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    Como reunir coragem para fazer o luto

    2 meses atrás · · 0 Comentários

    Como reunir coragem para fazer o luto

    Vivenciar a perda, movimentar-se através do luto e recuperar dele não é, vulgarmente, um caminho recto ou fácil. Após uma perda significativa é necessário descobrir como reunir coragem para fazer o luto e sair fortalecido pela experiência. Encontrar a coragem de caminhar através da dor e descobrir o que está do outro lado dela pode levar a uma vida extraordinária e transformada.

    Abrir-se à dor da perda é um acto de coragem

    A perda traz a dor indesejada às nossas vidas. Ao abrir-se à presença da dor da sua perda, reconhecer a inevitabilidade do seu pesar e abraçar suavemente o seu processo de luto, demonstra coragem para honrar e expressar o que sente bem como o amor partilhado.

    Honrar significa “reconhecer o valor de”, “orgulhar-se” e “respeitar”. Encarar abertamente a dor e a necessidade de fazer o luto como algo a honrar, não é instintivo. Todavia, a capacidade de amar implica a necessidade de fazer o luto. Honrar o seu luto não é algo autodestrutivo ou prejudicial. É, na verdade, algo corajoso e gerador de vida.

    Muitos acreditam que a coragem é uma qualidade rara ou inata. Embora algumas pessoas tenham naturalmente mais facilidade em activar a coragem, ela pode ser aprendida e treinada. A verdade é que ela é uma virtude altamente valorizada na nossa cultura.

    O seu propósito espiritual não é reprimir ou exagerar as suas emoções

    A palavra expressar significa literalmente “declarar ou manifestar, expor, dar a conhecer e revelar”. A auto-expressão pode mudar-nos e à forma como percebemos e experienciamos o mundo. Contudo, transformar os seus pensamentos e sentimentos em palavras confere-lhes significado e forma. A sua vontade de afirmar honestamente a sua necessidade de lamentar ajudá-lo-á a sobreviver a este momento difícil da sua vida. O seu propósito espiritual não é reprimir ou exagerar as suas emoções, e sim permitir que elas se desloquem plenamente através de si.

    A dor do luto irá continuar a chamar a sua atenção até que desenvolva a sua coragem para gentilmente, e em pequenas doses, abrir-se à sua presença. Rejeitar ou suprimir a sua dor é, de facto, a escolha mais dolorosa que pode fazer. Acima de tudo, se não honrar a sua dor reconhecendo-a, ela irá acumular-se e agravar-se. Por isso, é importante que acolha a sua perda, faça as pazes com a sua dor, em vez de fazer dela sua inimiga.

    Um coração fechado pelo luto produz dor contra si próprio

    Ao longo de todos estes anos a trabalhar os meus lutos e com pessoas em luto aprendi que a dor que envolve um coração fechado pelo luto é a dor de viver contra si próprio. Ao negarmos a forma como a dor da perda nos muda, ao nos sermos incapazes de lamentar abertamente, isolamo-nos. Consequentemente tornamo-nos incapazes de amar e de receber o amor daqueles que nos rodeiam. Em vez de desistir da vida enquanto está vivo, pode escolher abrir-se à dor, o que, em grande parte, honra o amor que sente pela pessoa que morreu. Afinal, o amor e a dor são duas faces da mesma moeda e a morte não determina o fim do amor.

    Curiosamente, é o próprio acto de reunir coragem para avançar em direcção à dor que, em última análise, conduz à cura.

    Ter coragem para chorar e lamentar a perda pode ser um acto de rebelião

    Se perdeu alguém a quem deu e de quem recebeu amor, o seu coração ficou “despedaçado”. Quer esteja a começar, ou já esteja no meio de uma jornada que é dolorosa, frequentemente solitária e naturalmente assustadora, tem “necessidades especiais”.

    Entre essas necessidades especiais, a mais relevante neste momento é ter a coragem para chorar e lamentar a sua perda. Todavia, numa cultura que nem sempre nos faz sentir seguros para o fazer, este pode ser um verdadeiro acto de rebelião. A verdade é que a coragem – para aceitar o luto e o pesar à medida que eles surgem – já existe dentro de si.

    Pode ainda não conseguir ver a luz ao fundo do túnel. Contudo, avance com coragem e confiança de que a luz da esperança e da plenitude existem de facto. Sinta a sua dor, pesar, tristeza, agonia, desgosto, medo, ansiedade e solidão tanto quanto lhe for possível suportar.

