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    Como podemos viver uma vida mais corajosa

    3 semanas atrás ··0 Comentários

    Como podemos viver uma vida mais corajosa

    A coragem é uma virtude universalmente admirada. Em todas as culturas, as pessoas corajosas são aquelas que, ao longo do tempo se tornam os heróis das gerações vindouras. Mas a verdade é que todos nós podemos escolher viver uma vida mais corajosa. Com todos os desafios que muitos de nós temos enfrentado recentemente, (e continuaremos a enfrentar no futuro próximo), a coragem é a virtude na ordem do dia.

    O que é coragem?

    A maioria dos filósofos e psicólogos concorda que a coragem envolve persistência face ao perigo ou a adversidade. Alguns dizem que coragem é sinónimo de destemor, enquanto outros sugerem que a presença ou a ausência de medo nada tem a ver com coragem.

    O psicólogo S. J. Rachman (2010) entrou neste debate com uma definição de coragem que tem em conta três componentes do medo:

    • o sentimento subjectivo de apreensão
    • a reacção fisiológica ao medo (por exemplo, aumento do ritmo cardíaco)
    • a resposta comportamental ao medo (por exemplo, um esforço para escapar à situação de medo).

    Já Mark Twain, observador atento do comportamento humano, referiu que: “Coragem é resiliência ao medo, domínio do medo, não ausência de medo.” Ou seja, quaisquer se sejam as circunstâncias que nos ponham à prova, com a coragem o medo deve ser superado.

    Diferentes tipos de coragem para diferentes tipos de medo

    O medo assume muitas formas: medo da perda do emprego, da pobreza, de perder amigos, de ser criticado, de perder estatuto, de fazer inimigos (ara citar apenas alguns medos humanos), e pode invocar a coragem moral. A coragem moral permite que a pessoa faça o que acredita ser correcto, apesar do medo das consequências.

    Da mesma forma que há muitas variações do medo, há muitas dimensões de coragem moral, desde a coragem social representada pela Madre Teresa de Calcutá e Gandhi até à coragem política (embora pouco frequentemente), representada por dirigentes eleitos como Barack Obama. As oportunidades para agir com coragem moral são inúmeras, e os medos que exigem coragem moral são tão diversos como as próprias pessoas.

    Como enfrentar o medo

    Então, se a coragem não é a ausência de medo, como é que as pessoas corajosas conseguem enfrentá-lo? As pessoas corajosas sentem medo, mas são capazes de gerir e superar o seu medo de modo a que ele não as impeça de agir. Com frequência, elas usam o medo para se certificarem de que não estão demasiado confiantes e que tomam as medidas adequadas. Elas treinam a sua resposta emocional ao medo, de modo a conseguirem geri-lo em vez de serem dominadas por ele.

    Para enfrentar o seu medo e colocar a coragem em acção faça a si mesma as seguintes perguntas:

    • Do que tenho realmente medo? Faz sentido ter medo disto?
    • Este medo é apropriado ou, racionalmente, devo ter menos ou mais medo?
    • Que mal pode esta coisa realmente fazer a mim ou a outros?
    • Quais são as coisas que podem acontecer como resultado das minhas acções e/ou inacções?
    • Qual a pior coisa que poderia acontecer em resultado das minhas acções e/ou inacções?
    • Quais são os riscos para mim e para os outros?

    A coragem dá-nos a força para avaliar uma resposta emocional (medo) e agir de forma correcta e racional (auto-regulação ou canalização emocional) realizando as acções que a emoção pede (como ensino no Programa Domine as Emoções).

    Os Benefícios da Coragem

    A coragem ajuda-nos a realizar coisas ‘extraordinárias’. Agir corajosamente geralmente faz-nos sentir bem, porque implica dominar as emoções em vez de sermos dominadas por elas.

    Em vez de encarar o medo como mau e tentar livrar-se dele quando surge, pode escolher aceitar o medo como parte do processo de mudança e praticar a coragem. Esta escolha pode ajudá-la a sentir-se mais resiliente emocionalmente à medida que faz mudanças na sua vida ou persegue os seus sonhos.

    Apesar da coragem ser frequentemente considerada um traço de carácter inato, na realidade ela é uma forma de ser que pode ser aprendida e praticada para lidar com as adversidades. O próprio facto de valorizarmos a coragem diz-nos que se trata de algo importante para o ser humano. A coragem, conforme ensino no meu Programa de Resiliência Emocional e Coragem é algo que se cultiva e exercita como um músculo, e que nos ajuda agir, a nos protegermos das ameaças, ou de quem age de uma forma errada.

    Como construir coragem

    Normalmente, pensamos nos hábitos como acções, como escovar os dentes ou fazer exercício físico. Contudo, os hábitos também consistem nas nossas respostas comportamentais a diferentes emoções. Para muitas pessoas, as respostas baseadas no medo são a resposta natural e habitual à adversidade. Isso deve-se ao facto dos nossos cérebros tenderem a procurar a forma mais rápida e eficiente de aliviar o stress quando o sentimos. Ou seja, confiamos em estratégias que nos proporcionaram alívio do stress a curto prazo no passado, como a procrastinação em resposta a sentimentos de dúvida sobre si mesmo, ou o perfeccionismo (o que acaba por levar à auto-sabotagem e ao esgotamento).

    Viver corajosamente implica, em primeiro lugar, olharmos para o nosso medo; em segundo lugar, reconhecermos as nossas dúvidas e hesitações, incluindo as vozes críticas interiores que são difíceis de encarar – e, por fim, olhamos para o que fazemos bem. Com base na investigação sobre a formação de hábitos e a redução do stress – e o meu próprio trabalho com clientes que enfrentam o medo – descobri quatro estratégias úteis para lidar com o medo e se aproximar da coragem.

