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    Luto durante as festividades: Os Pais, Amigos e Educadores Podem Ajudar as Crianças e Jovens a Enfrentar o Luto

    1 mês atrás ··0 Comentários

    Luto durante as festividades: Os Pais, Amigos e Educadores Podem Ajudar as Crianças e Jovens a Enfrentar o Luto

    Por todo o lado, as festividades do mês de Dezembro costumam ser um momento especial para as famílias, escolas, organizações e comunidades. Em primeiro lugar, para onde quer que olhemos, vemos sinais de celebração. Nas lojas, ouvimos música familiar numa tentativa de reacender o espírito do Natal. Nas ruas, as pessoas desejam boas festas umas às outras e conversam sobre reunir-se com a família alargada e amigos íntimos. O Luto pode ser algo difícil de enfrentar durante as festividades e, os pais, familiares, amigos e educadores podem ajudar as crianças e jovens a fazê-lo.

    Além disso, durante esta época, a maioria de nós também pensa em pessoas de quem sentimos falta, incluindo entes queridos que morreram. Estas memórias podem ser especialmente intensas para crianças e adolescentes que perderam um ente querido.

    Podem vivenciar períodos de profunda tristeza, uma renovação da sua dor, ou ter reacções repentinas e inesperadas de raiva, desespero ou medo.

    Estas respostas podem acontecer no primeiro ou segundo ano após uma morte, ou muitos anos mais tarde. Este tipo de reacções são perfeitamente normais. O apoio e a compreensão que se oferece a todos aqueles que perderam um ente querido, especialmente às crianças e jovens em luto, durante as festividades podem ser especialmente úteis.

     

    OS DESENCADEADORES DE SOFRIMENTO PODEM SER FORTES

    Os desencadeadores do sofrimento são lembretes súbitos da pessoa que morreu que causam respostas emocionais poderosas. Estes podem incluir odores ou sons, ouvir uma canção, participar numa tradição familiar, ou mesmo imaginar uma oportunidade perdida, como um jantar de Natal com a pessoa amada.

    As nossas festividades são preenchidas com este tipo de lembretes, de modo que os estímulos de pesar podem ser frequentes e bastante fortes durante esta época.

     

    AS EMOÇÕES PODEM SER PODEROSAS

    As crianças enlutadas podem sentir-se particularmente vulneráveis quando têm reacções de pesar a eventos festivos. Podem isolar-se dos seus pares ou das celebrações, num esforço para evitar desencadeadores. Podem sentir-se frustradas ou desiludidas por não conseguirem gerir estas reacções. É comum as crianças sentirem: “Já devia ter ultrapassado isto e ser capaz de me manter no controlo agora”.

     

    OBJECTIVOS PARA OS PAIS E EDUCADORES

    Ao abordar as crianças e jovens em luto, os pais e educadores têm uma oportunidade de promover vários objectivos importantes, incluindo:

    1. Diminuir a sensação de isolamento das crianças e jovens em luto. É comum as crianças em luto sentirem que os outros não compreendem a sua experiência.
    2. Oferecer às crianças e jovens em luto uma oportunidade de falar. As crianças e jovens em luto estarão a pensar no seu ente querido. Estarão a reflectir sobre memórias, experiências e sentimentos.
    3. Encorajar as crianças e jovens em luto a falar com os outros. Na maioria dos casos, é útil que as crianças e jovens em luto falem honestamente com os seus pares e família sobre os seus pensamentos, sentimentos e memórias.

    ATITUDES A TOMAR

    – Fazer perguntas abertas. Ouvir mais do que falar. Por exemplo, pergunte: “Como te estão a correr as férias? Pergunto-me que pensamentos tens tido ultimamente sobre o teu avô/pai”.

    – Aceitar expressões de emoção. As crianças podem exprimir tristeza, dor, frustração, raiva ou outras emoções poderosas.

    Evite minimizar os seus sentimentos ou tentar dar uma volta “positiva” às suas expressões. Por exemplo, dizer: “É importante que te concentres nos bons momentos que tiveste com o teu avô/pai”, é susceptível de levar a criança a pensar que não deseja ouvir uma criança a falar de coisas dolorosas.

