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A Magnificência das Imperfeições

1 mês atrás · · 0 Comentários

A Magnificência das Imperfeições

Há alguns anos atrás tropecei por acaso nas pérolas de sabedoria da Investigadora Brené Brown. Este encontro inesperado, ajudou-me a compreender e identificar a magnificência das imperfeições. Tem dado frutos e é uma enorme mais valia para a jornada da minha alma. Tem sido uma bússula na meu caminho de cura emocional e de regresso a quem verdadeiramente sou.

Se nunca ouviram falar dela, dêem-me a honra de a apresentar. Brené Brown é doutorada em Serviço Social, e professora e investigadora no Graduate College of Social Work da Universidade de Houston, no Texas. A sua investigação pioneira sobre vulnerabilidade conduziu-a à palestra TEDxHouston em 2010, “The Power of Vulnerability” (vídeo acessível pelo link), uma das cinco palestras TED mais vistas no site TED.com, com mais de 45 milhões de visualizações. Em 2012 Brené agitou ainda mais as convenções sociais, ao falar sobre vergonha, coragem e inovação, na palestra de encerramento da conferência TED.

Ela também é a autora de livros como A Imperfeição É uma VirtudeA Coragem de Ser Imperfeito, ou Mais Forte Que Nunca, e detentora de um currículo de resiliência à vergonha que está a inspirar imensas pessoas no mundo inteiro.

“Nós não queremos sentir-nos desconfortáveis. Queremos uma lista rápida de «como fazer» para alcançar a felicidade.”

Adoro esta afirmação de Brené Brown, “Nós não queremos sentir-nos desconfortáveis. Queremos uma lista rápida de «como fazer» para alcançar a felicidade.” (in A imperfeição é uma virtude). Em geral, procuramos encaixar-nos no que é socialmente adequado, ignorando a magnificência das imperfeições.

A maioria de nós foi ferido (ou pode ainda estar a ser), julgado, criticado ou  magoado de alguma forma duradoura. E carregamos em nós, no nosso coração ou na nossa alma (como preferirem), as feridas emocionais que resultaram dessas situações de abuso.

Não podemos evitar a dor – é um elemento essencial no nosso sistema de orientação interior. Na verdade, precisamos dela.  Contudo, a forma como nos relacionamos com a nossa dor, é uma história completamente diferente.

Eu posso me contorcer com dor, reagir contra ela, resistir, lutar, negá-la ou reprimi-la – mas qualquer uma destas estratégias  deixam-me simplesmente mais frágil, mais rígida, mais temerosa, mais cautelosa, mais desconectada, mais isolada. Negar o que há de magnífico nas imperfeições causa desconexão.

Hoje eu sei, com absoluta certeza, que se não enfrentar o que me incomoda, olhar a minha dor nos olhos, se não lidar com ela adequadamente, não só o meu humor se degrada, como afecta a minha saúde e tudo ao meu redor. Agora, mais do que nunca, acho que a minha capacidade de senti-la, de me sentar lado-a-lado com o desconforto, de seguir as sensações que se movem através de mim, representa a chave para viver corajosamente, de coração aberto, uma vida plena e amorosa.

Para nos sentirmos integrados precisamos de ser verdadeiros

Há uma enormidade de emoções humanas e, quando escondemos as mais sombrias também obscurecemos as mais luminosas. Algo que aprendi nesta jornada de regresso a mim, à minha essência, foi que para nos sentirmos verdadeiramente integrados precisamos de ser verdadeiros, autênticos, de mostrarmos quem somos, o nosso verdadeiro eu.

Em A Coragem de Ser Imperfeito, Brené refere que “os momentos mais poderosos das nossas vidas acontecem quando unimos os pequenos tremores de luz criados pela coragem, compaixão e conexão e as vemos brilhar na escuridão dos nossos problemas.” Para mim, o truque tem sido aprender a ter uma relação amorosa e compassiva com a dor – esteja ela ligada ao medo, à mágoa, à saudade, à raiva, ao desamparo ou à vergonha.

A minha jornada interior continua a ter a ver com o alinhamento de quem eu sou com os meus valores. Estou empenhada em viver a vida nos meus termos, cultivar o amor e encontrar a beleza em tudo o que surge no meu caminho. Deixar que a luz brilhe sobre as minhas cicatrizes, pois elas são a expressão da minha coragem e resiliência. As minhas cicatrizes têm valor, tornam-me inteira.

Encontrar a magnificência nas imperfeições

Portanto, não é de admirar que eu me sinta atraída por tópicos sobre imperfeição, vergonha, medo, perda ou vulnerabilidade. Ou que me tenha sentido tão atraída pelo conceito japonês Wabi Sabi – uma filosofia que nos incentiva a abraçar a imperfeição e a encontrar a beleza nas imperfeições, a encontrar a beleza no que é velho ou está partido, quebrado – e mais especificamente do Kintsugi – a arte de reparar taças partidas, pratos e objectos de cerâmica com ouro.

Cada objecto quebrado e rachado é recuperado com a utilização do epóxi e verniz dourado – restituindo vida aos objectos, tornando-os inteiros, mais bonitos e mais valiosos do que antes.

