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    O Processo do Luto

    4 anos atrás · · 0 Comentários

    O Processo do Luto

    O luto é uma reacção a uma perda significativa. É um processo natural e o meio de recuperação emocional à dor da perda.

    Tipos de perda

    Esta reacção ocorre quando experienciamos um sofrimento profundo causado por certos tipos de perdas, tais como:

    • A morte de um ente querido ou alguém muito significativo;
    • O fim de um relacionamento;
    • O sofrimento de alguém que nos é próximo e que está a experienciar uma doença crónica ou terminal;
    • A perda de factores importantes na vida como a segurança económica ou um emprego de que gostávamos;
    • A morte de um animal de estimação;
    • Uma mudança negativa no que diz respeito à saúde ou funcionamento físico e psíquico.

    Quando se está a passar por um luto é normal sentir-se:

    • Como se estivesse a ficar “louco”;
    • Incapaz de se concentrar/esquecimento frequente;
    • Zangado e/ou reactivo às coisas;
    • Com a percepção de ficar mais sensível aos acontecimentos;
    • Alterações de humor;
    • Como se estivesses “anestesiado”;
    • Depressivo;
    • Ambivalente;
    • Incompreendido e frustrado;
    • Ansioso, nervoso e com medo;
    • Falta de energia;
    • Como se quisesse “fugir para bem longe”;
    • Culpa e remorso por coisas que não disse ou não fez.

    É igualmente possível que tenha algumas “alucinações” – pode começar a achar que as outras pessoas se parecerem com a pessoa que perdeu, porque quer muito tê-la presente.

    Estes sentimentos protegem-nos temporariamente da realidade da perda. Servem de “absorventes do choque psicológico” até que esteja pronto para tolerar o que não quer aceitar.

    Fases do processo de Luto

    São 5 as fases do processo de Luto:

    1. Choque da perda;
    2. Negação da perda;
    3. Tristeza profunda;
    4. Aceitação da perda;
    5. Superação/conformação

    Estas fases não são experienciadas de igual modo por todas as pessoas e também variam consoante o tipo de perda. A duração de cada uma delas é igualmente variável, podendo mesmo “navegar” entre duas delas.

    Se achar que isto lhe aconteceu ou está a acontecer, é sempre possível mobilizar recursos no exterior, como procurar ajuda dos amigos, familiares ou de técnicos especializados como os psicólogos especializados em luto, conselheiros ou terapeutas de luto, e grupos de ajuda.

    Dicas úteis para a elaboração do processo de luto

    Eis algumas práticas que podem ser úteis na elaboração de um processo de luto:

    • Falar com família e amigos;
    • Fazer exercício;
    • Procurar ajuda psicoterapêutica;
    • Participar em grupos de apoio, religiosos ou não;
    • Ler livros sobre o assunto;
    • Manter a esperança;
    • Participar em actividades sociais;
    • Ter uma alimentação cuidada;
    • Descansar e relaxar;
    • Ouvir música.

    Esta lista poderá ajudá-lo(a) a ter uma ideia mais clara de como “gerir” o que está a sentir. No entanto, cada um de nós tem o seu estilo próprio e único de lidar com a dor, por isso poderá ser útil fazer a sua própria lista, mais adaptada às suas necessidades. Falar com amigos que tenham passado por um luto há pouco tempo, também poderá ajudar a encontrar novos caminhos para lidar com o seu luto. Apesar de, no limite, ter de ser cada pessoa a perceber e sentir o que melhor se adequa a si e ao seu luto.

    Como lidar com sentimentos de perda

    Um dos caminhos para perceber melhor o seu estilo próprio de lidar com situações de grande sofrimento e perda, pode passar por recordar como lidou com outras situações dolorosas no passado. Tentar reflectir sobre o que sentiu como mais útil e adequado para lidar com essas situações. No entanto é importante ter em atenção que, por exemplo, falar com amigos ou escrever o que está a sentir, podem ser estratégias muito úteis e libertadoras, mas outras como o isolamento ou o abuso de substâncias podem ser muito destrutivas e impedi-lo de fazer o luto. Nunca se esqueça que demora muito tempo a “cicatrizar” a dor e sem dúvida que haverá dias melhores que outros.

    Muitas vezes, pode achar que os amigos e a família não lhe podem fornecer o nível ou o tipo de apoio que precisa no seu processo de luto. Essas pessoas podem, elas próprias, estar a vivenciar um luto, ou pode sentir que não têm distanciamento suficiente face a si e ao processo ou podem transportar certos “mitos sociais” em relação à perda e ao luto. Nestes e noutros casos, um terapeuta pode ajudá-lo a compreender melhor o seu luto fornecendo-lhe a informação e o apoio necessários. Pode ainda dispor de um lugar seguro onde possa viver a sua dor inteira e naturalmente, ajudando-o(a) a seguir em frente e a encontrar um significado continuado na vida.

    Dicas para apoiar a pessoa em luto

    Eis algumas dicas importantes para apoiar convenientemente uma pessoa em luto:

    • Ser um bom ouvinte;
    • Estar presente;
    • Perguntar sobre a sua perda;
    • Fazer-lhes telefonemas;
    • Deixá-los sentirem-se tristes;
    • Não minimizar a sua perda;
    • Fazer perguntas sobre o que estão a sentir;
    • Partilhar os teus sentimentos;
    • Relembrar a perda;
    • Ter consciência e conhecimento da dor;
    • Estar disponível sempre que puder;
    • Falar das suas próprias perdas.

    O luto é uma das experiências mais dolorosas e intensas que qualquer ser humano pode vivenciar e testemunhar. No entanto, quanto mais conscientes estivermos da intensidade e individualidade com que cada um vive este processo, mais facilmente o conseguiremos experienciar, tendo sempre em conta que a dor é inevitável.

    Quando está a vivenciar um luto, é natural que a pessoa se sinta frequentemente sozinha e isolada, já que pouco depois da perda as redes e apoios sociais parecem diminuir. Quando o choque da perda desvanece, há uma tendência para as pessoas se sentirem mais tristes e se isolarem.

    Também é natural que alguns amigos bem-intencionados possam tentar evitar discutir o assunto devido ao seu próprio desconforto relativamente ao luto, ou devido a terem medo de fazer com que as pessoas se sintam pior. Podem não saber o que fazer nem o que dizer.

    Neste sentido é importante perceber que as pessoas em luto, muitas vezes flutuam entre querer estar sozinhas e querer a companhia dos outros. Tendo consciência desta ambivalência, pode tentar perceber se a pessoa quer sentir-se mais “próxima” ou mais “distante”, e mostrar que está sempre disponível para o que precisarem. Mostre assim o seu interesse e a sua sensibilidade, o que pode ser muito tranquilizante para quem está a vivenciar um luto. Mesmo que se sinta constrangido e nervoso por estar com alguém em luto, isso é melhor do que não estar sequer presente.

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    Tags: , , , , , , , , Categorias: Luto e Perdas

    Ana Paula Vieira

    Ana Paula Vieira

    Coach, Conselheira de Luto e Hipnoterapêuta, e ajudo pessoas que desejam alcançar equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, a gerir as suas emoções com eficácia para que tenham uma vida mais plena, gratificante, alinhada com os seus valores, intencional e feliz. A felicidade constrói-se de dentro para fora. Vem aprender a ser feliz!

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