Arquivo de auto-conhecimento - Ana Paula Vieira

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O que é o Trabalho Interior?

1 dia atrás · · 0 Comentários

O que é o Trabalho Interior?

O trabalho interior é a verdadeira essência da espiritualidade, é o que nos conduz ao verdadeiro despertar.

Quando fazemos trabalho interior, estamos a acender a luz da consciência na nossa paisagem interior. A parte de nós que é composta pelas várias camadas da nossa mente: o consciente, o subconsciente e o inconsciente.

O que poderia ser melhor do que curar, evoluir, tornar-se mais feliz, sentir-se livre, assumir o seu poder pessoal, viver em harmonia consigo e com os outros, e emanar energias de mudança para todo o ambiente envolvente? Todavia, é aqui que reside um dos temores mais secretos do se humano.

Então, se o trabalho interior é um caminho tão digno, por que nos sentimos secretamente aterrorizados em relação a ele?

A verdadeira cura emocional,  a transformação e o despertar só são possíveis com trabalho interior.

O trabalho interior é a prática psicológica e espiritual de mergulhar profundamente no nosso eu interior com o propósito de auto-exploração, auto-compreensão, cura e transformação. Contudo a maioria de nós oferece resistência, inconscientemente, porque que penetrar no nosso íntimo aterroriza-nos.

O nosso eu interior é o fiel depositário dos nossos sentimentos, memórias, preconceitos, pensamentos, crenças, feridas psicológicas, sombras e outras situações mentais/emocionais que influenciam a nossa capacidade de transformação e de nos sentirmos Inteiros a um nível nuclear. Ao fazermos trabalho interior, temos acesso ao âmago do nosso ser e concedemo-nos a oportinidade de ultrapassar medos, bloqueios, depressões, solidão e sentimentos de desconexão que tendem a atormentar a maioria dos seres humanos.

Preferimos morrer na ignorância do que admitir que estamos errados

A realidade é que é mais fácil apontar o dedo a outras pessoas e encontrar um culpado fora de nós, do que procurar dentro de nós mesmos a fonte do nosso próprio sofrimento. Preferimos adoptar uma mentalidade de vítima do que ousarmos olhar-nos ao espelho com honestidade. Em alguns casos, preferimos morrer na ignorância obstinada do que admitir que estamos errados, enganados, ou que somos culpados, responsáveis pelo nosso sofrimento e pela dor dos outros.

Os nossos egos são construções frágeis, sedentas de controlo e poder. O trabalho interior enfraquece o Ego porque, na sua própria essência, coloca a verdade e o desejo de Amor acima de tudo. O trabalho interior é um processo de desconstrução e de renascimento. É um processo incessante porque, mesmo depois de atingirmos um nível de consciência elevado, se acreditarmos que o trabalho está concluido, é quando a sombra volta a reaparecer. É quando ocorre a estagnação que o narcisismo espiritual prospera.

Quando nos entregamos intencionalmente ao trabalho interior, estamos em busca de abraçar a dualidade da nossa existência, de percorrer os nossos recantos mais escondidos, dispostos a morrer e a renascer uma e outra vez. Procuramos entrar em contacto com tudo aquilo em que nos podemos tornar, enfrentar as nossas sombras mais tenebrosas, encarnar a nossa luz mais divina, experienciar a Unicidade.

O trabalho interior é escolher o caminho menos percorrido

É muito mais fácil viver uma existência de seguidores e percorrer o caminho que os outros abriram antes de nós do que escolher o caminho menos percorrido. É muito mais fácil adoptar o papel de vítima, apontar o dedo aos outros e negligenciar a auto-responsabilidade.

Percorrer o caminho menos percorrido é muito mais difícil, desconfortável, e muito mais exigente. E a maioria das pessoas NÃO está pronta ou disposta a fazer essa escolha.

