Arquivo de agilidade emocional - Ana Paula Vieira

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O que é ser emocionalmente inteligente?

2 meses atrás · ·0 Comentários

O que é ser emocionalmente inteligente?

Ser emocionalmente inteligente é muito mais do que possuir um conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as nossas próprias emoções. Trata-se, acima de tudo, de um poder pessoal com o qual podemos adquirir de uma verdadeira consciência emocional a partir da qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos, além de ser essencial para nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

Ser emocionalmente inteligente consiste na capacidade de percepção, atenção, expressão e regulação das emoções, e compreensão e regulação das emoções,  próprias e de outros.

O que é inteligência emocional?

Certamente a maioria de nós já ouviu falar ou leu sobre Inteligência Emocional ou até já fez algum curso relacionado com o tema. Ela está presente em muitos contextos da nossa vida pessoal e social diária. Esta inteligência revela-se nas interacções com os outros, em família, com amigos, na escola ou universidade, no trabalho, ou qualquer contexto de interacção social.

As primeiras definições de inteligência referiam-se às capacidades cognitivas e intelectuais, deixando de lado as competências emocionais. O psicólogo e investigador Howard Gardner, num esforço de analisar e descrever melhor o que é a inteligência, desenvolveu, durante os anos da década de 1980, a Teoria das Inteligências Múltiplas. Numa fase inicial, Gardner (1983) identificou sete tipos de inteligência: musical, linguística, lógico-matemática, visuo-espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal e interpessoal.  Isto levou a uma classificação da inteligência em diferentes tipos, como a lógico-matemática, linguística e emocional.

O debate em torno das inteligências pessoais de Gardner, conduziu à definição básica de Inteligência Emocional (IE). O psicólogo Salovey expandiu as aptidões pessoais a 5 domínios: a capacidade de conhecer as próprias emoções; a capacidade de lidar com essas emoções e sentimentos; a automotivação; a capacidade de reconhecer emoções nos outros; e de lidar com as emoções dos outros. Para Salovey estas eram as habilidades necessárias para se ser emocionalmente inteligente.

Uma definição de Inteligência Emocional

Apesar das pesquisas terem sido desenvolvidas por diversos investigadores, usualmente este tema é, quase que instantaneamente, relacionado com o nome do psicólogo Daniel Goleman. Para ele, Inteligência Emocional significa a capacidade de se motivar, perseverar diante das frustrações, controlar impulsos e regular o humor, e também de ser capaz de sentir empatia e confiar nos outros.

Daniel Goleman define a Inteligência Emocional como “a capacidade de reconhecer os nossos sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerirmos bem as emoções em nós e nas nossas relações.” (1)

O termo Inteligência Emocional foi cunhado por Michael Beldoch em 1964, que o utilizou em artigos científicos, muito antes de Goleman publicar o seu famoso livro “Inteligência Emocional” em 1995. Estes artigos falavam da comunicação e da sensibilidade emocional, das suas implicações e da forma como determinam a nossa personalidade e os nossos relacionamentos. Desde então, o tema avançou de forma notável, dando lugar a diferentes abordagens e críticas.

A inteligência emocional é muito mais do que um mero conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as próprias emoções. A implicação que esta perspectiva psicológica, social e motivacional teve no nosso dia a dia supera possíveis brechas que possam existir na teoria de Daniel Goleman.

Componentes da Inteligência Emocional

Goleman elencou cinco pilares que se referem à definição anterior, na qual foram identificados vários componentes.

Autoconhecimento emocional

Autoconhecimento emocional refere-se à capacidade de identificar, conhecer e expressar de maneira adequada e confiável os nossos próprios sentimentos e emoções, e também os seus efeitos. O primeiro passo é conhecermo-nos, analisar as nossas emoções e as acções que fazemos como resposta aos estímulos.

Devemos estar conscientes de que a Inteligência Emocional é um processo gradual e que varia de pessoa para pessoa. É essencial conhecermos bem as próprias emoções e sentimentos, e as acções que originam. Só assim poderá ter respostas adequadas, para si e para os outros.