    Estratégias para agir corajosamente:

    1. Aceder ao corpo – prestar atenção às sensações no corpo
    2. Ouvir sem se evolver – ouvir o criticismo interno sem tomar partido, como se fosse um observador
    3. Reformular histórias limitadoras – questionar a validade das histírias que conta a si mesma e ajustá-las à realidade
    4. Criar uma comunidade de apoio – procurar ajuda de um profissional ou o apoio de alguém em quem confia

    Conclusão

    Talvez este seja um momento de encruzilhada na jornada da sua vida ou apenas de uma pequena transição. Ao viver a vida com mais coragem, será mais provável que faça as mudanças que a levarão a uma maior realização. A realização provém mais de mudanças subtis e menos de fazermos grandes transformações que acabam por se revelar demasiado avassaladoras e ficam pelo caminho. Quer se trate de iniciar uma nova relação, um novo trabalho, ou de ajudar a tornar o mundo num lugar melhor, precisamos de coragem. Ao criarmos pequenos hábitos que nos aproximam, a pouco e pouco, de quem queremos realmente ser, sem darmos por isso, chegamos a onde sempre quisemos chegar…

    Viver corajosamente é um hábito como qualquer outro, só precisa de empenho, motivação, sentido e prática!

    Encontre o hábito corajoso que quer implementar, motive-se com cada passo que dá, empenhe-se, pratique regularmente e, acima de tudo, não desista!

    7 dicas para ser mais optimista

    2 meses atrás ··0 Comentários

    7 dicas para ser mais optimista

    Apesar de vários estudos já terem demonstrado que os optimistas gozam de melhor saúde, um estudo recente sugere que uma mudança de perspectiva, de negativo para mais positivo, pode impulsionar directamente o sistema imunitário. E se há uma fase da nossa vida em que precisamos quer o sistema nervoso quer o imunitário fortes, este é o momento! Neste artigo sugiro 7 dicas para poder ser mais optimista.

    Há esperança para aqueles que vêem o copo meio vazio.

    O optimismo é uma das variáveis da resiliência estudadas pela psicologia positiva, conforme referi no episódio nº 4 do podcast.

    Um estudo realizado por Suzanne Segerstrom, uma investigadora da Universidade do Kentucky, com 124 estudantes do primeiro ano de direito, revelou que o optimismo tinha influência no sistema imunológico.

    Os estudantes foram testados em cinco períodos diferentes do ano académico, para avliar a sua perspectiva psicológica, incluindo os níveis de optimismo e fizeram também um teste fisiológico especial que media a capacidade do seu sistema imunitário para combater infecções virais e algumas infecções bacterianas.

    O optimismo tem influência no sistema imunológico

    Os dados monstraram que quando os estudantes não tinham qualquer informação sobre o seu desempenho académico, como no início do semestre, os seus níveis de optimismo sobre as suas perspectivas académicas estavam de acordo com a sua disposição geral. No entanto, as quando as notas da turma eram divulgadas, o seu optimismo tinha uma correlação com o seu desempenho real.

    As mudanças no optimismo dos alunos foram igualmente acompanhadas por mudanças no seu sistema imunitário: à medida que o optimismo melhorava, o funcionamento do seu sistema imunitário também melhorava ; quando o optimismo diminuía, também diminuía o funcionamento do sistema imunitário.

    Estes resultados são muito importantes porque sugerem que as intervenções psicológicas para diminuir o pessimismo e aumentar o optimismo podem ser utilizadas para melhorar a saúde. Assim, mudar a visão geral da vida para se ser mais optimista poderia trazer ainda maiores benefícios para a saúde e imunidade, como a resistência às doenças virais e ao cancro.

    Podemos mudar a nossa mentalidade para sermos mais optimistas e mais felizes.

    Há cerca de duas décadas atrás, a minha família e eu, íamos a caminho da Serra da Estrela e, na zona da Covilhã, a estrada que leva à Torre tinha sido encerrada, devido a uma prova de atletismo que estava a decorrer, e o transito estava a ser desviado para uma estrada rural. Entrámos nessa estrada conforme nos indicaram e, quando demos por ela, a estrada tinha dando lugar a um autêntico caminho de cabras com valas e pedregulhos enormes. Eu entrei imediatamente em pânico. Preocupava-me que se espatifássemos o carro e ficássemos ali presos durante horas à espera de um reboque, e que o nosso fim-de-semana ficasse totalmente arruinado devido a algum problema com o carro.

    Enquanto o meu marido tentava encontrar forma de conduzir sem caír em nenhuma vala nem bater com o fundo do carro em algum pedregulho, como ele já sabe como eu sou, apercebeu-se das minhas inúmeras preocupações. Então, ele olhou para mim com ar calmo e disse: “Sai e vai me dizendo para onde virar para não meter nenhum pneu dentro de alguma vala”. Ele foi manobrando o carro de acordo com as minhas indicações de modo e, em breve estávamos de novo em estrada boa a caminho da serra.

    Esta história ilustra um princípio importante: algumas pessoas acham mais fácil adoptar uma atitude positiva do que outras, o que influencia a forma como respondem aos contratempos da vida. Enquanto eu via os pedregulhos e as valas como um grande problema, o meu marido via-os como um pequeno inconveniente. A sua mentalidade mais positivamanteve-o calmo e permitiu-lhe tomar as medidas adequadas. A minha visão pessimista levou-me simplesmente a sofrer e a sentir-me desamparada e impotente.

    O optimismo beneficia a saúde

    Esta diferença na forma como percebemos e respondemos aos acontecimentos e desafios da nossa vida é importante para a nossa felicidade e saúde. Quando temos uma mentalidade mais optimista, somos mais capazes de amortecer os efeitos comuns dos factores de stress da vida quotidiana e ainda nos sentirmos felizes.

    Segundo estudo realizado pela equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, liderada por Lewina O. Lee, verificou-se que o optimismo é saudável para nós. O estudo concluíu que as pessoas com idades compreendidas entre os 40 e os 90 anos tendem a viver mais tempo se forem mais optimistas. Apesar de outros factores, como a sua dieta, o consumo de tabaco e álcool, a pressão no trabalho e as suas condições de saúde, os optimistas têm maior esperança de vida.