    – Abordar as crianças e jovens em luto em eventos escolares. A ausência de um ente querido pode ser especialmente notória durante a festa escolar ou outras actividades relacionadas com as festividades. Faça questão de abordar o assunto de alguma forma. Diga a um/a estudante que está feliz por vê-la na festa.

    – Introduzir actividades de uma forma que reconheça as ausências e ofereça alternativas. Por exemplo, se as crianças estiverem a fazer cartões para membros da sua família, convide-os, se quiserem, a incluir também cartões para alguém que já não vive, ou que está longe da família.

    Acima de tudo, deixe claro à criança que ela pode contar consigo para a ouvir, para a apoiar ou para lhe oferecer o seu colo ou ombro se ela quiser chorar.

    CONCLUSÃO

    Em conclusão, as crianças e jovens (tal comoo qualquer pessoa emlutada) experienciam o luto de forma diferente ao longo do tempo. O que é verdade este ano para as festividades pode não ser o mesmo no próximo ano. É por isso que uma das coisas mais importantes que um membro da família pode fazer é colocar questões e depois ouvir, com presença e paciência.

    Desevo-vos umas Felizes Festas, com muita saúde, paz e amor.

     

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    Dia de Finados em tempo de pandemia

    3 meses atrás ··0 Comentários

    Dia de Finados em tempo de pandemia

    Os tributos prestados aos defuntos no Dia de Finados diferem de cultura para cultura. No entanto têm um objectivo comum: prestar homenagem aos entes queridos que já faleceram. Este ano em particular, todo o mundo tem muitos defuntos cuja memória deve ser recordada.

    Rituais do dia de Finados em tempo de pandemia

    Praticar os rituais habituais do dia de Finados em tempo de pandemia, tornou-se praticamente inviável.

    Estas limitações, associadas à dor da perda, podem contribuir para processos de luto ainda mais difíceis. Daí ser importante resgatar estes rituais, ainda que de formas diferentes das habituais.

    Podem ainda adoptar-se outras formas de prestar homenagem aos nossos entes queridos que já partiram, nomeadamente, relembrando as suas histórias de vida, os seus valores e legados; criar um pequeno altar; escrever uma carta, etc.

    A APELO, por exemplo, propõe outras formas de cumprir esses rituais como acender uma vela, colocar flores junto de uma janela ou uma fita de cetim.

    A intensidade e duração variam de pessoa para pessoa

    O Luto é uma desordem emocional (e não psicológica) que causa dor profunda e incomensurável tristeza, cuja intensidade varia conforme a profundidade dos vínculos existentes entre a pessoa enlutada e o ente falecido.

    O processo de luto é, em primeiro lugar, individual e, embora seja possível identificar fases desse processo, elas não são estanques. Ou seja, é frequente oscilar entre umas e outras, decorre entre avanços e recuos. Por outro lado, pode ser mais ou menos longo dependendo da pessoa, das circunstâncias da morte e profundidade dos vínculos existentes com a pessoa falecida, estre outros factores.

    A vivência do luto implica viver no momento presente, aceitar a perda e a dor que a acompanha. O luto sadio envolve deixar que as emoções dolorosas (por exemplo, a tristeza, a raiva, a culpa ou o medo) possam surgir e processá-las. Só assim se estará numa posição favorável para encontrar significado para regressar à própria existência com esta perda interiorizada.

    Durante o processo de luto é normal surgir:

    • Dor intensa e avassaladora que pode parecer incomportável;
    • Sentimentos de culpa, impotência, raiva e injustiça;
    • Solidão, vazio, tristeza, desespero ou angústia;
    • Tendência para o isolamento e perda de interesse nas actividades habituais;
    • Stress, ansiedade, sensação de aperto no peito;
    • Alterações do sono e do apetite.

     

    Existem condições que facilitam a vivência do luto

    Por outro lado, existem condições que facilitam, ou dificultam, o ajustamento emocional à perda e a vivência do luto.

    Neste contexto de pandemia, não podendo haver o abraço amigo nem a proximidade física de outros, intensifica-se a solidão, e o isolamento e a vulnerabilidade aumentam. O processo de luto pode tornar-se mais doloroso e complicar-se.

    Lidar com a dor da perda é fundamental e, em tempo de pandemia, o apoio é extremamente útil e necessário. O apoio é facilitador do processo de luto e a validação das emoções e partilha de experiências são vias de recuperação muito benéficas. Em conclusão, a partilha de experiências fornece o suporte que permite à pessoa se reorganizar e lidar com a realidade da sua perda de forma construtiva. A validação conferida pelo testemunho e vivências de outros serve de alento para a aceitação da própria perda.