A auto-comiseração e a complacência proporcionam um certo conforto, mas é precisamente esse conforto que ironicamente leva ao vazio, à perda da alma e à completa privação de qualquer coisa verdadeiramente real, verdadeiramente digna de ser vivida.

Quando for capaz de seguir a sua intuição, o caminho torna-se mais bem definido.

Há várias maneiras de tornar o caminho do trabalho interior mais suportável. A ligação com a sua fonte de poder mais profunda, o seu espírito livre interior e a sua essência pura, é a primeira. Quando for capaz de seguir o seu instinto e intuição, de ver claramente, de fazer escolhas sábias, e de se proteger daqueles que procuram prender-se a si, o caminho torna-se mais bem definido.

Lembre-se que por muito doloroso que seja, “a fénix renasce das cinzas”,  ou seja, por muito mal que se sinta, a dor é um catalisador para uma profunda transformação espiritual. Aliás, atrevo-me a dizer que sem dor não há apelo ao trabalho interior.

Por último, quero que compreenda que, pela sua natureza, o ego será sempre contra o trabalho interior. É a nossa alma que nos conduz ao trabalho interior, por isso seria benéfico para si aprender a distinguir entre a voz do medo (o ego) e a voz da sua intuição (a alma).

Conforme escreveu Carl Jung:

“As pessoas farão tudo, por mais absurdo que seja, para evitar enfrentar as suas próprias almas.”

 

P.S. Se gostou deste artigo, deixe o seu comentário abaixo. Eu sinto-me sempre inspirada cada vez que alguém deixa um comentário.

A Magnificência das Imperfeições

4 meses atrás · · 0 Comentários

A Magnificência das Imperfeições

Há alguns anos atrás tropecei por acaso nas pérolas de sabedoria da Investigadora Brené Brown. Este encontro inesperado, ajudou-me a compreender e identificar a magnificência das imperfeições. Tem dado frutos e é uma enorme mais valia para a jornada da minha alma. Tem sido uma bússula na meu caminho de cura emocional e de regresso a quem verdadeiramente sou.

Se nunca ouviram falar dela, dêem-me a honra de a apresentar. Brené Brown é doutorada em Serviço Social, e professora e investigadora no Graduate College of Social Work da Universidade de Houston, no Texas. A sua investigação pioneira sobre vulnerabilidade conduziu-a à palestra TEDxHouston em 2010, “The Power of Vulnerability” (vídeo acessível pelo link), uma das cinco palestras TED mais vistas no site TED.com, com mais de 45 milhões de visualizações. Em 2012 Brené agitou ainda mais as convenções sociais, ao falar sobre vergonha, coragem e inovação, na palestra de encerramento da conferência TED.

Ela também é a autora de livros como A Imperfeição É uma VirtudeA Coragem de Ser Imperfeito, ou Mais Forte Que Nunca, e detentora de um currículo de resiliência à vergonha que está a inspirar imensas pessoas no mundo inteiro.

“Nós não queremos sentir-nos desconfortáveis. Queremos uma lista rápida de «como fazer» para alcançar a felicidade.”

Adoro esta afirmação de Brené Brown, “Nós não queremos sentir-nos desconfortáveis. Queremos uma lista rápida de «como fazer» para alcançar a felicidade.” (in A imperfeição é uma virtude). Em geral, procuramos encaixar-nos no que é socialmente adequado, ignorando a magnificência das imperfeições.

A maioria de nós foi ferido (ou pode ainda estar a ser), julgado, criticado ou  magoado de alguma forma duradoura. E carregamos em nós, no nosso coração ou na nossa alma (como preferirem), as feridas emocionais que resultaram dessas situações de abuso.

Não podemos evitar a dor – é um elemento essencial no nosso sistema de orientação interior. Na verdade, precisamos dela.  Contudo, a forma como nos relacionamos com a nossa dor, é uma história completamente diferente.

