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    Atenção e Intenção: são coisas distintas ou complementam-se?

    4 semanas atrás · · 0 Comentários

    Atenção e Intenção: são coisas distintas ou complementam-se?

    Num mundo cheio de distrações como este em que vivemos, manter a atenção pode ser desafiante. Então, atenção e intenção, são coisas distintas ou complementam-se? Onde é que habitualmente coloca o seu foco? Se for como eu, o mais provável é que faça algumas coisas importantes – como conduzir, por exemplo – sem grande atenção. Normalmente queixamo-nos da falta de tempo, mas esse não é o verdadeiro problema. Na realidade temos é demasiadas distrações que interferem com o nosso foco e nos fazem dispersar.

    Precisamos de disciplina para manter o foco no momento presente

    Precisamos de desenvolver a disciplina de manter o foco no momento presente, especialmente se queremos ter uma vida mais satisfatória. Ou seja, precisamos de mais autoconsciência. Assim, se queremos sentir-nos plenos necessitamos de alinhar a atenção com a intenção para alcançarmos o que desejamos. Por outras palavras, e o que mais deseja na vida é sentir realização e propósito, então a sua atenção e intenção precisam de estar alinhadas.

    Se não prestar devida atenção às coisas que são importantes para si e se dispersar com o que se passa ao seu redor irá sentir que o tempo nunca é suficiente. O que importa realmente é se estamos atentos no tempo que temos – e ao que estamos atentos.

    Quem se interessa por temas de desenvolvimento pessoal já ouviu falar certamente de intenção, de despertar da consciência ou de atenção plena. Na verdade, a atenção está estreitamente ligada à presença enquanto a intenção está intimamente relacionada com objectivos.

    Realização e propósito

    Mais do que uma moda ou uma filosofia de vida, alinhar as nossas intenções com a nossa atenção é essencial para nos realizarmos em qualquer área da nossa vida. O equilíbrio entre estes dois tipos básicos de consciência – intenção e atenção – está no cerne do desenvolvimento humano. É esta simbiose perfeita que sustenta uma vida com realização e propósito.

    Quando os nossos próprios sistemas internos estão alinhados com as nossas intenções ficamos inspirados e aptos para criar resultados positivos e alcançarmos satisfação com a vida a longo prazo.

    Mas então, qual a diferença entre atenção e intenção e como podemos alinhá-las?

    A primeira grande distinção é que a atenção ocorre no presente e a intenção preocupa-se com o futuro. Todavia, infelizmente, com frequência do que seria desejável, algumas pessoas colocam a sua atenção no futuro e as suas intenções no presente. Anseiam por uma vida mais gratificante mas a sua atenção está nas circunstâncias que não podem mudar.

    Atenção

    Aquilo a que dedicarmos a nossa atenção cresce, para o bem e para o mal. Se colocarmos a nossa atenção na tarefa que estamos a realizar temos maiores probabilidades de a concluir com sucesso. Mas se estivermos a ser constantemente interrompidos dificilmente chegaremos a bom porto. É a atenção concentrada nas etapas menores dos nossos objectivos que conduz à acção necessária para os concluir.

    Por outro lado, se focarmos a atenção nos aspectos negativos das nossas vidas, somos capazes de mantê-los vivos também.

    Se eu tiver uma ligeira dor de cabeça e só me focar nela, vou ficar com a sensação de que a dor aumenta de intensidade. Mas se focar a atenção no corpo e/ou na respiração a dor acaba por diminuir ou desaparece por completo. Isso funciona se eu definir a intenção de estar mais atenta às mensagens do meu corpo e de me tornar consciente de onde coloco a minha atenção em comparação com o que decido simplesmente observar.

    Quando se presta atenção consciente, experimenta-se a profundidade da percepção. É o que acontece quando nos envolvemos numa actividade de que gostamos e nem damos pelo tempo passar. Podemos saborear a vida interiormente e sentir e os nossos valores e visão com a mesma clareza. É o que sentimos quando desfrutamos de um momento de beleza extraordinária, como observar um pôr do sol divinal, ou nos deixamos capturar pela beleza da natureza ou pelo riso de uma criança…

    A grande diferença está em onde, como e em que momento se coloca o foco.