     

    Luto: Perda, dor e superação

    3 meses atrás ··0 Comentários

    Luto: Perda, dor e superação

    Lidar com a dor da perda de alguém, ou de algo que amamos, pode ser avassalador. Podemos sentir diferentes emoções difíceis e inesperadas como choque, raiva, descrença, culpa ou tristeza profunda. A dor da perda também pode interferir na saúde física. Entre as são reacções normais a perdas significativas figuram as perturbações do sono, perda de apetite, ou dificuldades de raciocínio.

    A morte de alguém que amamos profundamente é um dos desafios mais dolorosos que temos de enfrentar na vida. Embora não haja maneiras certas ou erradas de sofrer, há maneiras saudáveis de lidar com a dor. Com o tempo, a tristeza pode atenuar e acabamos por a aceitar a perda, encontrar um novo sentido para a vida e seguir em frente.

    O luto é uma resposta natural à perda. É a dor emocional que sentimos quando algo ou alguém que amamos desaparece. Quanto mais significativa a perda, mais intensa será a dor.

    O luto é uma vivência pessoal

    O luto é uma experiência profundamente individual. O modo como o processo de luto é elaborado depende de diversos factores, tais como a personalidade, experiência de vida, resiliência, forma de enfrentamento, fé e de quão significativa seja a perda. Inevitavelmente, quanto mais significativa é a perda, mais lento e moroso será o processo de luto.

    A cura acontece gradualmente, e não pode ser forçada ou apressada. Não existe cronograma para o luto, nem estratégias de superação certas ou erradas. Algumas pessoas começam a sentir-se melhor após algumas semanas ou meses. Contudo, para outras, o processo de luto prolonga-se durante anos. Qualquer que seja a sua experiência de luto, é importante ser paciente consigo mesmo e permitir que o processo se desenvolva naturalmente. É fácil cair na rotina do dia a dia, fazer as mesmas coisas de forma quase automática, entregando-nos à solidão e deixarmo-nos agarrar à tristeza.

    Mitos e crenças

    Existemcrenças relacionadas com o luto e a dor da perda que importa desmistificar:

    Mito: A dor desaparece mais depressa se a ignorarmos.

    Facto: Tentar ignorar a dor ou impedi-la de emergir só piorará a situação a longo prazo. A dor da perda deve ser encarada como uma ferida que, se não for tratada tende a agravar. Para uma verdadeira cura, é necessário enfrentar a dor e lidar activamente com ela.

    Mito: É importante “ser forte” face à perda.

    Facto: Sentir-se triste, assustado ou sozinho é uma reacção normal à perda. Chorar não significa que se é fraco. Não precisamos “proteger” a família ou os amigos colocando uma máscara de corajosos. Mostrar os verdadeiros sentimentos pode ajudá-los eles e a nós próprios.

    Mito: Se não chora, significa que não sofre muito com a perda.

    Facto: Chorar é uma resposta normal à tristeza, mas não é a única. Aqueles que não choram podem sentir a dor tão ou mais profundamente quanto os outros. Eles podem simplesmente ter outras maneiras de a processar.

    Mito: O luto deve durar cerca de um ano.

    Facto: Não há um prazo específico para o luto. Quanto tempo demora difere de pessoa para pessoa e do significado da perda.

    Mito: Seguir em frente com a sua vida significa esquecer a sua perda.

    Facto: Seguir em frente significa que aceitou a sua perda – mas é muito diferente de esquecer. Podemos seguir em frente com a vida e manter a memória de alguém ou algo que perdemos como parte integrante de nós. De facto, à medida que nos movemos pela vida, essas memórias podem se tornar cada vez mais essenciais para definir quem somos.

    Como lidar com o processo de luto

    Enquanto lamentar uma perda é uma parte inevitável da vida, existem também maneiras de ajudar a lidar com a dor. É essencial aceitá-la e, eventualmente, encontrar uma forma de recolher os cacos, voltar a uni-los e seguir em frente com a nossa vida.