Eu posso me contorcer com dor, reagir contra ela, resistir, lutar, negá-la ou reprimi-la – mas qualquer uma destas estratégias  deixam-me simplesmente mais frágil, mais rígida, mais temerosa, mais cautelosa, mais desconectada, mais isolada. Negar o que há de magnífico nas imperfeições causa desconexão.

Hoje eu sei, com absoluta certeza, que se não enfrentar o que me incomoda, olhar a minha dor nos olhos, se não lidar com ela adequadamente, não só o meu humor se degrada, como afecta a minha saúde e tudo ao meu redor. Agora, mais do que nunca, acho que a minha capacidade de senti-la, de me sentar lado-a-lado com o desconforto, de seguir as sensações que se movem através de mim, representa a chave para viver corajosamente, de coração aberto, uma vida plena e amorosa.

Para nos sentirmos integrados precisamos de ser verdadeiros

Há uma enormidade de emoções humanas e, quando escondemos as mais sombrias também obscurecemos as mais luminosas. Algo que aprendi nesta jornada de regresso a mim, à minha essência, foi que para nos sentirmos verdadeiramente integrados precisamos de ser verdadeiros, autênticos, de mostrarmos quem somos, o nosso verdadeiro eu.

Em A Coragem de Ser Imperfeito, Brené refere que “os momentos mais poderosos das nossas vidas acontecem quando unimos os pequenos tremores de luz criados pela coragem, compaixão e conexão e as vemos brilhar na escuridão dos nossos problemas.” Para mim, o truque tem sido aprender a ter uma relação amorosa e compassiva com a dor – esteja ela ligada ao medo, à mágoa, à saudade, à raiva, ao desamparo ou à vergonha.

A minha jornada interior continua a ter a ver com o alinhamento de quem eu sou com os meus valores. Estou empenhada em viver a vida nos meus termos, cultivar o amor e encontrar a beleza em tudo o que surge no meu caminho. Deixar que a luz brilhe sobre as minhas cicatrizes, pois elas são a expressão da minha coragem e resiliência. As minhas cicatrizes têm valor, tornam-me inteira.

Encontrar a magnificência nas imperfeições

Portanto, não é de admirar que eu me sinta atraída por tópicos sobre imperfeição, vergonha, medo, perda ou vulnerabilidade. Ou que me tenha sentido tão atraída pelo conceito japonês Wabi Sabi – uma filosofia que nos incentiva a abraçar a imperfeição e a encontrar a beleza nas imperfeições, a encontrar a beleza no que é velho ou está partido, quebrado – e mais especificamente do Kintsugi – a arte de reparar taças partidas, pratos e objectos de cerâmica com ouro.

Cada objecto quebrado e rachado é recuperado com a utilização do epóxi e verniz dourado – restituindo vida aos objectos, tornando-os inteiros, mais bonitos e mais valiosos do que antes.

Eu creio que também somos um pouco assim.

Depois de dilacerados e partidos, também somos curados e tornados inteiros novamente com os bálsamos dourados da compaixão, compreensão, autenticidade e amor.

Quando a nossa fragilidade e dor se encontram com os raios luminosos do amor, da verdade, da compaixão e da compreensão, tornamo-nos mais fortes e mais belos do que éramos antes. Tornamo-nos grandes.

Brené diz-nos que “ousar ser grande não tem que ver com ganhar ou perder. Tem que ver com coragem.” A coragem de nos mostrarmos exactamente como somos, com os nossos defeitos e vulnerabilidade, mas também com as nossas virtudes e valor.

A mudança profunda é um efeito colateral de relações profundas

As mudanças profundas não acontecem devido a rasgos de inteligência, evidências científicas, moralismo ou regras. Quando somos julgados, repreendidos, coagidos, forçados a fazer algo, manipulados ou enganados… fechamo-nos, constringimo-nos, resistimos.  Aí, a dor aumenta.

A mudança profunda é um efeito colateral de relações profundas, gentis e compassivas que nos inspiram a alcançar o nosso potencial mais elevado, nos nossos próprios termos.

