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Continuar a viver após a perda de um filho

5 meses atrás · · 0 Comentários

Continuar a viver após a perda de um filho

Em geral as pessoas definem as suas vidas pelas grandes metas profissionais: uma promoção, o emprego dos seus sonhos, uma mudança de carreira; ou por grandes acontecimentos: o casamento, o nascimento de um filho… Todavia, para algumas pessoas, a vida é redesenhada por acontecimentos inesperados, como é o caso dos pais em luto.

Os pais enlutados têm uma linha que demarca claramente as suas vidas

Num qualquer momento crucial acontece o inimaginável  e, nesse instante, tudo é redefinido de forma arbitrária e irreversível, sem que tenham escolha ou voto na matéria. O rumo das suas vidas altera-se irremediável e definitivamente num micro momento, numa determinada data, e nada voltará a ser como antes. Para os pais enlutados há um marco distinto que separa o tempo e a vida, antes e após a morte do(a) filho(a). Num instante tudo se desmorona, ante os seus olhos, como um castelo de cartas. A felicidade saboreada a cada dia com as pequenas conquistas alcançadas por aquele ser que cuidávamos e protegíamos, desaparece. Os planos mais elementares, as expectativas mais básicas perdem sentido e o nosso mundo é virado do avesso naquele momento em que o nosso filho(a) morre.

Muitas são as interrogações que surgem

Como sobreviver à perda de um filho? A vida voltará a ter sentido? Que mal fiz eu para merecer um castigo tão duro? Seremos capazes de voltar a sentir-nos equilibrados, tranquilos e serenos? Voltaremos a sentir optimismo para com a vida?

Infelizmente, por muito contra natura nos pareça, este género de fenómeno sempre existiu, desde os primórdios da humanidade, e continuará a acontecer a muitos outros pais no futuro, o que demonstra ser razoável acreditar que é possível retomar a nossa vida, dar-lhe um outro rumo. Quando o meu filho morreu, em Abril de 2006, eu fui atingida por uma dor excruciante e avassaladora, o meu coração ficou despedaçado – essa dor cega penetrou tão profundamente a minha alma que durante muito tempo pensei que jamais superaria aquela perda – e a dor excruciante seria minha companheira de jornada para sempre. Todavia, com o tempo, e muita ajuda, aprendi a conviver com a minha dor e a reapreciar a vida, tal como ela se me apresenta.

O processo de luto pela morte de um filho é uma caminhada profundamente solitária que cada um dos pais tem de fazer pelo vale tenebroso do seu próprio desespero. Cada progenitor vivencia o luto à sua maneira, de forma individual e distinta por um caminho de sofrimento, mais ou menos sinuoso e acidentado, iluminado por uma luz ténue que, gradualmente, se vai intensificando e se transformando num verdadeiro raio de sol à medida que o tempo avança.

Como é que se faz esse caminho de esperança?

Através da vivência das emoções associadas ao processo de luto, enfrentando os nossos demónios, medos e fantasmas, reconhecendo e aceitando as nossas fragilidades – recorrendo a ajuda quando ela é necessária. Devemos recorrer ao apoio de familiares e amigos, a grupos de apoio ou de partilha, participar em seminários ou workshops, ou procurar apoio especializado de conselheiros de luto que proporcionam um lugar seguro aos pais que perderam filhos, compreendem as emoções e o sofrimento vivenciado e ajudam a adquirir habilidades para lidar com a dor e a perda.

Precisamos de reaprender a viver com a nova realidade, de cuidar de nós próprios física, mental e emocionalmente e, acima de tudo, devemos manter o nosso filho connosco enquanto completamos a jornada da nossa vida. Devemos estabelecer limites sobre o que vamos tolerar e manter na nossa vida, e ter consciência de que o luto pela morte de um filho é uma jornada individual e geralmente longa.

É natural que haja oscilações ao longo do processo de luto, e que haja períodos de maior intensidade de dor, particularmente no início e primeiros dois anos, nas datas mais significativas como os aniversários, o Natal ou o Dia de Finados. Todos os pais enlutados passam por essas provações, mas a forma como escolhem prosseguir, é determinante para o desenrolar do processo.