    1. Reconheça a sua dor.
    2. Aceite que o luto pode desencadear muitas emoções diferentes e inesperadas.
    3. Entenda que o seu processo de luto será exclusivo para si.
    4. Procure apoio individualizado de pessoas que se preocupam consigo.
    5. Apoie-se emocionalmente, cuidando de si mesmo, fisicamente.
    6. Reconheça a diferença entre tristeza e depressão.

    As etapas do luto

    Em 1969, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross introduziu o que ficou conhecido como os “cinco estágios do luto”. Esses estágios ou fases do luto basearam-se nos seus estudos sobre os sentimentos de pacientes com doenças terminais, mas os mesmos foram aplicados a outras perdas ou mudanças negativas na vida, como a morte de um ente querido, ou uma separação.

    Os cinco estágios do luto:

    1. Negação: “Isso não pode estar a acontecer comigo”.
    2. Raiva: “Porquê, comigo? Porquê a mim? Quem é o culpado?”
    3. Negociação: “Isto não está a acontecer. Isto é um pesadelo do qual vou acordar e estará tudo bem”.
    4. Depressão: “Estou demasiado triste para fazer o que quer que seja.”
    5. Aceitação: “Estou em paz com o que aconteceu.”

    Se está a experienciar alguma destas emoções após uma perda, em primeiro lugar, é útil saber que a sua reacção é natural. Segundo, com o tempo, sentir-se-á melhor. No entanto, nem todas pessoas que sofrem perdas passam por todas estas etapas. De facto, algumas pessoas superam a sua perda sem passar por vários destes estágios. Se passar por estas fases de pesar, provavelmente não as experienciará de forma organizada e sequencial, ou poderá alternar entre uma fase e outra. Embora estes estágios sejam respostas que muitas pessoas têm à perda, não há respostas padrão porque as perdas não são padronizadas. O luto é tão individual quanto nós próprios.

    A dor do luto muitas vezes pode fazer com que nos queiramos afastar dos outros e fechar na nossa própria concha. Por essa razão, o apoio de outras pessoas é vital para superar a perda. Mesmo que não nos sintamos à vontade para falar sobre os nossos sentimentos em circunstâncias normais, é importante expressá-los quando estamos em sofrimento. Todavia, embora partilhar a dor da perda possa tornar o fardo mais fácil de ser transportado, isso não significa que temos forçosamente de falar sobre a perda sempre que interagimos com amigos e familiares. O conforto pode vir simplesmente do carinho recebido de outras pessoas que se importam connosco.

    Sugestões

    Se está a vivenciar um luto e sente dificuldade em seguir em frente, pode ser útil fazer uso de algumas destas sugestões:

    • Recordar – As memórias da vida de um ente querido são presentes preciosos para guardar no coração. Lembrar momentos felizes é uma maneira bonita de homenagear a pessoa que se perdeu e permitir que a luz entre num período doloroso da nossa vida.
    • Obter ajuda – As pessoas que já vivenciaram perdas idênticas podem ser uma grande fonte de inspiração, esperança e encorajamento. Um grupo de apoio ou de partilha, ou um conselheiro de luto fornecem um lugar seguro para processar perdas traumáticas.
    • Encontrar a esperança – Independentemente das crenças religiosas de cada um, a tristeza profunda atrai-nos muitas vezes para a procura de ajuda espiritual. Num período mais sombrio da perda, em que podemos estar imersos na tristeza, admitir a nossa incapacidade de lidar com a perda, pedir ajuda, e permitir que alguém nos apoie, pode ser um ponto de viragem significativo para a cura.

    O luto complicado

    A tristeza de perder alguém que amamos nunca desaparece completamente, mas não deve permanecer no centro do palco da nossa vida. Se a dor da perda é tão constante e severa que o impede de retomar a sua vida, pode estar a sofrer de algo conhecido como luto complicado. Pode ter dificuldade em aceitar a morte muito tempo depois de ela ter ocorrido. Ou pode ter ficado tão perturbado com a morte da pessoa que isso interfere com as suas rotinas diárias e prejudica os seus outros relacionamentos.

