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    Mães coragem

    3 meses atrás · · 0 Comentários

    Mães coragem

    Ser mãe, só por si, já é um acto de coragem. Mais do que uma decisão, uma escolha ou um papel, para muitas mulheres, a maternidade muda completamente a sua trajectória de vida ou o conceito que tinham de si mesmas. Para muitas mulheres é a concretização de um sonho. Já para outras esse sonho nunca se torna ralidade ou esse papel foi-lhes arrancado. São as mães coragem!

    Ser mãe é mais do que o acto de dar à luz

    A maternidade vai além do acto de dar à luz ou do desempenho do papel decorrente desse facto. É a personificação suprema do amor incondicional, da entrega, do cuidado e nutrição e, para muitas mães, de total abnegação.

    Quando nasce um bebé saudável e “perfeitinho” é a verdadeira realização de um sonho, por vezes, há muitos ansiado. Mas quando esse milagre da vida traz consigo desafios maiores… Em primeiro lugar, se a chegada de um bebé vem acompanhada de medo e angústia, a coragem é convidada a marcar presença. Em segundo lugar, a vida da mãe pode mudar num ápice, por vezes de forma radical, a partir desse momento.

    Por outro lado quando a vida desse filho ou filha se esvai como areia por entre os dedos… Ou se a mãe não chega a segurar o seu bebé nos braços, o seu papel como mãe pode ser ignorado ou negligenciado. Do mesmo modo, se a gravidez não vai além das primeiras semanas, o papel da mulher enquanto mãe geralmente não é reconhecido. E por fim, se a mulher simplesmente não consegue engravidar, o sonho de ser mãe pode permanecer apenas o desgosto de não o ser.

    Quando o papel de mãe não é reconhecido ou é negado

    Muitas mulheres não são mães porque simplesmente não conseguiram gerar vida ou adoptar. Algumas não chegaram a poder segurar os seus bebés nos braços… Há mulheres perderam os seus filhos horas, dias, semanas mais tarde. Outras perderam os seus filhos ainda crianças, quando eram jovens ou já na adultez. Estes acontecimentos não tornam estas mulheres menos mães.

    O que torna uma mulher em mãe é muito mais do que o parto físico ou a parentalidade através da adopção. A maternidade tem a ver com amor incondicional, com dedicação, com cuidado e nutrição. Muitas mulheres que nunca foram mães fisicamente, não obstante, têm a capacidade e o dom de nutrir, amar e cuidar dos outros.

    Outras mães que perderam os seus filhos ou nunca chegaram a ouvi-los chamar-lhes “mãe” ou deixaram de ouvir essa palavra tão doce ser-lhes dirigida e vêem o seu papel de mãe negado pela socieade.

    Para mães sem filhos o dia das mães também pode ser cruel

    Para as mães coragem que perderam os seus filhos, ou mães que têm filhos com uma condição especial que não conseguem expressar-lhe o seu amor ou apreço, ou a quem nem foi reconhecido o papel de mães, o dia das mães pode ser duro.

    Se alguém perde os pais é órfão. Quando alguém perde o companheiro é viúvo ou viúva. Mas quando se perde um filho não há adjectivo que qualifique essa condição. E, para muitas mães que perderam os seus filhos no ventre resta-lhes apenas a solidão e a coragem. Por estas e outras razões, para muitas mães que perderam os seus filhos, o “Dia da Mãe” pode ser doloroso ou até mesmo cruel.

    Se for como eu, desejaria ter o seu filho ou filha consigo em muitos dias, mas esse desejo ganha intensidade no Dia da Mãe. Desejaria celebrar o facto de o ter carregado no ventre, dado à luz, educado e alimentado. Talvez preferisse apreciar quem ele ou ela se teria tornado, e não recordar quem ele ou ela foi. Gostaria de vê-lo(a) vivo(a) e inteiro(a) e poder sentir o seu odor único. Como eu percebo isso. Não interessa as prendas, os cartões com mensagens bonitas, as flores ou os chocolates. O presente que gostaria de recebe era vê-lo(a) entrar pela porta adentro, lançar os braços à minha volta, e dizer como só ele sabria dizer: “Olá, mãe”.

    Um filho não substitui outro

    Mesmo que tenham outros filhos, pelos quais se sentem extraordináriamente gratas, isso não preenche o vazio e também receiam pelas suas vidas. Acima de tudo temem sobreviver-lhes. Eu compreendo isso muito bem. Mães coragem, não estão a enlouquecer estão a aprender a viver sem o vosso filho ou filha. Estão a ser simplesmente mães protectoras que desejam o melhor para os seus filhos.