    Intenção

    A intenção cria o espaço para o que desejamos. É a esperança que nos encoraja e nos permite testar diferentes soluções para atingirmos o nosso objectivo.

    A intenção é a dimensão que nos faz avançar de onde estamos para onde queremos ir. É algo que determina a direcção que estabelecemos para o nosso futuro. Uma intenção poderosa é uma decisão de sermos, de fazermos, ou de termos algo que é verdadeiramente importante para nós. É a intenção que nos dá a energia necessária para concretizarmos os nossos objectivos.

    Quando a nossa chama interior é forte e brilhante, ela ilumina o caminho que nos conduzirá à vida que almejamos. É a intenção que nos inspira naturalmente a desenvolver ainda mais as nossas capacidades. Sem uma intenção clara e poderosa, podemos ser facilmente influenciados pelas agendas de diferentes pessoas; podemos entreter a nossa mente com as preocupações da vida ou deixar-nos distrair pelos múltiplos futuros possíveis.

    Porque razão o alinhamento entre atenção e intenção promove o sucesso

    A atenção e a intenção são conceitos básicos indissociáveis do desenvolvimento humano. Quando estes dois níveis de consciência estão simultaneamente activos criam o chamado estado de fluxo.

    Ao afirmarmos a nossa intenção, a força do nosso “estado de espírito intencional” move-nos eficaz e propositadamente para a acção a fim de alcançarmos o que desejamos. Quando temos um “porquê” suficientemente forte que oriente a nossa vida para o que é importante para nós, manter a nossa atenção focada torna-se fácil.

    Se criarmos o hábito de alinhar a atenção e a intenção de forma consciente, tornamo-nos praticamente imparáveis. Tornamo-nos capazes de criar alegria, sucesso, liberdade e alcançar a realização que desejamos! Podemos viver profundamente os momentos de cada dia, sabendo que o nosso futuro está constantemente a convidar-nos a avançar. Portanto, podemos tornar-nos plenamente presentes no agora. Sermos o nosso próprio guia de sabedoria, e ter objectivos e intenções claras.

    Assim, dado que o nosso mundo está cheio de distracções, a questão que precisamos responder é: como nos encorajamos a estar atentos às coisas mais importantes das nossas vidas?

    A melhor cura para a distração pode ser encontrada fazendo-se uma única pergunta: o que pretendo alcançar?

    Se o seu porquê for realmente forte, se a sua intenção for congruente com os seus valores nucleares e anseios do seu coração, alinhar a atenção à intenção torna-se fácil. É como caminhar sobre areia molhada pelas ondas do mar.

     

    A Intenção e a Atenção são dois tipos de consciência que estão no cerne do desenvolvimento humano. Portanto, este mundo cheio de distrações manter a atenção focada é um desafio.

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    O que é a crise existencial e como enfrentá-la

    2 meses atrás · · 0 Comentários

    O que é a crise existencial e como enfrentá-la

    Enquanto seres humanos, evitamos e resistimos à mudança porque se trata de um território desconhecido. Por conseguinte, tememo-la. Todavia a mudança é uma constante na nossa vida, desde que nascemos. E, quanto maior a nossa resistência, maior a probabilidade de passarmos por uma crise existencial. Mas o que é a crise existencial e como podemos enfrentá-la?

    A vida é como a natureza e a lua

    A vida é feita de ciclos como as estações do ano ou a lua. Esses ciclos trazem mudanças a que, com frequência, resistimos. Todavia, quanto maior a resistência à mudança maior o desencontro com a nossa essência. Uma crise existencial é um período da vida da pessoa em que quase tudo deixa de fazer sentido. É uma fase em que tudo parece insignificante, incluindo todas as realizações e conquistas anteriores, sonhos, interesses profissionais, relacionamentos e objectivos.

    A crise existencial é uma época de morte e renascimento

    A crise existencial é uma época de morte e renascimento. É uma fase de morte de crenças antigas, de velhas fomas de ser e a morte de velhos valores. Mas depois da morte vem o renascimento.