O denominador comum que todos nós, pais em luto, partilhamos, é a necessidade de encontrar uma centelha de esperança que possamos alimentar e manter a brilhar. O momento em que cada um de nós encontra essa centelha de esperança – a luz ao fundo do túnel – onde e como a encontramos, diferem e ocorrem em momentos diferentes da nossa jornada de luto. Mas, acredito que todos nós a encontramos.

Um dia apercebemo-nos que o fardo está um pouco mais leve, lembramo-nos do nosso(a) filho(a), começamos a rir-nos de coisas que ele(a) disse ou fez, e damo-nos conta de que já não nos sentimos mal com isso. Aos poucos o riso e a alegria vão voltando e ficando, diferentes de outrora, é certo, mas já sem culpa. Esses momentos envolvem-nos gentilmente e, lentamente começa a nascer a esperança. A minúscula centelha de esperança começa a brilhar dentro de nós de forma quase imperceptível e vai ganhando intensidade até se tornar a luz que nos indica o caminho de serenidade. A pouco e pouco a vida ganha outro sentido, voltamos a sentir micro momentos de felicidade

O Processo do Luto

1 ano atrás · · 0 Comentários

O Processo do Luto

O luto é uma reacção a uma perda significativa. É um processo natural e o meio de recuperação emocional à dor da perda.

Esta reacção ocorre quando experienciamos um sofrimento profundo causado por certos tipos de perdas, tais como:

  • A morte de um ente querido ou alguém muito significativo;
  • O fim de um relacionamento;
  • O sofrimento de alguém que nos é próximo e que está a experienciar uma doença crónica ou terminal;
  • A perda de factores importantes na vida como a segurança económica ou um emprego de que gostávamos;
  • A morte de um animal de estimação;
  • Uma mudança negativa no que diz respeito à saúde ou funcionamento físico e psíquico.

Quando se está a passar por um luto é normal sentir-se:

  • Como se se estivesse a ficar “louco”;
  • Incapaz de se concentrar/esquecimento frequente;
  • Zangado e/ou reactivo às coisas;
  • Com a percepção de ficar mais sensível aos acontecimentos;
  • Alterações de humor;
  • Como se estivesses “anestesiado”;
  • Ambivalente;
  • Incompreendido e frustrado;
  • Ansioso, nervoso e com medo;
  • Falta de energia;
  • Como se quisesse “fugir para bem longe”;
  • Culpa e remorso por coisas que não disse ou não fez.

É igualmente possível que tenha algumas “alucinações” – as outras pessoas podem começar a parecerem-se com a pessoa que perdeu, porque quer muito tê-la presente.

Estes sentimentos protegem-nos temporariamente da realidade da perda. Servem de “absorventes do choque psicológico” até que esteja pronto para tolerar o que não quer acreditar.

São 5 as fases do processo de Luto:

  1. Choque da perda;
  2. Negação da perda;
  3. Tristeza profunda;
  4. Aceitação da perda;
  5. Superação/conformação

Estas fases não são experienciadas de igual modo por todas as pessoas e também variam consoante o tipo de perda. A duração de cada uma delas é igualmente variável, podendo mesmo “navegar” entre duas delas.

Se achar que isto lhe aconteceu ou está a acontecer, é sempre possível mobilizar recursos no exterior, como procurar ajuda dos amigos, familiares ou de técnicos especializados como os psicólogos especializados em luto, conselheiros ou terapeutas de luto, e grupos de ajuda.

Eis algumas práticas que podem ser úteis na elaboração de um processo de luto:

  • Falar com família e amigos;
  • Fazer exercício;
  • Procurar ajuda psicoterapêutica;
  • Participar em grupos de apoio, religiosos ou não;
  • Ler livros sobre o assunto;
  • Manter a esperança;
  • Participar em actividades sociais;
  • Ter uma alimentação cuidada;
  • Descansar e relaxar;
  • Ouvir música.