    Isto pode parecer contra-intuitivo, pois estas emoções podem muito bem ser as emoções e sentimentos que mais deseja evitar. Poderá ter a vontade de “fazer vista grossa” aos seus sentimentos e manter-se ocupada à espera que a dor “passe”. No entanto, ironicamente, a única forma de superar estes sentimentos dolorosos é avançando pela lama através deles. Por isso, permita-se chafurdar na lama e atravessar esse pantanal.

    O luto não é limpo, organizado ou conveniente

    O luto não é limpo, organizado ou conveniente. No entanto, senti-lo e expressá-lo é a única forma de voltar a se sentir inteiro novamente. O luto não resolvido pode fazê-lo sentir-se “vazio” ou desconectado. A sua capacidade de se entregar à vida pode ser inviabilizada e pode sentir-se como se estivesse desligado de tudo e de todos.

    Em vez disso, escolha vivenciar o seu luto. E enquanto trilha o caminho do seu luto, lamente activamente. Chore quando precisar, telefone a um amigo quando se sentir sobrecarregado, ou procure um especialista de apoio ao luto, exprima-se através da escrita, da música, da arte ou do desporto. Ao tomar medidas para lidar com a dor, acabará por integrar a perda do seu ente querido na sua vida. Em troca, irá encontrar a esperança, a coragem e o desejo de voltar a viver uma vida plena de sentido, gratificante e feliz.

    A dor da perda pode nunca sair do seu lado, mas permitir-lhe-á deixar-se ir e se aventurar por si próprio cada vez mais à medida que os dias, semanas, meses, e anos passam. Tire partido da sua coragem inata e aceite a mão estendida pelo seu pesar.

    Procure dar voz à coragem

    Cultive a sua coragem todos os dias. Acolha-a todas as manhãs. Antes de se levantar, diga uma citação sobre coragem em voz alta. Pode ser a Oração da Serenidade, que é uma das minhas favoritas: “Que eu tenha a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que posso, e a sabedoria para distinguir a diferença entre elas”. Ou talvez haja outra que lhe agrade especialmente. Se quiser, anote as suas citações favoritas sobre coragem e coloque-as no seu frigorífico, ou no painel de instrumentos do carro, no espelho ou no computador no trabalho. Qualquer que seja a forma como o faz, isso irá ajudá-lo a manter a coragem por perto ao longo de todo o dia.

    Procure formas simples de dar voz à coragem ao longo do dia. Talvez seja apenas o acto de se levantar da cama. Ou pode ser a coragem de partilhar o que sente sobre a sua perda com um colega de trabalho ou amigo, ou de procurar a ajuda de um especialista de apoio ao luto. Pode ser simplesmente fazer um telefonema ou escrever uma mensagem que tem adiado, para agradecer a alguém a ajuda que lhe prestou após o funeral. Ou quem sabe seja ir à igreja ou ao cemitério sozinho, ou arranjar maneira de ser honesto consigo mesmo sobre algo que teme.

    Nutra a sua coragem todos os dias

    Coragem é a capacidade de enfrentar o perigo, a dificuldade, a incerteza, ou a dor sem se deixar dominar pelo medo. A recuperação após uma perda é difícil. É preciso coragem de todas as formas e dimensões para lamentar plenamente enquanto se procura viver o dia-a-dia. Por isso, congratule-se por acolher a coragem, independentemente do seu tamanho ou forma.

    A mais longa caminhada faz-se passo a passo. Não importa quanto tempo demore, se são passos longos ou curtos, se pára para descansar mais ou menos vezes, ou até se tropeça e cai. O importante é que, por cada vez que cambaleie ou cai, reúna coragem para se reerguer e continuar a caminhar através do seu luto.

     

     

    Fazer o luto dessa perda é tanto uma necessidade como um acto de coragem.

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    Como Ajudar as Crianças e Jovens em Luto nas festividades

    12 meses atrás · · 0 Comentários

    Como Ajudar as Crianças e Jovens em Luto nas festividades

    O Luto ser algo difícil de enfrentar durante as festividades, especialmente para as crianças e jovens, e muitos não sabem como ajudar. Os pais, familiares, amigos e educadores são quem está em melhor posição para fazê-lo. Neste artigo partilho algumas sugestões úteis de como ajudar as crianças e jovens em luto durante as festividades.