A cura precisa de uma mão gentil

A cura precisa de uma mão gentil, perspicaz, não de exigências forçadas.

  • Quando somos amados, despertamos.
  • Quando somos amados, mudamos.
  • Quando somos amados, curamo-nos.
  • Quando somos amados, os nossos corações abrem-se.

A ruptura é necessária para a iluminação.

As fendas deixam a luz entrar. Alumiam o caminho.

Precisamos de derruba as barreiras em torno do coração.

Praticar o amor é acolher a magnificência das imperfeições. O amor por nós, em primeiro lugar, para podermos dar também aos outros. É importante termos presente que a relação mais importante que temos é com nós mesmos. Se estivermos em guerra connosco, dificilmente teremos paz à nossa volta. Para sermos grandes precisamos de nos aceitar e amar incondicionalmente. Só podemos ser felizes se vivermos plenamente e, isso só é possível a partir de um lugar de merecimento.

Este artigo foi um pouco mais pessoal do que é habitual, mas senti que era importante abrir-me também para ti e partilhar um pouco da minha experiência. Agora é a vossa vez…

Eu adoraria saber se:

  • Ficaste mais bonita e mais forte com as experiências dolorosas da tua vida?
  • Aceitas as imperfeições em ti e nos outros? Quão magníficas são essas imperfeições?
  • O que se interpõe no teu caminho de encontrar a magnificência das imperfeições?  O que te ajuda?

Deixa o teu comentário abaixo …

Novo Ano, Nova Década, Nova Vida!?

5 meses atrás · · 0 Comentários

Novo Ano, Nova Década, Nova Vida!?

Poderá um novo ano, uma nova década, ser mesmo visto como o começo de uma nova vida? O início de um novo ano e de uma nova década, pode ser encarado como uma época de renascimento que nos convida à reflexão. Para muitos de nós, a chegada de um novo ano representa um momento de balanço da vida, ou uma oportunidade para recomeçar e focar no que queremos alcançar.

Um novo ano é uma oportunidade para fazer uma mudança de rumo

É uma oportunidade para sairmos de caminhos sem saída que já não nos servem e fazer uma mudança de rumo. Uma porta que se abre para uma nova vida, libertando-nos do antigo, e alinhando-nos com novas possibilidades, porventura, ilimitadas.

Pessoalmente, eu não faço resoluções de Ano Novo, mas nutro a Vida Nova há já alguns anos. A cada novo ano renovo a intenção de trabalhar continuamente no meu bem-estar: físico, mental emocional e espiritual. Tenho sempre o desejo de ir o mais fundo que possa no meu processo de cura e auto-conhecimento, para melhor ajudar, não só a mim mesma, mas as pessoas que eu amo, os meus clientes e o mundo como um todo. E, acedito que não estou só nesta cruzada.

Aproveitar o poder desta energia é uma questão de fé

Aproveitar o poder da energia transformadora de um novo recomeço é uma questão de fé. Confiar verdadeiramente que as resoluções de ano novo possam vencer os padrões do passado. Se acreditarmos que somos capazes de mudar as nossas vidas, torna-se mais fácil reconhecermos que somos humanos e, capazes de desculpar os nossos erros. O nosso compromisso e empenho, que de outra forma poderiam vacilar, são sustentados pela esperança.

O início de um novo ano é tradicionalmente uma época favorável para encarar decisões difíceis como deixar de fumar, perder peso ou concretizar aspirações mais materialistas. Todavia, a transição de um ano para o outro também pode ser uma ocasião propícia para procurar impulsionar o desenvolvimento emocional, espiritual e intelectual porque já não nos sentimos tão sobrecarregados pelo arrependimento e frustração.

