Arquivo de harmonia - Página 2 de 3 - Ana Paula Vieira

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Porque falham as resoluções de Ano Novo?

2 anos atrás · ·0 Comentários

Porque falham as resoluções de Ano Novo?

Já alguma vez se predispôs a analisar  porque falham verdadeiramente as resoluções de ano novo?

Todos os anos mais de 50% das pessoas faz Resoluções de Ano Novo. Todavia, apenas 8% cumpre as suas resoluções. Porquê?

São várias as razões, como por exemplo:

  • Demasiados objectivos;
  • Objectivos muito vagos ou expressos na negativa (o que não quer em vez daquilo que deseja);
  • Objectivos difíceis de alcançar ou irrealistas;
  • Usar a culpa como motivador.

Como definir resoluções de ano novo

Então, qual a chave para definir resoluções de ano novo de sucesso?

Para estabelecer Resoluções atingíveis é necessário ter em consideração alguns factores importantes:

1) Tenha uma visão do que realmente deseja.

2) Estabelecer apenas entre 3 a 5 resoluções. Não coloque demasiado no seu prato!

3) Defina objectivos SMART-E:

eSpecíficos – Ser muito específico relativamente ao que realmente deseja.
Mensuráveis – como saberá que chegou lá? Qual a unidade de medida?
Atingíveis – São realistas e exequíveis? É possível lá chegar?
Relevantes – É importante para si alcançá-los? É uma escolha sua?
Temporizáveis – Limitados no tempo – Em quanto tempo? (Definir um prazo realista)
Ecológicos – São positivos para si e para os seus entes queridos?

4) Criar um plano de acção o mais detalhado possível.

5) Encontrar uma claque, alguém que o apoie, o motive e apele à sua responsabilidade.

6) Ser compassivo e benevolente com os deslizes, ninguém é perfeito.

Metas vs Resoluções

Defina metas em vez de resoluções. Quando define uma meta pode partir do ponto aonde pretende chegar e criar um plano com pequenas acções necessárias para lá chegar. Pergunte-se: “O que é realmente necessário acontecer na minha vida para que este ano seja verdadeiramente o melhor ano de sempre?” A resposta honesta e sincera a esta questão vai coloca-lo na rota do que realmente deseja.

Apele à sua intuição e à sensatez e crie um plano de acção com pequenos passos desafiantes, mas ao mesmo tempo entusiasmantes.

Aproveite o impulso do Ano Novo para iniciar mudanças de hábitos.

Avalie os benefícios de substituir maus hábitos por melhores hábitos. Tanto o estímulo como a recompensa devem ser óbvios.

Apoie-se em alguém em quem confie que o manterá empenhado e motivado. Alguém que o chame à responsabilidade se deslizar. E, quando deslizar, desfrute do deslize. Lembre-se que nada nem ninguém é perfeito e, o caminho que vai percorrer também não será.

É normal surgirem obstáculos, desafios, imprevistos e, quando isso acontecer, foque-se no que já alcançou.

Como dizia a minha mãe, “se cair, levante-se, sacuda a poeira e meta-se ao caminho, pois o caminho faz-se caminhando!”

Até Breve!

Que é feito do espírito de Natal?

2 anos atrás · ·2 comentários

Que é feito do espírito de Natal?

Por onde anda o Espírito do Natal?

Quando era criança, o Natal era um período mágico, de harmonia, solidariedade e compaixão. Sim, também colocávamos o sapatinho na lareira e, no dia de Natal de manhã, íamos a correr ver o que o Menino Jesus nos tinha trazido. Mas havia algo muito mais transcendente.

Actualmente, emersos no consumismo, sinto que o verdadeiro espírito de Natal se perdeu. É certo que continuam a haver campanhas de solidariedade em prol dos mais carenciados. Os apelos à boa vontade e à generosidade proliferam nos mais diversos sectores da sociedade. Mas não é a mesma coisa!

No Natal da minha infância, esqueciam-se desavenças, as famílias reuniam-se e partilhavam a alegria e as emoções que a celebração do nascimento de Jesus reacendia em todos os corações. Inspirados pela figura de Jesus, a personificação do amor incondicional, da generosidade e da bondade, vivia-se o verdadeiro sentido do Natal, com humildade e fraternidade.