Eu creio que também somos um pouco assim.

Depois de dilacerados e partidos, também somos curados e tornados inteiros novamente com os bálsamos dourados da compaixão, compreensão, autenticidade e amor.

Quando a nossa fragilidade e dor se encontram com os raios luminosos do amor, da verdade, da compaixão e da compreensão, tornamo-nos mais fortes e mais belos do que éramos antes. Tornamo-nos grandes.

Brené diz-nos que “ousar ser grande não tem que ver com ganhar ou perder. Tem que ver com coragem.” A coragem de nos mostrarmos exactamente como somos, com os nossos defeitos e vulnerabilidade, mas também com as nossas virtudes e valor.

A mudança profunda é um efeito colateral de relações profundas

As mudanças profundas não acontecem devido a rasgos de inteligência, evidências científicas, moralismo ou regras. Quando somos julgados, repreendidos, coagidos, forçados a fazer algo, manipulados ou enganados… fechamo-nos, constringimo-nos, resistimos.  Aí, a dor aumenta.

A mudança profunda é um efeito colateral de relações profundas, gentis e compassivas que nos inspiram a alcançar o nosso potencial mais elevado, nos nossos próprios termos.

A cura precisa de uma mão gentil

A cura precisa de uma mão gentil, perspicaz, não de exigências forçadas.

  • Quando somos amados, despertamos.
  • Quando somos amados, mudamos.
  • Quando somos amados, curamo-nos.
  • Quando somos amados, os nossos corações abrem-se.

A ruptura é necessária para a iluminação.

As fendas deixam a luz entrar. Alumiam o caminho.

Precisamos de derruba as barreiras em torno do coração.

Praticar o amor é acolher a magnificência das imperfeições. O amor por nós, em primeiro lugar, para podermos dar também aos outros. É importante termos presente que a relação mais importante que temos é com nós mesmos. Se estivermos em guerra connosco, dificilmente teremos paz à nossa volta. Para sermos grandes precisamos de nos aceitar e amar incondicionalmente. Só podemos ser felizes se vivermos plenamente e, isso só é possível a partir de um lugar de merecimento.

Este artigo foi um pouco mais pessoal do que é habitual, mas senti que era importante abrir-me também para ti e partilhar um pouco da minha experiência. Agora é a vossa vez…

Eu adoraria saber se:

  • Ficaste mais bonita e mais forte com as experiências dolorosas da tua vida?
  • Aceitas as imperfeições em ti e nos outros? Quão magníficas são essas imperfeições?
  • O que se interpõe no teu caminho de encontrar a magnificência das imperfeições?  O que te ajuda?

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Racionalidade ou Autenticidade

2 anos atrás · · 0 Comentários

Racionalidade ou Autenticidade

Acredito que a maioria de nós, fala principalmente com a razão, ou seja, falamos sem muita conexão com o que realmente sentimos, e até pensamos que essa é a forma mais adequada de comunicar. Na interacção com os outros, ou até no nosso diálogo interno, optamos pela racionalidade em prejuizo da autenticidade. Achamos que isso é um acto inocente e essencialmente inevitável. Contudo, tenho percebido motivações mais profundas neste hábito aparentemente inócuo.

A forma como comunicamos visa a interacção segura

A maior parte daquilo que dizemos, é um esforço para criar segurança com a pessoa com quem estamos a comunicar. Somos tão intuitivos que, rapidamente conseguimos perceber o que a outra pessoa quer ouvir e, então, alimentamo-a de uma forma ou de outra. Por outras palavras, a maioria das coisas que dizemos tem como objectivo ajudar-nos a interagir em segurança – ou seja, sem corrermos o risco de ofender outras pessoas, sofrer qualquer humilhação significativa ou criar conflitos.

Isso, na verdade, é um mecanismo de autoprotecção, que nos informa que toda a interacção representa uma ameaça ao nosso bem-estar, á nossa identidade, ao nosso ego. Portanto, as principais prioridades são segurança e protecção nos relacionamentos.

Mas, vamos imaginar que haja uma maneira de estarmos em contacto com o nosso fluxo interior, com a nossa alma, que nos permita fazer uma pausa antes de falar, e ouvirmos os impulsos que emanam do rio que flui dentro de nós. Com efeito podemos falar a partir desse rio e, no processo, dissolver a racionalidade, o ego, o nosso ladrão de sonhos.

A alma deseja interagir com o nosso mundo

Para fazermos isso, precisamos entender que a alma deseja interagir continuamente com o nosso mundo. Racionalidade, ego, mente, ladrão de sonhos – nada disso pode existir na presença do Espírito ou da alma. É como se a Luz fosse subitamente acesa e, instantaneamente lançasse as sombras no vazio.

No momento em que nos preparamos para falar, temos poder de escolha – ou falamos a partir da racionalidade, o que na verdade significa assumir um personagem, falar a partir do ego, do ladrão de sonhos, do lugar do medo. Ou fazemos uma pausa, esvaziamos a mente e abrimo-nos. Ou seja, sem racionalizar e sem reagir, esperamos apenas o momento de abertura e permitimos que a alma nos informe o que dizer.