    Sintomas do luto complicado:

    • Saudade e desejo intenso do ente querido falecido
    • Pensamentos intrusivos ou imagens do ente querido
    • Negação da morte ou sentimento de descrença
    • Imaginar que o ente querido está vivo
    • Procurar o ente querido falecido em lugares familiares
    • Evitar coisas que lembram o ente querido
    • Raiva extrema ou amargura pela perda
    • Sentimento de vazio ou que a vida perdeu o sentido

    Se a morte do seu ente querido foi súbita, violenta,ou extremamente perturbadora, o luto complicado pode se manifestar como trauma psicológico. Se a sua perda o fez sentir-se impotente e luta com emoções, lembranças e ansiedade perturbadoras que não desaparecem, é recomendável que procure ajuda especializada de um terapeuta ou conselheiro de luto. Existem muitas formas de apoio disponíveis. Não precisamos passar pela dor sozinhos e, uma orientação correcta pode promover mudanças de cura significativas e ajudar a seguir em frente com a vida.

     

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    O que é ser emocionalmente inteligente?

    5 meses atrás ··0 Comentários

    O que é ser emocionalmente inteligente?

    Ser emocionalmente inteligente é muito mais do que possuir um conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as nossas próprias emoções. Trata-se, acima de tudo, de um poder pessoal com o qual podemos adquirir de uma verdadeira consciência emocional a partir da qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos, além de ser essencial para nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

    Ser emocionalmente inteligente consiste na capacidade de percepção, atenção, expressão e regulação das emoções, e compreensão e regulação das emoções, próprias e de outros.

    O que é inteligência emocional?

    Certamente a maioria de nós já ouviu falar ou leu sobre Inteligência Emocional ou até já fez algum curso relacionado com o tema. Ela está presente em muitos contextos da nossa vida pessoal e social diária. Esta inteligência revela-se nas interacções com os outros, em família, com amigos, na escola ou universidade, no trabalho, ou qualquer contexto de interacção social.

    As primeiras definições de inteligência referiam-se às capacidades cognitivas e intelectuais, deixando de lado as competências emocionais. O psicólogo e investigador Howard Gardner, num esforço de analisar e descrever melhor o que é a inteligência, desenvolveu, durante os anos da década de 1980, a Teoria das Inteligências Múltiplas. Numa fase inicial, Gardner (1983) identificou sete tipos de inteligência: musical, linguística, lógico-matemática, visuo-espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal e interpessoal. Isto levou a uma classificação da inteligência em diferentes tipos, como a lógico-matemática, linguística e emocional.

    O debate em torno das inteligências pessoais de Gardner, conduziu à definição básica de Inteligência Emocional (IE). O psicólogo Salovey expandiu as aptidões pessoais a 5 domínios: a capacidade de conhecer as próprias emoções; a capacidade de lidar com essas emoções e sentimentos; a automotivação; a capacidade de reconhecer emoções nos outros; e de lidar com as emoções dos outros. Para Salovey estas eram as habilidades necessárias para se ser emocionalmente inteligente.

    Uma definição de Inteligência Emocional

    Apesar das pesquisas terem sido desenvolvidas por diversos investigadores, usualmente este tema é, quase que instantaneamente, relacionado com o nome do psicólogo Daniel Goleman. Para ele, Inteligência Emocional significa a capacidade de se motivar, perseverar diante das frustrações, controlar impulsos e regular o humor, e também de ser capaz de sentir empatia e confiar nos outros.

    Daniel Goleman define a Inteligência Emocional como “a capacidade de reconhecer os nossos sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerirmos bem as emoções em nós e nas nossas relações.” (1)

    O termo Inteligência Emocional foi cunhado por Michael Beldoch em 1964, que o utilizou em artigos científicos, muito antes de Goleman publicar o seu famoso livro “Inteligência Emocional” em 1995. Estes artigos falavam da comunicação e da sensibilidade emocional, das suas implicações e da forma como determinam a nossa personalidade e os nossos relacionamentos. Desde então, o tema avançou de forma notável, dando lugar a diferentes abordagens e críticas.

    A inteligência emocional é muito mais do que um mero conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as próprias emoções. A implicação que esta perspectiva psicológica, social e motivacional teve no nosso dia a dia supera possíveis brechas que possam existir na teoria de Daniel Goleman.

    Componentes da Inteligência Emocional

    Goleman elencou cinco pilares que se referem à definição anterior, na qual foram identificados vários componentes.

    Autoconhecimento emocional

    Autoconhecimento emocional refere-se à capacidade de identificar, conhecer e expressar de maneira adequada e confiável os nossos próprios sentimentos e emoções, e também os seus efeitos. O primeiro passo é conhecermo-nos, analisar as nossas emoções e as acções que fazemos como resposta aos estímulos.