    A boa notícia para aqueles de nós que têm dificuldade em encontrar o lado bom das coisas é que as nossas mentalidades podem mudar. Podemos mudar a nossa atitude num sentido mais optimista, qualquer que seja a nossa inclinação natural, com tempo, energia e empenho.

    Seguidamente vou partilhar 7 estratégias baseadas em investigação científica para se tornar mais optimista.

    1. Reenquadre os factores de stress

    O stress é inevitável. Quase todos nós enfrentamos diariamente longas filas de transito, ou lidamos com pessoas irritantes ou temos listas intermináveis de afazeres. E, embora não possamos eliminar todo o stress, podemos escolher como pensamos sobre os desafios que enfrentamos e adoptar uma mentalidade nova e mais positiva acerca deles.

    É claro que algumas pessoas optimistas parecem fazer isto naturalmente. (Sorte a delas!) Passam a vida a ver facilmente o lado positivo nas coisas irritantes e nos acontecimentos aborrecidos, o que ajuda a proteger o seu estado de espírito. Se fazer o reenquadramento positivo não for algo natural para si, comece por tentar se concentrar no que há de bom nos factores de stress da sua vida diária, em vez de se focar no que eles têm de mau. Por exemplo, se estiver preso num engarrafamento no trânsito, use esse tempo para olhar pela janela, reparar na natureza e contemplar a sua beleza.

    Eis alguns exemplos de como pode transformar um revés em algo positivo:

    Está preso numa fila qualquer? Utilize o tempo livre inesperado para telefonar a um amigo ou familiar.

    Foi preterido numa promoção? Isto pode significar que esta é a altura perfeita para melhorar o seu currículo ou explorar outras opções de carreira – talvez ainda mais satisfatórias.

    Não tem planos para a noite de Fim de Ano? Aproveite para se aconchegar confortavelmente em frente à televisão e veja as festividades no sossego do seu lar, ou talvez queira começar já uma resolução de Ano Novo e planear as acções das primeiras semanas ou mês.

    Podemos não controlar o que a vida nos traz, mas todos temos o poder de reenquadrar eventos difíceiscomo desafios a serem ultrapassados, em vez de calamidades.

     

    2. Pratique a autocompaixão

    Algumas pessoas têm uma tendência para se baterem quando as coisas não seguem o rumo desejado, o que, não surpreendentemente, não as faz sentir-se melhor. Para mudar a nossa mentalidade numa direcção mais positiva, podemos simplesmente fazer uma pausa e tratar-nos com amabilidade, da mesma forma que trataríamos um amigo próximo que estivesse a passar por dificuldades. (Eu até costumo dizer às minhas clientes para imaginarem que estão a falar assim para uma criança pequena, com os olhos rasos de água… A perspectiva muda, não?)

    As pessoas que praticam a autocompaixão têm menos probabilidades de se culparem quando acontecem coisas más, o que funciona a seu favor. São menos ansiosas e deprimidas e, de um modo geral, sentem-se mais felizes e mais optimistas em relação ao futuro. Por exemplo, as pessoas que sofrem desaires como a perda de um emprego e que têm mais auto-compaixão durante essa difícil transição de vida estão mais empenhadas e motivadas em abrilhantar o seu curriculum e em procurar um novo trabalho – talvez porque se sentem mais ligadas a outras pessoas nas suas vidas e mais capazes de lidar melhor com os desafios que a vida apresenta.

    Por isso, quando lhe acontecerem coisas más, conceda-se alguma folga. Perdoe-se, seja gentil consigo mesma/o, e trate-se com carinho e compaixão.

     

    3. Deixe ir

    Para além de se culparem por contratempos, as pessoas também podem cair na armadilha de ruminar sobre maus acontecimentosmuito depois de terem terminado. Em vez de aceitarem o que aconteceu e seguirem em frente, ficam presas nos seus sentimentos negativos e, para piorar a situação, batem-se por se sentirem mal!

    As pessoas que se criticam por terem pensamentos e sentimentos negativos têm níveis de stress e ansiedade mais elevados, e níveis mais baixos de bem-estar psicológico e satisfação com a vida. Isto porque quando se culpam pelos seus sentimentos, criam um ciclo vicioso, onde a ruminação conduz a maus sentimentos que levam a mais ruminações.

    Se der por si a ruminar sobre uma contenda com um amigo, uma situação difícil no trabalho, ou o estado actual da economia, tente uma nova abordagem. Identifique e deixe de resistir a estes pensamentos e sentimentos negativos. Depois liberte-os. Por exemplo, pode pensar: “Estou a sentir-me só”, ou “O meu trabalho não está a correr bem”, ou “Estou frustrado neste momento com a nossa economia”. Nomear e aceitar as suas emoções e pensamentos negativos vai ajudá-la/o a não se agarrar a eles com tanta força e vai abrir o caminho para uma atitude e resposta mais positiva.

     

    4. Evite comparações

    As pessoas felizes não precisam de fazer comparações sociais. Em vez disso, focam-se nos seus pontos fortes – uma boa forma de aumentar o optimismo e o bem-estar.

    Apesar de sermos consideravelmente diferentes uns dos outros, aqueles de nós propensos a ter uma mentalidade mais negativa, tendem a se envolver em comparações sociais que têm dificuldade em evitar, particularmente nas redes sociais. A maioria das pessoas publica apenas as partes boas das suas vidas – crianças felizes, famílias bem sucedidas, férias fabulosas, carreiras impressionantes – o que nos pode levar a acreditar que as nossas próprias vidas não estão à altura.