Isto não é tão difícil quanto possamos imaginar, principalmente porque a alma quer guiar-nos em cada palavra e acção. Ao pausar e esperar pelo impulso crescente da alma – que é uma sensação de plenitude repentina na nossa mente e um conhecimento interior de que as palavras certas estão sempre disponíveis – permitimos que algo mais profundo dentro de nós se expresse através de nós. E, como tudo, com a prática torna-se rapidamente um hábito.

Frequentemente, quando falamos apenas com a razão, traímo-nos, porque somos obrigados a falar e a agir a partir da urgência do medo e de uma necessidade desesperada de segurança. Esses sentimentos podem ser inconscientes. Mas pensemos em quantas vezes dissemos sim a algo que gostaríamos de ter dito não, ou dissemos não a algo que gostaríamos de ter abraçado. O ego, esse ladrão faminto e impulsivo, furta-nos o tempo de espera por uma resposta que emergiria de um lugar mais profundo dentro de nós. Esse recurso mais profundo é a nossa alma, que nunca iria trair-nos, ou conduzir-nos a situações em que as nossas necessidades não fossem atendidas.

Todos nós somos abençoados com uma voz interior, que nos ama e apoia.

Todos temos uma voz interior, que nos ama e apoia, quando o permitimos. Esse fluxo de amor dentro de nós é a voz do Sim. E sem que a maioria de nós o saiba, essa é a voz da nossa alma. Inicialmente ela parece-nos a nossa própria voz, encorajando-nos a avançar e a continuar a acreditar. É uma voz positiva, em oposição à voz faminta do ego, do ladrão de sonhos  que nos desencoraja, mesmo quando as coisas estão a correr bem. “Sim”, diz o ladrão faminto, “desta vez tiveste sorte, mas para a próxima as coisas podem correr muito mal.”

A voz do Sim diz: “Presta atenção: Esta situação foi resolvida, tal como todos os desafios são resolvidos – permitindo-te co-criar a tua vida. Tens dentro de ti o potencial para realizar os teus sonhos mais preciosos, ter felicidade e alegria, florescer e te tornes a pessoa que desejas ser.”

A voz do sim oferece-nos amor e apoio incondicionais

A voz do Sim oferece-nos garantias constantes do seu amor, ternura e apoio incondicionais. “Não tenhas medo, estamos contigo”, diz a voz de Sim. “Estás a ir muito bem. Estamos tão orgulhosos de tudo o que te tornaste. Todos os desafios que enfrentas, têm solução. Basta seguires o caminho que colocamos diante de ti e serás levado às respostas que procuras. Estás seguro e nós apoiamos-te com amor.”

Ninguém tem culpa der ter a voz do Não na mente. Todos nós fomos ensinados por pais, avós, professores, mentores, colegas de trabalho e amigos a interpretar todos os eventos das nossas vidas através dos programas do Não. Esse treino, bem intencionado, foi tão completo e profundo que dificilmente conseguimos ver os seus efeitos nas nossas vidas. Nós só nos tornamos conscientes dos seus efeitos nefastos e, por vezes, devastadores quando ficamos saturados dos nossos medos e da nossa raiva, e de todos os resultados negativos que eles criam. Nessa altura, começamos a abrir-nos a outros programas e a outra voz – ao programa e à voz do Sim, que é  a voz  e o caminho do amor.

Quanto mais praticamos e ouvimos a voz do Sim, mais poderosa ela se torna nas nossas vidas.

O momento ideal para praticar a voz do Sim é à noite, quando já estamos deitados na cama, imediatamente antes de adormecer. Nessa altura, a sentinela do Ego relaxa, em grande medida porque se sente segura. Sempre que se sente em segurança, o ladrão de sonhos baixa a guarda e a sua voz cala-se. Então, nesse momento, deixe-se ficar quieto e tranquilo.

Perceba se consegue sentir uma energia crescente dentro do seu plexo solar a fluir para o seu coração. Delicadamente, dê voz a essa sensação e permita-se sentir as palavras de amor e apoio a fluir à sua mente. O rio corre através de nós e para a vida. Flui com amor, poder e criatividade. As suas águas cantam e tilintam em brados de alegria e êxtase. Observe a torrente dessas águas cristalinas e purificadoras a limpar tudo o que quer libertar. Sinta-se preencher com esse amor infinito e incondicional, sacie-se na Fonte.

Viver em expansão ou em contenção?

2 anos atrás · · 4 comentários

Viver em expansão ou em contenção?

Actualmente, muitos falam sobre evolução espiritual e orgulham-se em se afirmarem como seres humanos evoluídos espiritualmente. Outros perguntam-se o que significa “evolução espiritual”. Na verdade, eu própria costumava colocava-me frequentemente essa questão (e às vezes ainda coloco). Arrisco-me a partilhar convosco algumas das minhas ideias após muita reflexão e introspecção: Evolução espiritual significa calar a mente de modo a não sentirmos, pensarmos e agirmos negativamente e, em vez disso, sentirmos, pensarmos e agirmos com fé, amor e compaixão. Isso permite-nos viver em expansão em vez de contenção.