    Devemos estar conscientes de que a Inteligência Emocional é um processo gradual e que varia de pessoa para pessoa. É essencial conhecermos bem as próprias emoções e sentimentos, e as acções que originam. Só assim poderá ter respostas adequadas, para si e para os outros.

    Autocontrolo emocional

    Autocontrolo emocional é a capacidade de controlar os próprios impulsos e regular as emoções.

    Tenha em mente que todos nós temos momentos stressantes ou em que nos sentimos ansiosos por algum motivo. Aprender a lidar com as emoções e regulá-las, colocá-la-á na direcção certa conforme cada situação, fará toda a diferença entre o equilíbrio e a disfunção. Seja optimista, procure ver sempre o lado positivo das coisas e lembre-se que cada situação tem diversas saídas.

    Automotivação

    Automotivação é o que nos permite alcançar os nossos próprios objectivos, através da gestão adequada das emoções. Ao saber utilizar adequadamente as suas emoções terá mais facilidade em alcançar os seus objectivos, sem passar por cima de ninguém.

    É essencial aprender a responder aos seus estímulos, para depois decidir como quer agir para atingir as suas metas. Por outro lado, temos um processo inconsciente, onde experienciamos os gatilhos emocionais a que reagimos, expressando as emoções de forma instantânea. Isto muitas vezes gera arrependimentos e desvios das nossas metas.

    Consciência Social ou Empatia

    Empatia é definida como a capacidade de responder adequadamente às necessidades expressas pelos outros, bem como a capacidade de partilhar esses sentimentos.

    Aprender a se colocar no lugar do outro, de reconhecer as emoções dos outros e compreender os seus comportamentos, torna-nos mais sensíveis e abertos.

    Relações interpessoais

    Relações interpessoais neste caso, é a capacidade de nos relacionarmos eficientemente com os outros, fazendo com que se sintam bem e gerando emoções positivas.

    Saber se relacionar interpessoalmente é outro ponto chave para o sucesso. Ao perceber e gerir as emoções dos outros será capaz de manter boas relações. Isso irá criar um ambiente positivo à sua volta, melhorando não só a sua qualidade de vida, mas também contagiando aqueles que estão ao seu redor.

    Benefícios da Inteligência Emocional

    Agora que compreendeu quais são os 5 pilares da Inteligência Emocional, já deve ter extraído alguns benefícios de ter uma IE bem desenvolvida. Todos temos desafios diários, metas e prazos para cumprir, família e filhos com quem lidar, reuniões onde participar e decisões para tomar. Estamos a ser constantemente observados e avaliados e vivemos quase sempre sob pressão. Para lidarmos com as pressões diárias, a chave é aplicar os pilares da Inteligência Emocional, o que lhe trará vários resultados positivos.

    Principais benefícios

    Veja alguns dos principais benefícios que obterá ao desenvolver melhor a sua Inteligência Emocional:

    • Diminuirá os seus níveis de ansiedade e de stress;
    • Evitará discussões e melhorará os seus relacionamentos interpessoais;
    • Terá mais empatia pelo outro e maior compreensão;
    • Irá obter mais equilíbrio emocional;
    • Ganhará maior clareza dos objectivos e acções;
    • Irá melhorar a sua capacidade de tomar decisão;
    • Melhorará a sua gestão de tempo e produtividade;
    • Aumentará o nível de comprometimento com as suas metas;
    • Terá mais senso de responsabilidade e uma melhor visão do futuro;
    • Elevará a autoestima e autoconfiança.

    Conclusão

    Ser emocionalmente inteligente envolve a aquisição de uma verdadeira consciência emocional com a qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos. A IE, além de nos permitir a auto-regulação emocional, é uma chave de poder com a qual nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

    Uma vez que consigamos nos tornar mais conscientes das emoções, nossas e dos outros, e do papel que desempenham nas nossas acções, podemos usar essa conscientização e reflectir. Reflectir sobre o que aconteceu e sobre o que poderia ter tornado o resultado mais positivo é útil para prevenir dissabores futuros.