    AS FESTIVIDADES PODEM SER DOLOROSAS PARA OS ENLUTADOS

    Para onde quer que olhemos, durante o mês de Dezembro, há sinais de festa e celebração por todo o lado. Nas lojas, ouvimos música familiar numa tentativa de reacender o espírito do Natal. Nas ruas, as pessoas desejam boas festas umas às outras e falam sobre reuniões com a família alargada e amigos íntimos.

    Todavia, para os enlutados, o que costuma ser um momento especial para as famílias, escolas, organizações e comunidades pode adicionar sobrecarga emocional ao seu pesar.

    Além disso, durante esta época, a maioria de nós também pensa em pessoas de quem sentimos falta, incluindo entes queridos que morreram. Estas memórias podem ser especialmente intensas para crianças e adolescentes que perderam um ente querido.

    OS DESENCADEADORES DE SOFRIMENTO PODEM SER FORTES

    Os desencadeadores do sofrimento são lembretes súbitos da pessoa que morreu que causam respostas emocionais poderosas. Estes podem incluir odores ou sons, ouvir uma canção, participar numa tradição familiar, ou mesmo imaginar uma oportunidade perdida, como um jantar de Natal com a pessoa amada.

    As festividades estão repletas deste tipo de lembretes. Portanto, os estímulos de pesar podem ser frequentes e bastante intensos durante esta época e, muitos não sabem como ajudar as crianças e jovens. Eles podem vivenciar períodos de profunda tristeza, uma renovação da sua dor, ou ter reacções repentinas e inesperadas de raiva, desespero ou medo.

    AS EMOÇÕES PODEM SER PODEROSAS

    Em primeiro lugar, as crianças podem sentir-se particularmente vulneráveis quando têm reacções de pesar a eventos festivos. Em segundo lugar, podem isolar-se dos seus pares ou das celebrações, num esforço para evitar os estímulos desencadeadores de mais sofrimento. Além disso, podem sentir-se frustradas ou desiludidas por não conseguirem gerir estas reacções. E finalmente é comum os jovens sentirem que: “Já devia ter ultrapassado isto e ser capaz de manter o controlo agora”.

    Estas respostas podem acontecer no primeiro ou segundo ano após uma morte, ou muitos anos mais tarde. Este tipo de reacções são perfeitamente normais. O apoio e a compreensão que se oferece a todos aqueles que perderam um ente querido, especialmente às crianças e jovens em luto, durante as festividades podem ser especialmente úteis.

    OBJECTIVOS PARA OS PAIS E EDUCADORES

    Ao abordar as crianças e jovens em luto, os pais e educadores têm uma oportunidade de promover vários objectivos importantes, incluindo:

    1. Diminuir a sensação de isolamento das crianças e jovens em luto. É comum as crianças em luto sentirem que os outros não compreendem a sua experiência.
    2. Oferecer às crianças e jovens em luto uma oportunidade de falar. As crianças e jovens em luto estarão a pensar no seu ente querido. Por exemplo, poderão reflectir sobre memórias, experiências e sentimentos.
    3. Encorajar as crianças e jovens em luto a falar com os outros. Na maioria dos casos, é útil que as crianças e jovens em luto falem honestamente com os seus pares e família. Sobretudo que partilhem os seus pensamentos, sentimentos e memórias.

    ATITUDES A TOMAR PARA AJUDAR AS CRIANÇAS E JOVENS EM LUTO

    – Fazer perguntas abertas. Ouvir mais do que falar. Por exemplo, pergunte: “Como te estão a correr as férias? Pergunto-me que pensamentos tens tido ultimamente sobre o teu avô/pai”.

    – Aceitar expressões de emoção. As crianças podem exprimir tristeza, dor, frustração, raiva ou outras emoções poderosas.

    Evite minimizar os seus sentimentos ou tentar dar uma volta “positiva” às suas expressões. Por exemplo, dizer: “É importante que te concentres nos bons momentos que tiveste com o teu avô/pai”, é susceptível de levar a criança a pensar que não deseja ouvir uma criança a falar de coisas dolorosas.

    – Abordar as crianças e jovens em luto em eventos escolares. A ausência de um ente querido pode ser especialmente notória durante a festa escolar ou outras actividades. Faça questão de abordar o assunto de alguma forma. Por exemplo, diga a um/a estudante que está feliz por vê-la na festa.