    Basta olharmos para os ciclos da natureza. O que está a viver não vai durar para sempre. Depois da noite vem o dia, e depois do inverno vem a primavera.

    Espero que este episódio do podcast lhe mostre como este processo que está a atravessar é realmente valioso.

    A Crise Existencial não tem de ser uma coisa má. É um momento em que se sente a necessidade de encontrar sentido ou propósito na vida. Não há nada de errado consigo. Nem estás sozinha.

    Na verdade, está mais sã do que a maioria das pessoas, porque está a questionar a insanidade do mundo à sua volta. Está no processo de entrar em contacto com a sua verdadeira natureza espiritual.

    Diga-me, está a atravessar uma crise existencial neste momento? Como é que isso lhe faz sentir?

    Por favor, partilhe abaixo ou envie um e-mail. Vamos ajudar-nos uns aos outros para não se sentirem tão sós.

    Se deseja saber mais sobre o tema veja este vídeo no Youtube onde partilho algumas dicas para lidar com a crise existencial com mais amor do que dor.

     

    A importância dos actos aleatórios de bondade

    2 meses atrás · · 0 Comentários

    A importância dos actos aleatórios de bondade

    Neste episódio falo da importância dos actos aleatórios de bondade quer para quem os pratica quer para quem os recebe e dos seus benefícios.

    Este artigo tem como objectivo complementar o que foi abordado no Podcast. Assim, abordo conceitos retirados de diferentes pesquisas científicas para fundamentar a importâcia dos actos aleatórios de bondade e os seus benefícios.

    Porque é importante ser bondoso?

    A investigação científica sobre o tema da bondade é cada vez mais abundante. Os actos aleatórios de bondade têm se revelado determinantes na melhoria do bem-estar e da saúde. Por outras palavras, a ciência tem demonstrado que ser bondoso compensa.

    A bondade parece ser um atributo inerente a qualquer ser humano. Porém, como a maioria das coisas vitais, ela é ao mesmo tempo muito simples e muito complexa. As suas múltiplas camadas podem ser exploradas extensivamente.

    A um nível básico a bondade manifesta-se através da consideração pelos outros. E todos os seres humanos apreciam a bondade, incluindo bebés e crianças. Mas a um nível mais profundo, ela revela-se benéfica para a saúde e o aumento da longevidade.

    As nossas motivações mais básicas, além da luta pela sobrevivência, são o bem-estar e a felicidade. Portanto, todos nós, seres humanos, queremos que ser tratados com bondade e gentileza. E isto está directamente relacionado não só com a nossa conscientização, mas também com a auto-consciência.

    O que diz a Ciência sobre a bondade

    Segundo o antropólogo Oliver Curry, director de investigação do Kindlab, na Universidade de Oxford, “A bondade é muito mais antiga do que a religião.” Curry refere ainda que a bondade é universal e, “a razão básica pela qual as pessoas são amáveis é porque somos animais sociais”.

    Tem surgido muita investigação sobre a importância, a longo prazo, do toque afectivo para as crianças, bem como o seu impacto nos adultos. A partir destes dados podemos perceber que a bondade não é um mero conceito. Ela é também uma realidade biológica no nosso corpo.

    Quando estudei psicologia positiva fiquei um pouco surpreendida ao descobrir que a bondade era objecto de estudo científico. Os resultados de várias pesquisas científicas referiam a importância dos actos aleatórios de bondade no aumento do bem-estar emocional. Ou seja, a bondade é importante para o aumento da felicidade, tanto do dador como do receptor. Todavia, o que me surpreendeu mais não foram os dados da pesquisa, mas o facto disso ter surpreendido os pesquisadores.

    Desde criança, eu observei essa alegria nos meus pais. No início eu não compreendia porquê. Agora percebo!

