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Luto: Perda, dor e superação – Mitos e Factos

10 meses atrás · · 0 Comentários

Luto: Perda, dor e superação – Mitos e Factos

A morte de alguém que amamos profundamente é um dos desafios mais difíceis que temos de enfrentar na vida. Lidar com a dor da perda de alguém, ou de algo que amamos, pode ser avassalador. Podemos sentir diferentes emoções difíceis e inesperadas, como o choque ou raiva, descrença, culpa e tristeza profunda. A dor da perda também pode interferir na saúde física, sendo frequentes as perturbações do sono, perda de apetite, ou até mesmo dificuldades de raciocínio. Estas são reacções normais a perdas significativas.

Apesar de não haver maneiras certas ou erradas de sofrer, há maneiras saudáveis de lidar com a dor que, com o tempo, podem atenuar a tristeza e ajudar-nos a aceitar a perda, a encontrar um novo sentido para a vida e seguir em frente.

O luto é uma resposta natural à perda. É o sofrimento emocional que sentimos quando algo ou alguém que amamos desaparece e, quanto mais significativa a perda, mais intensa será a dor.

O luto é uma vivência pessoal

O luto é uma experiência profundamente individual – a forma como o processo de luto é elaborado depende de factores como a personalidade, a experiência de vida, a capacidade de resiliência e a forma de enfrentamento, a fé e de quão significativa seja a perda. Inevitavelmente, quanto mais significativa é a perda, mais lento e moroso será o processo de luto.

A cura acontece gradualmente, e não pode ser forçada ou apressada – não existe cronograma para o luto, nem estratégias de superação certas ou erradas. Algumas pessoas começam a sentir-se melhor após algumas semanas ou meses, mas, para outras, o processo de luto prolonga-se durante anos. Qualquer que seja a sua experiência de luto, é importante ser paciente consigo mesmo e permitir que o processo se desenvolva naturalmente. É fácil cair na rotina do dia a dia, fazer as mesmas coisas de forma quase automática, entregando-nos à solidão e deixando-nos prender à tristeza.

Existem crenças relacionadas com o luto e a dor da perda que importa desmistificar:

Mito: A dor desaparece mais depressa se a ignorarmos.

Facto: Tentar ignorar a dor ou impedi-la de emergir só piorará a situação a longo prazo. A dor da perda deve ser encarada como uma ferida que, se não for tratada tende a agravar. Para uma verdadeira cura, é necessário enfrentar a dor e lidar activamente com ela.

Mito: É importante “ser forte” face à perda.

Facto: Sentir-se triste, assustado ou sozinho é uma reacção normal à perda. Chorar não significa que se é fraco. Não precisamos “proteger” a família ou os amigos colocando uma máscara de corajosos. Mostrar os verdadeiros sentimentos pode ajudá-los eles e a nós próprios.

Mito: Se não chora, significa que não sofre muito com a perda.

Facto: Chorar é uma resposta normal à tristeza, mas não é a única. Aqueles que não choram podem sentir a dor tão ou mais profundamente quanto os outros. Eles podem simplesmente ter outras maneiras de a processar.

Mito: O luto deve durar cerca de um ano.

Facto: Não há um prazo específico para o luto. Quanto tempo demora difere de pessoa para pessoa e do significado da perda.

Mito: Seguir em frente com a sua vida significa esquecer a sua perda.

Facto: Seguir em frente significa que aceitou a sua perda – mas é muito diferente de esquecer. Podemos seguir em frente com a vida e manter a memória de alguém ou algo que perdemos como uma parte importante de nós. De facto, à medida que nos movemos pela vida, essas memórias podem se tornar cada vez mais essenciais para definir quem somos.

Como lidar com o processo de luto

Enquanto lamentar uma perda é uma parte inevitável da vida, existem também maneiras de ajudar a lidar com a dor, de aceitá-la e, eventualmente, de encontrar uma forma de recolher os cacos, voltar a uni-los e seguir em frente com a nossa vida.