    – Introduzir actividades de uma forma que reconheça as ausências e ofereça alternativas. Por exemplo, se as crianças estiverem a fazer cartões para membros da sua família, convide-os, se quiserem, a incluir também cartões para alguém que já não vive, ou que está longe da família.

    Acima de tudo, deixe claro à criança que ela pode contar consigo para a ouvir, para a apoiar ou para lhe oferecer o seu colo ou ombro se ela quiser chorar.

    CONCLUSÃO

    Em conclusão, as crianças e jovens (tal como qualquer pessoa enlutada) experienciam o luto de forma diferente ao longo do tempo. O que é verdade este ano para as festividades pode não ser o mesmo no próximo ano. É por isso que uma das coisas mais importantes que um membro da família pode fazer é colocar questões e depois ouvir, com presença e paciência.

    Desejo-vos umas Felizes Festas, com muita saúde, paz e mais amor do que dor.

     

    P.S. E, como sempre, se gostou deste artigo, deixe o seu comentário abaixo. Se sentir que pode ser útil para alguém, partilhe.

    1 ano atrás · · 0 Comentários

    Equinócio de Outono – que influência tem na nossa vida?

    O Equinócio é o fenómeno em que o dia e a noite têm aproximadamente a mesma duração, 12 horas. Equinócio deriva do latim “æquinoctium, composto pelas palavras aequus e nox, que significam “igual” e “noite”. Este termo é utilizado para assinalar a transição entre estações, o início do Outono e da Primavera. Os dias de equinócio são tipicamente considerados dias de ajuste, de equilíbrio entre o dia (que tem uma energia Yang, masculina, activa) e a noite (que tem uma energia Yin, feminina, receptiva).

    O Equinócio de Outono tem um profundo simbolismo

    O Equinócio tem um profundo simbolismo de libertação do que já não serve, de desprendimento e de criação de espaço para o novo. Os frutos amadurecidos ao longo do Verão são colhidos, as folhas das árvores caiem, deixando-as despidas para acolher o Inverno. É uma estação de colheitas e de celebração, de mudança e de renovação. À semelhança da natureza, também nós somos convidados ao recolhimento, à reflexão, ao desapego e à libertação do que já não nos serve para criar espaço para o novo.

    É um tempo de celebração e de reconhecimento

    É um tempo de celebração do que se realizou e alcançou, e também de fazer balanços e reflectir sobre o que conseguimos e para onde queremos seguir. É um período de reconhecimento do que se tem aprendido e colhido ao longo do ano e de como se irá usar essa aprendizagem no futuro.

    O Outono é o encerramento de um ciclo e a abertura de outro. É uma estação que propicia o senso de equilíbrio e convida a um olhar atento e cuidadoso sobre a nossa vida. É uma época em que podemos observar a dualidade entre as nossas necessidades pessoais e os compromissos com o mundo que nos rodeia.

    É um período de autoavaliação, celebração e partilha

    É um período de autoavaliação e de balanço; de celebração e de partilha; de preparação para os rigores do Inverno, de autocuidado e reforço do sistema imunitário; de expansão da criatividade, de planeamento e de estruturação para o futuro. Neste período é-nos dada a oportunidade de encontrar o ponto de equilíbrio das nossas vidas, de conciliar as nossas necessidades internas com as exigências do mundo exterior.

    À medida que as noites se alongam, podemos reservar tempo para meditar e reflectir sobre o que desejamos, identificar forças e vulnerabilidades, e nutrir novas sementes que florescerão na próxima primavera. É um período em que somos convidados a focar no essencial e a dispensar o acessório, a largar o supérfluo e a cultivar o autêntico. O Outono recorda-nos a importância de sermos genuínos, de nos libertarmos das máscaras, de levarmos luz às nossas sombras e de integrarmos todas as nossas partes.

    O Outono traz-nos uma nova oportunidade de cura e libertação

    O Outono traz-nos uma nova oportunidade de cura das feridas emocionais, de libertação de mágoas e ressentimentos, de reencontro com nós mesmos e de resgate de quem verdadeiramente somos. Convida-nos ao mergulho interior, a tomar consciência de padrões de comportamento e pensamento nocivos, a eliminar hábitos prejudiciais e a libertar emoções tóxicas.

    É também neste período que somos lembrados da importância da harmonia e do equilíbrio emocional para as nossas vidas. Somos instados a cultivar a paz interior e a fortalecer a nossa estrutura emocional para permitir que um novo “Eu” renasça, mais forte, mais livre, mais realizado, mais pleno e mais feliz.