    Pode ser por isso que muitas pessoas acreditem que experienciam mais eventos negativos (por exemplo, mais dificuldades) e menos eventos positivos (por exemplo, férias divertidas) do que os seus pares, o que as torna amargas e insatisfeitas com a vida. Em contraste, as pessoas que acreditam no seu valor, que se apoiam nas suas forças de carácter tendem a ser mais felizes do que os seus pares.

    Se der por si numa armadilha de comparação, tente largar o seu hábito de navegar nas redes sociais, ou pelo menos mudar a forma como pensa sobre os retratos demasiado positivos que aí encontra. Em vez de se sentir triste com a forma como a sua vida não está à altura dessas imagens, concentre-se nas coisas muito reais que são boas na sua vida – por exemplo, o meu filho não vai ser o melhor aluno, mas tem um excelente grupo de amigos; a minha família não vai passar duas semanas no Havai, mas somos muito unidos e apoiamo-nos mutuamente.

     

    5. Pratique a gratidão

    Um artigo publicado em 2014 no Journal of Happiness Studies, divulgou que poderia haver uma forma de transformar estados emocionais de pessoas vulneráveis sem intervenção clínica. Os investigadores reuniram 48 pessoas que estavam em lista de espera para psicoterapia, que reportavam problemas que iam desde a depressão e ansiedade até ao abuso de substâncias e distúrbios alimentares. Os participantes foram distribuídos por de três grupos:

    Aos do primeiro grupo, foi-lhes pedido que mantivessem um diário de gratidão. As instruções referiam o seguinte: “Há muitas coisas nas nossas vidas, tanto grandes como pequenas, pelas quais podemos estar gratos”. “Pense no dia de ontem e escreva até cinco coisas na sua vida pelas quais está grato ou reconhecido”.

    O segundo grupo recebeu as seguintes instruções: “Os actos de bondade são comportamentos que beneficiam outras pessoas ou que fazem os outros felizes. Envolvem normalmente algum esforço da nossa parte. Não se esqueça de incluir pelo menos um acto bondoso que tenha feito intencionalmente”. Tal como ao primeiro grupo, também lhes foi pedido que relatassem os seus estados de espírito em cada dia no seu diário sobre bondade.

    O terceiro grupo – que actuou como grupo de controlo – foi convidado a escrever sobre o seu estado de espírito diário, registando as suas expectativas para o dia seguinte, o seu sentido de conexão com os outros, e a sua satisfação geral com a vida.

    Os dados da pesquisa revelaram que as pessoas do grupo de gratidão relataram sentir-se mais gratas no final das duas semanas do estudo, mas as do grupo da bondade não obtiveram o mesmo tipo de benefício. Ou seja, aqueles que contaram as suas gentilezas não se sentiram mais bondosos por causa disso, sugerindo que a gratidão pode ser cultivada neste curto espaço de tempo, mas a bondade não.

    Apesar desta assimetria, os grupos de bondade e gratidão mostraram melhorias mensuráveis em relação àqueles que simplesmente monitorizaram o seu estado de espírito. Ou seja, os dois grupos desfrutaram de uma maior percentagem de dias felizes, onde se sentiram optimistas e esperavam o melhor. Sentiam-se também mais satisfeitos com as suas vidas, que encaravam como mais significativas, e sentiam-se cada dia mais ligados aos outros.

    Todos estes resultados positivos – este aumento do sentimento de conexão, maior satisfação com a vida quotidiana, optimismo, e redução da ansiedade – abordaram de alguma forma os problemas que qualificaram os participantes para o estudo, em primeiro lugar. (Lembrem-se, todos eles estavam clinicamente angustiados e à procura de terapia que tardava em chegar).

    Portanto, estes resultados sugerem que esta breve intervenção – que durou apenas duas semanas – não aumentou só os sentimentos de gratidão, mas fez com que as pessoas se sentissem mais felizes, mais ligadas e mais significativas – fazendo parcialmente o trabalho para o qual a terapia foi concebida.

     

    6. Descubra algum humor

    É possível encontrar algum humor em praticamente qualquer situação e, fazer um esforço para isso, pode contribuir para, posteriormente, adoptar uma mentalidade mais positiva.

    Lembro-me de um episódio em que estávamos desertinhos por ir para casa porque, além do cansaço, a hora de as deitar as crianças (que ainda eram pequenas) já tinha passado há muito. Todavia, quando chegámos ao carro tinhamos dois carros, um à frente e outro atrás, a bloqueá-lo. No entanto, vimos que havia pessoas dentro do carro que estava parado atrás por isso entrámos no nosso carro e esperámos.

    Como o condutor nos ignorou, o meu marido saiu e dirigiu-se ao lado do condutor para lhe pedir que afastasse o carro para podermos sair. Resposta do condutor: Vá chamar o que estacionou à frente porque eu já aqui estava parado quando ele chegou. O meu marido regressou ao carro e sentou-se à espera. Quando lhe perguntei o que se passara ele respondeu simplesmente: para a próxima vai ser melhor levar um ramo de rosas! E contou-me a resposta que o homem lhe tinha dado. Eu fiquei perplexa! Mas a verdade é que a mudança de perspectiva do meu marido, em vez de fazer a irritação escalar, fez-nos rir e descontrair enquanto esperávamos que sua excelência afastasse o carro.

    Encontrar humor ajuda as pessoas a lidarem com as pequenas irritações da vida quotidiana, mas é particularmente importante para lidar com circunstâncias sérias da vida. Por exemplo, um estudo realizado com pessoas com fibromialgia (uma condição crónica e debilitante marcada por dores corporais generalizadas) que contavam com o sorriso e o riso para lidar com pequenos factores de stress da vida quotidiana – como um empregado de mesa a derramar água sobre si – reportaram níveis mais baixos de angústia psicológica e menos sintomas físicos. Esta capacidade de dar passos em frente reduz o stress e os seus efeitos negativos no bem-estar físico e psicológico.