Autocontrolo emocional

Autocontrolo emocional é a capacidade de controlar os próprios impulsos e regular as emoções.

Tenha em mente que todos nós temos momentos stressantes ou em que nos sentimos ansiosos por algum motivo. Aprender a lidar com as emoções e regulá-las, colocá-la-á na direcção certa conforme cada situação, fará toda a diferença entre o equilíbrio e a disfunção. Seja optimista, procure ver sempre o lado positivo das coisas e lembre-se que cada situação tem diversas saídas.

Automotivação

Automotivação é o que nos permite alcançar os nossos próprios objectivos, através da gestão adequada das emoções. Ao saber utilizar adequadamente as suas emoções terá mais facilidade em alcançar os seus objectivos, sem passar por cima de ninguém.

É essencial aprender a responder aos seus estímulos, para depois decidir como quer agir para atingir as suas metas. Por outro lado, temos um processo inconsciente, onde experienciamos os gatilhos emocionais a que reagimos, expressando as emoções de forma instantânea. Isto muitas vezes gera arrependimentos e desvios das nossas metas.

Consciência Social ou Empatia

Empatia é definida como a capacidade de responder adequadamente às necessidades expressas pelos outros, bem como a capacidade de partilhar esses sentimentos.

Aprender a se colocar no lugar do outro, de reconhecer as emoções dos outros e compreender os seus comportamentos, torna-nos mais sensíveis e abertos.

Relações interpessoais

Relações interpessoais neste caso, é a capacidade de nos relacionarmos eficientemente com os outros, fazendo com que se sintam bem e gerando emoções positivas.

Saber se relacionar interpessoalmente é outro ponto chave para o sucesso. Ao perceber e gerir as emoções dos outros será capaz de manter boas relações. Isso irá criar um ambiente positivo à sua volta, melhorando não só a sua qualidade de vida, mas também contagiando aqueles que estão ao seu redor.

Benefícios da Inteligência Emocional

Agora que compreendeu quais são os 5 pilares da Inteligência Emocional, já deve ter extraído alguns benefícios de ter uma IE bem desenvolvida. Todos temos desafios diários, metas e prazos para cumprir, família e filhos com quem lidar, reuniões onde participar e decisões para tomar. Estamos a ser constantemente observados e avaliados e vivemos quase sempre sob pressão. Para lidarmos com as pressões diárias, a chave é aplicar os pilares da Inteligência Emocional, o que lhe trará vários resultados positivos.

Principais benefícios

Veja alguns dos principais benefícios que obterá ao desenvolver melhor a sua Inteligência Emocional:

  •  Diminuirá os seus níveis de ansiedade e de stress;
  •  Evitará discussões e melhorará os seus relacionamentos interpessoais;
  •  Terá mais empatia pelo outro e maior compreensão;
  •  Irá obter mais equilíbrio emocional;
  •  Ganhará maior clareza dos objectivos e acções;
  •  Irá melhorar a sua capacidade de tomar decisão;
  •  Melhorará a sua gestão de tempo e produtividade;
  •  Aumentará o nível de comprometimento com as suas metas;
  •  Terá mais senso de responsabilidade e uma melhor visão do futuro;
  •  Elevará a autoestima e autoconfiança.

Conclusão

Ser emocionalmente inteligente envolve a aquisição de uma verdadeira consciência emocional com a qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos. A IE, além de nos permitir a auto-regulação emocional, é uma chave de poder com a qual nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

Uma vez que consigamos nos tornar mais conscientes das emoções, nossas e dos outros, e do papel que desempenham nas nossas acções, podemos usar essa conscientização e reflectir. Reflectir sobre o que aconteceu e sobre o que poderia ter tornado o resultado mais positivo é útil para prevenir dissabores futuros.

