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Luto colectivo

2 semanas atrás · ·0 Comentários

Luto colectivo

A COVID-19 teve e continua a ter um profundo impacto nas nossas vidas. Não sabemos o que vai emergir desta pandemia, mas sabemos que todos perdemos muito. Perdemos tanto que estamos agora a lidar com um luto colectivo.

Normalmente, quando pensamos no luto,  pensamos na perda (por morte) de um ente querido. No entanto, podemos sentir pesar por qualquer coisa, física ou imaterial, a que estejamos emocionalmente apegados. A questão é nunca nos tínhamos apercebido da quantidade de coisas a que estávamos apegados. Tomámos tantas coisas como adquiridas e, de um dia para o outro, a nossa realidade mudou.

Cada um de nós está a enfrentar perdas significativas

Cada um de nós está a enfrentar o luto por perdas significativas, seja a perda das nossas rotinas, dos nossos locais de culto, do empregou ou da estabilidade financeira, do convívio com os amigos, ou seja a perda de um ente querido sem poder dizer o último adeus…

Há cerca de dois meses atrás ouvi o autor David Kessler dizer num podcast :

“Estamos todos a lidar com a perda colectiva do mundo que conhecíamos. … Não sei como é que isto vai mudar, mas vai. Vamos encontrar sentido; vamos sair do outro lado disto … mas o mundo a que todos estávamos habituados já desapareceu.”

Quando o ouvi, as suas palavras já fizeram todo o sentido, mas à medida que o tempo avança, fazem ainda mais. Para quem não sabe quem é David Kessler, ele é, muito provavelmente, O Especialista de Luto por excelência. Ele tem trabalhado com luto e trauma desde o início da sua carreira, é co-autor, juntamente com a psiquiatra Elizabeth Kubler-Ross, dos livros “Life Lessons: Two Experts on Death and Dying Teach Us About the Mysteries of Life and Living e “On Grief and Grieving” e, recentemente, escreveu “Finding Meaning – the sixth stage of grieving”. David Kessler não só tem dedicado a sua vida a apoiar pessoas enlutadas, ao estudo e investigação da temática do luto, como experiênciou várias das perdas mais duras e significativas que um ser humano vivencia – a perda da mãe na adolescência e do seu filho mais novo há alguns anos atrás.

O que estamos a experienciar agora é o mesmo que sentimos quando sofremos uma perda significativa

Segundo Kessler, o que estamos a experienciar agora, os sentimentos que surgem são os mesmos que normalmente experienciamos quando sofremos uma perda significativa. A única diferença é que agora é um luto global. Nós apegamo-nos tanto a pessoas como a coisas ou a estilos de vida. E, embora alguns dos nossos apegos possam ser considerados triviais e sem importância para alguns, há muitas pequenas perdas que experienciamos e que representaram uma grande parte das nossas vidas.

Estamos gratos pelo que ainda temos mas podemos lamentar a perda das nossas vidas como costumavam ser. Sentimos falta de muitas das nossas velhas rotinas e do prazer que advém de muitas delas. Temos falta da confraternização com os nossos amigos, de ir tomar café, de almoçar fora e de estar perto uns dos outros. Faz-nos falta o convívio com os colegas de trabalho. É um luto colectivo que nos afecta a todos. Quando alguém perde um ente querido, os sentimentos de perda são agravados pela impossibilidade de poder abraçá-lo ou confortá-lo fisicamente ou mesmo de ir ao funeral. Já não podemos contar com os ombros dos nossos amigos para poder chorar. Lamentamos a perda do contacto humano e talvez nunca nos tivéssemos apercebido da importância que isso tinha para nós. Tomámos tanto por garantido.