    Assim, da próxima vez que se encontrar numa situação frustrante ou difícil, experimente o humor. Lembre-se de que esta situação irá provavelmente contribuir para uma boa história mais tarde, e procure criar uma piada sobre ela. Diga que está despedido; ou imagine a forma mais absurda de passar o seu último dia, ou o trabalho mais ridículo que poderia fazer a seguir como engraxador de sapatos ou ser escultura viva para pombos. Permitir-se experimentar o humor pode trazer-lhe vantagens.

    Se este tipo de mentalidade positiva não lhe surge naturalmente, não desespere. Procure encontrar alguém que seja um modelo a seguir e o possa ajudar a cultivar esta habilidade. Lembra-se do ramo de rosas? Ainda hoje nos rimos dessa história.

    7. Pratique o Melhor Eu Futuro Possível

    Tenho estudado a investigação de Charles R. Snyder sobre esperança, a investigação de Brené Brown sobre coragem e a intervenção de Laura King sobre o “Melhor Eu Futuro Possível” e, no seu conjunto, este corpo de pesquisa representa um quadro mais amplo e ligeiramente diferente de optimismo. O optimismo, a esperança, a coragem e a confiança são todas emoções positivas sobre o futuro. Mas, apesar de, geralmente, os investigadores verem a esperança apenas como um conjunto de competências e não como uma emoção, para mim, elas são tanto sentimentos como competências.

    Na minha perspectiva, o que mais importa não são as definições exactas destas emoções, ou as diferenças subtis entre algumas delas (como entre esperança e optimismo, por exemplo). O que importa é termos a confiança, a esperança e a coragem que é preciso para irmos atrás dos nossos sonhos e concretizar os nossos objectivos.

    É aqui que entra o exercício “O Melhor Eu Futuro Possível”. A investigação tem demonstrado repetidamente que este exercício – que é uma forma de praticar o optimismo – nos deixa mais felizes e optimistas.

    Em essência os investigadores colocam as pessoas a escrever durante 15 a 20 minutos sobre o seu “melhor eu futuro possível”.

    O poder deste exercício vem de (1) colocar as pessoas a imaginar e (2) a dissertarem sobre os seus sonhos para si próprias. Estas duas coisas são realmente importantes e ambas exigem prática.

    Encontra as indicações para realizar este exercício no final do episódio do podcast.

    Sonja Lyubomirsky, argumenta que parte do poder deste exercício provém do processo de escrita e sugere que as pessoas que obtêm o maior impulso de felicidade com este exercício são aquelas que o acham mais interessante, desafiador e significativo – e continuam a tentar imaginar o seu “melhor futuro possível”.

    Daquilo que é a minha experiência, tenho colhido benefícios de ambas as formas (imaginar apenas ou colocar no papel o que imagino).

    Conclusão

    Em conclusão, vimos que o optimismo é uma característica psicológica caracterizada pela crença de que o futuro será mais risonho ou mais favorável porque há factores que podemos controlar. Também referi vários estudos científicos que demonstraram que ser optimista beneficia a nossa saúde física, mental, emocional e espiritual. E, por último, mas não menos importante, o optimismo é algo que pode ser alcançado por qualquer pessoa que esteja disposta a praticá-lo.

    Então, escolha uma das 7 sugestões acima (ou procure outras no Google, por exemplo) e comece a exercitar o seu optimismo. Garanto que irá sentir as diferenças em poucas semanas e, as pessoas á sua volta também.

    Tenho utilizado estas estratégias na minha própria vida e, embora a minha inclinação natural não seja ver o lado luminoso das coisas, agora sinto que é cada vez mais fácil mudar o meu pensamento de formas que me deixam mais feliz. Adoptar este tipo de visão mais optimista do mundo levou o seu tempo, energia e esforço, mas valeu realmente a pena. Estas mudanças têm me ajudado a sentir mais feliz.

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    Autoconhecimento Emocional

    3 meses atrás ··0 Comentários

    Autoconhecimento Emocional

    O autoconhecimento emocional diz respeito à autoconsciência de si e dos seus pensamentos, e à capacidade de reconhecer as próprias emoções, atitudes e sentimentos quando estes ocorrem. Sem autoconhecimento, não temos domínio sobre nós mesmos, temos dificuldade em ter empatia e em estabelecer conexão com os outros.

    O filósofo chinês Lao Tsé já dizia há milhares de anos: “Aquele que conhece os outros é avisado, o homem que se conhece a si próprio é sábio”. Para ter autodomínio é fundamental ter capacidade para identificar o que sente, reconhecer as suas forças e limitações e confiar nas suas capacidades e no seu valor próprio. O autodomínio é o que na linguagem popular se designa por maturidade e o cristianismo eleva ao lugar de virtude fundamental, a temperança.

    Por tudo o que tenho aprendido e investigado sobre emoções, estou convicta que o ponto de partida para o verdadeiro autoconhecimento é o nosso universo emocional. A questão é que a maioria de nós apenas tem um vago conhecimento desse seu universo. Consequentemente, o conhecimento de si mesmo fica-se apenas pelo limiar do que poderia e deveria ser.

    O Autoconhecimento começa no interior

    A autoconsciência consiste em estar atento às nossas identidades e experiências vividas e como elas se relacionam com as de outras pessoas à nossa volta. Sei que à maioria de nós, eu incluída, ainda nos falta trilhar um longo caminho até conseguirmos conhecer as nossas emoções com precisão. Mas precisamos de continuar a fazer esse investimento em nós mesmos, para nosso bem e de todos à nossa volta.

    Sei que não é fácil, mas existem algumas opções simples para começar.