As duas emoções primordiais são o amor e o medo e uma opõe-se à outra.

A Negatividade é essencialmente medo e, normalmente, o pessimismo funciona como um programa de computador do subconsciente, de cuja presença (e do seu poder sobre nós) não temos realmente consciência.

A Negatividade actua em nós sob a forma da auto-sabotagem e é a razão pela qual poucas pessoas vivem os seus sonhos. Ela manifesta-se como a máscara da prudência dizendo-nos para protegermos o nosso coração e as nossas ambições, porque se nos abrirmos ao amor, ou procurarmos alcançar os nossos sonhos, iremos fracassar, e esse fracasso será devastador.

Portanto, jogamos pelo seguro e, para a maioria de nós, isso significa focar-se apenas na acumulação material e na individualidade, no ter em vez do ser, o que realmente significa abdicar do amor e desperdiçar a vida com objectivos menores.

Este ladrão de sonhos não se limita a sabotar as nossas ambições inatas. Também afecta o grau em que estamos dispostos a amar, que é o maior e pior risco de todos. Quanto mais forte for a racionalidade na sua vida, mais retém o seu coração e mais os seus relacionamentos são definidos pela autoprotecção e pelo medo. Compreensivelmente, a autoprotecção tende a deixar-nos isolados, com medo e com raiva, porque ela quase garante que não cumpriremos os nossos desejos mais profundos, nem experienciaremos o tipo de amor pelo qual ansiamos.

O antídoto para os medos autocriados

A confiança baseia-se na crença (na verdade, na convicção crescente) de que somos divinamente amados, guiados e protegidos – a Fonte ou Universo – e que somos constantemente auxiliados nos nossos esforços para alcançar a felicidade, satisfação e amor. é termos o sentimento de que somos capazes de nos adaptar às mudanças nas circunstâncias, e sim, teremos que aprender novas formas de fazer as coisas no processo de criar e perseguir os nossos sonhos, mas que seremos bem-sucedidos, porque somos apoiados pelo Universo – Deus.

A fé diz-nos que qualquer que seja o desafio que enfrentemos, existe sempre uma solução, e que algures se abrirá uma porta, por trás da qual estará a resposta. A nossa função é manter as portas abertas. O preço da fé é simples: devemos entregar-nos de coração, e esforçar-nos com sinceridade, em tudo o que fazemos, acreditando sempre que no final triunfaremos.

O optimismo nasce do alinhamento com os desejas da alma

O optimismo baseia-se no conhecimento de que os nossos objectivos, ambições e sonhos são inerentemente bons e que, em última análise, podem ser alinhados com um bem maior, desde que os persigamos de coração aberto.

A nossa alma deseja que compreendamos que podemos querer conquistar algo para nós mesmos – alcançar o sucesso profissional, por exemplo – mas, à medida que evoluirmos, cresceremos naturalmente em direcção a uma ambição ainda maior, que é colocar o nosso sucesso ao serviço dos outros. Ou seja, o sucesso pessoal só tem sentido se servir um bem maior. A fé é como uma árvore que plantamos. Começamos por nos preocuparmos com nós mesmos, mas à medida que crescemos, os seus ramos abrem-se cada vez mais, desejando que o sonho da paz pessoal leve à paz mundial.

O sucesso que não serve um bem maior, é mera satisfação do Ego.

Fundamentalmente, quem vive em função dos desejos egóicos, acredita que o Universo é hostil e que, portanto, deve se proteger com a falsa segurança do dinheiro, da fama e do poder. Infelizmente, isso leva inevitavelmente à ganância e ao egoísmo, porque a riqueza, por maior que seja, não nos pode fazer sentir seguros o suficiente ou felizes nos nossos corações. E, por maiores que sejam as riquezas acumuladas, acabam por ter pouco significado quando, no final da vida, se acorda para a realidade triste, solitária e sombria.

Inversamente, quem tem fé, acredita que o Universo – a Fonte do amor incondicional – é o provedor  supremo de todas as nossas necessidades, tanto temporais quanto espirituais. Na prática, acredita-se que ninguém obtém sucesso a menos que viva ou actue de acordo com os desejos do seu coração, isto é, com fé. Quanto maior a fé, maior o sucesso e, em última análise, maior a realização, plenitude e reunião com o amor.

É importante perceber que as duas vertentes têm efeitos drasticamente diferentes no nosso corpo físico e saúde em geral. O pessimismo activa o sistema nervoso simpático, que desencadeia a liberação de hormonas do stress e ondas de oxidação que levam ao  envelhecimento rápido e a doenças. A esperança activa o sistema nervoso parassimpático e o nervo vago, que juntos produzem cascatas eletromagnéticas, hormonais e bioquímicas que criam sensações de bem-estar, optimismo, segurança e cura.