É normal ficarmos transtornados com as perdas

De facto, é normal ficarmos transtornados. Afinal de contas, o nosso mundo foi virado do avesso. Perdemos o nosso sentido de segurança e protecção. Preocupamo-nos com os nossos filhos e com o impacto que isto terá sobre eles. Adiámos ou perdemos projectos, desfizeram-se sonhos. Sentimos falta das coisas que costumávamos fazer para nos distrairmos e aliviar o nosso stress, tais como ir ao ginásio, dançar, ir ao cinema, assistir a espetáculos, assistir ou participar em eventos desportivos. A lista é interminável. Entristecemo-nos com aspectos do nosso futuro que, aparentemente, mudaram para sempre. Perdemos tanto e é perfeitamente normal chorar o que perdemos. Podemos esperar encontrar alívio no futuro, mas as coisas já não voltam a ser como eram.

É normal que sintamos falta e lamentemos a perda destas partes das nossas vidas. Muitas destas actividades ajudaram a definir quem somos, como nos vemos a nós próprios, e como os outros nos vêem. O nosso luto certamente não atinge a magnitude do luto após uma morte, e consequentemente, muitos de nós recusamos reconhecer as nossas perdas não relacionadas com a morte.

Sentimo-nos culpados e envergonhados com este luto…

Sentimo-nos culpados, envergonhados, fracos ou constrangidos, porque a situação de outros é muito pior. De facto um dos maioires obstáculos para nos permitirmos chorar as nossas perdas actuais é a vergonha que muitas vezes se instala.

Eu, por exemplo, quando começo a sentir saudades dos velhos tempos, sinto-me muitas vezes mal com a minha própria ingratidão, sabendo que há outras pessoas a enfrentar problemas bem mais angustiantes, tais como perder um negócio, um emprego, ou o parceiro de uma vida. E, na verdade, a comparação do sofrimento nunca é útil e pode levar-nos a descartar as nossas próprias experiências. A investigadora da vulnerabilidade e vergonha Brené Brown expôs isto muito bem quando disse:

“(…) sem pensar, começamos a classificar o nosso sofrimento e a usá-lo para nos negarmos ou nos darmos permissão para sentir. (…) Mas não é assim que funciona a emoção ou o afecto. As emoções não desaparecem porque lhes enviamos uma mensagem de que estes sentimentos são inapropriados e não atingem níveis suficientemente elevados no quadro do sofrimento. (…) Todo o mito do sofrimento comparativo é a crença de que a empatia é finita. (…) É falso. Quando praticamos a empatia connosco próprios e com os outros, criamos mais empatia.”

É importante validarmos os nossos sentimentos de pesar

É importante termos presente que os nossos sentimentos são válidos. Podem ser diferentes dos outros, mas não há uma forma certa ou errada de sentir o que sentimos. Precisamos de nos darmos permissão para sentirmos tristeza e desgosto, até para que os nossos filhos sintam que o seu próprio sofirmento também é validado. Alguns de nós podem nem sequer ter consciencia de que o que têm estado a sentir é luto.

O luto pode afectar todas as áreas do nosso ser, não apenas os aspectos emocionais, mas também os físicos e espirituais. A primeira coisa que devemos fazer é reconhecer que as nossas perdas são reais e nos afectam. Depois precisamos de reconhecer os nossos sentimentos e falar sobre eles com alguém em quem possamos confiar e nos sintamos confortáveis. Por exemplo, um amigo ou membro da família que se encontre em circunstâncias semelhantes provavelmente compreenderá e relacionar-se-á com o que está a vivenciar.

Kessler escreve: “O luto de cada pessoa é tão único como a sua impressão digital. Mas o que todos têm em comum é que, independentemente da forma como sentem a dor, partilham a necessidade de que a sua dor seja testemunhada”.

O não reconhecimento do stress adicional associado à pandemia apresenta o risco de se culpar por algo que está fora do seu controlo. Quando o luto não é reconhecido, pode acabar por se acumular e sobrecarregar-nos num momento posterior. Não negue ou minimize o que está a experienciar, a fim de evitar o impacto de uma resposta de luto ainda mais intensa no futuro.

Se for caso disso, procure ajuda especializada.

 

O que é o Trabalho Interior?