    A bondade activa diferentes partes do cérebro

    O nosso sistema nervoso está ligado de tal forma que o toque afectivo, como o toque amoroso de alguém ou a bondade, activa diferentes partes do cérebro. O toque afectuoso de alguém que percepcionamos como gentil ou amável pode fazer-nos sentir seguros, relaxados e calmos. Isso provoca a activação do nosso sistema nervoso parassimpático o que leva à libertação de serotonina e oxitocina.

    Por outro lado, se o toque vem de alguém com quem não simpatizamos, pode ser interpretado pelo nosso cérebro como uma ameaça. Em consequência, provoca uma resposta fisiológica e química completamente diferente (e menos saudável) no nosso corpo – a “resposta de fuga ou luta”. Esta activação do sistema nervoso simpático pode causar-nos stress. Isso leva à libertação de hormonas como a adrenalina e o cortisol, elevando, assim, o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea.

    Os actos aleatórios de bondade são muito poderosos

    A pesquisa ciêntífica confirma-o abundantemente. “Fazer bondade torna-nos mais felizes e ser mais feliz faz-nos praticar actos de bondade”, disse Richard Layard, professor emérito de economia na London School of Economics e autor do livro “Can We Be Happier?”

    Sonja Lyubomirsky, professora de psicologia na Universidade de Riverside na Califórnia, testou esse conceito em várias experiências ao longo de 20 anos. Ela constatou, reiteradamente, que as pessoas se sentem ainda melhor quando são bondosas para com os outros do que quando são bondosas para consigo próprias.

    “Os actos de bondade são muito poderosos”, disse Lyubomirsky.

    Numa experiência que efectuou, Lyubomirsky pediu aos participantes para praticarem três actos de bondade adicionais por semana. Ao primeiro grupo pediu que realizassem três actos de bondade para com outras pessoas. E, aos participantes de outro grupo, pediu que os realizassem para consigo mesmos. Poderiam ser pequenos gestos, como abrir uma porta para alguém, ou algo com mais impacto. Os dados demonstraram que as pessoas que foram bondosas para com os outros sentiam-se mais felizes e mais ligadas ao mundo do que as que tinham sido gentis para consigo mesmas.

    As sociedades mais bondosas são também as mais felizes

    Anat Bardi, psicóloga da Universidade de Londres que estuda sistemas de valores, realizou um estudo cujos dados revelaram que a bondade é o valor mais prezado acima de qualquer outro. Os investigadores agruparam os valores em dez categorias e perguntaram às pessoas qual o mais importante. A benevolência ou bondade, destacou-se, ultrapassando a segurança, o hedonismo, ter uma vida excitante, a criatividade, a ambição, a obediência ou a justiça.

    Bardi realizou este estudo em dezenas de outros países e obteve sempre o mesmo resultado. As pessoas tendem a valorizar mais a bondade. A bondade também ficou em 1º lugar nos países escandinavos, os mais felizes nos rankings mundiais anuais. Então, não é surpreendente que as sociedades mais bondosas sejam também as mais felizes.

    O “World Happiness Report“, um projecto desenvolvido pelas Nações Unidas, também revelou que não é a riqueza das sociedades que as torna mais felizes. A felicidade e a satisfação com a vida são mais fomentadas por factores como a confiança e o apoio social, manifestações de bondade explicitas, do que por factores económicos.

    O “World Happiness Report” de 2019 sugeria que, mais do que a riqueza, é a generosidade (ser bondoso distribuindo riqueza) que está positivamente correlacionada com a felicidade nas sociedades. Isto coincide com outros dados científicos que mostram que tendemos a sentir-nos mais recompensados quando agimos com bondade e beneficiamos os outros.

    Bondade, empatia e compaixão andam de mãos dadas

    A bondade é naturalmente influenciada pela empatia e pela compaixão. Dado que a bondade é vital para nós, tanto a nível biológico como social, devemos investir em formas de a cultivar.

    No entanto, cultivá-la apenas por nós próprios pode ser insuficiente se queremos transformar o mundo num lugar mais pacífico. Assim, é essencial ensinarmos também as crianças a desenvolver estas competências e as tendências que as sustentam.