Pequenas mudanças de atitude podem transformar o mundo

Em geral, ao fim de algumas semanas, a maioria das resoluções de Ano Novo, ficam pelo caminho. Se formos honestos o suficiente, reconhecemos que isto já aconteceu connosco ou ainda acontece. Porquê? Porque colocamos demasiado no nosso prato. O que eu aprendi ao longo dos anos é que, com pequenas mudanças de atitude, mudança de hábitos, podemos transformar o mundo, o nosso e o das pessoas à nossa volta.

Há pequenos passos que, quando dados de forma consistente, transformam a nossa vida, sem nos darmos conta. Aprender a calar o crítico interior; a interromper a auto-sabotagem e os pensamentos ruminantes; reconhecer o que o nosso lado sombra – o que reprimimos – tem para nos ensinar, são alguns desses passos mágicos. Se estivermos realmente comprometidos com o nosso equilíbrio emocional tornarmo-nos quem queremos ser.

Qualquer que seja a sua realidade, está ao seu alcance trilhar um caminho mais consciente e fundamentado

Qualquer que seja a sua realidade, está ao seu alcance desenvolver formas que lhe permitam trilhar um caminho mais consciente e fundamentado. Ver o início do ano como uma época de renascimento permite-nos focar no que queremos realizar nas próximas semanas, meses e anos. Porque somos pessoas renovadas – ou seja, uma folha em branco – podemos experimentar novas experiências, novas abordagens mais criativas. Se sentir necessidade de se reconectar com a sua espiritualidade, considere fazer ioga, meditação ou outra actividade que desafie tanto o seu eu físico quanto mental (eu acrescentei o Yoga às minhas práticas).

Aprenda a redefinir e reinventar a sua “história”

Aprenda a redefinir e reinventar a sua “história” e a se reconectar com o seu propósito. Acabe com a auto-sabotagem, recrie o seu mundo interior e ultrapasse os bloqueios subconscientes para o sucesso. Habitue-se a dissolver a energia emocional negativa armazenada no seu corpo. Desafie-se a abordar certos tópicos e conecte-se mais profundamente com o seu eu interior, aceda a informações que aguarda internamente e alcance progressos significativos no seu desenvolvimento pessoal.

Nas antigas tradições chinesas e celtas, o período que marcava a transição do ano velho para o ano novo era visto como uma contenda entre o caos e a ordem, na qual a ordem acabava sempre por prevalecer. A sua crença de que também é capaz de eliminar o caos da sua vida e incorporar mais plenamente os seus sonhos, desejos e objectivos,  dar-lhe-á a determinação e a força necessárias para mudar a sua vida para melhor.

Algo novo que promova o equilíbrio e bem-estar emocional

A promessa contida num ano novo de uma vida nova. Preencha a sua mente com saber estimulante, conhecimento impactante e habilidades úteis. Eliminar a desordem da sua casa ou do local de trabalho pode melhorar o fluxo de energia na sua vida, e dar-lhe o impulso que precisa para se manter fiel às suas resoluções. Começar um diário pode ser outra forma maravilhosa de tansformar alguns eventos da sua vida em desenvolvimento pessoal. Faça algo novo e estimulante que promova o seu equilíbrio e bem-estar emocionalO seu bem-estar e saúde beneficia a todos; as suas oscilações de humor não beneficiam ninguém, particularmente as pessoas que ama.

Comprometa-se com a sua harmonia interior, o mundo agradece.

P.S. Se gorstou do artigo, deixe o seu comentário. Adoro saber que impacto o que ecrevo tem em quem lê. Partilhe com os seus amigos, se isso lhe parecer adequado.

Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

8 meses atrás · · 2 comentários

Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

Todos nós, provavelmente, em algum momento da nossa vida, já nos sentimos vítimas. Face a circunstâncias difíceis das nossas vidas em que tivemos de enfrentar experiências dolorosas ou traumáticas, certamente nos sentimos vulneráveis e frágeis, desejosos de cuidado e protecção.

Neste tipo de situações em que existe uma condição objectiva de vitimização, a vítima requer atenção, cuidado, apoio e carinho.  Todavia esta é uma condição passageira, muito diferente daquela em que a pessoa passa a ostentar a condição de vítima como algo definitivo. A isto se chama cultura da Vitimização e da Manipulação emocional.