    Se perdeu o seu filho, sei que o seu coração provavelmente ainda sangra e os seus braços vazios latejam. Tenho plena consciência de que não há maior dor no mundo do que a de perder um filho. Compreendo por que razão pode querer evitar as celebrações do Dia da Mãe, e em vez disso preferir fazer um qualquer ritual em memória do seu filho ou filha… Ou até querer ir ao cemitério para ver o seu nome escrito numa lápide, porque já ninguém o pronuncia, não é verdade? Também pode preferir sentar-se a folhear algum album de fotografias, percorrer as linhas do seu doce rosto com o dedo ou cada letra do seu nome. Diga o seu nome com coragem e ousadia hoje, mãe. Grite-o aos quatro ventos se isso lhe traz conforto.

    Crie a sua própria celebração

    Se tem outros filhos e se estiver com eles, se puder, abrace-os com um abraço mais apertado, enquanto faz uma prece ou intenção de que se mantenham seguros e saudáveis.

    E sabe que mais? Não há problema nenhum em querer evitar celebrações públicas no Dia da Mãe. Se quer evitar conversas incómodas ou assistir a cenários dolorosos faça o que lhe traz conforto. Chore um pouco mais, saia do seu ambiente normal, esconda-se em casa, ou mostre-se tão publicamente quanto quiser. Hoje é o seu Dia da Mãe. Faça o que precisa para apaziguar o seu coração.

    Somos mães coragem e vamos ficar bem. Já sobrevivemos ao inimaginável e conseguimos arrastar-nos para fora da cama mais uma vez hoje. Somos espectaculares. Nunca se esqueça disso. E lembre-se que será sempre sua mãe e ele ou ela será sempre o seu filho ou filha. O seu papel de mãe continua a existir, mas diferente.

    Uma vez que o seu precioso filho ou filha não está aqui para lhe dizer, permita-me, por favor que o faça: Feliz Dia das Mães! É uma mulher maravilhosa, corajosa e amada!

    Que todas as mães coragem tenham um dia sereno, com mais amor do que dor!

    O que é autoconhecimento Emocional

    3 meses atrás · · 0 Comentários

    O que é autoconhecimento Emocional

    O autoconhecimento emocional diz respeito à autoconsciência de si e dos seus pensamentos. À capacidade de reconhecer as suas próprias emoções, atitudes e sentimentos quando estes ocorrem.

    O autodomínio é uma virtude fundamental

    Sem autoconhecimento, não temos domínio sobre nós mesmos. Sobretudo, temos dificuldade em sentir empatia e em estabelecer conexão com os outros.

    O filósofo chinês Lao Tsé já dizia há milhares de anos: “Aquele que conhece os outros é avisado, o homem que se conhece a si próprio é sábio”. Ou seja, para ter autodomínio é fundamental ter capacidade para identificar o que sente, reconhecer as suas forças e limitações e confiar nas suas capacidades e no seu valor próprio. O autodomínio é o que na linguagem popular se designa por maturidade e o cristianismo eleva ao lugar de virtude fundamental, a temperança.

    Por tudo o que tenho aprendido e investigado sobre emoções, estou convencida de que o ponto de partida para o verdadeiro autoconhecimento é o nosso universo emocional. Contudo, a maioria de nós apenas tem um vago conhecimento desse seu universo. Consequentemente, o conhecimento de si mesmo fica-se apenas pelo limiar do que poderia e deveria ser.

    O Autoconhecimento começa no interior

    A autoconsciência consiste em estar atento às nossas identidades. Às experiências vividas e como elas se relacionam com as de outras pessoas à nossa volta. Ainda nos falta trilhar um longo caminho (eu incluída) até conseguirmos conhecer as nossas emoções com precisão. Ou seja, precisamos de fazer esse investimento em nós mesmos, para nosso bem e de todos à nossa volta.

    Sei que não é fácil, mas existem algumas opções simples para começar.

    Como praticar activamente o autoconhecimento

    Neste tópico vou abordar algumas dicas para promover intencionalmente o autoconhecimento emocional.