Em última análise, o Negativismo leva à infelicidade, à amargura e à doença, em parte porque aqueles que insistem na negatividade agem de maneira a satisfazem as expectativas do pessimismo. O que significa que o Egocentrismo leva ao trágico caminho da solidão. A fé leva, em última análise, à Fonte do amor incondicional e à reconciliação entre individualidade e Unidade.

Fluxo ou contenção?

Acredito que todos nós bebemos da mesma Fonte e partilhamos o mesmo Espírito, que existe uma unidade que está além da individualidade, ego e mente.

É possível que a Alma seja uma manifestação individual do Espírito e, se for esse  o caso a nossa alma vive num oceano ilimitado de amor incondicional e alegria, poder e possibilidades que é a natureza da Fonte. Se tudo isto for remotamente verdade, então a alma é uma espécie de rio que liga a nossa vida individual ao amor incondicional e poder ilimitado da Fonte.

Metaforicamente falando, se pensarmos na nossa individualidade como um lago, na Fonte como um oceano infinito,  e que a nossa alma é como um rio mágico, repleto das mesmas qualidades da Fonte Oceânica – amor infinito, alegria, sabedoria, energia e vida – que estabelece a ligação entre o lago e o oceano, a maioria de nós tem uma comporta entre o lago e o rio, que limita o fluxo a um fio de água.

De vez em quando, especialmente quando precisamos desesperadamente de ajuda, conseguimos abrir um pouco a represa, o que permite que a alma penetre no lago da nossa individualidade. Nesses momentos, bebemos do rio da alma e, de repente, conhecemos pessoas importantes que contribuem com algo essencial para as nossas vidas, ou vivenciamos eventos sincrónicos que mudam as nossas vidas para sempre.

O problema é a barragem – o nosso Ego.

O Ego quer que acreditemos que não existe fonte nem alma e que, se existe, não tem qualquer relevância para as nossas vidas. A represa da nossa mente Egóica consegue convencer-nos porque ela é limitadora e implacável e, para muitos de nós, intelectualmente convincente.

Acredito que a Fonte está sempre presente, a fluir através da nossa alma, e a oferece-nos tudo o que precisamos para sermos felizes e realizados. Só depende de nós, das nossas escolhas, manter o fluxo constante ou fechar a represa.

A Vida e os ciclos de 7 anos

2 anos atrás · · 1 comentário

A Vida e os ciclos de 7 anos

Hoje vou abordar um tema que me diz muito. Os ciclos da vida!

Todo o Universo, tudo na natureza tem uma ordem implícita. Este facto foi identificado pelas civilizações antigas que perceberam a renovação cíclica da natureza e da vida.

Desde as estações do ano, às fases da lua, as marés, as ondas, entre inúmeros eventos de transformação, renovação e mudança, facilmente visíveis ou imperceptíveis, é identificável uma ordem cíclica. Todavia, nós, os povos modernos e evoluídos, raramente vemos isso.

Os nossos ancestrais reconheceram que cada fase da vida oferece um conjunto específico de desafios e lições que aumentam a nossa maturidade e apoiam a nossa individuação.

No início do século XX, o filósofo Rudolf Steiner, presenteou a humanidade com o seu próprio mapa da vida que revelou algumas das lições importantes que devemos dominar à medida que nos desenvolvemos.

Steiner apresentou este mapa como os 10 ciclos que todos aqueles que chegam à idade de 70 anos devem passar.  Cada ciclo, disse Steiner, é composto por sete anos, e oferece os seus próprios desafios e recompensas.

Se confrontarmos essas lições com coragem, honestidade e sinceridade, as lições serão dominadas e o nosso desenvolvimento psicológico e espiritual será profundamente beneficiado.

Eis os ciclos da vida de Steiner:

Idades dos 0 aos 7 anos: Da unidade com a mãe à autonomia crescente

Desde que nascemos, e durante os primeiros anos das nossas vidas, somos totalmente dependentes.

No entanto, afastamo-nos naturalmente das nossas mães para um sentido crescente da nossa própria individualidade e autonomia.

Esta é a lição da primeira etapa da vida – a experiência de total dependência para um sentido crescente de individualidade e poder.

É neste ciclo de desenvolvimento físico e mental que se inicia a aprendizagem no seio da família. Nos primeiros anos de vida, especialmente entre o nascimento e os dois anos de idade, a criança dificilmente consegue distinguir entre ela e a mãe.

Mas à medida que começa a ganhar autonomia, começa a experimentar naturalmente um maior sentido de poder pessoal e liberdade.

Gradualmente, a criança percebe-se separada da mãe, experimenta os estágios iniciais dos seus desejos e necessidades, que precisa que sejam satisfeitos, começa a socializar com outras crianças, a   experienciar o senso de individualidade, a ter noção do seu corpo, dos seus limites e a ter as suas percepções do mundo.

Dos 7 ao 14 anos: Sentido se Si e comprometimento com a vida

O poder emergente da força vital da criança e o compromisso com a vida é testado durante este período.

Ocorrem grandes mudanças energéticas, surgem as doenças infantis, o corpo físico é posto à prova para enfrentar os desafios e ameaças à vida e, apoiando-se nas forças vitais, luta pela sua vida e, no processo, o sistema imunológico reforçar-se a fim de enfrentar os desafios e apostar na sua vida.

