, um estudo realizado com pessoas com fibromialgia (uma condição crónica e debilitante marcada por dores corporais generalizadas) que contavam com o sorriso e o riso para lidar com pequenos factores de stress da vida quotidiana – como um empregado de mesa a derramar água sobre si – reportaram níveis mais baixos de angústia psicológica e menos sintomas físicos. Esta capacidade de dar passos em frente reduz o stress e os seus efeitos negativos no bem-estar físico e psicológico.

    Assim, da próxima vez que se encontrar numa situação frustrante ou difícil, experimente o humor. Lembre-se de que esta situação irá provavelmente contribuir para uma boa história mais tarde, e procure criar uma piada sobre ela. Diga que está despedido; ou imagine a forma mais absurda de passar o seu último dia, ou o trabalho mais ridículo que poderia fazer a seguir como engraxador de sapatos ou ser escultura viva para pombos. Permitir-se experimentar o humor pode trazer-lhe vantagens.

    Se este tipo de mentalidade positiva não lhe surge naturalmente, não desespere. Procure encontrar alguém que seja um modelo a seguir e o possa ajudar a cultivar esta habilidade. Lembra-se do ramo de rosas? Ainda hoje nos rimos dessa história.

    7. Pratique o Melhor Eu Futuro Possível

    Tenho estudado a investigação de Charles R. Snyder sobre esperança, a investigação de Brené Brown sobre coragem e a intervenção de Laura King sobre o “Melhor Eu Futuro Possível” e, no seu conjunto, este corpo de pesquisa representa um quadro mais amplo e ligeiramente diferente de optimismo. O optimismo, a esperança, a coragem e a confiança são todas emoções positivas sobre o futuro. Mas, apesar de, geralmente, os investigadores verem a esperança apenas como um conjunto de competências e não como uma emoção, para mim, elas são tanto sentimentos como competências.

    Na minha perspectiva, o que mais importa não são as definições exactas destas emoções, ou as diferenças subtis entre algumas delas (como entre esperança e optimismo, por exemplo). O que importa é termos a confiança, a esperança e a coragem que é preciso para irmos atrás dos nossos sonhos e concretizar os nossos objectivos.

    É aqui que entra o exercício “O Melhor Eu Futuro Possível”. A investigação tem demonstrado repetidamente que este exercício – que é uma forma de praticar o optimismo – nos deixa mais felizes e optimistas.

    Em essência os investigadores colocam as pessoas a escrever durante 15 a 20 minutos sobre o seu “melhor eu futuro possível”.

    O poder deste exercício vem de (1) colocar as pessoas a imaginar e (2) a dissertarem sobre os seus sonhos para si próprias. Estas duas coisas são realmente importantes e ambas exigem prática.

    Encontra as indicações para realizar este exercício no final do episódio do podcast.

    Sonja Lyubomirsky, argumenta que parte do poder deste exercício provém do processo de escrita e sugere que as pessoas que obtêm o maior impulso de felicidade com este exercício são aquelas que o acham mais interessante, desafiador e significativo – e continuam a tentar imaginar o seu “melhor futuro possível”.

    Daquilo que é a minha experiência, tenho colhido benefícios de ambas as formas (imaginar apenas ou colocar no papel o que imagino).

    Conclusão

    Em conclusão, vimos que o optimismo é uma característica psicológica caracterizada pela crença de que o futuro será mais risonho ou mais favorável porque há factores que podemos controlar. Também referi vários estudos científicos que demonstraram que ser optimista beneficia a nossa saúde física, mental, emocional e espiritual. E, por último, mas não menos importante, o optimismo é algo que pode ser alcançado por qualquer pessoa que esteja disposta a praticá-lo.

    Então, escolha uma das 7 sugestões acima (ou procure outras no Google, por exemplo) e comece a exercitar o seu optimismo. Garanto que irá sentir as diferenças em poucas semanas e, as pessoas á sua volta também.

    Tenho utilizado estas estratégias na minha própria vida e, embora a minha inclinação natural não seja ver o lado luminoso das coisas, agora sinto que é cada vez mais fácil mudar o meu pensamento de formas que me deixam mais feliz. Adoptar este tipo de visão mais optimista do mundo levou o seu tempo, energia e esforço, mas valeu realmente a pena. Estas mudanças têm me ajudado a sentir mais feliz.

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    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
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