    1. Reconexão. A reconexão deve ser sempre o ponto de partida porque aumenta a nossa atenção. Refugie-se por algum tempo, longe de distrações físicas, sonoras, digitais, etc. e preste atenção ao seu mundo interior. Depois disso, observe. O que está a sentir, o que diz a si mesma? Anote o que observa.
    2. Prática de Meditação Mindfulness. A atenção plena é a chave para a autoconsciência. A prática da atenção plena, consite em focar a atenção em algo específico – pode ser a respiração, os pensamentos através dos cinco sentidos.
    3. Prática da escuta empática. Ouvir não é o mesmo que escutar. Escutar é estar presente e prestar atenção às emoções e à linguagem verbal e não verbal das outras pessoas. Acima de tudo, quando se tornar uma boa ouvinte, também ouvirá melhor a sua própria voz interior e tornar-se-á a melhor amiga de si mesma.
    4. Manter um diário. Escrever ajuda-nos, não só a processar os nossos pensamentos, mas também faz-nos sentir conectados e em paz connosco mesmos. Além disso, há evidência ciêntifica abundante de que escrever as coisas pelas quais somos gratos, ou até coisas com as quais nos debatemos, ajuda a aumentar a felicidade e a satisfação.

    Experimente – dedique uma hora no fim de semana a praticar estas dicas. Poderá se surpreender com o que descobre!

    10 questões às quais precisa de responder se deseja conhecer-se melhor emocionalmente

    Assim, para terminar, deixo-lhe um pouco de auto-coaching para explorar um pouco mais o seu mundo interno. Por exemplo, passe algum tempo consigo mesma todos os dias. Por exemplo, escreva, medite e conecte-se consigo mesma – no início da manhã ou meia hora antes de dormir.

    1. Quem sou eu em essência?
    2. Quais são os meus sentimentos, emoções, medos e motivações?
    3. Do que gosto e não gosto?
    4. Com quem me identifico?
    5. Qual a frase que melhor me define?
    6. Quais os meus maiores receios?
    7. Quais são os meus maiores sonhos?
    8. O que me faz sentir-se pleno e realizada/o?
    9. Quais os meus pontos fortes e pontos de melhoria?
    10. Do que me posso orgulhar?

    Portanto, o processo de autoconhecimento é fundamental para não permanecermos em piloto automático. Em primeiro lugar, a partir do momento em que comece a reflectir sobre os seus valores e crenças poderá descobrir o que levou a agir de determinada maneira. Depois, a partir dessas descobertas, é possível modificar-se padrões de comportamento.

    Em conclusão, ser autoconsciente é crucial, sobre todos os aspectos, para se estar ciente dos pensamentos e emoções que se está a sentir em cada momento, para agir em vez de reagir. A autoconsciência promove a resiliência!

    Se gostou do artigo, deixe o seu comentário abaixo. Eu adoraria saber de que forma este artigo contribuiu para se conhecer melhor. Além disso, gosto de saber se o que escrevo vai de encontro às necessidades de quem lê.

    Por fim, se sentir que esta informação pode ser útil para alguém que conheça, por favor partilhe. Acima de tudo, acredito que o conhecimento só é útil quando utilizado.

     

    O papel da negação no processo de luto

    5 meses atrás · · 0 Comentários

    O papel da negação no processo de luto

    A negação tem má reputação, mas ela desempenha um papel crucial no processo de luto ou em situações dolorosas. Precisamos dela para prevenir que sejamos derrubados pelos golpes baixos da realidade das nossas vidas e para entorpecer a dor da verificação das nossas perdas. Qual bálsamo anestésico, numa situação de luto, a negação segura as nossas mãos, fica cara a cara connosco e faz-nos voltar as costas à nossa dor dizendo: “Não olhes para lá, olha para mim”.

    A negação tem um papel protector, quando a realidade é demasiado avassaladora para ser assimilada pelo coração. A mente recebe informação organiza-a em factos e registos sonoros, faz listas de prós e contras, e guarda nos arquivos próprios. Para muitos, a experiência da perda não se limita apenas ao desaparecimento físico de uma pessoa próxima. O luto também é vivido na perda de um emprego, de uma relação, de uma vida que fora planeada.

    As cenas das nossas vidas são esboçadas como se fossem desenhos de ligar por números para assinalar imagens decifráveis. Mas alguns factos são demasiado avassaladores para serem retidos, demasiado terríveis para serem apreendidos, demasiado desoladores para serem aceites.