É também neste ciclo que a criança desenvolve o sentido crítico e, os pais e educadores desempenham um papel determinante para a imagem do mundo que a criança criará.

A autoridade excessiva pode levar, no futuro, à timidez, introversão, baixa autoestima, etc., enquanto que a permissividade excessiva pode conduzir à extroversão exagerada, desrespeito, libertinagem, ou mesmo quadros de histerismo.

Este é o período de desenvolvimento das emoções e em que são absorvidas as normas e hábitos. O desenvolvimento sadio do ser humano está profundamente relacionado com a dosagem, o equilíbrio e a harmonia das relações de autoridade, valores, limites e permissões.

Dos 14 aos 21 anos:  Emoções selvagens, sexualidade e crise de identidade

Steiner sustentou que as nossas emoções estão alojadas num aspecto específico do nosso espírito, a que ele se referiu como corpo astral.

O corpo etéreo é a energia pura da vida, com a sua própria inteligência, necessária para executar o corpo físico e manter a sua saúde.  O corpo astral é outra camada de energia que compreende o campo energético humano.

O aspecto astral do campo energético detém as emoções, que durante este período se acendem como um cavalo selvagem e exigem atenção e aproveitamento.

Esta fase da vida é dominada por energias emocionais muitas vezes incontroláveis ​​e confusas. Esta turbulência reflecte-se na imprevisibilidade das relações.

Fazemos amizades que, de alguma forma, se transformam em conflitos e traições.

Apaixonamo-nos, estabelecemos ligações românticas intensas e, com a mesma facilidade, desapaixonamo-nos, resultando em muita dor e dramas emocionais.

Steiner sustentou que, durante este período, a nossa natureza animal governa as nossas vidas.   Somos impulsionados por energias emocionais, necessidades irracionais e instintivas para cujo confronto estamos pouco preparados, razão pela qual este período é tão conturbado.

Idades entre 21 e 28 anos:  O “Eu” – Independência e responsabilidade

O fim do crescimento corporal dá lugar ao processo de crescimento mental e espiritual. A partir dos 21 anos a nossa individualidade, o nosso Self, ganha uma força considerável na tentativa de se mostrar.

No entanto, para que esse “Eu” se forme e apareça, mesmo sendo algo subjectivo e interno, depende do mundo exterior, da sociedade. As histórias pessoais começam a ser traçadas pelos próprios. É a emancipação a todos os níveis.

Surpreendentemente, é também a fase em que mais somos influenciados pelos outros. Neste ciclo, os valores, os ensinamentos, as lições de vida, passam a fazer mais sentido. No início e até ao meio deste ciclo, ganhamos algum controlo sobre as nossas emoções e começamos a integrar as nossas faculdades racionais, que nos dão um maior controlo sobre as nossas ações.

Durante estes anos, a maioria das pessoas são saudáveis, cheias de energia e ávidas pela vida, sendo comum que os jovens sintam uma certa invencibilidade e até arrogância e, possuídos por um entusiasmo selvagem, independência e imprudência, por vezes correm riscos excessivos e desafiam os seus limites.

À medida que avançam na casa dos 20 anos surge a maturidade e, conforme o marco dos 30 anos de idade se aproxima, começam a sentir a necessidade de se tornar adultos responsáveis. Para muitos é o fim dos anos loucos.

Em compensação, disse Steiner, começamos a experimentar os primeiros sinais dos nossos talentos e habilidades especiais. Despertamos para vocações pelas quais sentimos uma atracção especial e, alguns, até mesmo para o amor. Os voos mitológicos de fantasia começam a chegar ao fim, iniciando-se as aterragens para a vida.

Também começamos a aprender a pensar em outras pessoas além de nós mesmos.  Estamos a expandir e ver a vida com um olhar mais altruísta e com outra amplitude.

Com efeito, os eventos coincidem com esses sentimentos e necessidades.  As pessoas casam-se, constituem família, têm empregos estáveis e tornam-se mais responsáveis. Em suma, começamos a nos tornarmos simplesmente mais práticos.

Dos 28 aos 35 anos:  O corpo em plena floração – fase organizacional e  crises existenciais

Entre os 28 e os 35 anos, as capacidades físicas do corpo chegam ao auge. O corpo físico atinge a maturação e podemos mesmo desfrutar de maior vitalidade física, se adoptarmos hábitos e comportarmos que promovam a melhoria da saúde física.

Tendo estabelecido os nossos alicerces físicos, começamos a experimentar o impulso pleno das nossas ambições.

Os talentos que podem ter começado a anunciar-se no final da década dos 20 anos, irrompem durante este período também e, é frequente sentirmos um enorme apetite para aprender e melhorar as nossas habilidades.

Este período desafia-nos a canalizar as nossas habilidades para áreas específicas da vida.  A vida pede-nos para nos especializarmos, tornarmo-nos peritos.

A vida diz-nos para nos individualizarmos, tornarmo-nos seres únicos.