2 meses atrás · ·0 Comentários

O que é o Trabalho Interior?

O trabalho interior é a verdadeira essência da espiritualidade, é o que nos conduz ao verdadeiro despertar.

Quando fazemos trabalho interior, estamos a acender a luz da consciência na nossa paisagem interior. A parte de nós que é composta pelas várias camadas da nossa mente: o consciente, o subconsciente e o inconsciente.

O que poderia ser melhor do que curar, evoluir, tornar-se mais feliz, sentir-se livre, assumir o seu poder pessoal, viver em harmonia consigo e com os outros, e emanar energias de mudança para todo o ambiente envolvente? Todavia, é aqui que reside um dos temores mais secretos do se humano.

Então, se o trabalho interior é um caminho tão digno, por que nos sentimos secretamente aterrorizados em relação a ele?

A verdadeira cura emocional,  a transformação e o despertar só são possíveis com trabalho interior.

O trabalho interior é a prática psicológica e espiritual de mergulhar profundamente no nosso eu interior com o propósito de auto-exploração, auto-compreensão, cura e transformação. Contudo a maioria de nós oferece resistência, inconscientemente, porque que penetrar no nosso íntimo aterroriza-nos.

O nosso eu interior é o fiel depositário dos nossos sentimentos, memórias, preconceitos, pensamentos, crenças, feridas psicológicas, sombras e outras situações mentais/emocionais que influenciam a nossa capacidade de transformação e de nos sentirmos Inteiros a um nível nuclear. Ao fazermos trabalho interior, temos acesso ao âmago do nosso ser e concedemo-nos a oportinidade de ultrapassar medos, bloqueios, depressões, solidão e sentimentos de desconexão que tendem a atormentar a maioria dos seres humanos.

Preferimos morrer na ignorância do que admitir que estamos errados

A realidade é que é mais fácil apontar o dedo a outras pessoas e encontrar um culpado fora de nós, do que procurar dentro de nós mesmos a fonte do nosso próprio sofrimento. Preferimos adoptar uma mentalidade de vítima do que ousarmos olhar-nos ao espelho com honestidade. Em alguns casos, preferimos morrer na ignorância obstinada do que admitir que estamos errados, enganados, ou que somos culpados, responsáveis pelo nosso sofrimento e pela dor dos outros.

Os nossos egos são construções frágeis, sedentas de controlo e poder. O trabalho interior enfraquece o Ego porque, na sua própria essência, coloca a verdade e o desejo de Amor acima de tudo. O trabalho interior é um processo de desconstrução e de renascimento. É um processo incessante porque, mesmo depois de atingirmos um nível de consciência elevado, se acreditarmos que o trabalho está concluido, é quando a sombra volta a reaparecer. É quando ocorre a estagnação que o narcisismo espiritual prospera.

Quando nos entregamos intencionalmente ao trabalho interior, estamos em busca de abraçar a dualidade da nossa existência, de percorrer os nossos recantos mais escondidos, dispostos a morrer e a renascer uma e outra vez. Procuramos entrar em contacto com tudo aquilo em que nos podemos tornar, enfrentar as nossas sombras mais tenebrosas, encarnar a nossa luz mais divina, experienciar a Unicidade.

O trabalho interior é escolher o caminho menos percorrido

É muito mais fácil viver uma existência de seguidores e percorrer o caminho que os outros abriram antes de nós do que escolher o caminho menos percorrido. É muito mais fácil adoptar o papel de vítima, apontar o dedo aos outros e negligenciar a auto-responsabilidade.

Percorrer o caminho menos percorrido é muito mais difícil, desconfortável, e muito mais exigente. E a maioria das pessoas NÃO está pronta ou disposta a fazer essa escolha.

A auto-comiseração e a complacência proporcionam um certo conforto, mas é precisamente esse conforto que ironicamente leva ao vazio, à perda da alma e à completa privação de qualquer coisa verdadeiramente real, verdadeiramente digna de ser vivida.