As crianças aprendiam que Natal significava Paz e amor entre os homens de boa vontade. O ritual de Acção de Graças, durante o almoço de Natal, era uma solenidade que até as crianças tinham de reverenciar. Numa prece improvisada, expressava-se gratidão por todas as nossas bênçãos, pedia-se Paz na Terra e nos corações da humanidade, protecção para os indefesos, abundância para os famintos e saúde para os enfermos.

Enviávamos e recebíamos cartões de Boas Festas, repletos de mensagens de amor e esperança. Agora, na era da Globalização e das Tecnologias de Informação, enviam-se SMS ou colocam-se Posts nas redes sociais, porque é mais fácil. Com as correrias das compras e a lufa-lufa da vida, não há tempo a perder e, assim, ninguém se sente excluído!

Então, e as crianças?

Quem lhes explica o verdadeiro sentido do Natal e o significado dessa Paz nos corações humanos? Como podem experimentar a serenidade e tranquilidade interiores decorrentes das vivências natalícias. Quem lhes vai ensinar o que é bondade, compaixão e empatia pelo que o outro vive. Quem lhes vai falar do amor e da generosidade, que influenciam de modo muito especial o sentido da vida e a ética pessoal, determinantes do desenvolvimento individual.

Até quando vamos continuar a matar o Natal?

Se continuarmos obcecados com o Ter ignorando o Ser, o que acontecerá à magia do Natal? O que será das crianças no futuro se continuarmos a sonegar-lhes o que nutre verdadeiramente o espírito e molda o carácter? Se não plantarmos as sementes dos valores como o amor, a compaixão, a fraternidade e a solidariedade, nas crianças de hoje, como poderão elas ser adultos compassivos e bondosos no futuro? Como poderão viver o Natal como uma época de solidariedade, fraternidade, alegria, amor, proximidade e convívio com a família e os amigos?

Actualmente as crianças  sofrem muito com a ausência dos pais, os quais nem se dão conta disso, pois estão tão focados nas suas carreiras e nos seus afazeres. Os horários demasiado sobrecarregados   não lhes permitem dedicar tempo de qualidade aos seus rebentos, para os escutarem, para os conhecerem, para lhes ensinarem as coisas que nunca irão aprender na escola, como os valores e virtudes que lhes moldarão as forças de carácter.

O meu desejo mais profundo neste Natal é que, à semelhança de antigamente, estejamos mais em família, sejamos mais amor, mais compaixão e mais solidariedade. Que nos demos de presente, sem reservas e sem egoísmo. Sejamos mais coração e menos ego, o mundo precisa de nós.

Continuar a viver após a perda de um filho

2 anos atrás · ·0 Comentários

Continuar a viver após a perda de um filho

Em geral definimos as nossas vidas pelas grandes metas profissionais: uma promoção, o emprego dos nossos sonhos, uma mudança de carreira; ou por grandes acontecimentos: o casamento, o nascimento de um filho… Todavia, para algumas pessoas, a vida é redesenhada por acontecimentos inesperados. A morte de um filho é  desses marcos. É algo tão devastador que ficamos sem saber como continuar a viver.

As vidas dos pais enlutados têm um marco que demarca claramente o antes e o depois

Num qualquer momento crucial acontece o inimaginável, nesse instante, tudo é redefinido de forma arbitrária e, sem que tenham escolha ou voto na matéria. O rumo das suas vidas altera-se irremediável e definitivamente num micro momento, numa determinada data, e nada voltará a ser como antes. Para os pais enlutados há um marco distinto que separa o tempo e a vida, antes e após a morte do(a) filho(a).  Num instante tudo se desmorona, ante os seus olhos, como um castelo de cartas. A felicidade saboreada, dia após dia, pelas pequenas conquistas alcançadas por aquele Ser que cuidávamos e protegíamos, desaparece. Os planos mais elementares, as expectativas mais básicas perdem sentido. No momento em que o  filho(a) morre o mundo é virado do avesso. 

Muitas são as interrogações que surgem

Como continuar a viver após a perda do meu filho? Como sobreviver à perda de um filho? A vida voltará a ter sentido? Que mal fiz eu para merecer um castigo tão duro? Seremos capazes de voltar a sentir-nos equilibrados, tranquilos e serenos? Voltaremos a sentir optimismo para com a vida?