Comecemos pela Vitimização!

A vitimização ocorre quando o acontecimento traumático se converte em identidade própria da pessoa que o experienciou.  Ao descobrirem que, sendo vítimas, beneficiam do cuidado e atenção permanente dos outros, as pessoas com tendência para a vitimização, entram num ciclo vicioso de chamada de atenção. A vitimização, só por si, não é uma patologia classificada no DSM-5, embora indicie a possibilidade do desenvolvimento de um transtorno paranóico de personalidade.

As pessoas com propensão à vitimização acreditam que tudo que lhes acontece é culpa dos outros ou das circunstâncias. O seu locus de controlo é externo, ou seja, a pessoa não assume a responsabilidade pelas suas próprias acções. Pelo contrário, transfere-a para factores externos, alheios a si própria.

A vitimização é uma estratégia benéfica para quem assume a condição de vítima

A vitimização é, em muitas situações, uma estratégia extremamente benéfica para a pessoa que assume a condição de vítima, porque lhe permite obter privilégios que de outra forma não conseguiria alcançar. A pessoa acaba por contar, de uma forma ou de outra, com a compaixão e a compreensão das outras pessoas, independentemente do que faça.

Com efeito, quem coloque em causa os comportamentos e as acções das supostas vítimas, arrisca-se a ser apontado como desumano ou insensível. Este aspecto abre espaço para uma espécie de permissividade e imunidade, dando total cobertura a tudo o que a vítima diz ou faz, sem questionar. Todavia, a vitimização calculada, seja ela consciente ou inconsciente, encobre uma espécie de chantagem emocional.

A manipulação é uma estratégia da pessoa propensa à vitimização

A manipulação é uma estratégia desenvolvida pela pessoa com propensão para a vitimização, no sentido de ver satisfeitas as suas necessidades de atenção. O manipulador emocional usa a sua condição de vítima para impor os seus desejos e caprichos. O manipulador age de forma a que o outro se sinta culpado e faça tudo o que ele deseja. Esse é o grande problema da manipulação. Por ser um comportamento velado, as pessoas que são manipuladas nem sempre se apercebem do que está realmente a acontecer e acabam por ser iludidas permitindo que os manipuladores façam o que querem.

O manipulador usa a chantagem como forma de comunicação

O manipulador usa a chantagem emocional como forma de comunicação. Quando as outras pessoas não fazem o que ele desejacoloca-as no papel de carrascos, reclamando para si mesmos o papel de vítima. Essa atitude provoca sentimentos de culpa nos outros que tudo farão para corrigir o dano causado, mesmo que tenham de abdicar de si mesmos.

A pessoa manipuladora com tendência à vitimização é capaz de fazer grandes sacrifícios pelos outros, sem que ninguém lhe peça nada, colocando-se assim no papel de vítima da vida. Quando alguém apresenta este tipo de comportamento, estamos perante uma pessoa com baixa auto-estima que só se sente válida quando se sacrifica em prol dos outros.

Nestes casos, trata-se de alguém que não fechou o ciclo de uma experiência traumática ou que perdeu o gosto pela vida. Estas pessoas precisam de apoio urgente. Necessitam de alguém que as compreenda, que seja emocionalmente competente, que lhes mostre compaixão e as ajude a lidar com o seu trauma e a desenvolver maturidade emocional, para mudarem de atitude.

Em conclusão: a cultura da vitimização e da manipulação leva-nos a renunciar aos nossos próprios desejos e necessidades em prol dos outros. Este tipo de comportamento é comum em pessoas emocionalmente imaturas ou com baixo QE. Assim, é importante que estejamos conscientes destes padrões de comportamento, não só para nos protegermos, mas também para ajudarmos a promover a mudança na pessoa que assume o papel de vítima e/ou manipuladora.

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