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    2 anos atrás · · 0 Comentários

    O que é o Trabalho Interior?

    O trabalho interior é a verdadeira essência da espiritualidade, é o que nos conduz ao verdadeiro despertar.

    Quando fazemos trabalho interior, estamos a acender a luz da consciência na nossa paisagem interior. A parte de nós que é composta pelas várias camadas da nossa mente: o consciente, o subconsciente e o inconsciente.

    O que poderia ser melhor do que curar, evoluir, tornar-se mais feliz, sentir-se livre, assumir o seu poder pessoal, viver em harmonia consigo e com os outros, e emanar energias de mudança para todo o ambiente envolvente? Todavia, é aqui que reside um dos temores mais secretos do se humano.

    Então, se o trabalho interior é um caminho tão digno, por que nos sentimos secretamente aterrorizados em relação a ele?

    A verdadeira cura emocional, a transformação e o despertar só são possíveis com trabalho interior.

    O trabalho interior é a prática psicológica e espiritual de mergulhar profundamente no nosso eu interior com o propósito de auto-exploração, auto-compreensão, cura e transformação. Contudo a maioria de nós oferece resistência, inconscientemente, porque que penetrar no nosso íntimo aterroriza-nos.

    O nosso eu interior é o fiel depositário dos nossos sentimentos, memórias, preconceitos, pensamentos, crenças, feridas psicológicas, sombras e outras situações mentais/emocionais que influenciam a nossa capacidade de transformação e de nos sentirmos Inteiros a um nível nuclear. Ao fazermos trabalho interior, temos acesso ao âmago do nosso ser e concedemo-nos a oportinidade de ultrapassar medos, bloqueios, depressões, solidão e sentimentos de desconexão que tendem a atormentar a maioria dos seres humanos.

    Preferimos morrer na ignorância do que admitir que estamos errados

    A realidade é que é mais fácil apontar o dedo a outras pessoas e encontrar um culpado fora de nós, do que procurar dentro de nós mesmos a fonte do nosso próprio sofrimento. Preferimos adoptar uma mentalidade de vítima do que ousarmos olhar-nos ao espelho com honestidade. Em alguns casos, preferimos morrer na ignorância obstinada do que admitir que estamos errados, enganados, ou que somos culpados, responsáveis pelo nosso sofrimento e pela dor dos outros.

    Os nossos egos são construções frágeis, sedentas de controlo e poder. O trabalho interior enfraquece o Ego porque, na sua própria essência, coloca a verdade e o desejo de Amor acima de tudo. O trabalho interior é um processo de desconstrução e de renascimento. É um processo incessante porque, mesmo depois de atingirmos um nível de consciência elevado, se acreditarmos que o trabalho está concluido, é quando a sombra volta a reaparecer. É quando ocorre a estagnação que o narcisismo espiritual prospera.

    Quando nos entregamos intencionalmente ao trabalho interior, estamos em busca de abraçar a dualidade da nossa existência, de percorrer os nossos recantos mais escondidos, dispostos a morrer e a renascer uma e outra vez. Procuramos entrar em contacto com tudo aquilo em que nos podemos tornar, enfrentar as nossas sombras mais tenebrosas, encarnar a nossa luz mais divina, experienciar a Unicidade.

    O trabalho interior é escolher o caminho menos percorrido

    É muito mais fácil viver uma existência de seguidores e percorrer o caminho que os outros abriram antes de nós do que escolher o caminho menos percorrido. É muito mais fácil adoptar o papel de vítima, apontar o dedo aos outros e negligenciar a auto-responsabilidade.

    Percorrer o caminho menos percorrido é muito mais difícil, desconfortável, e muito mais exigente. E a maioria das pessoas NÃO está pronta ou disposta a fazer essa escolha.

    A auto-comiseração e a complacência proporcionam um certo conforto, mas é precisamente esse conforto que ironicamente leva ao vazio, à perda da alma e à completa privação de qualquer coisa verdadeiramente real, verdadeiramente digna de ser vivida.

    Quando for capaz de seguir a sua intuição, o caminho torna-se mais bem definido.

    Há várias maneiras de tornar o caminho do trabalho interior mais suportável. A ligação com a sua fonte de poder mais profunda, o seu espírito livre interior e a sua essência pura, é a primeira. Quando for capaz de seguir o seu instinto e intuição, de ver claramente, de fazer escolhas sábias, e de se proteger daqueles que procuram prender-se a si, o caminho torna-se mais bem definido.

