1 ano atrás · Ana Paula Vieira · 0 Comentários
O Processo do Luto
O luto é uma reacção a uma perda significativa. É um processo natural e o meio de recuperação emocional à dor da perda.
Esta reacção ocorre quando experienciamos um sofrimento profundo causado por certos tipos de perdas, tais como:
- A morte de um ente querido ou alguém muito significativo;
- O fim de um relacionamento;
- O sofrimento de alguém que nos é próximo e que está a experienciar uma doença crónica ou terminal;
- A perda de factores importantes na vida como a segurança económica ou um emprego de que gostávamos;
- A morte de um animal de estimação;
- Uma mudança negativa no que diz respeito à saúde ou funcionamento físico e psíquico.
Quando se está a passar por um luto é normal sentir-se:
- Como se se estivesse a ficar “louco”;
- Incapaz de se concentrar/esquecimento frequente;
- Zangado e/ou reactivo às coisas;
- Com a percepção de ficar mais sensível aos acontecimentos;
- Alterações de humor;
- Como se estivesses “anestesiado”;
- Ambivalente;
- Incompreendido e frustrado;
- Ansioso, nervoso e com medo;
- Falta de energia;
- Como se quisesse “fugir para bem longe”;
- Culpa e remorso por coisas que não disse ou não fez.
É igualmente possível que tenha algumas “alucinações” – as outras pessoas podem começar a parecerem-se com a pessoa que perdeu, porque quer muito tê-la presente.
Estes sentimentos protegem-nos temporariamente da realidade da perda. Servem de “absorventes do choque psicológico” até que esteja pronto para tolerar o que não quer acreditar.
São 5 as fases do processo de Luto:
- Choque da perda;
- Negação da perda;
- Tristeza profunda;
- Aceitação da perda;
- Superação/conformação
Estas fases não são experienciadas de igual modo por todas as pessoas e também variam consoante o tipo de perda. A duração de cada uma delas é igualmente variável, podendo mesmo “navegar” entre duas delas.
Se achar que isto lhe aconteceu ou está a acontecer, é sempre possível mobilizar recursos no exterior, como procurar ajuda dos amigos, familiares ou de técnicos especializados como os psicólogos especializados em luto, conselheiros ou terapeutas de luto, e grupos de ajuda.
Eis algumas práticas que podem ser úteis na elaboração de um processo de luto:
- Falar com família e amigos;
- Fazer exercício;
- Procurar ajuda psicoterapêutica;
- Participar em grupos de apoio, religiosos ou não;
- Ler livros sobre o assunto;
- Manter a esperança;
- Participar em actividades sociais;
- Ter uma alimentação cuidada;
- Descansar e relaxar;
- Ouvir música.
Esta lista poderá ajudá-lo(a) a ter uma ideia mais clara de como “gerir” o que está a sentir. No entanto, cada um de nós tem o seu estilo próprio e único de lidar com a dor e por isso poderá a partir de aqui fazer uma lista só sua, mais adaptadas às suas necessidades. Falar com amigos que tenham passado por um luto há pouco tempo poderá ajudar a encontrar novos caminhos para lidar com o seu luto. Apesar de, no limite, ter de ser cada um de nós a perceber e sentir o que melhor se adequa a nós e ao nosso luto.
Um dos caminhos para perceber melhor o seu estilo próprio de lidar com situações de grande sofrimento e perda, pode passar por recordar como lidou com outras situações dolorosas do seu passado. Tentar reflectir sobre o que sentiu como mais útil e adequado para lidar com essas situações. No entanto é importante ter em atenção que, por exemplo, falar com amigos ou escrever o que está a sentir, podem ser estratégias muito úteis e libertadoras, mas outras como o isolamento ou o abuso de substâncias podem ser muito destrutivas e impedi-lo de fazer o luto. Nunca se esqueça que demora muito tempo a “cicatrizar” a dor e sem dúvida que haverá dias melhores que outros.
Muitas vezes, pode achar que os amigos e a família não lhe podem fornecer o nível ou o tipo de apoio que precisa no seu processo de luto. Certas pessoas podem estar elas próprias a vivenciar um luto, pode sentir que não têm um distanciamento suficiente face a si e ao processo ou podem transportar certos “mitos da sociedade” em relação à perda e ao luto. Nestes e noutros casos, um terapeuta pode ajudá-lo a compreender melhor o seu luto fornecendo-lhe a informação e o apoio necessários. Pode ainda dispor de um lugar seguro onde possa viver a sua dor inteira e naturalmente, ajudando-o(a) a seguir em frente e a encontrar um significado continuado na vida.
Eis algumas dicas importantes para apoiar convenientemente uma pessoa em luto:
- Ser um bom ouvinte;
- Estar presente;
- Perguntar sobre a sua perda;
- Fazer-lhes telefonemas;
- Deixá-los sentirem-se tristes;
- Não minimizar a sua perda;
- Fazer perguntas sobre o que estão a sentir;
- Partilhar os teus sentimentos;
- Relembrar a perda;
- Ter consciência e conhecimento da dor;
- Estar disponível sempre que puder;
- Falar das suas próprias perdas.
Quando se está a vivenciar um luto, é natural que as pessoas se sintam frequentemente sozinhas e isoladas, já que pouco depois da perda as redes e apoios sociais parecem diminuir. Até porque, quando o choque da perda desvanece, há uma tendência para as pessoas se sentirem mais tristes e isolarem-se.
Também é natural que alguns amigos bem-intencionados possam tentar evitar discutir o assunto devido ao seu próprio desconforto relativamente ao luto, ou devido a terem medo de fazer com que as pessoas se sintam pior. Podem não saber o que fazer nem o que dizer.
Neste sentido é importante perceber que as pessoas em luto, muitas vezes flutuam entre querer estar sozinhas e querer a companhia dos outros. Tendo consciência desta ambivalência, pode tentar perceber se a pessoa quer sentir-se mais “próxima” ou mais “distante”, e mostrar que está sempre disponível para o que precisarem. Mostre assim o seu interesse e a sua sensibilidade, o que pode ser muito tranquilizante para quem está a viver um luto. Mesmo que se sinta constrangido e nervoso por estar com alguém em luto, isso é melhor do que não estar sequer presente.
O luto é uma das experiências mais dolorosas e intensas que qualquer ser humano pode vivenciar e testemunhar. No entanto, quanto mais conscientes estivermos da intensidade e individualidade com que cada um vive este processo, mais facilmente o conseguiremos experienciar, tendo sempre em conta que a dor é inevitável.
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