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    Como enfrentar o medo

    1 mês atrás · · 0 Comentários

    Como enfrentar o medo

    Quando o medo impera, pagamos um preço elevado… Então, como podemos enfrentar o medo em vez de nos tornarmos reféns dele?

    O medo reprimido impede-nos de crescer

    No contexto de sobrevivência em que nos encontramos actualmente o medo é, provavelmente, a emoção mais predominante. Contudo, quanto mais evitamos ou reprimimos o medo, mais tóxico se torna. O medo, quando não é enfrentado impede-nos de assumir os riscos que nos permitem crescer. Se ficarmos reféns do medo ele impede-nos de enfrentar desafios maiores e mais gratificantes e de construir relações fortes e significativas.

    Quando sentimos medo ou ficamos ansiosos, o nosso cérebro activa o sistema nervoso o qual desencadeia uma série de reacções fisiológicas e hormonais em resposta ao perigo percepcionado. Ou seja, prepara o nosso corpo para uma resposta de luta, fuga ou congelamento.

    Quando a ameaça percebida é moderada, desencadeia uma resposta de luta ou fuga. Mas se a ameaça percebida é extrema surge a resposta de congelamento (como é o caso dos ataques de pânico). Aí, as reacções físicas e emocionais são bloqueadas como acto de protecção contra esse perigo.

    O medo muda o cérebro

    De acordo com a neurociência, se repetirmos os mesmos comportamentos e reacções com frequência, começa a formar-se um novo caminho neuronal no cérebro. Ou seja, cria-se um novo hábito!

    E, se os nossos hábitos forem alicerçados no medo, então ficamos presos a um padrão de raiva, julgamento, criticismo e vergonha. Em resultado disso, os nossos níveis de stress disparam e a ansiedade aumenta. Consequentemente, isso afecta negativamente o nosso bem-estar psicológico, a nossa produtividade e as nossas relações.

    Face ao medo é frequente desenvolvermos hábitos de fuga na esperança de nos mantermos seguros. Os hábitos de fuga mais comuns são a busca de conforto na comida, álcool ou outras substâncias, ou a adopção de atitudes de passividade ou negação da realidade.

    Dois equívocos culturais que nos empurra para o medo

    Há dois erros comuns na nossa cultura que quase nos empurram para os braços do medo:

    1) Equiparar a coragem ao destemor – quando são coisas distintas. E,

    2) quando a pessoa não consegue ser destemida, por se sentir envergonhada, avança sozinha. Consequentemente, ou desiste ou esmorece.

    Ou seja, nenhuma destas perspectivas gera confiança. Em vez disso, aumentam o medo e alimentam a vergonha e o isolamento. O destemor significa ausência de medo o que, em última análise, pode ser considerado imprudência. A coragem é a força mental de perseverar apesar do medo.

    A verdade é que não há como evitar o medo, nem conseguimos crescer verdadeiramente sem ele. É o medo que nos fornece energia para agir face aos desafios.

    Segundo a teoria do apego de John Bowlby, quanto mais seguros nos sentimos por sermos apoiados e encorajados, mais forte se torna a nossa exploração criativa. É por essa razão que o encorajamento se chama encorajamento – porque receber apoio inspira coragem dentro de nós.

    O crescimento acontece quando enfrentamos ou experimentamos algo que nunca se enfrentou ou tentou antes, o que significa penetrar em terreno desconhecido.

    Se um bebé desistisse de voltar a tentar andar após a primeira queda, nunca chegaria a caminhar. Pelo contrário, os bebés e crianças transformam o medo em curiosidade. Isso ajuda-os a explorar o desconhecido e, em última análise a crescer.

    Então, como podemos enfrentar e libertar-nos do domínio do medo?

    Através da regulação das emoções.

    O medo e a ansiedade andam, geralmente, de mãos dadas. Por isso, é essencial ter estratégias eficazes e descomplicadas para lidar com estas emoções intensas. Só tendo competências de regulação emocional podemos dominar as emoções em vez de sermos dominados por elas.