    Os investigadores concluíram que estas competências emocionais têm enorme influência nas habilidades adaptativas e cognitivas das pessoas. Por isso, lembre-se que ponderar antes de tomar decisões trar-lhe-á diversos benefícios e prevenirá o surgimento de conflitos ou de arrependimento pelos seus actos. E, quando estiver sob pressão, o mais importante é procurar manter a calma. Encontre uma distracção, faça uma actividade prazerosa e canalize a sua ansiedade de forma positiva.

    Se gostou do tema e/ou do artigo, por favor deixe o seu comentário ou envie um e-mail. Adoraria saber a sua opinião.

     

    Refeências Bibliográficas:

    Daniel Goleman, Trabalhar com Inteligência Emocional (Lisboa: Círculo de Leitores e Temas e Debates, 1998, 5ª edição, 2012.

    Luto colectivo

    7 meses atrás ··0 Comentários

    Luto colectivo

    A COVID-19 teve e continua a ter um profundo impacto nas nossas vidas. Não sabemos o que vai emergir desta pandemia, mas sabemos que todos perdemos muito. Perdemos tanto que estamos agora a lidar com um luto colectivo.

    Normalmente, quando pensamos no luto, pensamos na perda (por morte) de um ente querido. No entanto, podemos sentir pesar por qualquer coisa, física ou imaterial, a que estejamos emocionalmente apegados. A questão é nunca nos tínhamos apercebido da quantidade de coisas a que estávamos apegados. Tomámos tantas coisas como adquiridas e, de um dia para o outro, a nossa realidade mudou.

    Cada um de nós está a enfrentar perdas significativas

    Cada um de nós está a enfrentar o luto por perdas significativas, seja a perda das nossas rotinas, dos nossos locais de culto, do empregou ou da estabilidade financeira, do convívio com os amigos, ou seja a perda de um ente querido sem poder dizer o último adeus…

    Há cerca de dois meses atrás ouvi o autor David Kessler dizer num podcast :

    “Estamos todos a lidar com a perda colectiva do mundo que conhecíamos. … Não sei como é que isto vai mudar, mas vai. Vamos encontrar sentido; vamos sair do outro lado disto … mas o mundo a que todos estávamos habituados já desapareceu.”

    Quando o ouvi, as suas palavras já fizeram todo o sentido, mas à medida que o tempo avança, fazem ainda mais. Para quem não sabe quem é David Kessler, ele é, muito provavelmente, O Especialista de Luto por excelência. Ele tem trabalhado com luto e trauma desde o início da sua carreira, é co-autor, juntamente com a psiquiatra Elizabeth Kubler-Ross, dos livros “Life Lessons:Two Experts on Death and Dying Teach Us About the Mysteries of Life and Living e “On Grief and Grieving” e, recentemente, escreveu “Finding Meaning – the sixth stage of grieving”. David Kessler não só tem dedicado a sua vida a apoiar pessoas enlutadas, ao estudo e investigação da temática do luto, como experiênciou várias das perdas mais duras e significativas que um ser humano vivencia – a perda da mãe na adolescência e do seu filho mais novo há alguns anos atrás.

    O que estamos a experienciar agora é o mesmo que sentimos quando sofremos uma perda significativa

    Segundo Kessler, o que estamos a experienciar agora, os sentimentos que surgem são os mesmos que normalmente experienciamos quando sofremos uma perda significativa. A única diferença é que agora é um luto global. Nós apegamo-nos tanto a pessoas como a coisas ou a estilos de vida. E, embora alguns dos nossos apegos possam ser considerados triviais e sem importância para alguns, há muitas pequenas perdas que experienciamos e que representaram uma grande parte das nossas vidas.

    Estamos gratos pelo que ainda temos mas podemos lamentar a perda das nossas vidas como costumavam ser. Sentimos falta de muitas das nossas velhas rotinas e do prazer que advém de muitas delas. Temos falta da confraternização com os nossos amigos, de ir tomar café, de almoçar fora e de estar perto uns dos outros. Faz-nos falta o convívio com os colegas de trabalho. É um luto colectivo que nos afecta a todos. Quando alguém perde um ente querido, os sentimentos de perda são agravados pela impossibilidade de poder abraçá-lo ou confortá-lo fisicamente ou mesmo de ir ao funeral. Já não podemos contar com os ombros dos nossos amigos para poder chorar. Lamentamos a perda do contacto humano e talvez nunca nos tivéssemos apercebido da importância que isso tinha para nós. Tomámos tanto por garantido.