Infelizmente, por muito contra natura que nos pareça, este género de fenómeno sempre existiu, desde os primórdios da humanidade. E, por mais cruel que isso passa parecer, continuará a acontecer a outros pais no futuro,  o que nos leva a acreditar que é possível retomar a nossa vida, dar-lhe um outro rumo. Quando o meu filho morreu, em Abril de 2006, eu fui atingida por uma dor excruciante e avassaladora, que me despedaçou o coração. Essa dor liacerante penetrou a minha alma tão profundamente que durante muito tempo pensei que jamais superaria a minha perda. Acreditei que a dor devastadora que sentia seria minha companheira de jornada para sempre. Todavia, com o tempo, e muita ajuda, aprendi a conviver com a minha dor e a reapreciar a vida, tal como ela se me apresenta.

Como se faz esse caminho de esperança?

O processo de luto pela morte de um filho é uma caminhada solitária que cada um dos pais tem de fazer pelo vale tenebroso do seu próprio desespero. Cada progenitor vivencia o luto à sua maneira, de forma individual e distinta por um caminho de sofrimento, mais ou menos sinuoso e acidentado, iluminado por uma luz ténue que, gradualmente, se vai intensificando e se transformando num verdadeiro raio de sol à medida que o tempo avança.

Através da vivência das emoções associadas ao processo de luto, enfrentando os nossos demónios, medos e fantasmas, reconhecendo e aceitando as nossas fragilidades – recorrendo a ajuda quando ela é necessária. É fundamental recorrer a todo o tipo de ajuda disponível, desde o apoio de familiares e amigos ao apoio especializado. Os conselheiros de luto proporcionam um lugar seguro aos pais que perderam filhos, porque compreendem as emoções e o sofrimento vivenciado e ajudam a adquirir habilidades para lidar com a dor e a perda.

O luto por um filho é um processo longo e oscilante

É preciso reaprender a viver com a nova realidade, de cuidar de nós próprios física, mental e emocionalmente. Acima de tudo, queremos manter o nosso filho connosco enquanto completamos a jornada da nossa vida. Precisamos de estabelecer limites sobre o que vamos tolerar e manter na nossa vida, e ter consciência de que o luto pela morte de um filho é uma jornada individual e geralmente longa.

É natural que haja oscilações ao longo do processo de luto, e que haja períodos de maior intensidade de dor, particularmente no início e primeiros dois anos, nas datas mais significativas como os aniversários, o Natal ou o Dia de Finados. Todos os pais enlutados passam por essas provações, mas a forma como escolhem prosseguir, é determinante para o desenrolar do processo.

Um dia o fardo fica mais leve

O denominador comum que, em geral, todos os pais em luto partilham, é a necessidade de encontrar uma centelha de esperança que possam alimentar e manter a brilhar. O momento em que cada um de nós encontra essa centelha de esperança – a luz ao fundo do túnel – onde e como a encontramos, difere e ocorre em momentos diferentes da nossa jornada de luto. Mas, acredito que todos nós a encontramos.

Um dia apercebemo-nos que o fardo está um pouco mais leve, lembramo-nos do nosso(a) filho(a), começamos a rir-nos de coisas que ele(a) disse ou fez, e damo-nos conta de que já não nos sentimos mal com isso. Aos poucos o riso e a alegria vão voltando e ficando, diferentes de outrora, é certo, mas já sem culpa. Esses momentos envolvem-nos gentilmente e, lentamente começa a nascer a esperança. A minúscula centelha de esperança começa a brilhar dentro de nós de forma quase imperceptível e vai ganhando intensidade até se tornar a luz que nos indica o caminho de serenidade. A pouco e pouco a vida ganha outro sentido, voltamos a sentir micro momentos de felicidade.

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A Vida e os ciclos de 7 anos

2 anos atrás · ·1 comentário

A Vida e os ciclos de 7 anos

Hoje vou abordar um tema que me diz muito. Os ciclos de 7 anos da vida!

Todo o Universo, tudo na natureza tem uma ordem implícita. Este facto foi identificado pelas civilizações antigas que perceberam a renovação cíclica da natureza e da vida.

Desde as estações do ano, às fases da lua, as marés, as ondas, entre inúmeros eventos de transformação, renovação e mudança, facilmente visíveis ou imperceptíveis, é identificável uma ordem cíclica. Todavia, nós, os povos modernos e evoluídos, raramente vemos isso.

Os nossos ancestrais reconheceram que cada fase da vida oferece um conjunto específico de desafios e lições que aumentam a nossa maturidade e apoiam a nossa individuação.