Esta lista poderá ajudá-lo(a) a ter uma ideia mais clara de como “gerir” o que está a sentir. No entanto, cada um de nós tem o seu estilo próprio e único de lidar com a dor e por isso poderá a partir de aqui fazer uma lista só sua, mais adaptadas às suas necessidades. Falar com amigos que tenham passado por um luto há pouco tempo poderá ajudar a encontrar novos caminhos para lidar com o seu luto. Apesar de, no limite, ter de ser cada um de nós a perceber e sentir o que melhor se adequa a nós e ao nosso luto.

Um dos caminhos para perceber melhor o seu estilo próprio de lidar com situações de grande sofrimento e perda, pode passar por recordar como lidou com outras situações dolorosas do seu passado. Tentar reflectir sobre o que sentiu como mais útil e adequado para lidar com essas situações. No entanto é importante ter em atenção que, por exemplo, falar com amigos ou escrever o que está a sentir, podem ser estratégias muito úteis e libertadoras, mas outras como o isolamento ou o abuso de substâncias podem ser muito destrutivas e impedi-lo de fazer o luto. Nunca se esqueça que demora muito tempo a “cicatrizar” a dor e sem dúvida que haverá dias melhores que outros.

Muitas vezes, pode achar que os amigos e a família não lhe podem fornecer o nível ou o tipo de apoio que precisa no seu processo de luto. Certas pessoas podem estar elas próprias a vivenciar um luto, pode sentir que não têm um distanciamento suficiente face a si e ao processo ou podem transportar certos “mitos da sociedade” em relação à perda e ao luto. Nestes e noutros casos, um terapeuta pode ajudá-lo a compreender melhor o seu luto fornecendo-lhe a informação e o apoio necessários. Pode ainda dispor de um lugar seguro onde possa viver a sua dor inteira e naturalmente, ajudando-o(a) a seguir em frente e a encontrar um significado continuado na vida.

Eis algumas dicas importantes para apoiar convenientemente uma pessoa em luto:

  • Ser um bom ouvinte;
  • Estar presente;
  • Perguntar sobre a sua perda;
  • Fazer-lhes telefonemas;
  • Deixá-los sentirem-se tristes;
  • Não minimizar a sua perda;
  • Fazer perguntas sobre o que estão a sentir;
  • Partilhar os teus sentimentos;
  • Relembrar a perda;
  • Ter consciência e conhecimento da dor;
  • Estar disponível sempre que puder;
  • Falar das suas próprias perdas.

Quando se está a vivenciar um luto, é natural que as pessoas se sintam frequentemente sozinhas e isoladas, já que pouco depois da perda as redes e apoios sociais parecem diminuir. Até porque, quando o choque da perda desvanece, há uma tendência para as pessoas se sentirem mais tristes e isolarem-se.

Também é natural que alguns amigos bem-intencionados possam tentar evitar discutir o assunto devido ao seu próprio desconforto relativamente ao luto, ou devido a terem medo de fazer com que as pessoas se sintam pior. Podem não saber o que fazer nem o que dizer.

Neste sentido é importante perceber que as pessoas em luto, muitas vezes flutuam entre querer estar sozinhas e querer a companhia dos outros. Tendo consciência desta ambivalência, pode tentar perceber se a pessoa quer sentir-se mais “próxima” ou mais “distante”, e mostrar que está sempre disponível para o que precisarem. Mostre assim o seu interesse e a sua sensibilidade, o que pode ser muito tranquilizante para quem está a viver um luto. Mesmo que se sinta constrangido e nervoso por estar com alguém em luto, isso é melhor do que não estar sequer presente.

O luto é uma das experiências mais dolorosas e intensas que qualquer ser humano pode vivenciar e testemunhar. No entanto, quanto mais conscientes estivermos da intensidade e individualidade com que cada um vive este processo, mais facilmente o conseguiremos experienciar, tendo sempre em conta que a dor é inevitável.

Terapias Energéticas para cura do corpo e da alma

Feito com ♥ por Krystel Leal