    O cérebro tem modos de funcionamento distintos face ao desconhecido. Quando estamos perante algo inexplorado, a prudência predomina. Mas após avaliada a “ameaça” esta é substituída pela curiosidade – expressa na esperança, no entusiasmo. Assim, a única forma de deixar de viver uma vida de medo, uma vida estagnada, é substituir o medo por curiosidade.

    Conclusão

    Quando se sentir dominado pelo mendo, avalie o seu ambiente, a sua realidade…

    O mais provável é que essa “ameaça” não seja assim tão assustadora.

    Experimente sair da sua zona de conforto. Vai ver que custa muito menos do que lhe parece!

    Se nunca se experimentar nada de novo não se cresce.

     

    P.S.: Se gostou deste artigo e/ou do episódio do Podcast, deixe o seu comentário e partilhe-os com quem possa beneficiar deles.

    Do meu coração para o seu, mais amor do que dor

     

    Como reunir coragem para fazer o luto

    2 meses atrás · · 0 Comentários

    Como reunir coragem para fazer o luto

    Vivenciar a perda, movimentar-se através do luto e recuperar dele não é, vulgarmente, um caminho recto ou fácil. Após uma perda significativa é necessário descobrir como reunir coragem para fazer o luto e sair fortalecido pela experiência. Encontrar a coragem de caminhar através da dor e descobrir o que está do outro lado dela pode levar a uma vida extraordinária e transformada.

    Abrir-se à dor da perda é um acto de coragem

    A perda traz a dor indesejada às nossas vidas. Ao abrir-se à presença da dor da sua perda, reconhecer a inevitabilidade do seu pesar e abraçar suavemente o seu processo de luto, demonstra coragem para honrar e expressar o que sente bem como o amor partilhado.

    Honrar significa “reconhecer o valor de”, “orgulhar-se” e “respeitar”. Encarar abertamente a dor e a necessidade de fazer o luto como algo a honrar, não é instintivo. Todavia, a capacidade de amar implica a necessidade de fazer o luto. Honrar o seu luto não é algo autodestrutivo ou prejudicial. É, na verdade, algo corajoso e gerador de vida.

    Muitos acreditam que a coragem é uma qualidade rara ou inata. Embora algumas pessoas tenham naturalmente mais facilidade em activar a coragem, ela pode ser aprendida e treinada. A verdade é que ela é uma virtude altamente valorizada na nossa cultura.

    O seu propósito espiritual não é reprimir ou exagerar as suas emoções

    A palavra expressar significa literalmente “declarar ou manifestar, expor, dar a conhecer e revelar”. A auto-expressão pode mudar-nos e à forma como percebemos e experienciamos o mundo. Contudo, transformar os seus pensamentos e sentimentos em palavras confere-lhes significado e forma. A sua vontade de afirmar honestamente a sua necessidade de lamentar ajudá-lo-á a sobreviver a este momento difícil da sua vida. O seu propósito espiritual não é reprimir ou exagerar as suas emoções, e sim permitir que elas se desloquem plenamente através de si.

    A dor do luto irá continuar a chamar a sua atenção até que desenvolva a sua coragem para gentilmente, e em pequenas doses, abrir-se à sua presença. Rejeitar ou suprimir a sua dor é, de facto, a escolha mais dolorosa que pode fazer. Acima de tudo, se não honrar a sua dor reconhecendo-a, ela irá acumular-se e agravar-se. Por isso, é importante que acolha a sua perda, faça as pazes com a sua dor, em vez de fazer dela sua inimiga.