Quando for capaz de seguir a sua intuição, o caminho torna-se mais bem definido.

Há várias maneiras de tornar o caminho do trabalho interior mais suportável. A ligação com a sua fonte de poder mais profunda, o seu espírito livre interior e a sua essência pura, é a primeira. Quando for capaz de seguir o seu instinto e intuição, de ver claramente, de fazer escolhas sábias, e de se proteger daqueles que procuram prender-se a si, o caminho torna-se mais bem definido.

Lembre-se que por muito doloroso que seja, “a fénix renasce das cinzas”,  ou seja, por muito mal que se sinta, a dor é um catalisador para uma profunda transformação espiritual. Aliás, atrevo-me a dizer que sem dor não há apelo ao trabalho interior.

Por último, quero que compreenda que, pela sua natureza, o ego será sempre contra o trabalho interior. É a nossa alma que nos conduz ao trabalho interior, por isso seria benéfico para si aprender a distinguir entre a voz do medo (o ego) e a voz da sua intuição (a alma).

Conforme escreveu Carl Jung:

“As pessoas farão tudo, por mais absurdo que seja, para evitar enfrentar as suas próprias almas.”

 

P.S. Se gostou deste artigo, deixe o seu comentário abaixo. Eu sinto-me sempre inspirada cada vez que alguém deixa um comentário.

Que é feito do espírito de Natal?

2 anos atrás · ·2 comentários

Que é feito do espírito de Natal?

Por onde anda o Espírito do Natal?

Quando era criança, o Natal era um período mágico, de harmonia, solidariedade e compaixão. Sim, também colocávamos o sapatinho na lareira e, no dia de Natal de manhã, íamos a correr ver o que o Menino Jesus nos tinha trazido. Mas havia algo muito mais transcendente.

Actualmente, emersos no consumismo, sinto que o verdadeiro espírito de Natal se perdeu. É certo que continuam a haver campanhas de solidariedade em prol dos mais carenciados. Os apelos à boa vontade e à generosidade proliferam nos mais diversos sectores da sociedade. Mas não é a mesma coisa!

No Natal da minha infância, esqueciam-se desavenças, as famílias reuniam-se e partilhavam a alegria e as emoções que a celebração do nascimento de Jesus reacendia em todos os corações. Inspirados pela figura de Jesus, a personificação do amor incondicional, da generosidade e da bondade, vivia-se o verdadeiro sentido do Natal, com humildade e fraternidade.

As crianças aprendiam que Natal significava Paz e amor entre os homens de boa vontade. O ritual de Acção de Graças, durante o almoço de Natal, era uma solenidade que até as crianças tinham de reverenciar. Numa prece improvisada, expressava-se gratidão por todas as nossas bênçãos, pedia-se Paz na Terra e nos corações da humanidade, protecção para os indefesos, abundância para os famintos e saúde para os enfermos.

Enviávamos e recebíamos cartões de Boas Festas, repletos de mensagens de amor e esperança. Agora, na era da Globalização e das Tecnologias de Informação, enviam-se SMS ou colocam-se Posts nas redes sociais, porque é mais fácil. Com as correrias das compras e a lufa-lufa da vida, não há tempo a perder e, assim, ninguém se sente excluído!

Então, e as crianças?

Quem lhes explica o verdadeiro sentido do Natal e o significado dessa Paz nos corações humanos? Como podem experimentar a serenidade e tranquilidade interiores decorrentes das vivências natalícias. Quem lhes vai ensinar o que é bondade, compaixão e empatia pelo que o outro vive. Quem lhes vai falar do amor e da generosidade, que influenciam de modo muito especial o sentido da vida e a ética pessoal, determinantes do desenvolvimento individual.

Até quando vamos continuar a matar o Natal?