Os investigadores concluíram que estas competências emocionais têm enorme influência nas habilidades adaptativas e cognitivas das pessoas. Por isso, lembre-se que ponderar antes de tomar decisões trar-lhe-á diversos benefícios e prevenirá o surgimento de conflitos ou de arrependimento pelos seus actos. E, quando estiver sob pressão, o mais importante é procurar manter a calma. Encontre uma distracção, faça uma actividade prazerosa e canalize a sua ansiedade de forma positiva.

Se gostou do tema e/ou do artigo, por favor deixe o seu comentário ou envie um e-mail. Adoraria saber a sua opinião.

 

Refeências Bibliográficas:

Daniel Goleman, Trabalhar com Inteligência Emocional (Lisboa: Círculo de Leitores e Temas e Debates, 1998, 5ª edição, 2012.

Emoções no ambiente de trabalho

2 meses atrás · ·0 Comentários

Emoções no ambiente de trabalho

Os profissionais de gestão de recursos humanos e de outras áreas de estudo do mundo do trabalho chamam às competências emocionais “soft skills”. Esta é uma competência reconhecidamente essencial em todas as situações da vida, e especialmente, no ambiente de trabalho. Mas saber gerir as emoções no ambiente de trabalho, as próprias e as dos outros, muitas vezes é tudo menos suave.

Passamos mais tempo no trabalho do que com a família.

A maioria de nós passamos mais tempo no trabalho (pelo menos era esse o cenário antes da pandemia), do que com a nossa família. Se somarmos as horas de trabalho e o tempo passado nos trajectos, e adicionarmos o tempo despendido em formação profissional para progredir na carreira, facilmente concluiremos que passamos mais tempo no trabalho do que em qualquer outro lugar. No entanto, para a maioria das pessoas, o local de trabalho não proporciona um ambiente agradável, saudável ou emocionalmente bem gerido. Muitos de nós temos tido empregos onde a atmosfera emocional foi tão mal gerida que afectou todos os aspectos possíveis do nosso trabalho e, não raras vezes, com impacto na nossa própria vida.

Sabemos que as emoções são aspectos vitais da nossa capacidade de pensar, compreender o mundo, sentir e agir adequadamente. As competências emocionais são as aptidões mais importantes que podemos possuir. No entanto, a maioria de nós não foi explicitamente ensinado acerca dos estados emocionais em contexto de trabalho; supostamente, deveríamos simplesmente absorvê-los por osmose cultural. E, apesar de muitos de nós termos sido ensinados a reprimir ou a suprimir as emoções e não a sermos emocionalmente ágeis. Estranhamente, apesar de não aprendermos sobre as emoções no ambiente de trabalho, temos espectativas em relação ao estado emocional das pessoas em contextos profissionais.

Expectativas de trabalho emocional

Tipicamente temos expectativas implícitas em relação às pessoas em funções de atendimento ou de venda ao público. Assumimos que devem ser empáticas para com o cliente e mostrar que se preocupam connosco, mesmo que ganhem o salário mínimo e que nós sejamos ricos; mesmo que estejam bem vestidos e que nós tenhamos acabado de sair da praia, com o cabelo ainda molhado. A nossa posição como cliente – ou mesmo como potencial cliente – independentemente da nossa aparência ou do nosso comportamento, confere-nos o direito a receber gratuitamente empatia e respeito.

É um facto que, fruto das mudanças que se operaram nas nossas vidas devido à situação pandémica, os estados emocionais de muitas pessoas assemelham-se mais a montanhas russas. No entanto, repare nas situações carregadas de tensão emocional das pessoas que a servem, e das pessoas a quem serve. Provavelmente há regras emocionais muito específicas para o seu trabalho (mesmo que não sejam expressas), para os proprietários e funcionários das empresas que visita (especialmente restaurantes e lojas), mesmo que nunca tenha posto os olhos em cima de ninguém nesse estabelecimento antes.