    Isso inclui introduzir práticas de auto-cuidado e bondade tanto em casa como nas escolas para que as crianças beneficiem deste conhecimento. Só assim poderão iniciar práticas de bondade e auto-cuidado desde a mais tenra idade.

    Ensinar a bondade às crinaças pelo exemplo

    Eu referi atrás que aprendi sobre bondade, sobretudo, com a minha mãe. Ela era a personificação da generosidade e vibrava sempre que praticava o bem ou o testemunhava em alguém. Acima de tudo, ela salientava a importância de o fazer, especialmente para quem o praticava. Esse conceito ficou entranhado em mim, pelo exemplo.

    A verdade é que as crianças aprendem por modelagem, ou seja, reproduzem o que vêem os adultos fazerem. O lema “faz o que eu digo e não o que eu faço” não funciona. Logo, é preciso que tanto progenitores como educadores pratiquem o auto-cuidado e a bondade para que as crianças interiorizem, efectivamente, esses conceitos.

    E, quero aqui sublinhar dois aspectos importantes. Em primeiro lugar, o auto-cuidado é uma necessidade, não um luxo. Não se pode matar a sede a alguém com um copo vazio.

    Em segundo lugar, da mesma forma que precisamos de praticar a auto-compaixão, o mesmo se aplica a actos de bondade para connosco. A bondade para consigo mesmo é tão importante quanto para com os outros. Geralmente, somos muito céleres a nos criticarmos e depreciarmos e menos deligentes a nos valorizamos.

    Este é outro conceito importante a ensinar às crianças desde cedo. Todavia requer mudanças de comportamento nos adultos se quiserm que as crianças venham a ser adultos emocionamente equilibrados e felizes.

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    O que é autoconhecimento Emocional

    3 meses atrás · · 0 Comentários

    O que é autoconhecimento Emocional

    O autoconhecimento emocional diz respeito à autoconsciência de si e dos seus pensamentos. À capacidade de reconhecer as suas próprias emoções, atitudes e sentimentos quando estes ocorrem.

    O autodomínio é uma virtude fundamental

    Sem autoconhecimento, não temos domínio sobre nós mesmos. Sobretudo, temos dificuldade em sentir empatia e em estabelecer conexão com os outros.

    O filósofo chinês Lao Tsé já dizia há milhares de anos: “Aquele que conhece os outros é avisado, o homem que se conhece a si próprio é sábio”. Ou seja, para ter autodomínio é fundamental ter capacidade para identificar o que sente, reconhecer as suas forças e limitações e confiar nas suas capacidades e no seu valor próprio. O autodomínio é o que na linguagem popular se designa por maturidade e o cristianismo eleva ao lugar de virtude fundamental, a temperança.

    Por tudo o que tenho aprendido e investigado sobre emoções, estou convencida de que o ponto de partida para o verdadeiro autoconhecimento é o nosso universo emocional. Contudo, a maioria de nós apenas tem um vago conhecimento desse seu universo. Consequentemente, o conhecimento de si mesmo fica-se apenas pelo limiar do que poderia e deveria ser.

    O Autoconhecimento começa no interior

    A autoconsciência consiste em estar atento às nossas identidades. Às experiências vividas e como elas se relacionam com as de outras pessoas à nossa volta. Ainda nos falta trilhar um longo caminho (eu incluída) até conseguirmos conhecer as nossas emoções com precisão. Ou seja, precisamos de fazer esse investimento em nós mesmos, para nosso bem e de todos à nossa volta.

    Sei que não é fácil, mas existem algumas opções simples para começar.

    Como praticar activamente o autoconhecimento

    Neste tópico vou abordar algumas dicas para promover intencionalmente o autoconhecimento emocional.