Se continuarmos obcecados com o Ter ignorando o Ser, o que acontecerá à magia do Natal? O que será das crianças no futuro se continuarmos a sonegar-lhes o que nutre verdadeiramente o espírito e molda o carácter? Se não plantarmos as sementes dos valores como o amor, a compaixão, a fraternidade e a solidariedade, nas crianças de hoje, como poderão elas ser adultos compassivos e bondosos no futuro? Como poderão viver o Natal como uma época de solidariedade, fraternidade, alegria, amor, proximidade e convívio com a família e os amigos?

Actualmente as crianças  sofrem muito com a ausência dos pais, os quais nem se dão conta disso, pois estão tão focados nas suas carreiras e nos seus afazeres. Os horários demasiado sobrecarregados   não lhes permitem dedicar tempo de qualidade aos seus rebentos, para os escutarem, para os conhecerem, para lhes ensinarem as coisas que nunca irão aprender na escola, como os valores e virtudes que lhes moldarão as forças de carácter.

O meu desejo mais profundo neste Natal é que, à semelhança de antigamente, estejamos mais em família, sejamos mais amor, mais compaixão e mais solidariedade. Que nos demos de presente, sem reservas e sem egoísmo. Sejamos mais coração e menos ego, o mundo precisa de nós.

O Processo do Luto

2 anos atrás · ·0 Comentários

O Processo do Luto

O luto é uma reacção a uma perda significativa. É um processo natural e o meio de recuperação emocional à dor da perda.

Tipos de perda

Esta reacção ocorre quando experienciamos um sofrimento profundo causado por certos tipos de perdas, tais como:

  • A morte de um ente querido ou alguém muito significativo;
  • O fim de um relacionamento;
  • O sofrimento de alguém que nos é próximo e que está a experienciar uma doença crónica ou terminal;
  • A perda de factores importantes na vida como a segurança económica ou um emprego de que gostávamos;
  • A morte de um animal de estimação;
  • Uma mudança negativa no que diz respeito à saúde ou funcionamento físico e psíquico.

Quando se está a passar por um luto é normal sentir-se:

  • Como se  estivesse a ficar “louco”;
  • Incapaz de se concentrar/esquecimento frequente;
  • Zangado e/ou reactivo às coisas;
  • Com a percepção de ficar mais sensível aos acontecimentos;
  • Alterações de humor;
  • Como se estivesses “anestesiado”;
  • Depressivo;
  • Ambivalente;
  • Incompreendido e frustrado;
  • Ansioso, nervoso e com medo;
  • Falta de energia;
  • Como se quisesse “fugir para bem longe”;
  • Culpa e remorso por coisas que não disse ou não fez.

É igualmente possível que tenha algumas “alucinações” – pode  começar a achar que as outras pessoas se parecerem com a pessoa que perdeu, porque quer muito tê-la presente.

Estes sentimentos protegem-nos temporariamente da realidade da perda. Servem de “absorventes do choque psicológico” até que esteja pronto para tolerar o que não quer aceitar.

Fases do processo de Luto

São 5 as fases do processo de Luto:

  1. Choque da perda;
  2. Negação da perda;
  3. Tristeza profunda;
  4. Aceitação da perda;
  5. Superação/conformação

Estas fases não são experienciadas de igual modo por todas as pessoas e também variam consoante o tipo de perda. A duração de cada uma delas é igualmente variável, podendo mesmo “navegar” entre duas delas.

Se achar que isto lhe aconteceu ou está a acontecer, é sempre possível mobilizar recursos no exterior, como procurar ajuda dos amigos, familiares ou de técnicos especializados como os psicólogos especializados em luto, conselheiros ou terapeutas de luto, e grupos de ajuda.

Dicas úteis para a elaboração do processo de luto

Eis algumas práticas que podem ser úteis na elaboração de um processo de luto:

  • Falar com família e amigos;
  • Fazer exercício;
  • Procurar ajuda psicoterapêutica;
  • Participar em grupos de apoio, religiosos ou não;
  • Ler livros sobre o assunto;
  • Manter a esperança;
  • Participar em actividades sociais;
  • Ter uma alimentação cuidada;
  • Descansar e relaxar;
  • Ouvir música.