As nossas expectativas em relação às emoções dos profissionais e à empatia profissional estão tão enraizadas que sabemos o que esperar. Sabemos como cada pessoa numa determinada área de negócio se deve comportar para connosco, como nos devemos comportar para com elas, e como os outros clientes se devem comportar em relação a todos nós. Todos temos um papel muito específico a desempenhar, e um desempenho emocional e empático particular imprescindível.

Verifique por si mesmo

No seu próprio trabalho, seguramente que tem expectativas muito específicas em termos de desempenhos emocionais e empatia para si próprio, para os seus colegas de trabalho, ou para os seus colaboradores e clientes, e para os gestores ou patrões. No entanto, embora saibamos como todos se devem comportar, este conhecimento não é claro. As nossas emoções e estados emocionais fazem parte do que damos (e do que se espera de nós) no local de trabalho. Mas os séculos de deseducação emocional ainda nos assombram, e continuam a ser cometidos imensos erros neste âmbito.

Muitos dos problemas observáveis nos locais de trabalho giram em torno das emoções relacionadas com o trabalho que ou não está a ser feito (o empregado problemático), ou está a ser realizado, mas não é valorizado (o empregado sobrecarregado ou o empregado que está a trabalhar em excesso). O local de trabalho pode tornar-se realmente miserável quando há problemas na esfera da gestão das emoções.

Exigências de trabalho emocional no local de trabalho

Em muitos casos, as regras relativas às questões emocionais exigem que nos comportemos de forma inautêntica uns com os outros e em relação a nós próprios. Isto não quer dizer que as emoções relacionadas com o trabalho não sejam autênticas ou sejam tóxicas: Em termos empáticos, todos nós nos esforçamos por nos ajudarmos uns aos outros a funcionar (e a nos tornarmos mais competentes) no mundo social, e por vezes isso significa mostrar emoções que não estamos propriamente a sentir ou esconder as que sentimos.

No entanto, o trabalho emocional é trabalho, e se não temos consciência de quanto trabalho emocional fazemos (ou quanto se espera que os outros façam por nós) então o burnout ou o esgotamento empático é uma possibilidade muito real para todos. Este trabalho emocional quotidiano é o que faz com que as relações fluam sem problemas; é o que nos ajuda a nos relacionarmos e a nos apoiarmos uns aos outros, e é o que nos ajuda a amadurecer como seres emocionais, sociais e empáticos. As emoções ajudam-nos em tudo aquilo que fazemos e cada emoção traz-nos uma forma única de inteligência, competência e engenho.

Valorização do trabalho emocional

Ao observar empaticamente o seu mundo social, faça um inventário do trabalho emocional que desenvolve e pergunte-se a si própria/o: O meu trabalho emocional está a ser reconhecido por alguém? Está a ser apreciado? É sequer referenciado? Poderá tornar-se mais intencional e consciente? E será que resulta bem com toda a gente?

O trabalho emocional é um aspecto intrínseco das aptidões de empatia e relacionamento, mas tende a ser completamente inconsciente e, como tal, tende a permanecer no mundo oculto de subtilezas, subjectividades, gestos e expectativas não expressas. Todavia, existem formas de tirar o trabalho emocional das sombras.

A natureza oculta do trabalho emocional

O trabalho emocional no local de trabalho é determinante para a produtividade e eficiência. Empaticamente falando, já vi e já experienciei situações de emoções mal geridas, de emoções injustas em acção e empatia imposta, inautêntica, com impacto profundo na qualidade do ambiente de trabalho. Agora percebo que a empatia imposta é um factor importante e integrante da não rentabilidade e ineficiência no local de trabalho, mas simplesmente não sabia como lhe fazer referência de forma correcta.

Durante décadas interroguei-me muitas vezes sobre a atmosfera emocionalmente conservadora (quando não tóxica) no local de trabalho, mas as referências em termos de literatura ou pesquisa relativas à natureza do trabalho emocional eram escassas. Ao nível do ensino académico, quer em Gestão de Recursos Humanos ou Gestão das Organizações quase não despendem tempo com trabalho emocional e exigências de empatia forçada, pois o foco principal é a organização administrativa e a forma de lidar com empregados problemáticos. Portanto muito pouca compreensão dos cambiantes das emoções no trabalho e de como um local de trabalho sem apoio pode criar uma atmosfera emocional improdutiva que depois criará empregados problemáticos!