    1. Reconexão. A reconexão deve ser sempre o ponto de partida porque aumenta a nossa atenção. Refugie-se por algum tempo, longe de distrações físicas, sonoras, digitais, etc. e preste atenção ao seu mundo interior. Depois disso, observe. O que está a sentir, o que diz a si mesma? Anote o que observa.
    2. Prática de Meditação Mindfulness. A atenção plena é a chave para a autoconsciência. A prática da atenção plena, consite em focar a atenção em algo específico – pode ser a respiração, os pensamentos através dos cinco sentidos.
    3. Prática da escuta empática. Ouvir não é o mesmo que escutar. Escutar é estar presente e prestar atenção às emoções e à linguagem verbal e não verbal das outras pessoas. Acima de tudo, quando se tornar uma boa ouvinte, também ouvirá melhor a sua própria voz interior e tornar-se-á a melhor amiga de si mesma.
    4. Manter um diário. Escrever ajuda-nos, não só a processar os nossos pensamentos, mas também faz-nos sentir conectados e em paz connosco mesmos. Além disso, há evidência ciêntifica abundante de que escrever as coisas pelas quais somos gratos, ou até coisas com as quais nos debatemos, ajuda a aumentar a felicidade e a satisfação.

    Experimente – dedique uma hora no fim de semana a praticar estas dicas. Poderá se surpreender com o que descobre!

    10 questões às quais precisa de responder se deseja conhecer-se melhor emocionalmente

    Assim, para terminar, deixo-lhe um pouco de auto-coaching para explorar um pouco mais o seu mundo interno. Por exemplo, passe algum tempo consigo mesma todos os dias. Por exemplo, escreva, medite e conecte-se consigo mesma – no início da manhã ou meia hora antes de dormir.

    1. Quem sou eu em essência?
    2. Quais são os meus sentimentos, emoções, medos e motivações?
    3. Do que gosto e não gosto?
    4. Com quem me identifico?
    5. Qual a frase que melhor me define?
    6. Quais os meus maiores receios?
    7. Quais são os meus maiores sonhos?
    8. O que me faz sentir-se pleno e realizada/o?
    9. Quais os meus pontos fortes e pontos de melhoria?
    10. Do que me posso orgulhar?

    Portanto, o processo de autoconhecimento é fundamental para não permanecermos em piloto automático. Em primeiro lugar, a partir do momento em que comece a reflectir sobre os seus valores e crenças poderá descobrir o que levou a agir de determinada maneira. Depois, a partir dessas descobertas, é possível modificar-se padrões de comportamento.

    Em conclusão, ser autoconsciente é crucial, sobre todos os aspectos, para se estar ciente dos pensamentos e emoções que se está a sentir em cada momento, para agir em vez de reagir. A autoconsciência promove a resiliência!

    Se gostou do artigo, deixe o seu comentário abaixo. Eu adoraria saber de que forma este artigo contribuiu para se conhecer melhor. Além disso, gosto de saber se o que escrevo vai de encontro às necessidades de quem lê.

    Por fim, se sentir que esta informação pode ser útil para alguém que conheça, por favor partilhe. Acima de tudo, acredito que o conhecimento só é útil quando utilizado.

     

    O papel da negação no processo de luto

    5 meses atrás · · 0 Comentários

    O papel da negação no processo de luto

    A negação tem má reputação, mas ela desempenha um papel crucial no processo de luto ou em situações dolorosas. Precisamos dela para prevenir que sejamos derrubados pelos golpes baixos da realidade das nossas vidas e para entorpecer a dor da verificação das nossas perdas. Qual bálsamo anestésico, numa situação de luto, a negação segura as nossas mãos, fica cara a cara connosco e faz-nos voltar as costas à nossa dor dizendo: “Não olhes para lá, olha para mim”.

    A negação tem um papel protector, quando a realidade é demasiado avassaladora para ser assimilada pelo coração. A mente recebe informação organiza-a em factos e registos sonoros, faz listas de prós e contras, e guarda nos arquivos próprios. Para muitos, a experiência da perda não se limita apenas ao desaparecimento físico de uma pessoa próxima. O luto também é vivido na perda de um emprego, de uma relação, de uma vida que fora planeada.

    As cenas das nossas vidas são esboçadas como se fossem desenhos de ligar por números para assinalar imagens decifráveis. Mas alguns factos são demasiado avassaladores para serem retidos, demasiado terríveis para serem apreendidos, demasiado desoladores para serem aceites.