    É normal ficarmos transtornados com as perdas

    De facto, é normal ficarmos transtornados. Afinal de contas, o nosso mundo foi virado do avesso. Perdemos o nosso sentido de segurança e protecção.Preocupamo-nos com os nossos filhos e com o impacto que isto terá sobre eles. Adiámos ou perdemos projectos, desfizeram-se sonhos. Sentimos falta das coisas que costumávamos fazer para nos distrairmos e aliviar o nosso stress, tais como ir ao ginásio, dançar, ir ao cinema, assistir a espetáculos, assistir ou participar em eventos desportivos. A lista é interminável. Entristecemo-nos com aspectos do nosso futuro que, aparentemente, mudaram para sempre. Perdemos tanto e é perfeitamente normal chorar o que perdemos. Podemos esperar encontrar alívio no futuro, mas as coisas já não voltam a ser como eram.

    É normal que sintamos falta e lamentemos a perda destas partes das nossas vidas. Muitas destas actividades ajudaram a definir quem somos, como nos vemos a nós próprios, e como os outros nos vêem. O nosso luto certamente não atinge a magnitude do luto após uma morte, e consequentemente, muitos de nós recusamos reconhecer as nossas perdas não relacionadas com a morte.

    Sentimo-nos culpados e envergonhados com este luto…

    Sentimo-nos culpados,envergonhados, fracos ou constrangidos, porque a situação de outros é muito pior. De facto um dos maioires obstáculos para nos permitirmos chorar as nossas perdas actuais é a vergonha que muitas vezes se instala.

    Eu, por exemplo, quando começo a sentir saudades dos velhos tempos, sinto-me muitas vezes mal com a minha própria ingratidão, sabendo que há outras pessoas a enfrentar problemas bem mais angustiantes, tais como perder um negócio, um emprego, ou o parceiro de uma vida. E, na verdade, a comparação do sofrimento nunca é útil e pode levar-nos a descartar as nossas próprias experiências. A investigadora da vulnerabilidade e vergonha Brené Brown expôs isto muito bem quando disse:

    “(…) sem pensar, começamos a classificar o nosso sofrimento e a usá-lo para nos negarmos ou nos darmos permissão para sentir. (…) Mas não é assim que funciona a emoção ou o afecto. As emoções não desaparecem porque lhes enviamos uma mensagem de que estes sentimentos são inapropriados e não atingem níveis suficientemente elevados no quadro do sofrimento. (…) Todo o mito do sofrimento comparativo é a crença de que a empatia é finita. (…) É falso. Quando praticamos a empatia connosco próprios e com os outros, criamos mais empatia.”

    É importante validarmos os nossos sentimentos de pesar

    É importante termos presente que os nossos sentimentos são válidos. Podem ser diferentes dos outros, mas não há uma forma certa ou errada de sentir o que sentimos. Precisamos de nos darmos permissão para sentirmos tristeza e desgosto, até para que os nossos filhos sintam que o seu próprio sofirmento também é validado. Alguns de nós podem nem sequer ter consciencia de que o que têm estado a sentir é luto.

    O luto pode afectar todas as áreas do nosso ser, não apenas os aspectos emocionais, mas também os físicos e espirituais. A primeira coisa que devemos fazer é reconhecer que as nossas perdas são reais e nos afectam. Depois precisamos de reconhecer os nossos sentimentos e falar sobre eles com alguém em quem possamos confiar e nos sintamos confortáveis. Por exemplo, um amigo ou membro da família que se encontre em circunstâncias semelhantes provavelmente compreenderá e relacionar-se-á com o que está a vivenciar.

    Kessler escreve: “O luto de cada pessoa é tão único como a sua impressão digital. Mas o que todos têm em comum é que, independentemente da forma como sentem a dor, partilham a necessidade de que a sua dor seja testemunhada”.

    O não reconhecimento do stress adicional associado à pandemia apresenta o risco de se culpar por algo que está fora do seu controlo. Quando o luto não é reconhecido, pode acabar por se acumular e sobrecarregar-nos num momento posterior. Não negue ou minimize o que está a experienciar, a fim de evitar o impacto de uma resposta de luto ainda mais intensa no futuro.

    Se for caso disso, procure ajuda especializada.

     

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
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