    Um coração fechado pelo luto produz dor contra si próprio

    Ao longo de todos estes anos a trabalhar os meus lutos e com pessoas em luto aprendi que a dor que envolve um coração fechado pelo luto é a dor de viver contra si próprio. Ao negarmos a forma como a dor da perda nos muda, ao nos sermos incapazes de lamentar abertamente, isolamo-nos. Consequentemente tornamo-nos incapazes de amar e de receber o amor daqueles que nos rodeiam. Em vez de desistir da vida enquanto está vivo, pode escolher abrir-se à dor, o que, em grande parte, honra o amor que sente pela pessoa que morreu. Afinal, o amor e a dor são duas faces da mesma moeda e a morte não determina o fim do amor.

    Curiosamente, é o próprio acto de reunir coragem para avançar em direcção à dor que, em última análise, conduz à cura.

    Ter coragem para chorar e lamentar a perda pode ser um acto de rebelião

    Se perdeu alguém a quem deu e de quem recebeu amor, o seu coração ficou “despedaçado”. Quer esteja a começar, ou já esteja no meio de uma jornada que é dolorosa, frequentemente solitária e naturalmente assustadora, tem “necessidades especiais”.

    Entre essas necessidades especiais, a mais relevante neste momento é ter a coragem para chorar e lamentar a sua perda. Todavia, numa cultura que nem sempre nos faz sentir seguros para o fazer, este pode ser um verdadeiro acto de rebelião. A verdade é que a coragem – para aceitar o luto e o pesar à medida que eles surgem – já existe dentro de si.

    Pode ainda não conseguir ver a luz ao fundo do túnel. Contudo, avance com coragem e confiança de que a luz da esperança e da plenitude existem de facto. Sinta a sua dor, pesar, tristeza, agonia, desgosto, medo, ansiedade e solidão tanto quanto lhe for possível suportar.

    Isto pode parecer contra-intuitivo, pois estas emoções podem muito bem ser as emoções e sentimentos que mais deseja evitar. Poderá ter a vontade de “fazer vista grossa” aos seus sentimentos e manter-se ocupada à espera que a dor “passe”. No entanto, ironicamente, a única forma de superar estes sentimentos dolorosos é avançando pela lama através deles. Por isso, permita-se chafurdar na lama e atravessar esse pantanal.

    O luto não é limpo, organizado ou conveniente

    O luto não é limpo, organizado ou conveniente. No entanto, senti-lo e expressá-lo é a única forma de voltar a se sentir inteiro novamente. O luto não resolvido pode fazê-lo sentir-se “vazio” ou desconectado. A sua capacidade de se entregar à vida pode ser inviabilizada e pode sentir-se como se estivesse desligado de tudo e de todos.

    Em vez disso, escolha vivenciar o seu luto. E enquanto trilha o caminho do seu luto, lamente activamente. Chore quando precisar, telefone a um amigo quando se sentir sobrecarregado, ou procure um especialista de apoio ao luto, exprima-se através da escrita, da música, da arte ou do desporto. Ao tomar medidas para lidar com a dor, acabará por integrar a perda do seu ente querido na sua vida. Em troca, irá encontrar a esperança, a coragem e o desejo de voltar a viver uma vida plena de sentido, gratificante e feliz.

    A dor da perda pode nunca sair do seu lado, mas permitir-lhe-á deixar-se ir e se aventurar por si próprio cada vez mais à medida que os dias, semanas, meses, e anos passam. Tire partido da sua coragem inata e aceite a mão estendida pelo seu pesar.

    Procure dar voz à coragem

    Cultive a sua coragem todos os dias. Acolha-a todas as manhãs. Antes de se levantar, diga uma citação sobre coragem em voz alta. Pode ser a Oração da Serenidade, que é uma das minhas favoritas: “Que eu tenha a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que posso, e a sabedoria para distinguir a diferença entre elas”. Ou talvez haja outra que lhe agrade especialmente. Se quiser, anote as suas citações favoritas sobre coragem e coloque-as no seu frigorífico, ou no painel de instrumentos do carro, no espelho ou no computador no trabalho. Qualquer que seja a forma como o faz, isso irá ajudá-lo a manter a coragem por perto ao longo de todo o dia.