    Lembre-se que por muito doloroso que seja, “a fénix renasce das cinzas”, ou seja, por muito mal que se sinta, a dor é um catalisador para uma profunda transformação espiritual. Aliás, atrevo-me a dizer que sem dor não há apelo ao trabalho interior.

    Por último, quero que compreenda que, pela sua natureza, o ego será sempre contra o trabalho interior. É a nossa alma que nos conduz ao trabalho interior, por isso seria benéfico para si aprender a distinguir entre a voz do medo (o ego) e a voz da sua intuição (a alma).

    Conforme escreveu Carl Jung:

    “As pessoas farão tudo, por mais absurdo que seja, para evitar enfrentar as suas próprias almas.”

     

    P.S. Se gostou deste artigo, deixe o seu comentário abaixo. Eu sinto-me sempre inspirada cada vez que alguém deixa um comentário.

    2 anos atrás · · 0 Comentários

    A Magnificência das Imperfeições

    Há alguns anos atrás tropecei por acaso nas pérolas de sabedoria da Investigadora Brené Brown. Este encontro inesperado, ajudou-me a compreender e identificar a magnificência das imperfeições. Tem dado frutos e é uma enorme mais valia para a jornada da minha alma. Tem sido uma bússula na meu caminho de cura emocional e de regresso a quem verdadeiramente sou.

    Se nunca ouviram falar dela, dêem-me a honra de a apresentar. Brené Brown é doutorada em Serviço Social, e professora e investigadora no Graduate College of Social Work da Universidade de Houston, no Texas. A sua investigação pioneira sobre vulnerabilidade conduziu-a à palestra TEDxHouston em 2010, “The Power of Vulnerability” (vídeo acessível pelo link), uma das cinco palestras TED mais vistas no site TED.com, com mais de 45 milhões de visualizações. Em 2012 Brené agitou ainda mais as convenções sociais, ao falar sobre vergonha, coragem e inovação, na palestra de encerramento da conferência TED.

    Ela também é a autora de livros como A Imperfeição É uma Virtude, A Coragem de Ser Imperfeito, ou Mais Forte Que Nunca, e detentora de um currículo de resiliência à vergonha que está a inspirar imensas pessoas no mundo inteiro.

    “Nós não queremos sentir-nos desconfortáveis. Queremos uma lista rápida de «como fazer» para alcançar a felicidade.”

    Adoro esta afirmação de Brené Brown, “Nós não queremos sentir-nos desconfortáveis. Queremos uma lista rápida de «como fazer» para alcançar a felicidade.” (in A imperfeição é uma virtude). Em geral, procuramos encaixar-nos no que é socialmente adequado, ignorando a magnificência das imperfeições.

    A maioria de nós foi ferido (ou pode ainda estar a ser), julgado, criticado ou magoado de alguma forma duradoura. E carregamos em nós, no nosso coração ou na nossa alma (como preferirem), as feridas emocionais que resultaram dessas situações de abuso.

    Não podemos evitar a dor – é um elemento essencial no nosso sistema de orientação interior. Na verdade, precisamos dela. Contudo, a forma como nos relacionamos com a nossa dor, é uma história completamente diferente.

    Eu posso me contorcer com dor, reagir contra ela, resistir, lutar, negá-la ou reprimi-la – mas qualquer uma destas estratégias deixam-me simplesmente mais frágil, mais rígida, mais temerosa, mais cautelosa, mais desconectada, mais isolada. Negar o que há de magnífico nas imperfeições causa desconexão.

    Hoje eu sei, com absoluta certeza, que se não enfrentar o que me incomoda, olhar a minha dor nos olhos, se não lidar com ela adequadamente, não só o meu humor se degrada, como afecta a minha saúde e tudo ao meu redor. Agora, mais do que nunca, acho que a minha capacidade de senti-la, de me sentar lado-a-lado com o desconforto, de seguir as sensações que se movem através de mim, representa a chave para viver corajosamente, de coração aberto, uma vida plena e amorosa.

    Para nos sentirmos integrados precisamos de ser verdadeiros

    Há uma enormidade de emoções humanas e, quando escondemos as mais sombrias também obscurecemos as mais luminosas. Algo que aprendi nesta jornada de regresso a mim, à minha essência, foi que para nos sentirmos verdadeiramente integrados precisamos de ser verdadeiros, autênticos, de mostrarmos quem somos, o nosso verdadeiro eu.