Há também muito pouca consciência da razão pela qual as pessoas se esgotam: a maioria das respostas e prevenção do “burnout” que me ensinaram incidiam em como tornar os empregos mais variados e interessantes, mas quase não havia consciência do potencial de “burnout” em trabalhos sem apoio emocional, pouco justos ou de empatia forçada.

O que dizem os peritos

A questão da gestão dos estados emocionais no local de trabalho sempre foi algo que me suscitou interesse. Na minha formação profissional extracurricular em gestão de equipas ou gestão de conflitos também não encontrei qualquer menção relativa ao trabalho emocional ou ao seu efeito de contágio na disposição moral no local de trabalho. Até mesmo a Inteligência Emocional que é referênciada há várias décadas como crítica para o bom desempenho profissional, continua a não ser muito valorizada em termos de formação. Infelizmente, temos especialistas e processos no local de trabalho para quase todos os outros problemas que existem no local de trabalho, excepto para a problemática do trabalho emocional.

Os profissionais de Recursos Humanos cujo trabalho é humanizar o local de trabalho não foram formados ou treinados de forma fiável para compreender o trabalho emocional. Os profissionais de Organização de Processos cuja função é planear e organizar o trabalho e/ou equipas, não têm qualquer formação de base sobre o trabalho emocional, que é a habilidade empática central que torna o local de trabalho funcional (ou, mais comummente, disfuncional). Os Orientadores de Carreira, cujo trabalho é ajudar-nos a encontrar trabalho, normalmente não têm qualquer formação directa ou compreensão do trabalho emocional. E, em resultado disso, acaba por haver muitos locais de trabalho onde o ambiente emocional e empático não é gerido de forma eficaz.

As emoções são aspectos vitais da nossa capacidade de pensar, decidir, comportar e agir, e cada uma delas traz-nos dons e habilidades específicas e, se não compreendermos que as emoções vêm para nos ajudar, podemos culpar as emoções pelos problemas. Os gestores podem aprender a identificar as cargas emocionais dos seus colaboradores e, com base nessa informação, começar a criar locais de trabalho emocionalmente bem geridos que não esgotem as pessoas desnecessariamente.

Criar um local de trabalho emocionalmente produtivo

A chave para criar um local de trabalho emocionalmente consciente e produtivo que respeite as necessidades sociais e emocionais de todos é empenhar-se para que as cargas emocionais sejam reconhecidas, apreciadas e geridas adequadamente. Com estes objectivos em mente, eis algumas abordagens para o ajudar a criar um ambiente emocionalmente bem regulado no local de trabalho que funcione para todos.