Neste ciclo, o antagonismo das nossas ambições e desejos pode causar sensações de angústia, frustração e amargura, o que pode turvar a nossa visão, forçando-nos a ver as pessoas e situações numa perspectiva simplistas de amigo ou inimigo, preto ou branco.

Somos então desafiados a olhar para além da superficialidade e a ver mais profundamente a complexidade da vida e das pessoas.

Estamos sujeitos ao cosmos, às oscilações e por vezes é difícil ter harmonia. É-nos exigida firmeza e estabilidade, tanto material como mental e espiritual e, a consciência de que temos limites causa frustração e tristeza, surgem os abalos da nossa identidade, as crises existenciais. Então, surgem os desejos de mais autoconhecimento e busca espiritual.

A partir deste ciclo há uma renovação porque, partindo da avaliação da trajectória da nossa vida, surgem novos pensamentos, novos valores, novas relações e reorganizações. Estamos agora no comando dos nossos poderes físicos e instintos e temos a capacidade de os usar para realizar os nossos desejos e a nossa visão pessoal.

Idades dos 35 aos 42 anos:  Crise de autenticidade – o questionamento

Na jardinagem e fruticultura chama-se “poda”.  A planta é cortada, aparada, encurtada e, no processo fica mais forte.  Durante este período a crise atinge-nos em cheio. Muitos de nós somos podados por eventos que parecem estar além do nosso controlo e, no processo, sentimos decepção e uma sensação de fracasso.

As decepções mais comuns são as perdas relacionais, profissionais ou financeiras.  Outros sofrem abalos na saúde ou de outro tipo.

O que quer que ocorra, a verdade é que muitos de nós sofremos reveses e perdemos a confiança em nós e na vida. Neste ponto, podemos abraçar as nossas limitações e viver vidas menores, ou arregaçar as mangas e começar de novo.

Somos desafiados a começar de novo, a repensar e refinar os nossos caminhos, mas a permanecer fieis e comprometidos com os nossos sonhos.

Também somos convidados a ampliar a nossa visão da vida e a abraçar uma via mais espiritual.  Viemos a este mundo para aprender e fazer crescer as nossas almas e não para sermos totalmente consumidos por objectivos e ambições materialistas.

A alma abana a jaula da vida durante estes anos e acorda-nos para a sua presença e necessidades.

Somos instados pelo espírito a fazer algumas perguntas simples: Qual é a verdadeira fonte da minha felicidade e de tudo o que eu quero para mim na vida?  É o mundo material, ou tudo que eu preciso e quero flui do espírito?

Se o último é verdadeiro, então devo voltar-me para o espírito para tudo o que preciso e quero e, no processo, devo começar a formar uma nova relação com a minha fonte. Procuramos a essência de tudo, no outro e em nós. O desfio é encontrar valores espirituais e nos reconhecermos como seres únicos.

Segundo Steiner, a nossa humanidade, com as suas qualidades racionais e espirituais, está agora à frente dos nossos instintos, liderando o caminho.

O espírito vai emergindo e começa a tomar conta das nossas vidas. É um ciclo de transição. Antes vivíamos exclusivamente de acordo com os nosso desejos e poder.

Agora voltamo-nos cada vez mais para Deus (ou para a fonte) para tudo o que precisamos. Há uma maior aceitação do que se é, das histórias pessoais e experiências de vida.

Idades dos 42 aos 49 anos: A Busca da alma – altruísmo e expansão

Este ciclo tem tanto de perscrutação da alma como de emaravilhamento com a vida. Estejamos conscientes disso ou não, movemo-nos em direcção a um equilíbrio profundo entre o domínio das nossas habilidades precoces e novos poderes espirituais que nos ajudam a potencializar essas habilidades.

Este é um período de grandes mudanças. Os filhos saem de casa, as mulheres entram na menopausa, surge o medo do envelhecimento e, as questões internas despertadas pelos ciclos anteriores, entram em contradição com o saudosismo, o desejo de reviver experiências da adolescência e fazer coisas que os jovens fazem.

À medida que nos aproximamos dos 49 anos, tornamo-nos cada vez mais conscientes de uma grande transição na vida.

Conforme entramos nos últimos estágios deste período, a criatividade e a imaginação florescem. A nossa visão da vida expande-se e seguimos em novas direcções. Desenvolvemos uma visão mais ampla e humanitária da vida.

Procuramos estar ao serviço da nossa comunidade ou do mundo. Segundo Steiner, o espírito exige-nos que encarnamos os nossos valores espirituais e ideais nas nossas vidas diárias. É um momento em que a alma ganha o controlo crescente sobre as nossas vidas e nos impõe os seus valores.

Começamos a ver, mesmo que apenas intuitivamente, que deve ser alcançado um equilíbrio entre as nossas necessidades terrenas e as nossas preocupações idealistas para com a humanidade. À medida que nos aproximamos dos 50 anos, começamos a sentir que se adivinham grandes mudanças, a ver as partes das nossas vidas que enfatizamos demasiado, e as partes que negligenciamos.

Este é um tempo de reflexão. A nossa intuição torna-se a bússola pela qual dirigimos as nossas vidas.