  1. Reconheça a sua dor.
  2. Aceite que o luto pode desencadear muitas emoções diferentes e inesperadas.
  3. Entenda que o seu processo de luto será exclusivo para si.
  4. Procure apoio individualizado de pessoas que se preocupam consigo.
  5. Apoie-se emocionalmente, cuidando de si mesmo, fisicamente.
  6. Reconheça a diferença entre tristeza e depressão.

As etapas do luto

Em 1969, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross introduziu o que ficou conhecido como os “cinco estágios do luto”. Esses estágios ou fases do luto basearam-se nos seus estudos sobre os sentimentos de pacientes com doenças terminais, mas os mesmos foram aplicados a outras perdas ou mudanças negativas na vida, como a morte de um ente querido, ou uma separação.

Os cinco estágios do luto:

  1. Negação: “Isso não pode estar a acontecer comigo”.
  2. Raiva: “Porquê, comigo? Porquê a mim? Quem é o culpado?”
  3. Negociação: “Isto não está a acontecer. Isto é um pesadelo do qual vou acordar e estará tudo bem”.
  4. Depressão: “Estou demasiado triste para fazer o que quer que seja.”
  5. Aceitação: “Estou em paz com o que aconteceu.”

Se está a experienciar alguma destas emoções após uma perda, poderá ser útil saber que a sua reacção é natural e que, com o tempo, sentir-se-á melhor. No entanto, nem todas pessoas que sofrem perdas passam por todas estas etapas. De facto, algumas pessoas superam a sua perda sem passar por vários destes estágios. Se passar por estas fases de pesar, provavelmente não as experienciará de forma organizada e sequencial, ou poderá alternar entre uma fase e outra. Embora estes estágios sejam respostas que muitas pessoas têm à perda, não há respostas padrão porque as perdas não são padronizadas. O luto é tão individual quanto nós próprios.

A dor do luto muitas vezes pode fazer com que nos queiramos afastar dos outros e fechar na nossa própria concha, por isso, o apoio de outras pessoas é vital para superar a perda. Mesmo que não nos sintamos à vontade para falar sobre os nossos sentimentos em circunstâncias normais, é importante expressá-los quando estamos em sofrimento. Todavia, embora partilhar a dor da perda possa tornar o fardo mais fácil de ser transportado, isso não significa que temos forçosamente de falar sobre a perda sempre que interagimos com amigos e familiares. O conforto pode vir simplesmente do carinho recebido de outras pessoas que se importam connosco.

Se está a vivenciar um luto e sente dificuldade em seguir em frente, pode ser útil fazer uso de algumas destas sugestões:

  • Recordar – As memórias da vida de um ente querido são presentes preciosos para guardar no coração. Lembrar momentos felizes é uma maneira bonita de homenagear a pessoa que se perdeu e permitir que a luz entre num período doloroso da nossa vida.
    Obter ajuda – As pessoas que já vivenciaram perdas idênticas podem ser uma grande fonte de inspiração, esperança e encorajamento. Um grupo de apoio ou de partilha, ou um conselheiro de luto fornecem um lugar seguro para processar perdas traumáticas.
    Encontrar a esperança – Independentemente das crenças religiosas de cada um, a tristeza profunda atrai-nos muitas vezes para a procura de ajuda espiritual. Num período mais sombrio da perda, em que podemos estar imersos na tristeza, admitir a nossa incapacidade de lidar com a perda, pedir ajuda, e permitir que alguém nos apoie, pode ser um  ponto de viragem significativo para a cura.

O luto complicado

A tristeza de perder alguém que amamos nunca desaparece completamente, mas não deve permanecer no centro do palco da nossa vida. Se a dor da perda é tão constante e severa que o impede de retomar a sua vida, pode estar a sofrer de algo conhecido como luto complicado. Pode ter dificuldade em aceitar a morte muito tempo depois de ela ter ocorrido, ou estar tão perturbado com a morte da pessoa que isso interfere com as suas rotinas diárias e prejudica os seus outros relacionamentos.