    Procure formas simples de dar voz à coragem ao longo do dia. Talvez seja apenas o acto de se levantar da cama. Ou pode ser a coragem de partilhar o que sente sobre a sua perda com um colega de trabalho ou amigo, ou de procurar a ajuda de um especialista de apoio ao luto. Pode ser simplesmente fazer um telefonema ou escrever uma mensagem que tem adiado, para agradecer a alguém a ajuda que lhe prestou após o funeral. Ou quem sabe seja ir à igreja ou ao cemitério sozinho, ou arranjar maneira de ser honesto consigo mesmo sobre algo que teme.

    Nutra a sua coragem todos os dias

    Coragem é a capacidade de enfrentar o perigo, a dificuldade, a incerteza, ou a dor sem se deixar dominar pelo medo. A recuperação após uma perda é difícil. É preciso coragem de todas as formas e dimensões para lamentar plenamente enquanto se procura viver o dia-a-dia. Por isso, congratule-se por acolher a coragem, independentemente do seu tamanho ou forma.

    A mais longa caminhada faz-se passo a passo. Não importa quanto tempo demore, se são passos longos ou curtos, se pára para descansar mais ou menos vezes, ou até se tropeça e cai. O importante é que, por cada vez que cambaleie ou cai, reúna coragem para se reerguer e continuar a caminhar através do seu luto.

     

     

    Fazer o luto dessa perda é tanto uma necessidade como um acto de coragem.

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    Fazer o luto com Mais Amor do que Dor

    3 meses atrás · · 0 Comentários

    Fazer o luto com Mais Amor do que Dor

    O luto é algo que nos transforma, por vezes de formas nunca imaginadas. Além disso, ninguém está imune à perda. E, embora a dor seja inevitável, é possível fazer o luto com mais amor do que dor.

    O luto é a resposta natural à perda

    Quando perdemos alguém que nos é querido ou coisas que eram valiosas ou amadas, é normal e natural sentir dor, pesar e tristeza. O processo de luto é natural e necessário para que a recuperação emocional ocorra e se faça a adaptação à nova realidade de forma saudável. Mas quando os sentimentos dolorosos do luto assumem o controlo da nossa vida, começamos a sentir-nos desalentados, desesperançados e impotentes para prosseguir com a nossa vida.

    O luto é complexo e é uma transição de vida significativa com impacto pessoal e social. Ao nível pessoal afecta o estado emocional, cognitivo e físico, e repercute-se nas outras as áreas da vida: familiar, social, profissional, religiosa e cultural; mas também é uma transição de vida marcante, quer devido à experiência dolorosa de quebra de um vínculo emocional significativo como à perda de uma parte relevante da própria identidade.

    Cada luto é único como a impressão digital

    Cada pessoa vivencia o luto de forma diferente dependendo de inúmeros factores, desde o meio em que está inserido e as próprias circunstâncias da perda em si. Tudo pode ter impacto e influenciar a forma como agimos e enfrentamos os nossos lutos. Uma parte importante do processo de cura é aceitar e permitir-se sentir todas as emoções que surgem devido à perda.

    Aceite os seus sentimentos. A perda, por vezes, desencadeia uma avalanche de emoções e sentimentos, muitas vezes antagónicos e, geralmente muito intensos. Não deve varrer os seus sentimentos para debaixo do tapete. Permita-se sentir tudo o que surgir e saiba que tudo isso é normal e natural num processo de luto sadio. Por outro lado, também é preciso voltar a vislumbrar as coisas boas da vida, por menores que sejam.

    Dê tempo ao tempo para o luto com mais amor do que dor

    O luto é algo profundamente perturbador e é absurdo esperar estar em condições de voltar à azáfama do dia a dia após algumas semanas ou meses. É absurdo querer forçar-se a recuperar o mais cedo possível da sua perda. Deixe que o tempo faça o seu trabalho respeitando o seu ritmo. Procure encarar o luto como um processo, um ciclo. Ele pode durar bastante tempo, mas a dor não será sempre intensa. Alguns dias serão melhores do que outros. Viva um dia de cada vez, respeitando sempre o seu ritmo, com amor.