Dos 49 aos 56 anos:  Uma visão e compreensão da vida cada vez maior

A dádiva dos 50 é a inspiração, o domínio e o poder crescente. Somos abençoados com uma riqueza de experiências que nos deram uma certa sabedoria e, se tivermos integrado os ideais e aprendizagens dos ciclos anteriores, e desenvolvido as nossas almas, emergimos naturalmente como guias e líderes nas nossas comunidades e na sociedade em geral.

É o início de um novo período de maestria e poder pessoal. É a fase de desenvolvimento do espírito e um período em que estamos mais conscientes do mundo e de nós mesmos.

Neste ciclo, desperta em nós o existencialismo e vemos os eventos numa perspectiva mais humanista, sem nos deixarmos abater pelas vicissitudes do dia-a-dia. Se tivemos cuidado da nossa saúde e mantido a vitalidade, agora podemos tornar-nos as pessoas que sempre desejámos ser. O nosso Eu autêntico começa a ganhar forma e a vida ensina-nos a ouvir a voz do coração.

Aqueles que negligenciaram a vida espiritual sentem-se cada vez mais confusos pelo processo de envelhecimento e aterrorizados pela sua própria mortalidade. Apegam-se a uma juventude ilusória e desbotada que, à medida que os anos avançam, se torna cada vez mais fugaz.

Idades dos 56 aos 63 anos.  A encruzilhada: maestria ou reavaliação.

Steiner afirmou que os 56 anos são um importante ponto de viragem na vida.  Nesta fase, emergem à consciência, novas capacidades intuitivas e espirituais, especialmente se tiver sido guiado na vida pelo seu coração e alma. A intuição torna-se o sentido mais importante, que nos conduz às respostas e nos orienta na vida.

É a base do senso de conexão com a fonte e, à medida que a conexão aumenta, experimentamos mais tranquilidade, harmonia e bem-estar com a vida. Tudo isso acontece à medida que o verdadeiro propósito de vida emerge à consciência com maior clareza e poder. Sentimo-nos atraídos para uma missão a que começamos a dedicar todos os nossos talentos, conhecimentos e competências ao serviço de uma causa maior do que as nossas próprias necessidades e ambições pessoais.

De acordo com Steiner, para aqueles que negligenciaram a vida espiritual, este ciclo marca um ponto de viragem em que a vida força uma reavaliação. Este período é frequentemente acompanhado por alguma forma de crise que nos faz reflectir e retornar a uma vida mais centrada no coração e baseada na espiritualidade.

Face a essa crise, disse Steiner, o espírito força a um olhar mais profundo sobre a vida o que, nesse momento, pode ser doloroso e confuso, especialmente se não tivermos dedicado muito tempo ao trabalho de desenvolvimento espiritual e, o medo da morte torna-se desesperante.

Idades dos 63 aos 70 anos:  Tempo de colheita e distribuição da riqueza.

Este período é um tempo de bênção, graça e oportunidade. Nas comunidades tradicionais, estes eram os anciãos, aqueles a quem recorriam pela sua sabedoria, visão e dons intuitivos. Estamos livres das labutas profissionais e, no entanto, ainda podemos ter uma energia e vitalidade consideráveis.  Somos professores, conselheiros, guias e fontes de inspiração para os outros.

Este é o período em que desejamos apoiar os que vêm a seguir a nós, que ainda estão envolvidos nas lutas da vida. É um período de grande poder e recompensa porque já estamos livres das lutas da vida, mas importamo-nos profundamente com as batalhas dos outros. O nosso principal elo de ligação à sociedade é o nosso amor e carinho, e a consciência de que os outros ainda precisam do dom da nossa experiência, sabedoria e orientação.

Acima dos 70 anos:  Reflexão.

Durante este período, já não estamos vinculados por qualquer responsabilidade para com os outros. É um momento em que se avalia e faz um balanço da vida, reflectindo sobre o passado, e experimentando a riqueza do presente.

Este é o limiar do Renascimento para o próximo mundo, o período de preparação para a próxima aventura.  Aguarda-se a chamada.

Todavia, aqueles que negligenciaram o trabalho espiritual, vivem agora atormentados pelo envelhecimento e pelo medo da eminência da sua morte.

Há bênçãos em todas as fases da vida. A nossa energia vital circula pelas diversas fases, a nossa mente tem diferentes níveis de aprendizagem e a nossa espiritualidade também pode estar mais ou menos aberta conforme cada estádio. Todas as culturas tradicionais sustentavam que a vida melhorava à medida que nos íamos tornando mais velhos.

Todavia, essa não é a mensagem passada a muitos de nós neste nosso mundo orientado para a juventude. Compete a cada um de nós, cidadãos do mudo, empreender as mudanças ao nosso alcance para que a vida seja vista com outras lentes, pois há muita verdade no que Steiner e outros disseram – os melhores anos estão à nossa frente, se seguirmos os ditames do coração e desenvolvermos os poderes impressionantes das nossas almas.

Feito com ♥ por Krystel Leal e Ana Paula Vieira
Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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