No início do século XX, o filósofo Rudolf Steiner, presenteou a humanidade com o seu próprio mapa da vida que revelou algumas das lições importantes que devemos dominar à medida que nos desenvolvemos.

Steiner apresentou este mapa como os 10 ciclos que todos aqueles que chegam à idade de 70 anos devem passar.  Cada ciclo, disse Steiner, é composto por sete anos, e oferece os seus próprios desafios e recompensas.

Se confrontarmos essas lições com coragem, honestidade e sinceridade, as lições serão dominadas e o nosso desenvolvimento psicológico e espiritual será profundamente beneficiado.

Eis os ciclos da vida de Steiner:

Idades dos 0 aos 7 anos: Da unidade com a mãe à autonomia crescente

Desde que nascemos, e durante os primeiros anos das nossas vidas, somos totalmente dependentes.

No entanto, afastamo-nos naturalmente das nossas mães para um sentido crescente da nossa própria individualidade e autonomia.

Esta é a lição da primeira etapa da vida – a experiência de total dependência para um sentido crescente de individualidade e poder.

É neste ciclo de desenvolvimento físico e mental que se inicia a aprendizagem no seio da família. Nos primeiros anos de vida, especialmente entre o nascimento e os dois anos de idade, a criança dificilmente consegue distinguir entre ela e a mãe.

Mas à medida que começa a ganhar autonomia, começa a experimentar naturalmente um maior sentido de poder pessoal e liberdade.

Gradualmente, a criança percebe-se separada da mãe, experimenta os estágios iniciais dos seus desejos e necessidades, que precisa que sejam satisfeitos, começa a socializar com outras crianças, a   experienciar o senso de individualidade, a ter noção do seu corpo, dos seus limites e a ter as suas percepções do mundo.

Dos 7 ao 14 anos: Sentido se Si e comprometimento com a vida

O poder emergente da força vital da criança e o compromisso com a vida é testado durante este período.

Ocorrem grandes mudanças energéticas, surgem as doenças infantis, o corpo físico é posto à prova para enfrentar os desafios e ameaças à vida e, apoiando-se nas forças vitais, luta pela sua vida e, no processo, o sistema imunológico reforçar-se a fim de enfrentar os desafios e apostar na sua vida.

É também neste ciclo que a criança desenvolve o sentido crítico e, os pais e educadores desempenham um papel determinante para a imagem do mundo que a criança criará.

A autoridade excessiva pode levar, no futuro, à timidez, introversão, baixa autoestima, etc., enquanto que a permissividade excessiva pode conduzir à extroversão exagerada, desrespeito, libertinagem, ou mesmo quadros de histerismo.

Este é o período de desenvolvimento das emoções e em que são absorvidas as normas e hábitos. O desenvolvimento sadio do ser humano está profundamente relacionado com a dosagem, o equilíbrio e a harmonia das relações de autoridade, valores, limites e permissões.

Dos 14 aos 21 anos:  Emoções selvagens, sexualidade e crise de identidade

Steiner sustentou que as nossas emoções estão alojadas num aspecto específico do nosso espírito, a que ele se referiu como corpo astral.

O corpo etéreo é a energia pura da vida, com a sua própria inteligência, necessária para executar o corpo físico e manter a sua saúde.  O corpo astral é outra camada de energia que compreende o campo energético humano.

O aspecto astral do campo energético detém as emoções, que durante este período se acendem como um cavalo selvagem e exigem atenção e aproveitamento.

Esta fase da vida é dominada por energias emocionais muitas vezes incontroláveis ​​e confusas. Esta turbulência reflecte-se na imprevisibilidade das relações.

Fazemos amizades que, de alguma forma, se transformam em conflitos e traições.

Apaixonamo-nos, estabelecemos ligações românticas intensas e, com a mesma facilidade, desapaixonamo-nos, resultando em muita dor e dramas emocionais.

Steiner sustentou que, durante este período, a nossa natureza animal governa as nossas vidas.   Somos impulsionados por energias emocionais, necessidades irracionais e instintivas para cujo confronto estamos pouco preparados, razão pela qual este período é tão conturbado.

Idades entre 21 e 28 anos:  O “Eu” – Independência e responsabilidade

O fim do crescimento corporal dá lugar ao processo de crescimento mental e espiritual. A partir dos 21 anos a nossa individualidade, o nosso Self, ganha uma força considerável na tentativa de se mostrar.