    1. Reconexão: A reconexão deve ser sempre o ponto de partida porque aumenta a nossa atenção. Refugie-se por algum tempo, longe de distrações físicas, sonoras, digitais, etc. e preste atenção ao seu mundo interior. O que está a sentir, o que diz a si mesma? Anote o que observa. Passe algum tempo consigo mesma todos os dias – escreva, medite e conecte-se consigo mesma – no início da manhã ou meia hora antes de dormir.
    2. Prática de Meditação Mindfulness: A atenção plena é a chave para a autoconsciência. A prática da atenção plena, consite em focar a atenção em algo específico – pode ser a respiração ou os pensamentos, mas também pode ser qualquer informação que venha através dos cinco sentidos. Através da meditação observacional, criamos um espaço entre o agente das acções, o pensador dos pensamentos e o sentimento dos sentimentos.
    3. Prática da escuta empática: Ouvir não é o mesmo que escutar. Escutar é estar presente e prestar atenção às emoções e à linguagem verbal e não verbal das outras pessoas. É mostrar empatia e compreensão sem avaliar ou julgar constantemente. Quando se tornar uma boa ouvinte, também ouvirá melhor a sua própria voz interior e tornar-se-á a melhor amiga de si mesma.
    4. Manter um diário: Escrever ajuda-nos, não só a processar os nossos pensamentos, mas também faz-nos sentir conectados e em paz connosco mesmos. Há evidência ciêntifica abundante de que escrever as coisas pelas quais somos gratos, ou até coisas com as quais nos debatemos, ajuda a aumentar a felicidade e a satisfação. Também pode usar o diário para registar o seu estado interno. Experimente – dedique a isso uma hora no fim de semana. Poderá se surpreender com o que escreve!

    10 Perguntas às quais precisa de responder se deseja conhecer-se melhor emocionalmente

    E por fim, um pouco de auto-coaching para explorar um pouco mais o seu mundo interno.

    1. Quem sou eu em essência?
    2. Quais são os meus sentimentos, emoções, medos e motivações?
    3. Do que gosto e não gosto?
    4. Com quem me identifico?
    5. Qual a frase que melhor me define?
    6. Quais os meus maiores receios?
    7. Quais são os meus maiores sonhos?
    8. O que me faz sentir-se pleno e realizada/o?
    9. Quais os meus pontos fortes e pontos de melhoria?
    10. Do que me posso orgulhar?

    O processo de autoconhecimento é fundamental para que não permaneçamos em piloto automático. A partir do momento em que comece a reflectir sobre os seus valores e crenças poderá descobrir o que a/o levou a agir de determinada maneira, sendo, assim, possível modificar padrões de comportamento.

    Em conclusão, ser autoconsciente é crucial, sobre todos os aspectos, para se estar ciente dos pensamentos e emoções que se está a sentir em cada momento, para agir em vez de reagir. A autoconsciência promove a resiliência!

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    O que é autoconsciência e porque é importante

    3 meses atrás ··0 Comentários

    O que é autoconsciência e porque é importante

    O interesse pelo tema da auto-conscientização remonta à Grécia antiga, expresso no famoso aforismo “conhece a ti mesmo”, uma das máximas de Delfos inscrita no pronau (pátio) do Templo de Apolo. No último século, a psicologia ocidental voltou a interessar-se pelo tema da autoconsciência, o qual tem sido extensivamente estudado por filósofos e psicólogos.

    Neste artigo, irei abordar o que é a autoconsciência, em que medida ela pode ser benéfica numa uma sessão de terapia, por que é difícil alcançá-la e como é possível cultivá-la.

    Definição de auto-conscientização

    Enquanto a conscientização é saber o que está a acontecer à nossa volta, a autoconsciência é saber o que estamos a vivenciar. Por outras palavras, a autoconsciência é uma consciência do self, sendo o eu o que torna a identidade única. Esses aspectos únicos incluem pensamentos, experiências e habilidades.

    Os psicólogos Shelley Duval e Robert Wicklund desenvolveram a teoria da autoconsciência em 1972. Segundo eles:

    “Quando focamos a nossa atenção em nós mesmos, avaliamos e comparamos o nosso comportamento actual com os nossos padrões e valores internos. Nós tornamo-nos autoconscientes e avaliadores objectivos de nós mesmos”.

    Em essência, eles consideram a autoconsciência um importante mecanismo de auto-rgulação.

    A autoconsciência é a capacidade de saber o que estamos a fazer, quando estamos a fazê-lo e entender por que o estamos a fazer.

    O psicólogo Daniel Goleman, no seu best-seller “Inteligência Emocional”, propôs uma definição de autoconsciência: “conhecer os estados internos, preferências, recursos e intuições”.

    Essa definição coloca mais ênfase na capacidade de monitorar o nosso mundo interior, os nossos pensamentos e emoções à medida que eles surgem.

    Para que nos serve a autoconsciência?

    A autoconsciência é a base para a inteligência emocional, a auto-regulação e a maturidade emocional.

    A capacidade de monitorar as nossas emoções e pensamentos a cada momento é fundamental para nos compreendermos melhor, estar em paz com quem somos e gerir proactivamente os nossos pensamentos, emoções e comportamentos.

    É importante reconhecer que a autoconsciência não se limita ao que percebemos sobre nós mesmos, mas também sobre como percebemos e monitoramos o nosso mundo interior.

    A autoconsciência vai muito além do acumular de conhecimento sobre nós mesmos: trata-se também de prestar atenção ao nosso estado interior com uma mente de principiante e um coração aberto.

    À medida que percebemos o que está a acontecer dentro de nós, podemos reconhecê-lo e aceitá-lo como parte integrante do ser humano, em vez de nos incomodarmos com isso. Assim, desenvolvemos agilidade emocional.

    A autoconsciência é importante?

    Segundo Daniel Goleman, a autoconsciência é a pedra basilar da inteligência emocional.

    Em primeiro lugar, as pessoas autoconscientes tendem a agir conscientemente (em vez de reagir passivamente). Em segundo lugar, tendem a ter boa saúde psicológicae a ter uma visão positiva da vida. E, por último, também têm uma maior profundidade de experiência de vida e são mais propensas a ser compassivas.