    Evite comparar a sua perda ou a sua recuperação a outra pessoa. A vida e as circunstâncias de cada pessoa e a natureza da sua perda são únicas como a impressão digital. O que significa que mesmo que os detalhes circunstanciais pareçam semelhantes, comparar o seu luto é o mesmo que comparar maçãs e com laranjas. A única coisa que têm em comum é serem ambas frutos.

    Aquilo a que resistimos, persiste.

    Outro aspecto importante para que o luto seja vivenciado com mais amor do que dor é acolher todas as emoções. Aquilo a que resistimos, persiste, ou seja, tentar evitar emoções difíceis só as torna mais fortes a longo prazo.

    Ao aproximarmo-nos deliberadamente de emoções difíceis como a tristeza, podemos treinar o nosso cérebro para nos tornarmos mais confortáveis com elas. E embora a dor do luto esteja sempre presente, é muito mais fácil de enfrentar e suportar quando não estamos sobrecarregados com medo, vergonha, frustração, e todo o tipo de outros sentimentos difíceis que podem surgir.

    Em suma, não há problema em sentir o que quer que surja quando se está de luto. Apesar de muitas das emoções que sentimos serem difíceis ou mesmo dolorosas, é importante reconhecer e validar todas elas como legítimas e naturais.

    O luto saudável significa abraçar com compaixão e compreensão toda a gama de emoções que ele contém. A partir da aceitação é possível crescer a partir da experiência de perda, com mais amor do que dor.

    Neste episódio do podcast partilho um pouco da minha história e como usei a minha experiência de luto para iniciar este movimento de sensibilização para a temática do luto.

    A perda e o luto é algo que nos toca a todos, mais cedo ou mais tarde.

    Neste episódio eu falo do movimento que criei e intitulei Mais Amor do que Dor que se destina a apoiar pessoas em luto ou servir de guia a quem queira apoiar alguém que esteja de luto.

    Deixe o seu comentário. Adoro saber como as minhas mensagens estão a ser recebidas.

    Do meu coração para o seu, mais amor do que dor

    O que são transições de Vida e como navegá-las

    4 meses atrás · · 0 Comentários

    O que são transições de Vida e como navegá-las

    Todos nós vivemos acontecimentos que perturbam as nossas vidas. Alguns deles tornam-se “marcos” que podem levar a uma transição de vida. Mas, o que são transições de vida e como navegá-las?

    É possível navegar as transições de vida com sucesso, apesar dos desaires

    Todos nós passamos por dezenas de acontecimentos perturbadores nas nossas vidas, que podem ser positivos ou negativos e, enquanto uns são pequenos “tremores” outros são verdadeiros “sismos”. E, apesar dos desaires que acontecem e das mudanças – muitas delas difíceis de navegar – é possível criar uma vida mais plena e satisfatória!

    As transições, mesmo as positivas tendem a causar stress

    As transições de vida, mesmo as positivas e excitantes, acarretam desafios, por várias razões. Por isso, a adaptação à mudança pode ser difícil. Mesmo as transições de vida benéficas, como uma promoção, ter um filho, etc. tendem a causar algum stress.

    Quem, após uma mudança de emprego para algo melhor, não sentiu saudades dos antigos colegas com quem tinha estreitado laços?… Além disso, por vezes desencadeiam uma crise existencial.

    As transições, sejam elas positivas ou angustiantes, implicam mudança e ajustamento. E, naturalmente, as transições negativas são ainda mais difíceis de digerir. Algumas mudanças desencadeiam medos, tristeza, ansiedade, e por vezes até culpa ou vergonha. Mas as transições são os melhores momentos para vermos como estamos a gerir a nossa vida.

    Uma transição é um processo interior

    Um dos equívocos relativos às transições de vida que torna difícil navegá-las é o facto de as considerarem circunstanciais. Ou seja, a transição é um processo interior e não mudança de conteúdo. É um momento de reflexão e actualização. De iniciar o processo de transformação antes que a vida se consolide naturalmente em novos padrões prejudiciais.