  1. Tenha consciência das cargas emocionais relacionadas com o trabalho que os seus colegas levam para casa. Em muitos (ou na maioria?) dos locais de trabalho, as pessoas devem gerir as suas próprias emoções, acalmar as emoções dos outros e oferecer empatia gratuita ao longo do dia. Isto é óptimo quando o ambiente é bom, mas se as pessoas estiverem a ser drenadas emocionalmente o trabalho emocional pode ser fatigante.
  2. Apoie o direito das pessoas de se sentirem confortáveis no trabalho. A maioria dos modelos de local de trabalho baseiam-se na poupança de custos ou em tendências actuais de organização no local de trabalho – mas raramente se focam na realidade que as pessoas vivem no trabalho. Se as pessoas trabalham 35 a 40 horas por semana, passam mais tempo no trabalho do que em casa ou com as suas famílias, por isso devem estar física e emocionalmente confortáveis no seu ambiente de trabalho.
  3. Esteja atento às exigências emocionais no seu local de trabalho. Identifique qualquer trabalho emocional não apoiado e reconheça-o abertamente. Que emoções são exigidas na interacção com clientes, fornecedores e colegas de trabalho? É necessária empatia para com os clientes, a qual não é reconhecida? Existe algum apoio para as pessoas que estão sobrecarregadas ou a caminho de um esgotamento? E que tipo de regras emocionais existem, e para quem?
  4. Identifique e reconheça qualquer situação de desigualdade emocional. Há excepções às regras emocionais em diferentes níveis da organização? É permitido a uma pessoa ou grupo expressar (por exemplo) raiva, depressão ou ansiedade, enquanto os outros devem demonstrar apenas satisfação e complacência? A empatia está disponível para todos ou é dirigida unicamente aos clientes e fornecedores? Na medida do possível, reconheça abertamente qualquer exigência de empatia ou trabalho emocional desigual ou diferenciado.
  5. Promova conversas abertas sobre o impacto do trabalho nas emoções. O esgotamento ocorre quando as pessoas não estão autorizadas a identificar ou a falar sobre as suas emoções no trabalho ou sobre as exigências de empatia na profissão. Pode ajudar a conceber um local de trabalho mais saudável, mais funcional e mais bem regulado do ponto de vista emocional se puder simplesmente falar aberta e honestamente sobre as emoções e a empatia no trabalho.

A verdade é que geralmente passamos mais tempo no local de trabalho do que com a nossa família e amigos. E todos nós merecemos viver bem, ser bem tratados e ver o nosso trabalho emocional valorizado como o trabalho essencial que é. Enquanto líder ou gestor, pode ganhar consciência do trabalho emocional que faz e do trabalho emocional e de empatia que exige aos outros e, ao fazê-lo, pode desenvolver um ambiente mais solidário, emocionalmente bem regulado e verdadeiramente funcional para todos!

Novo Ano, Nova Década, Nova Vida!?

9 meses atrás · ·0 Comentários

Novo Ano, Nova Década, Nova Vida!?

Poderá um novo ano, uma nova década, ser mesmo visto como o começo de uma nova vida? O início de um novo ano e de uma nova década, pode ser encarado como uma época de renascimento que nos convida à reflexão. Para muitos de nós, a chegada de um novo ano representa um momento de balanço da vida, ou uma oportunidade para recomeçar e focar no que queremos alcançar.

Um novo ano é uma oportunidade para fazer uma mudança de rumo

É uma oportunidade para sairmos de caminhos sem saída que já não nos servem e fazer uma mudança de rumo. Uma porta que se abre para uma nova vida, libertando-nos do antigo, e alinhando-nos com novas possibilidades, porventura, ilimitadas.

Pessoalmente, eu não faço resoluções de Ano Novo, mas nutro a Vida Nova há já alguns anos. A cada novo ano renovo a intenção de trabalhar continuamente no meu bem-estar: físico, mental emocional e espiritual. Tenho sempre o desejo de ir o mais fundo que possa no meu processo de cura e auto-conhecimento, para melhor ajudar, não só a mim mesma, mas as pessoas que eu amo, os meus clientes e o mundo como um todo. E, acedito que não estou só nesta cruzada.

Aproveitar o poder desta energia é uma questão de fé

Aproveitar o poder da energia transformadora de um novo recomeço é uma questão de fé. Confiar verdadeiramente que as resoluções de ano novo possam vencer os padrões do passado. Se acreditarmos que somos capazes de mudar as nossas vidas, torna-se mais fácil reconhecermos que somos humanos e, capazes de desculpar os nossos erros. O nosso compromisso e empenho, que de outra forma poderiam vacilar, são sustentados pela esperança.

O início de um novo ano é tradicionalmente uma época favorável para encarar decisões difíceis como deixar de fumar, perder peso ou concretizar aspirações mais materialistas. Todavia, a transição de um ano para o outro também pode ser uma ocasião propícia para procurar impulsionar o desenvolvimento emocional, espiritual e intelectual porque já não nos sentimos tão sobrecarregados pelo arrependimento e frustração.