    O coração não acredita em tudo o que a mente lhe diz

    A mente sabe porque estava lá, ouviu as palavras que foram ditas, mas o coração recusa-se a acreditar. Ela até pode saber porque testemunhou o que aconteceu, mas o coração, pelo menos no início, não acredita em tudo o que a mente lhe diz. A mente tenta fazer chegar a informação, mas o coração bloqueia-a e diz à mente: “Pára, isso não pode ser!” Nestas situações, a negação pode ser o mediador.

    A nossa mente vê, assimila e até pode saber que a situação é má, que o nosso ente querido está a morrer, que pode não haver opções razoáveis, mas a negação sabe que são demasiadas coisas para o coração suportar tudo ao mesmo tempo. O luto, apesar de ser um processo natural da existência humana, é demasiado duro para aceitar e excessivamente doloroso de assimilar. É uma crise que desorganiza a vida e provoca grande desequilíbrio nas rotinas diárias. Assim, a negação passa a mensagem da mente para o coração em pequenas doses. Gentilmente, a realidade da situação vai sendo revelada devagar, pouco a pouco, tornando-se cada vez mais clara para o coração. E mesmo que a negação abrande a transmissão da mensagem e modere a sua descarga, mesmo assim pode parecer devastador para o coração.

    Eventualmente, a mente e o coração encontram-se e sentam-se juntos a chorar

    Com o tempo, ela desloca-se. Ainda a segurar as nossas mãos, move-se um pouco para que tenhamos vislumbres dos destroços das nossas vidas, dos nossos sonhos desfeitos. Uma fracção de cada vez que, mesmo assim, parece demasiado, dói muito. A negação continua a sair da nossa linha de visão por períodos cada vez mais longos à medida que absorvemos cada vez mais os factos que as nossas mentes têm de mostrar aos nossos corações. Eventualmente, a negação mantém-se de mãos dadas ao nosso lado enquanto olhamos para o que perdemos. E, a dado momento apercebemo-nos que a nossa mão está vazia e que a negação desapareceu. A nossa mente e o nosso coração estão sentados juntos a chorar.

    A mente e o coração compõem uma história

    A vida não pára depois de uma perda ou de um acontecimento catastrófico. E nós também não paramos de crescer e de nos desenvolver enquanto pessoas. Juntos, a mente e o coração compõem uma história e procuram obter o maior sentido possível do que, inicialmente, parece inconcebível. A história é um misto de factos e crenças. Por vezes as nossas histórias têm tantas versões quantas as que são recontadas, porque as emoções são indissociáveis das narrativas e o trilho da mente para o coração é estreito.

    Se houvesse uma ligação directa da mente ao coração talvez a vida fosse mais simples. Talvez a vida fizesse mais sentido, mas por qualquer razão que desconheço, simplesmente não é assim. Após a perda percorremos um longo caminho com muitas curvas, contracurvas e obstáculos, até chegarmos àquele pequeno reduto chamado aceitação. Chegamos lá de braço dado com a mente e o coração. Aí, a negação mantém-se à distância (se a vemos de todo), à medida que damos o primeiro passo hesitante na sua direcção.

    Aceitação da perda

    Por vezes ficamos com um pé dentro e outro fora. Mesmo quando tentamos sentar-nos com a dor, no início, podemos não conseguir. E pode demorar algum tempo até percebermos que é correcto sentarmo-nos com ela. Com o coração pesado e a mente agoniada, acabamos por nos ajustar. A vida não é estática, e como tal, irão acontecer sempre situações que fogem ao nosso controle.

    As perdas são uma circunstância da vida e, com o passar do tempo, elas vão-se somando. Se tivermos a sorte de viver muito tempo, faremos esta jornada várias vezes. Esse caminho virá a se tornar conhecido e, embora possamos tornar-nos viajantes mais experientes e mais sábios, nunca será uma jornada sem dor. Felizmente, a mente, o coração e a negação impedir-nos-ão de caminhar sempre sozinhos.

    A aceitação é um meio de alcançar a paz de espirito suficiente para perspectivar um caminho. Por isso, foque-se no amor, o caminho faz-se caminhando.

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    Luto durante as festividades: Como Ajudar as Crianças e Jovens a Enfrentar

    8 meses atrás · · 0 Comentários

    Luto durante as festividades: Como Ajudar as Crianças e Jovens a Enfrentar

    O Luto pode ser algo difícil de enfrentar por crianças e jovens durante as festividades e muitos não sabem como ajudar. Os pais, familiares, amigos e educadores estão quem está em melhor posição para fazê-lo.