No entanto, para que esse “Eu” se forme e apareça, mesmo sendo algo subjectivo e interno, depende do mundo exterior, da sociedade. As histórias pessoais começam a ser traçadas pelos próprios. É a emancipação a todos os níveis.

Surpreendentemente, é também a fase em que mais somos influenciados pelos outros. Neste ciclo, os valores, os ensinamentos, as lições de vida, passam a fazer mais sentido. No início e até ao meio deste ciclo, ganhamos algum controlo sobre as nossas emoções e começamos a integrar as nossas faculdades racionais, que nos dão um maior controlo sobre as nossas ações.

Durante estes anos, a maioria das pessoas são saudáveis, cheias de energia e ávidas pela vida, sendo comum que os jovens sintam uma certa invencibilidade e até arrogância e, possuídos por um entusiasmo selvagem, independência e imprudência, por vezes correm riscos excessivos e desafiam os seus limites.

À medida que avançam na casa dos 20 anos surge a maturidade e, conforme o marco dos 30 anos de idade se aproxima, começam a sentir a necessidade de se tornar adultos responsáveis. Para muitos é o fim dos anos loucos.

Despertamos para vocações pelas quais sentimos uma atracção especial

Em compensação, disse Steiner, começamos a experimentar os primeiros sinais dos nossos talentos e habilidades especiais. Despertamos para vocações pelas quais sentimos uma atracção especial e, alguns, até mesmo para o amor. Os voos mitológicos de fantasia começam a chegar ao fim, iniciando-se as aterragens para a vida.

Também começamos a aprender a pensar em outras pessoas além de nós mesmos.  Estamos a expandir e ver a vida com um olhar mais altruísta e com outra amplitude.

Com efeito, os eventos coincidem com esses sentimentos e necessidades.  As pessoas casam-se, constituem família, têm empregos estáveis e tornam-se mais responsáveis. Em suma, começamos a nos tornarmos simplesmente mais práticos.

Dos 28 aos 35 anos:  O corpo em plena floração – fase organizacional e  crises existenciais

Entre os 28 e os 35 anos, as capacidades físicas do corpo chegam ao auge. O corpo físico atinge a maturação e podemos mesmo desfrutar de maior vitalidade física, se adoptarmos hábitos e comportarmos que promovam a melhoria da saúde física.

Tendo estabelecido os nossos alicerces físicos, começamos a experimentar o impulso pleno das nossas ambições.

Os talentos que podem ter começado a anunciar-se no final da década dos 20 anos, irrompem durante este período também e, é frequente sentirmos um enorme apetite para aprender e melhorar as nossas habilidades.

Este período desafia-nos a canalizar as nossas habilidades para áreas específicas da vida.  A vida pede-nos para nos especializarmos, tornarmo-nos peritos.

A vida diz-nos para nos individualizarmos, tornarmo-nos seres únicos.

Neste ciclo, o antagonismo das nossas ambições e desejos pode causar sensações de angústia, frustração e amargura, o que pode turvar a nossa visão, forçando-nos a ver as pessoas e situações numa perspectiva simplistas de amigo ou inimigo, preto ou branco.

Somos então desafiados a olhar para além da superficialidade e a ver mais profundamente a complexidade da vida e das pessoas.

Estamos sujeitos ao cosmos, às oscilações e por vezes é difícil ter harmonia. É-nos exigida firmeza e estabilidade, tanto material como mental e espiritual e, a consciência de que temos limites causa frustração e tristeza, surgem os abalos da nossa identidade, as crises existenciais. Então, surgem os desejos de mais autoconhecimento e busca espiritual.

A partir deste ciclo há uma renovação porque, partindo da avaliação da trajectória da nossa vida, surgem novos pensamentos, novos valores, novas relações e reorganizações. Estamos agora no comando dos nossos poderes físicos e instintos e temos a capacidade de os usar para realizar os nossos desejos e a nossa visão pessoal.

Idades dos 35 aos 42 anos:  Crise de autenticidade – o questionamento

Na jardinagem e fruticultura chama-se “poda”.  A planta é cortada, aparada, encurtada e, no processo fica mais forte.  Durante este período a crise atinge-nos em cheio. Muitos de nós somos podados por eventos que parecem estar além do nosso controlo e, no processo, sentimos decepção e uma sensação de fracasso.

As decepções mais comuns são as perdas relacionais, profissionais ou financeiras.  Outros sofrem abalos na saúde ou de outro tipo.