Pequenas mudanças de atitude podem transformar o mundo

Em geral, ao fim de algumas semanas, a maioria das resoluções de Ano Novo, ficam pelo caminho. Se formos honestos o suficiente, reconhecemos que isto já aconteceu connosco ou ainda acontece. Porquê? Porque colocamos demasiado no nosso prato. O que eu aprendi ao longo dos anos é que, com pequenas mudanças de atitude, mudança de hábitos, podemos transformar o mundo, o nosso e o das pessoas à nossa volta.

Há pequenos passos que, quando dados de forma consistente, transformam a nossa vida, sem nos darmos conta. Aprender a calar o crítico interior; a interromper a auto-sabotagem e os pensamentos ruminantes; reconhecer o que o nosso lado sombra – o que reprimimos – tem para nos ensinar, são alguns desses passos mágicos. Se estivermos realmente comprometidos com o nosso equilíbrio emocional tornarmo-nos quem queremos ser.

Qualquer que seja a sua realidade, está ao seu alcance trilhar um caminho mais consciente e fundamentado

Qualquer que seja a sua realidade, está ao seu alcance desenvolver formas que lhe permitam trilhar um caminho mais consciente e fundamentado. Ver o início do ano como uma época de renascimento permite-nos focar no que queremos realizar nas próximas semanas, meses e anos. Porque somos pessoas renovadas – ou seja, uma folha em branco – podemos experimentar novas experiências, novas abordagens mais criativas. Se sentir necessidade de se reconectar com a sua espiritualidade, considere fazer ioga, meditação ou outra actividade que desafie tanto o seu eu físico quanto mental (eu acrescentei o Yoga às minhas práticas).

Aprenda a redefinir e reinventar a sua “história”

Aprenda a redefinir e reinventar a sua “história” e a se reconectar com o seu propósito. Acabe com a auto-sabotagem, recrie o seu mundo interior e ultrapasse os bloqueios subconscientes para o sucesso. Habitue-se a dissolver a energia emocional negativa armazenada no seu corpo. Desafie-se a abordar certos tópicos e conecte-se mais profundamente com o seu eu interior, aceda a informações que aguarda internamente e alcance progressos significativos no seu desenvolvimento pessoal.

Nas antigas tradições chinesas e celtas, o período que marcava a transição do ano velho para o ano novo era visto como uma contenda entre o caos e a ordem, na qual a ordem acabava sempre por prevalecer. A sua crença de que também é capaz de eliminar o caos da sua vida e incorporar mais plenamente os seus sonhos, desejos e objectivos,  dar-lhe-á a determinação e a força necessárias para mudar a sua vida para melhor.

Algo novo que promova o equilíbrio e bem-estar emocional

A promessa contida num ano novo de uma vida nova. Preencha a sua mente com saber estimulante, conhecimento impactante e habilidades úteis. Eliminar a desordem da sua casa ou do local de trabalho pode melhorar o fluxo de energia na sua vida, e dar-lhe o impulso que precisa para se manter fiel às suas resoluções. Começar um diário pode ser outra forma maravilhosa de tansformar alguns eventos da sua vida em desenvolvimento pessoal. Faça algo novo e estimulante que promova o seu equilíbrio e bem-estar emocionalO seu bem-estar e saúde beneficia a todos; as suas oscilações de humor não beneficiam ninguém, particularmente as pessoas que ama.

Comprometa-se com a sua harmonia interior, o mundo agradece.

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Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

1 ano atrás · ·2 comentários

Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

Todos nós, provavelmente, em algum momento da nossa vida, já nos sentimos vítimas. Face a circunstâncias difíceis das nossas vidas em que tivemos de enfrentar experiências dolorosas ou traumáticas, certamente nos sentimos vulneráveis e frágeis, desejosos de cuidado e protecção.