    As transições oferecem uma oportunidade para pensar criativamente, para avaliar objectivos a longo prazo. Ou seja, é o momento para fazer um balanço da vida e redefinir rumos. Por outras palavras, é um tempo que a vida nos concede para escutar os sussurros da alma e nos conectarmos com quem nós somos.

    Muitas vezes as transições tornam-se problemáticas devido ao stress que desencadeiam. Mas, a verdade é que o problema não são as mudanças nem o stress. A questão é que o que quer que se tenha feito antes como forma de enfrentar e lidar com situações stressantes já não funciona. Ou seja, faltam estratégias eficazes para se ajustar à nova realidade e lidar com todo o stress que essas transições acarretam. E é importante reconhecer como se está a sentir para lidar com isso corajosamente.

    Escolher a via da coragem é optar por uma existência completamente nova na qual recorremos aos nossos pontos fortes para reenquadrar e recalibrar a nossa missão.

    A vida está cheia de mudanças – muitas delas difíceis de lidar. Essas mudanças chamam-se transições. É disso que falo neste episódio.

    Mães coragem

    7 meses atrás · · 0 Comentários

    Mães coragem

    Ser mãe, só por si, já é um acto de coragem. Mais do que uma decisão, uma escolha ou um papel, para muitas mulheres, a maternidade muda completamente a sua trajectória de vida ou o conceito que tinham de si mesmas. Para muitas mulheres é a concretização de um sonho. Já para outras esse sonho nunca se torna ralidade ou esse papel foi-lhes arrancado. São as mães coragem!

    Ser mãe é mais do que o acto de dar à luz

    A maternidade vai além do acto de dar à luz ou do desempenho do papel decorrente desse facto. É a personificação suprema do amor incondicional, da entrega, do cuidado e nutrição e, para muitas mães, de total abnegação.

    Quando nasce um bebé saudável e “perfeitinho” é a verdadeira realização de um sonho, por vezes, há muitos ansiado. Mas quando esse milagre da vida traz consigo desafios maiores… Em primeiro lugar, se a chegada de um bebé vem acompanhada de medo e angústia, a coragem é convidada a marcar presença. Em segundo lugar, a vida da mãe pode mudar num ápice, por vezes de forma radical, a partir desse momento.

    Por outro lado quando a vida desse filho ou filha se esvai como areia por entre os dedos… Ou se a mãe não chega a segurar o seu bebé nos braços, o seu papel como mãe pode ser ignorado ou negligenciado. Do mesmo modo, se a gravidez não vai além das primeiras semanas, o papel da mulher enquanto mãe geralmente não é reconhecido. E por fim, se a mulher simplesmente não consegue engravidar, o sonho de ser mãe pode permanecer apenas o desgosto de não o ser.

    Quando o papel de mãe não é reconhecido ou é negado

    Muitas mulheres não são mães porque simplesmente não conseguiram gerar vida ou adoptar. Algumas não chegaram a poder segurar os seus bebés nos braços… Há mulheres perderam os seus filhos horas, dias, semanas mais tarde. Outras perderam os seus filhos ainda crianças, quando eram jovens ou já na adultez. Estes acontecimentos não tornam estas mulheres menos mães.

    O que torna uma mulher em mãe é muito mais do que o parto físico ou a parentalidade através da adopção. A maternidade tem a ver com amor incondicional, com dedicação, com cuidado e nutrição. Muitas mulheres que nunca foram mães fisicamente, não obstante, têm a capacidade e o dom de nutrir, amar e cuidar dos outros.

    Outras mães que perderam os seus filhos ou nunca chegaram a ouvi-los chamar-lhes “mãe” ou deixaram de ouvir essa palavra tão doce ser-lhes dirigida e vêem o seu papel de mãe negado pela socieade.