O que quer que ocorra, a verdade é que muitos de nós sofremos reveses e perdemos a confiança em nós e na vida. Neste ponto, podemos abraçar as nossas limitações e viver vidas menores, ou arregaçar as mangas e começar de novo.

Somos desafiados a começar de novo, a repensar e refinar os nossos caminhos, mas a permanecer fieis e comprometidos com os nossos sonhos.

Também somos convidados a ampliar a nossa visão da vida e a abraçar uma via mais espiritual.  Viemos a este mundo para aprender e fazer crescer as nossas almas e não para sermos totalmente consumidos por objectivos e ambições materialistas.

A alma abana a jaula da vida durante estes anos e acorda-nos para a sua presença e necessidades.

Somos instados pelo espírito a fazer algumas perguntas simples: Qual é a verdadeira fonte da minha felicidade e de tudo o que eu quero para mim na vida?  É o mundo material, ou tudo que eu preciso e quero flui do espírito?

Se o último é verdadeiro, então devo voltar-me para o espírito para tudo o que preciso e quero e, no processo, devo começar a formar uma nova relação com a minha fonte. Procuramos a essência de tudo, no outro e em nós. O desfio é encontrar valores espirituais e nos reconhecermos como seres únicos.

Segundo Steiner, a nossa humanidade, com as suas qualidades racionais e espirituais, está agora à frente dos nossos instintos, liderando o caminho.

O espírito vai emergindo e começa a tomar conta das nossas vidas. É um ciclo de transição. Antes vivíamos exclusivamente de acordo com os nosso desejos e poder.

Agora voltamo-nos cada vez mais para Deus (ou para a fonte) para tudo o que precisamos. Há uma maior aceitação do que se é, das histórias pessoais e experiências de vida.

Idades dos 42 aos 49 anos: A Busca da alma – altruísmo e expansão

Este ciclo tem tanto de perscrutação da alma como de emaravilhamento com a vida. Estejamos conscientes disso ou não, movemo-nos em direcção a um equilíbrio profundo entre o domínio das nossas habilidades precoces e novos poderes espirituais que nos ajudam a potencializar essas habilidades.

Este é um período de grandes mudanças. Os filhos saem de casa, as mulheres entram na menopausa, surge o medo do envelhecimento e, as questões internas despertadas pelos ciclos anteriores, entram em contradição com o saudosismo, o desejo de reviver experiências da adolescência e fazer coisas que os jovens fazem.

À medida que nos aproximamos dos 49 anos, tornamo-nos cada vez mais conscientes de uma grande transição na vida.

Conforme entramos nos últimos estágios deste período, a criatividade e a imaginação florescem. A nossa visão da vida expande-se e seguimos em novas direcções. Desenvolvemos uma visão mais ampla e humanitária da vida.

A alma ganha o controlo crescente sobre as nossas vidas

Procuramos estar ao serviço da nossa comunidade ou do mundo. Segundo Steiner, o espírito exige-nos que encarnamos os nossos valores espirituais e ideais nas nossas vidas diárias. É um momento em que a alma ganha o controlo crescente sobre as nossas vidas e nos impõe os seus valores.

Começamos a ver, mesmo que apenas intuitivamente, que deve ser alcançado um equilíbrio entre as nossas necessidades terrenas e as nossas preocupações idealistas para com a humanidade. À medida que nos aproximamos dos 50 anos, começamos a sentir que se adivinham grandes mudanças, a ver as partes das nossas vidas que enfatizamos demasiado, e as partes que negligenciamos.

Este é um tempo de reflexão. A nossa intuição torna-se a bússola pela qual dirigimos as nossas vidas.

Dos 49 aos 56 anos:  Uma visão e compreensão da vida cada vez maior

A dádiva dos 50 é a inspiração, o domínio e o poder crescente. Somos abençoados com uma riqueza de experiências que nos deram uma certa sabedoria e, se tivermos integrado os ideais e aprendizagens dos ciclos anteriores, e desenvolvido as nossas almas, emergimos naturalmente como guias e líderes nas nossas comunidades e na sociedade em geral.

Fase de desenvolvimento do espírito

É o início de um novo período de maestria e poder pessoal. É a fase de desenvolvimento do espírito e um período em que estamos mais conscientes do mundo e de nós mesmos.