    Em A Coragem de Ser Imperfeito, Brené refere que “os momentos mais poderosos das nossas vidas acontecem quando unimos os pequenos tremores de luz criados pela coragem, compaixão e conexão e as vemos brilhar na escuridão dos nossos problemas.” Para mim, o truque tem sido aprender a ter uma relação amorosa e compassiva com a dor – esteja ela ligada ao medo, à mágoa, à saudade, à raiva, ao desamparo ou à vergonha.

    A minha jornada interior continua a ter a ver com o alinhamento de quem eu sou com os meus valores. Estou empenhada em viver a vida nos meus termos, cultivar o amor e encontrar a beleza em tudo o que surge no meu caminho. Deixar que a luz brilhe sobre as minhas cicatrizes, pois elas são a expressão da minha coragem e resiliência. As minhas cicatrizes têm valor, tornam-me inteira.

    Encontrar a magnificência nas imperfeições

    Portanto, não é de admirar que eu me sinta atraída por tópicos sobre imperfeição, vergonha, medo, perda ou vulnerabilidade. Ou que me tenha sentido tão atraída pelo conceito japonês Wabi Sabi – uma filosofia que nos incentiva a abraçar a imperfeição e a encontrar a beleza nas imperfeições, a encontrar a beleza no que é velho ou está partido, quebrado – e mais especificamente do Kintsugi – a arte de reparar taças partidas, pratos e objectos de cerâmica com ouro.

    Cada objecto quebrado e rachado é recuperado com a utilização do epóxi e verniz dourado – restituindo vida aos objectos, tornando-os inteiros, mais bonitos e mais valiosos do que antes.

    Eu creio que também somos um pouco assim.

    Depois de dilacerados e partidos, também somos curados e tornados inteiros novamente com os bálsamos dourados da compaixão, compreensão, autenticidade e amor.

    Quando a nossa fragilidade e dor se encontram com os raios luminosos do amor, da verdade, da compaixão e da compreensão, tornamo-nos mais fortes e mais belos do que éramos antes. Tornamo-nos grandes.

    Brené diz-nos que “ousar ser grande não tem que ver com ganhar ou perder. Tem que ver com coragem.” A coragem de nos mostrarmos exactamente como somos, com os nossos defeitos e vulnerabilidade, mas também com as nossas virtudes e valor.

    A mudança profunda é um efeito colateral de relações profundas

    As mudanças profundas não acontecem devido a rasgos de inteligência, evidências científicas, moralismo ou regras. Quando somos julgados, repreendidos, coagidos, forçados a fazer algo, manipulados ou enganados… fechamo-nos, constringimo-nos, resistimos. Aí, a dor aumenta.

    A mudança profunda é um efeito colateral de relações profundas, gentis e compassivas que nos inspiram a alcançar o nosso potencial mais elevado, nos nossos próprios termos.

    A cura precisa de uma mão gentil

    A cura precisa de uma mão gentil, perspicaz, não de exigências forçadas.

    • Quando somos amados, despertamos.
    • Quando somos amados, mudamos.
    • Quando somos amados, curamo-nos.
    • Quando somos amados, os nossos corações abrem-se.

    A ruptura é necessária para a iluminação.

    As fendas deixam a luz entrar. Alumiam o caminho.

    Precisamos de derruba as barreiras em torno do coração.

    Praticar o amor é acolher a magnificência das imperfeições. O amor por nós, em primeiro lugar, para podermos dar também aos outros. É importante termos presente que a relação mais importante que temos é com nós mesmos. Se estivermos em guerra connosco, dificilmente teremos paz à nossa volta. Para sermos grandes precisamos de nos aceitar e amar incondicionalmente. Só podemos ser felizes se vivermos plenamente e, isso só é possível a partir de um lugar de merecimento.

    Este artigo foi um pouco mais pessoal do que é habitual, mas senti que era importante abrir-me também para ti e partilhar um pouco da minha experiência. Agora é a vossa vez…

    Eu adoraria saber se:

    • Ficaste mais bonita e mais forte com as experiências dolorosas da tua vida?
    • Aceitas as imperfeições em ti e nos outros? Quão magníficas são essas imperfeições?
    • O que se interpõe no teu caminho de encontrar a magnificência das imperfeições? O que te ajuda?

    Deixa o teu comentário abaixo …

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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