    Para onde quer que olhemos, durante o mês de Dezembro, há sinais de festa e celebração por todo o lado. Nas lojas, ouvimos música familiar numa tentativa de reacender o espírito do Natal. Nas ruas, as pessoas desejam boas festas umas às outras e conversam sobre reunir-se com a família alargada e amigos íntimos.

    Todavia, para os enlutados, o que costuma ser um momento especial para as famílias, escolas, organizações e comunidades pode adicionar sobrecarga emocional ao seu pesar.

    Além disso, durante esta época, a maioria de nós também pensa em pessoas de quem sentimos falta, incluindo entes queridos que morreram. Estas memórias podem ser especialmente intensas para crianças e adolescentes que perderam um ente querido.

    OS DESENCADEADORES DE SOFRIMENTO PODEM SER FORTES

    Os desencadeadores do sofrimento são lembretes súbitos da pessoa que morreu que causam respostas emocionais poderosas. Estes podem incluir odores ou sons, ouvir uma canção, participar numa tradição familiar, ou mesmo imaginar uma oportunidade perdida, como um jantar de Natal com a pessoa amada.

    As festividades são preenchidas com este tipo de lembretes, de modo que os estímulos de pesar podem ser frequentes e bastante intensos durante esta época e, muitos não sabem como ajudar as crianças e jovens. Eles podem vivenciar períodos de profunda tristeza, uma renovação da sua dor, ou ter reacções repentinas e inesperadas de raiva, desespero ou medo.

    AS EMOÇÕES PODEM SER PODEROSAS

    Em primeiro lugar, as crianças podem sentir-se particularmente vulneráveis quando têm reacções de pesar a eventos festivos. Em segundo lugar, podem isolar-se dos seus pares ou das celebrações, num esforço para evitar os estímulos desencadeadores de mais sofrimento. Podem sentir-se frustradas ou desiludidas por não conseguirem gerir estas reacções. E finalmente é comum os jovens sentirem que: “Já devia ter ultrapassado isto e ser capaz de manter o controlo agora”.

    Estas respostas podem acontecer no primeiro ou segundo ano após uma morte, ou muitos anos mais tarde. Este tipo de reacções são perfeitamente normais. O apoio e a compreensão que se oferece a todos aqueles que perderam um ente querido, especialmente às crianças e jovens em luto, durante as festividades podem ser especialmente úteis.

    OBJECTIVOS PARA OS PAIS E EDUCADORES

    Ao abordar as crianças e jovens em luto, os pais e educadores têm uma oportunidade de promover vários objectivos importantes, incluindo:

    1. Diminuir a sensação de isolamento das crianças e jovens em luto. É comum as crianças em luto sentirem que os outros não compreendem a sua experiência.
    2. Oferecer às crianças e jovens em luto uma oportunidade de falar. As crianças e jovens em luto estarão a pensar no seu ente querido. Estarão a reflectir sobre memórias, experiências e sentimentos.
    3. Encorajar as crianças e jovens em luto a falar com os outros. Na maioria dos casos, é útil que as crianças e jovens em luto falem honestamente com os seus pares e família sobre os seus pensamentos, sentimentos e memórias.

    ATITUDES A TOMAR

    – Fazer perguntas abertas. Ouvir mais do que falar. Por exemplo, pergunte: “Como te estão a correr as férias? Pergunto-me que pensamentos tens tido ultimamente sobre o teu avô/pai”.

    – Aceitar expressões de emoção. As crianças podem exprimir tristeza, dor, frustração, raiva ou outras emoções poderosas.

    Evite minimizar os seus sentimentos ou tentar dar uma volta “positiva” às suas expressões. Por exemplo, dizer: “É importante que te concentres nos bons momentos que tiveste com o teu avô/pai”, é susceptível de levar a criança a pensar que não deseja ouvir uma criança a falar de coisas dolorosas.

    – Abordar as crianças e jovens em luto em eventos escolares. A ausência de um ente querido pode ser especialmente notória durante a festa escolar ou outras actividades relacionadas com as festividades. Faça questão de abordar o assunto de alguma forma. Diga a um/a estudante que está feliz por vê-la na festa.