Sintomas do luto complicado:

  • Saudade e desejo intenso do ente querido falecido
  • Pensamentos intrusivos ou imagens do ente querido
  • Negação da morte ou sentimento de descrença
  • Imaginar que o ente querido está vivo
  • Procurar o ente querido falecido em lugares familiares
  • Evitar coisas que lembram o ente querido
  • Raiva extrema ou amargura pela perda
  • Sentimento de vazio ou que a vida perdeu o sentido

Se a morte do seu ente querido foi súbita, violenta, ou extremamente perturbadora, o luto complicado pode se manifestar como trauma psicológico. Se a sua perda o fez sentir-se impotente e luta com emoções, lembranças e ansiedade perturbadoras que não desaparecem, é recomendável que procure ajuda especializada de um terapeuta ou conselheiro de luto. Existem muitas formas de apoio disponíveis. Não precisamos passar pela dor sozinhos e, uma orientação correcta pode promover mudanças de cura significativas e ajudar a seguir em frente com a vida.

O Processo do Luto

1 ano atrás · · 0 Comentários

O Processo do Luto

O luto é uma reacção a uma perda significativa. É um processo natural e o meio de recuperação emocional à dor da perda.

Tipos de perda

Esta reacção ocorre quando experienciamos um sofrimento profundo causado por certos tipos de perdas, tais como:

  • A morte de um ente querido ou alguém muito significativo;
  • O fim de um relacionamento;
  • O sofrimento de alguém que nos é próximo e que está a experienciar uma doença crónica ou terminal;
  • A perda de factores importantes na vida como a segurança económica ou um emprego de que gostávamos;
  • A morte de um animal de estimação;
  • Uma mudança negativa no que diz respeito à saúde ou funcionamento físico e psíquico.

Quando se está a passar por um luto é normal sentir-se:

  • Como se  estivesse a ficar “louco”;
  • Incapaz de se concentrar/esquecimento frequente;
  • Zangado e/ou reactivo às coisas;
  • Com a percepção de ficar mais sensível aos acontecimentos;
  • Alterações de humor;
  • Como se estivesses “anestesiado”;
  • Depressivo;
  • Ambivalente;
  • Incompreendido e frustrado;
  • Ansioso, nervoso e com medo;
  • Falta de energia;
  • Como se quisesse “fugir para bem longe”;
  • Culpa e remorso por coisas que não disse ou não fez.

É igualmente possível que tenha algumas “alucinações” – pode  começar a achar que as outras pessoas se parecerem com a pessoa que perdeu, porque quer muito tê-la presente.

Estes sentimentos protegem-nos temporariamente da realidade da perda. Servem de “absorventes do choque psicológico” até que esteja pronto para tolerar o que não quer aceitar.

Fases do processo de Luto

São 5 as fases do processo de Luto:

  1. Choque da perda;
  2. Negação da perda;
  3. Tristeza profunda;
  4. Aceitação da perda;
  5. Superação/conformação

Estas fases não são experienciadas de igual modo por todas as pessoas e também variam consoante o tipo de perda. A duração de cada uma delas é igualmente variável, podendo mesmo “navegar” entre duas delas.

Se achar que isto lhe aconteceu ou está a acontecer, é sempre possível mobilizar recursos no exterior, como procurar ajuda dos amigos, familiares ou de técnicos especializados como os psicólogos especializados em luto, conselheiros ou terapeutas de luto, e grupos de ajuda.

Dicas úteis para a elaboração do processo de luto

Eis algumas práticas que podem ser úteis na elaboração de um processo de luto:

  • Falar com família e amigos;
  • Fazer exercício;
  • Procurar ajuda psicoterapêutica;
  • Participar em grupos de apoio, religiosos ou não;
  • Ler livros sobre o assunto;
  • Manter a esperança;
  • Participar em actividades sociais;
  • Ter uma alimentação cuidada;
  • Descansar e relaxar;
  • Ouvir música.