    Para mães sem filhos o dia das mães também pode ser cruel

    Para as mães coragem que perderam os seus filhos, ou mães que têm filhos com uma condição especial que não conseguem expressar-lhe o seu amor ou apreço, ou a quem nem foi reconhecido o papel de mães, o dia das mães pode ser duro.

    Se alguém perde os pais é órfão. Quando alguém perde o companheiro é viúvo ou viúva. Mas quando se perde um filho não há adjectivo que qualifique essa condição. E, para muitas mães que perderam os seus filhos no ventre resta-lhes apenas a solidão e a coragem. Por estas e outras razões, para muitas mães que perderam os seus filhos, o “Dia da Mãe” pode ser doloroso ou até mesmo cruel.

    Se for como eu, desejaria ter o seu filho ou filha consigo em muitos dias, mas esse desejo ganha intensidade no Dia da Mãe. Desejaria celebrar o facto de o ter carregado no ventre, dado à luz, educado e alimentado. Talvez preferisse apreciar quem ele ou ela se teria tornado, e não recordar quem ele ou ela foi. Gostaria de vê-lo(a) vivo(a) e inteiro(a) e poder sentir o seu odor único. Como eu percebo isso. Não interessa as prendas, os cartões com mensagens bonitas, as flores ou os chocolates. O presente que gostaria de recebe era vê-lo(a) entrar pela porta adentro, lançar os braços à minha volta, e dizer como só ele sabria dizer: “Olá, mãe”.

    Um filho não substitui outro

    Mesmo que tenham outros filhos, pelos quais se sentem extraordináriamente gratas, isso não preenche o vazio e também receiam pelas suas vidas. Acima de tudo temem sobreviver-lhes. Eu compreendo isso muito bem. Mães coragem, não estão a enlouquecer estão a aprender a viver sem o vosso filho ou filha. Estão a ser simplesmente mães protectoras que desejam o melhor para os seus filhos.

    Se perdeu o seu filho, sei que o seu coração provavelmente ainda sangra e os seus braços vazios latejam. Tenho plena consciência de que não há maior dor no mundo do que a de perder um filho. Compreendo por que razão pode querer evitar as celebrações do Dia da Mãe, e em vez disso preferir fazer um qualquer ritual em memória do seu filho ou filha… Ou até querer ir ao cemitério para ver o seu nome escrito numa lápide, porque já ninguém o pronuncia, não é verdade? Também pode preferir sentar-se a folhear algum album de fotografias, percorrer as linhas do seu doce rosto com o dedo ou cada letra do seu nome. Diga o seu nome com coragem e ousadia hoje, mãe. Grite-o aos quatro ventos se isso lhe traz conforto.

    Crie a sua própria celebração

    Se tem outros filhos e se estiver com eles, se puder, abrace-os com um abraço mais apertado, enquanto faz uma prece ou intenção de que se mantenham seguros e saudáveis.

    E sabe que mais? Não há problema nenhum em querer evitar celebrações públicas no Dia da Mãe. Se quer evitar conversas incómodas ou assistir a cenários dolorosos faça o que lhe traz conforto. Chore um pouco mais, saia do seu ambiente normal, esconda-se em casa, ou mostre-se tão publicamente quanto quiser. Hoje é o seu Dia da Mãe. Faça o que precisa para apaziguar o seu coração.

    Somos mães coragem e vamos ficar bem. Já sobrevivemos ao inimaginável e conseguimos arrastar-nos para fora da cama mais uma vez hoje. Somos espectaculares. Nunca se esqueça disso. E lembre-se que será sempre sua mãe e ele ou ela será sempre o seu filho ou filha. O seu papel de mãe continua a existir, mas diferente.

    Uma vez que o seu precioso filho ou filha não está aqui para lhe dizer, permita-me, por favor que o faça: Feliz Dia das Mães! É uma mulher maravilhosa, corajosa e amada!

    Que todas as mães coragem tenham um dia sereno, com mais amor do que dor!

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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