    – Introduzir actividades de uma forma que reconheça as ausências e ofereça alternativas. Por exemplo, se as crianças estiverem a fazer cartões para membros da sua família, convide-os, se quiserem, a incluir também cartões para alguém que já não vive, ou que está longe da família.

    Acima de tudo, deixe claro à criança que ela pode contar consigo para a ouvir, para a apoiar ou para lhe oferecer o seu colo ou ombro se ela quiser chorar.

    CONCLUSÃO

    Em conclusão, as crianças e jovens (tal como qualquer pessoa emlutada) experienciam o luto de forma diferente ao longo do tempo. O que é verdade este ano para as festividades pode não ser o mesmo no próximo ano. É por isso que uma das coisas mais importantes que um membro da família pode fazer é colocar questões e depois ouvir, com presença e paciência.

    Desevo-vos umas Felizes Festas, com muita saúde, paz e mais amor do que dor.

     

    P.S. E, como sempre, se gostou deste artigo, deixe o seu comentário abaixo. Se sentir que pode ser útil para alguém, partilhe.

    Dia de Finados em tempo de pandemia

    9 meses atrás · · 0 Comentários

    Dia de Finados em tempo de pandemia

    Os tributos prestados aos defuntos no Dia de Finados diferem de cultura para cultura. No entanto têm um objectivo comum: prestar homenagem aos entes queridos que já faleceram. Este ano em particular, todo o mundo tem muitos defuntos cuja memória deve ser recordada.

    Rituais do dia de Finados em tempo de pandemia

    Praticar os rituais habituais do dia de Finados em tempo de pandemia, tornou-se praticamente inviável.

    Estas limitações, associadas à dor da perda, podem contribuir para processos de luto ainda mais difíceis. Daí ser importante resgatar estes rituais, ainda que de formas diferentes das habituais.

    Podem ainda adoptar-se outras formas de prestar homenagem aos nossos entes queridos que já partiram, nomeadamente, relembrando as suas histórias de vida, os seus valores e legados; criar um pequeno altar; escrever uma carta, etc.

    A APELO, por exemplo, propõe outras formas de cumprir esses rituais como acender uma vela, colocar flores junto de uma janela ou uma fita de cetim.

    A intensidade e duração variam de pessoa para pessoa

    O Luto é uma desordem emocional (e não psicológica) que causa dor profunda e incomensurável tristeza, cuja intensidade varia conforme a profundidade dos vínculos existentes entre a pessoa enlutada e o ente falecido.

    O processo de luto é, em primeiro lugar, individual e, embora seja possível identificar fases desse processo, elas não são estanques. Ou seja, é frequente oscilar entre umas e outras, decorre entre avanços e recuos. Por outro lado, pode ser mais ou menos longo dependendo da pessoa, das circunstâncias da morte e profundidade dos vínculos existentes com a pessoa falecida, estre outros factores.

    A vivência do luto implica viver no momento presente, aceitar a perda e a dor que a acompanha. O luto sadio envolve deixar que as emoções dolorosas (por exemplo, a tristeza, a raiva, a culpa ou o medo) possam surgir e processá-las. Só assim se estará numa posição favorável para encontrar significado para regressar à própria existência com esta perda interiorizada.

    Durante o processo de luto é normal surgir:

    • Dor intensa e avassaladora que pode parecer incomportável;
    • Sentimentos de culpa, impotência, raiva e injustiça;
    • Solidão, vazio, tristeza, desespero ou angústia;
    • Tendência para o isolamento e perda de interesse nas actividades habituais;
    • Stress, ansiedade, sensação de aperto no peito;
    • Alterações do sono e do apetite.

     

    Existem condições que facilitam a vivência do luto

    Por outro lado, existem condições que facilitam, ou dificultam, o ajustamento emocional à perda e a vivência do luto.

    Neste contexto de pandemia, não podendo haver o abraço amigo nem a proximidade física de outros, intensifica-se a solidão, e o isolamento e a vulnerabilidade aumentam. O processo de luto pode tornar-se mais doloroso e complicar-se.

    Lidar com a dor da perda é fundamental e o apoio é extremamente útil e necessário. O apoio é facilitador do processo de luto e a validação das emoções e partilha de experiências são vias de recuperação muito benéficas. Em conclusão, a partilha de experiências fornece o suporte que permite à pessoa se reorganizar e lidar com a realidade da sua perda de forma construtiva. A validação conferida pelo testemunho e vivências de outros serve de alento para a aceitação da própria perda.

     

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
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