Esta lista poderá ajudá-lo(a) a ter uma ideia mais clara de como “gerir” o que está a sentir. No entanto, cada um de nós tem o seu estilo próprio e único de lidar com a dor, por isso poderá ser útil fazer a sua própria lista, mais adaptada às suas necessidades. Falar com amigos que tenham passado por um luto há pouco tempo, também poderá ajudar a encontrar novos caminhos para lidar com o seu luto. Apesar de, no limite, ter de ser cada pessoa a perceber e sentir o que melhor se adequa a si e ao seu luto.

Como lidar com sentimentos de perda

Um dos caminhos para perceber melhor o seu estilo próprio de lidar com situações de grande sofrimento e perda, pode passar por recordar como lidou com outras situações dolorosas no passado. Tentar reflectir sobre o que sentiu como mais útil e adequado para lidar com essas situações. No entanto é importante ter em atenção que, por exemplo, falar com amigos ou escrever o que está a sentir, podem ser estratégias muito úteis e libertadoras, mas outras como o isolamento ou o abuso de substâncias podem ser muito destrutivas e impedi-lo de fazer o luto. Nunca se esqueça que demora muito tempo a “cicatrizar” a dor e sem dúvida que haverá dias melhores que outros.

Muitas vezes, pode achar que os amigos e a família não lhe podem fornecer o nível ou o tipo de apoio que precisa no seu processo de luto. Essas pessoas podem,  elas próprias, estar a vivenciar um luto, ou pode sentir que não têm distanciamento suficiente face a si e ao processo ou podem transportar certos “mitos sociais” em relação à perda e ao luto. Nestes e noutros casos, um terapeuta pode ajudá-lo a compreender melhor o seu luto fornecendo-lhe a informação e o apoio necessários. Pode ainda dispor de um lugar seguro onde possa viver a sua dor inteira e naturalmente, ajudando-o(a) a seguir em frente e a encontrar um significado continuado na vida.

Dicas para apoiar a pessoa em luto

Eis algumas dicas importantes para apoiar convenientemente uma pessoa em luto:

  • Ser um bom ouvinte;
  • Estar presente;
  • Perguntar sobre a sua perda;
  • Fazer-lhes telefonemas;
  • Deixá-los sentirem-se tristes;
  • Não minimizar a sua perda;
  • Fazer perguntas sobre o que estão a sentir;
  • Partilhar os teus sentimentos;
  • Relembrar a perda;
  • Ter consciência e conhecimento da dor;
  • Estar disponível sempre que puder;
  • Falar das suas próprias perdas.

O luto é uma das experiências mais dolorosas e intensas que qualquer ser humano pode vivenciar e testemunhar. No entanto, quanto mais conscientes estivermos da intensidade e individualidade com que cada um vive este processo, mais facilmente o conseguiremos experienciar, tendo sempre em conta que a dor é inevitável.

Quando está a vivenciar um luto, é natural que a pessoa se sinta frequentemente sozinha e isolada, já que pouco depois da perda as redes e apoios sociais parecem diminuir. Quando o choque da perda desvanece, há uma tendência para as pessoas se sentirem mais tristes e se isolarem.

Também é natural que alguns amigos bem-intencionados possam tentar evitar discutir o assunto devido ao seu próprio desconforto relativamente ao luto, ou devido a terem medo de fazer com que as pessoas se sintam pior. Podem não saber o que fazer nem o que dizer.

Neste sentido é importante perceber que as pessoas em luto, muitas vezes flutuam entre querer estar sozinhas e querer a companhia dos outros. Tendo consciência desta ambivalência, pode tentar perceber se a pessoa quer sentir-se mais “próxima” ou mais “distante”, e mostrar que está sempre disponível para o que precisarem. Mostre assim o seu interesse e a sua sensibilidade, o que pode ser muito tranquilizante para quem está a vivenciar um luto. Mesmo que se sinta constrangido e nervoso por estar com alguém em luto, isso é melhor do que não estar sequer presente.

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