    Um estudo desenvolvido por Sutton (2016) sobre os benefícios da autoconsciência, concluiu que aspectos da autoconsciência como a auto-reflexão, introspecção e atenção plena podem levar a benefícios como mais receptividade e conexão, enquanto os aspectos de ruminação e desconexão podem causar sobrecargas emocionais.

    Por que é difícil ser auto-consciente?

    A resposta mais óbvia é que na maioria das vezes simplesmente não nos observamos. Ou seja, não prestamos atenção ao que está a acontecer dentro de nós ou à nossa volta. Outra razão é porque a autoconsciência é uma habilidade e, como qualquer habilidade, precisa de ser aprendida.

    Toda a aprendizagem passa por vários estágios primários, sendo um deles a incompetência inconsciente. Devido ao desconforto que essa incompetência nos traz, muitas vezes evitamos aprender coisas novas. Aprender a autoconsciência requer o mesmo desconforto.

    Como tal, a maioria das pessoas passa a vida sem desenvolver a autoconsciência.

    Os psicólogos Matthew Killingsworth e Daniel T. Gilbert descobriram que nós operamos, quase metade do tempo, em “piloto automático”. Ou seja, não temos consciência do que estamos a fazer ou de como nos sentimos, quando a nossa mente vagueia e não esteja no aqui e agora.

    Além do desvario mental, o viés cognitivo também afecta a nossa capacidade de compreensão precisa de nós mesmos; tendemos a acreditar no juízos e crenças que apoiam o nosso senso do eu já existente.

    O economista comportamental Daniel Kahneman, autor do best-seller Pensar,Depressa e Devagar, mostra que apesar da nossa confiança no nosso autoconhecimento, geralmente estamos errados.

    Como se pode constatar, não somos tão conscientes quanto poderíamos pensar. E, se não somos conscientes, somos inconscientes.

    Como desenvolver a autoconsciência?

    A autoconsciência é uma habilidade fundamental e essencial para qualquer pessoa interessada no desenvolvimento pessoal autêntico.

    A chave para desenvolver a autoconsciência é a mesma de qualquer outra habilidade: é necessário método e orientação corretos combinados com a prática consistente.

    Felizmente, há muitas actividades de autoconsciência e exercícios destinados a aumentar a nossa sensibilidade em relação ao que está a acontecer dentro de nós e à nossa volta.

    Como aprofundar a autoconsciência?

    A maioria das tentativas para desenvolver autoconsciência fracassa porque visam apenas o neocórtex (pensamentos, crenças, preconceitos). A nossa mente é extremamente hábil a armazenar informações sobre como reagimos a um determinado evento e a criar modelos da nossa vida emocional. Essas informações acabam geralmente por condicionar a nossa mente a responder de uma certa maneira, à medida que nos deparamos com eventos semelhantes no futuro.

    A autoconsciência permite-nos estar conscientes desse condicionamento e dos preconceitos da mente, que pode ser o ponto de partida para os libertar.

    O objectivo é tornarmo-nos mais conscientesdo que impulsiona o nosso comportamento. Assim, precisamos de aumentar a sensibilidade às nossas emoções e instintos, e explorar os nossos pensamentos, crenças e preconceitos com mais eficácia.

    Em suma, ser autoconsciente é crucial, sobre todos os aspectos, para estarmos cientes dos pensamentos e emoções que estamos a sentir em cada momento, para agirmos em vez de reagirmos.

    O que é ser emocionalmente inteligente?

    5 meses atrás ··0 Comentários

    O que é ser emocionalmente inteligente?

    Ser emocionalmente inteligente é muito mais do que possuir um conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as nossas próprias emoções. Trata-se, acima de tudo, de um poder pessoal com o qual podemos adquirir de uma verdadeira consciência emocional a partir da qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos, além de ser essencial para nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

    Ser emocionalmente inteligente consiste na capacidade de percepção, atenção, expressão e regulação das emoções, e compreensão e regulação das emoções, próprias e de outros.

    O que é inteligência emocional?

    Certamente a maioria de nós já ouviu falar ou leu sobre Inteligência Emocional ou até já fez algum curso relacionado com o tema. Ela está presente em muitos contextos da nossa vida pessoal e social diária. Esta inteligência revela-se nas interacções com os outros, em família, com amigos, na escola ou universidade, no trabalho, ou qualquer contexto de interacção social.

    As primeiras definições de inteligência referiam-se às capacidades cognitivas e intelectuais, deixando de lado as competências emocionais. O psicólogo e investigador Howard Gardner, num esforço de analisar e descrever melhor o que é a inteligência, desenvolveu, durante os anos da década de 1980, a Teoria das Inteligências Múltiplas. Numa fase inicial, Gardner (1983) identificou sete tipos de inteligência: musical, linguística, lógico-matemática, visuo-espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal e interpessoal. Isto levou a uma classificação da inteligência em diferentes tipos, como a lógico-matemática, linguística e emocional.

    O debate em torno das inteligências pessoais de Gardner, conduziu à definição básica de Inteligência Emocional (IE). O psicólogo Salovey expandiu as aptidões pessoais a 5 domínios: a capacidade de conhecer as próprias emoções; a capacidade de lidar com essas emoções e sentimentos; a automotivação; a capacidade de reconhecer emoções nos outros; e de lidar com as emoções dos outros. Para Salovey estas eram as habilidades necessárias para se ser emocionalmente inteligente.

    Uma definição de Inteligência Emocional

    Apesar das pesquisas terem sido desenvolvidas por diversos investigadores, usualmente este tema é, quase que instantaneamente, relacionado com o nome do psicólogo Daniel Goleman. Para ele, Inteligência Emocional significa a capacidade de se motivar, perseverar diante das frustrações, controlar impulsos e regular o humor, e também de ser capaz de sentir empatia e confiar nos outros.