Neste tipo de situações em que existe uma condição objectiva de vitimização, a vítima requer atenção, cuidado, apoio e carinho.  Todavia esta é uma condição passageira, muito diferente daquela em que a pessoa passa a ostentar a condição de vítima como algo definitivo. A isto se chama cultura da Vitimização e da Manipulação emocional.

Comecemos pela Vitimização!

A vitimização ocorre quando o acontecimento traumático se converte em identidade própria da pessoa que o experienciou.  Ao descobrirem que, sendo vítimas, beneficiam do cuidado e atenção permanente dos outros, as pessoas com tendência para a vitimização, entram num ciclo vicioso de chamada de atenção. A vitimização, só por si, não é uma patologia classificada no DSM-5, embora indicie a possibilidade do desenvolvimento de um transtorno paranóico de personalidade.

As pessoas com propensão à vitimização acreditam que tudo que lhes acontece é culpa dos outros ou das circunstâncias. O seu locus de controlo é externo, ou seja, a pessoa não assume a responsabilidade pelas suas próprias acções. Pelo contrário, transfere-a para factores externos, alheios a si própria.

A vitimização é uma estratégia benéfica para quem assume a condição de vítima

A vitimização é, em muitas situações, uma estratégia extremamente benéfica para a pessoa que assume a condição de vítima, porque lhe permite obter privilégios que de outra forma não conseguiria alcançar. A pessoa acaba por contar, de uma forma ou de outra, com a compaixão e a compreensão das outras pessoas, independentemente do que faça.

Com efeito, quem coloque em causa os comportamentos e as acções das supostas vítimas, arrisca-se a ser apontado como desumano ou insensível. Este aspecto abre espaço para uma espécie de permissividade e imunidade, dando total cobertura a tudo o que a vítima diz ou faz, sem questionar. Todavia, a vitimização calculada, seja ela consciente ou inconsciente, encobre uma espécie de chantagem emocional.

A manipulação é uma estratégia da pessoa propensa à vitimização

A manipulação é uma estratégia desenvolvida pela pessoa com propensão para a vitimização, no sentido de ver satisfeitas as suas necessidades de atenção. O manipulador emocional usa a sua condição de vítima para impor os seus desejos e caprichos. O manipulador age de forma a que o outro se sinta culpado e faça tudo o que ele deseja. Esse é o grande problema da manipulação. Por ser um comportamento velado, as pessoas que são manipuladas nem sempre se apercebem do que está realmente a acontecer e acabam por ser iludidas permitindo que os manipuladores façam o que querem.

O manipulador usa a chantagem como forma de comunicação

O manipulador usa a chantagem emocional como forma de comunicação. Quando as outras pessoas não fazem o que ele desejacoloca-as no papel de carrascos, reclamando para si mesmos o papel de vítima. Essa atitude provoca sentimentos de culpa nos outros que tudo farão para corrigir o dano causado, mesmo que tenham de abdicar de si mesmos.

A pessoa manipuladora com tendência à vitimização é capaz de fazer grandes sacrifícios pelos outros, sem que ninguém lhe peça nada, colocando-se assim no papel de vítima da vida. Quando alguém apresenta este tipo de comportamento, estamos perante uma pessoa com baixa auto-estima que só se sente válida quando se sacrifica em prol dos outros.

Nestes casos, trata-se de alguém que não fechou o ciclo de uma experiência traumática ou que perdeu o gosto pela vida. Estas pessoas precisam de apoio urgente. Necessitam de alguém que as compreenda, que seja emocionalmente competente, que lhes mostre compaixão e as ajude a lidar com o seu trauma e a desenvolver maturidade emocional, para mudarem de atitude.

Em conclusão: a cultura da vitimização e da manipulação leva-nos a renunciar aos nossos próprios desejos e necessidades em prol dos outros. Este tipo de comportamento é comum em pessoas emocionalmente imaturas ou com baixo QE. Assim, é importante que estejamos conscientes destes padrões de comportamento, não só para nos protegermos, mas também para ajudarmos a promover a mudança na pessoa que assume o papel de vítima e/ou manipuladora.

Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
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