    O coração não acredita em tudo o que a mente lhe diz

    A mente sabe porque estava lá, ouviu as palavras que foram ditas, mas o coração recusa-se a acreditar. Ela até pode saber porque testemunhou o que aconteceu, mas o coração, pelo menos no início, não acredita em tudo o que a mente lhe diz. A mente tenta fazer chegar a informação, mas o coração bloqueia-a e diz à mente: “Pára, isso não pode ser!” Nestas situações, a negação pode ser o mediador.

    A nossa mente vê, assimila e até pode saber que a situação é má, que o nosso ente querido está a morrer, que pode não haver opções razoáveis, mas a negação sabe que são demasiadas coisas para o coração suportar tudo ao mesmo tempo. O luto, apesar de ser um processo natural da existência humana, é demasiado duro para aceitar e excessivamente doloroso de assimilar. É uma crise que desorganiza a vida e provoca grande desequilíbrio nas rotinas diárias. Assim, a negação passa a mensagem da mente para o coração em pequenas doses. Gentilmente, a realidade da situação vai sendo revelada devagar, pouco a pouco, tornando-se cada vez mais clara para o coração. E mesmo que a negação abrande a transmissão da mensagem e modere a sua descarga, mesmo assim pode parecer devastador para o coração.

    Eventualmente, a mente e o coração encontram-se e sentam-se juntos a chorar

    Com o tempo, ela desloca-se. Ainda a segurar as nossas mãos, move-se um pouco para que tenhamos vislumbres dos destroços das nossas vidas, dos nossos sonhos desfeitos. Uma fracção de cada vez que, mesmo assim, parece demasiado, dói muito. A negação continua a sair da nossa linha de visão por períodos cada vez mais longos à medida que absorvemos cada vez mais os factos que as nossas mentes têm de mostrar aos nossos corações. Eventualmente, a negação mantém-se de mãos dadas ao nosso lado enquanto olhamos para o que perdemos. E, a dado momento apercebemo-nos que a nossa mão está vazia e que a negação desapareceu. A nossa mente e o nosso coração estão sentados juntos a chorar.

    A mente e o coração compõem uma história

    A vida não pára depois de uma perda ou de um acontecimento catastrófico. E nós também não paramos de crescer e de nos desenvolver enquanto pessoas. Juntos, a mente e o coração compõem uma história e procuram obter o maior sentido possível do que, inicialmente, parece inconcebível. A história é um misto de factos e crenças. Por vezes as nossas histórias têm tantas versões quantas as que são recontadas, porque as emoções são indissociáveis das narrativas e o trilho da mente para o coração é estreito.

    Se houvesse uma ligação directa da mente ao coração talvez a vida fosse mais simples. Talvez a vida fizesse mais sentido, mas por qualquer razão que desconheço, simplesmente não é assim. Após a perda percorremos um longo caminho com muitas curvas, contracurvas e obstáculos, até chegarmos àquele pequeno reduto chamado aceitação. Chegamos lá de braço dado com a mente e o coração. Aí, a negação mantém-se à distância (se a vemos de todo), à medida que damos o primeiro passo hesitante na sua direcção.

    Aceitação da perda

    Por vezes ficamos com um pé dentro e outro fora. Mesmo quando tentamos sentar-nos com a dor, no início, podemos não conseguir. E pode demorar algum tempo até percebermos que é correcto sentarmo-nos com ela. Com o coração pesado e a mente agoniada, acabamos por nos ajustar. A vida não é estática, e como tal, irão acontecer sempre situações que fogem ao nosso controle.

    As perdas são uma circunstância da vida e, com o passar do tempo, elas vão-se somando. Se tivermos a sorte de viver muito tempo, faremos esta jornada várias vezes. Esse caminho virá a se tornar conhecido e, embora possamos tornar-nos viajantes mais experientes e mais sábios, nunca será uma jornada sem dor. Felizmente, a mente, o coração e a negação impedir-nos-ão de caminhar sempre sozinhos.

    A aceitação é um meio de alcançar a paz de espirito suficiente para perspectivar um caminho. Por isso, foque-se no amor, o caminho faz-se caminhando.

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    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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