    Daniel Goleman define a Inteligência Emocional como “a capacidade de reconhecer os nossos sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerirmos bem as emoções em nós e nas nossas relações.” (1)

    O termo Inteligência Emocional foi cunhado por Michael Beldoch em 1964, que o utilizou em artigos científicos, muito antes de Goleman publicar o seu famoso livro “Inteligência Emocional” em 1995. Estes artigos falavam da comunicação e da sensibilidade emocional, das suas implicações e da forma como determinam a nossa personalidade e os nossos relacionamentos. Desde então, o tema avançou de forma notável, dando lugar a diferentes abordagens e críticas.

    A inteligência emocional é muito mais do que um mero conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as próprias emoções. A implicação que esta perspectiva psicológica, social e motivacional teve no nosso dia a dia supera possíveis brechas que possam existir na teoria de Daniel Goleman.

    Componentes da Inteligência Emocional

    Goleman elencou cinco pilares que se referem à definição anterior, na qual foram identificados vários componentes.

    Autoconhecimento emocional

    Autoconhecimento emocional refere-se à capacidade de identificar, conhecer e expressar de maneira adequada e confiável os nossos próprios sentimentos e emoções, e também os seus efeitos. O primeiro passo é conhecermo-nos, analisar as nossas emoções e as acções que fazemos como resposta aos estímulos.

    Devemos estar conscientes de que a Inteligência Emocional é um processo gradual e que varia de pessoa para pessoa. É essencial conhecermos bem as próprias emoções e sentimentos, e as acções que originam. Só assim poderá ter respostas adequadas, para si e para os outros.

    Autocontrolo emocional

    Autocontrolo emocional é a capacidade de controlar os próprios impulsos e regular as emoções.

    Tenha em mente que todos nós temos momentos stressantes ou em que nos sentimos ansiosos por algum motivo. Aprender a lidar com as emoções e regulá-las, colocá-la-á na direcção certa conforme cada situação, fará toda a diferença entre o equilíbrio e a disfunção. Seja optimista, procure ver sempre o lado positivo das coisas e lembre-se que cada situação tem diversas saídas.

    Automotivação

    Automotivação é o que nos permite alcançar os nossos próprios objectivos, através da gestão adequada das emoções. Ao saber utilizar adequadamente as suas emoções terá mais facilidade em alcançar os seus objectivos, sem passar por cima de ninguém.

    É essencial aprender a responder aos seus estímulos, para depois decidir como quer agir para atingir as suas metas. Por outro lado, temos um processo inconsciente, onde experienciamos os gatilhos emocionais a que reagimos, expressando as emoções de forma instantânea. Isto muitas vezes gera arrependimentos e desvios das nossas metas.

    Consciência Social ou Empatia

    Empatia é definida como a capacidade de responder adequadamente às necessidades expressas pelos outros, bem como a capacidade de partilhar esses sentimentos.

    Aprender a se colocar no lugar do outro, de reconhecer as emoções dos outros e compreender os seus comportamentos, torna-nos mais sensíveis e abertos.

    Relações interpessoais

    Relações interpessoais neste caso, é a capacidade de nos relacionarmos eficientemente com os outros, fazendo com que se sintam bem e gerando emoções positivas.

    Saber se relacionar interpessoalmente é outro ponto chave para o sucesso. Ao perceber e gerir as emoções dos outros será capaz de manter boas relações. Isso irá criar um ambiente positivo à sua volta, melhorando não só a sua qualidade de vida, mas também contagiando aqueles que estão ao seu redor.

    Benefícios da Inteligência Emocional

    Agora que compreendeu quais são os 5 pilares da Inteligência Emocional, já deve ter extraído alguns benefícios de ter uma IE bem desenvolvida. Todos temos desafios diários, metas e prazos para cumprir, família e filhos com quem lidar, reuniões onde participar e decisões para tomar. Estamos a ser constantemente observados e avaliados e vivemos quase sempre sob pressão. Para lidarmos com as pressões diárias, a chave é aplicar os pilares da Inteligência Emocional, o que lhe trará vários resultados positivos.

    Principais benefícios

    Veja alguns dos principais benefícios que obterá ao desenvolver melhor a sua Inteligência Emocional:

    • Diminuirá os seus níveis de ansiedade e de stress;
    • Evitará discussões e melhorará os seus relacionamentos interpessoais;
    • Terá mais empatia pelo outro e maior compreensão;
    • Irá obter mais equilíbrio emocional;
    • Ganhará maior clareza dos objectivos e acções;
    • Irá melhorar a sua capacidade de tomar decisão;
    • Melhorará a sua gestão de tempo e produtividade;
    • Aumentará o nível de comprometimento com as suas metas;
    • Terá mais senso de responsabilidade e uma melhor visão do futuro;
    • Elevará a autoestima e autoconfiança.

    Conclusão

    Ser emocionalmente inteligente envolve a aquisição de uma verdadeira consciência emocional com a qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos. A IE, além de nos permitir a auto-regulação emocional, é uma chave de poder com a qual nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

    Uma vez que consigamos nos tornar mais conscientes das emoções, nossas e dos outros, e do papel que desempenham nas nossas acções, podemos usar essa conscientização e reflectir. Reflectir sobre o que aconteceu e sobre o que poderia ter tornado o resultado mais positivo é útil para prevenir dissabores futuros.

    Os investigadores concluíram que estas competências emocionais têm enorme influência nas habilidades adaptativas e cognitivas das pessoas. Por isso, lembre-se que ponderar antes de tomar decisões trar-lhe-á diversos benefícios e prevenirá o surgimento de conflitos ou de arrependimento pelos seus actos. E, quando estiver sob pressão, o mais importante é procurar manter a calma. Encontre uma distracção, faça uma actividade prazerosa e canalize a sua ansiedade de forma positiva.

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    Refeências Bibliográficas:

    Daniel Goleman, Trabalhar com Inteligência Emocional (Lisboa: Círculo de Leitores e Temas e Debates, 1998, 5ª edição, 2012.

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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