Neste ciclo, desperta em nós o existencialismo e vemos os eventos numa perspectiva mais humanista, sem nos deixarmos abater pelas vicissitudes do dia-a-dia. Se tivemos cuidado da nossa saúde e mantido a vitalidade, agora podemos tornar-nos as pessoas que sempre desejámos ser. O nosso Eu autêntico começa a ganhar forma e a vida ensina-nos a ouvir a voz do coração.

Aqueles que negligenciaram a vida espiritual sentem-se cada vez mais confusos pelo processo de envelhecimento e aterrorizados pela sua própria mortalidade. Apegam-se a uma juventude ilusória e desbotada que, à medida que os anos avançam, se torna cada vez mais fugaz.

Idades dos 56 aos 63 anos.  A encruzilhada: maestria ou reavaliação.

Steiner afirmou que os 56 anos são um importante ponto de viragem na vida.  Nesta fase, emergem à consciência, novas capacidades intuitivas e espirituais, especialmente se tiver sido guiado na vida pelo seu coração e alma. A intuição torna-se o sentido mais importante, que nos conduz às respostas e nos orienta na vida.

A intuição guia-nos para o sentido de missão

É a base do senso de conexão com a fonte e, à medida que a conexão aumenta, experimentamos mais tranquilidade, harmonia e bem-estar com a vida. Tudo isso acontece à medida que o verdadeiro propósito de vida emerge à consciência com maior clareza e poder. Sentimo-nos atraídos para uma missão a que começamos a dedicar todos os nossos talentos, conhecimentos e competências ao serviço de uma causa maior do que as nossas próprias necessidades e ambições pessoais.

De acordo com Steiner, para aqueles que negligenciaram a vida espiritual, este ciclo marca um ponto de viragem em que a vida força uma reavaliação. Este período é frequentemente acompanhado por alguma forma de crise que nos faz reflectir e retornar a uma vida mais centrada no coração e baseada na espiritualidade.

Face a essa crise, disse Steiner, o espírito força a um olhar mais profundo sobre a vida o que, nesse momento, pode ser doloroso e confuso, especialmente se não tivermos dedicado muito tempo ao trabalho de desenvolvimento espiritual e, o medo da morte torna-se desesperante.

Idades dos 63 aos 70 anos:  Tempo de colheita e distribuição da riqueza.

Este período é um tempo de bênção, graça e oportunidade. Nas comunidades tradicionais, estes eram os anciãos, aqueles a quem recorriam pela sua sabedoria, visão e dons intuitivos. Estamos livres das labutas profissionais e, no entanto, ainda podemos ter uma energia e vitalidade consideráveis.  Somos professores, conselheiros, guias e fontes de inspiração para os outros.

Este é o período em que desejamos apoiar os que vêm a seguir a nós, que ainda estão envolvidos nas lutas da vida. É um período de grande poder e recompensa porque já estamos livres das lutas da vida, mas importamo-nos profundamente com as batalhas dos outros. O nosso principal elo de ligação à sociedade é o nosso amor e carinho, e a consciência de que os outros ainda precisam do dom da nossa experiência, sabedoria e orientação.

Acima dos 70 anos:  Reflexão.

Durante este período, já não estamos vinculados por qualquer responsabilidade para com os outros. É um momento em que se avalia e faz um balanço da vida, reflectindo sobre o passado, e experimentando a riqueza do presente.

Este é o limiar do Renascimento para o próximo mundo, o período de preparação para a próxima aventura.  Aguarda-se a chamada.

Todavia, aqueles que negligenciaram o trabalho espiritual, vivem agora atormentados pelo envelhecimento e pelo medo da eminência da sua morte.

Há bênçãos em todas as fases da vida. A nossa energia vital circula pelas diversas fases, a nossa mente tem diferentes níveis de aprendizagem e a nossa espiritualidade também pode estar mais ou menos aberta conforme cada estádio. Todas as culturas tradicionais sustentavam que a vida melhorava à medida que nos íamos tornando mais velhos.

Todavia, essa não é a mensagem passada a muitos de nós neste nosso mundo orientado para a juventude. Compete a cada um de nós, cidadãos do mudo, empreender as mudanças ao nosso alcance para que a vida seja vista com outras lentes, pois há muita verdade no que Steiner e outros disseram – os melhores anos estão à nossa frente, se seguirmos os ditames do coração e desenvolvermos os poderes impressionantes das nossas almas.

Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
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