Esta lista poderá ajudá-lo(a) a ter uma ideia mais clara de como “gerir” o que está a sentir. No entanto, cada um de nós tem o seu estilo próprio e único de lidar com a dor, por isso poderá ser útil fazer a sua própria lista, mais adaptada às suas necessidades. Falar com amigos que tenham passado por um luto há pouco tempo, também poderá ajudar a encontrar novos caminhos para lidar com o seu luto. Apesar de, no limite, ter de ser cada pessoa a perceber e sentir o que melhor se adequa a si e ao seu luto.

Como lidar com sentimentos de perda

Um dos caminhos para perceber melhor o seu estilo próprio de lidar com situações de grande sofrimento e perda, pode passar por recordar como lidou com outras situações dolorosas no passado. Tentar reflectir sobre o que sentiu como mais útil e adequado para lidar com essas situações. No entanto é importante ter em atenção que, por exemplo, falar com amigos ou escrever o que está a sentir, podem ser estratégias muito úteis e libertadoras, mas outras como o isolamento ou o abuso de substâncias podem ser muito destrutivas e impedi-lo de fazer o luto. Nunca se esqueça que demora muito tempo a “cicatrizar” a dor e sem dúvida que haverá dias melhores que outros.

Muitas vezes, pode achar que os amigos e a família não lhe podem fornecer o nível ou o tipo de apoio que precisa no seu processo de luto. Essas pessoas podem,  elas próprias, estar a vivenciar um luto, ou pode sentir que não têm distanciamento suficiente face a si e ao processo ou podem transportar certos “mitos sociais” em relação à perda e ao luto. Nestes e noutros casos, um terapeuta pode ajudá-lo a compreender melhor o seu luto fornecendo-lhe a informação e o apoio necessários. Pode ainda dispor de um lugar seguro onde possa viver a sua dor inteira e naturalmente, ajudando-o(a) a seguir em frente e a encontrar um significado continuado na vida.

Dicas para apoiar a pessoa em luto

Eis algumas dicas importantes para apoiar convenientemente uma pessoa em luto:

  • Ser um bom ouvinte;
  • Estar presente;
  • Perguntar sobre a sua perda;
  • Fazer-lhes telefonemas;
  • Deixá-los sentirem-se tristes;
  • Não minimizar a sua perda;
  • Fazer perguntas sobre o que estão a sentir;
  • Partilhar os teus sentimentos;
  • Relembrar a perda;
  • Ter consciência e conhecimento da dor;
  • Estar disponível sempre que puder;
  • Falar das suas próprias perdas.

O luto é uma das experiências mais dolorosas e intensas que qualquer ser humano pode vivenciar e testemunhar. No entanto, quanto mais conscientes estivermos da intensidade e individualidade com que cada um vive este processo, mais facilmente o conseguiremos experienciar, tendo sempre em conta que a dor é inevitável.

Quando está a vivenciar um luto, é natural que a pessoa se sinta frequentemente sozinha e isolada, já que pouco depois da perda as redes e apoios sociais parecem diminuir. Quando o choque da perda desvanece, há uma tendência para as pessoas se sentirem mais tristes e se isolarem.

Também é natural que alguns amigos bem-intencionados possam tentar evitar discutir o assunto devido ao seu próprio desconforto relativamente ao luto, ou devido a terem medo de fazer com que as pessoas se sintam pior. Podem não saber o que fazer nem o que dizer.

Neste sentido é importante perceber que as pessoas em luto, muitas vezes flutuam entre querer estar sozinhas e querer a companhia dos outros. Tendo consciência desta ambivalência, pode tentar perceber se a pessoa quer sentir-se mais “próxima” ou mais “distante”, e mostrar que está sempre disponível para o que precisarem. Mostre assim o seu interesse e a sua sensibilidade, o que pode ser muito tranquilizante para quem está a vivenciar um luto. Mesmo que se sinta constrangido e nervoso por estar com alguém em luto, isso é melhor do que não estar sequer presente.

Terapias Energéticas para cura do corpo e da alma

Feito com ♥ por Krystel Leal e Ana Paula Vieira
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