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Síndrome do ninho vazio ou o vazio incontornável…

11 meses atrás · · 2 comentários

Síndrome do ninho vazio ou o vazio incontornável…

O momento em que os filhos saem de casa para construir os seus próprios projectos de vida, é uma fase complicada, principalmente para os pais que dedicaram toda a sua vida aos filhos. Embora muitos pais também sejam afectados com a partida dos filhos, geralmente são as mulheres quem tem mais dificuldade em lidar com esse ritual de passagem. Quando os filhos se vão embora, elas sentem um enorme vazio e, a sensação de que eles abandonaram o ninho e não voltam mais, pode ser esmagadora. A esse sentimento de perda dá-se o nome de síndrome do ninho vazio.

Um sentimento de solidão,  vazio e tristeza por vezes devastador

É um sentimento de solidão, de vazio, de tristeza, ou até de irritação e depressão que muitos pais sentem com a saída dos seus filhos de casa. Esse sofrimento, por vezes devastador, pode ganhar proporções desajustadas, prejudiciais à vida, quando não se consegue lidar com essa perda. A saudade pode tornar-se em angústia e causar crises de ansiedade, podendo mesmo levar a estados depressivos e sintomas psicossomáticos.

O sentimento de pesar é quase incontornável e inevitável, principalmente em pais que valorizam muito mais os seus papéis como mãe e pai do que como mulher, homem ou profissional. Embora racionalmente os pais compreendam que esse é o ciclo normal e natural da vida, emocionalmente a situação é mais difícil de gerir. De repente, numa casa habitualmente cheia de vida, de vozes e sons, o silêncio ecoa num vazio que se instala no âmago do ser.

Como lidar com o sentimento de perda e ajustar a dinâmica familiar à nova realidade

Muito se tem escrito e falado sobre como lidar com esse sentimento de perda; de como se preparar com antecedência para essa fase da vida familiar; de como ajustar a dinâmica familiar à nova realidade; de como se reinventar como pessoas ou como casal

E quando a partida é repentina e definitiva? E quando a vida desses filhos é ceifada cedo de mais? Como podem os pais lidar com o vazio do ninho, do coração, da alma

Eu conheço muito bem esse sentimento de vazio, conheço-o intimamente! Tenho convivido com ele todos os dias da minha vida, nos últimos 13 anos. E tenho feito o melhor que posso para me ajustar à nova realidade.

Os filhos representam o futuro, a continuidade, a descendência, o legado, os sonhos e expectativas… Quando as nossas idealizações, projectos, desejos, fantasias e esperanças se desmoronam como um castelo de cartas… Quando um infindável rol de expectativas se desvanece ante nós como uma névoa… Como podemos lidar com a ausência definitiva dos nossos filhos e com os impossíveis?

A perda de um filho é inominável, indescritível e insuportável

A perda de um filho é inominável, indescritível e insuportável. Os filhos que perdem os pais são órfãos, aqueles que perdem os conjuges tornam-se viúvos, mas quando os pais perdem os filhos não há uma designação para essa nova condição… tornam-se inadjectiváveis!

Numa sociedade de consumo como a nossa, competitiva e centrada no Ter, há pouco espaço para o Ser e o Sentir. Quem perde um filho sente-se marginalizado e  estigmatizado pela sociedade. Algumas pessoas evitam falar com os pais enlutados porque não sabem como lidar com a situação, outras receiam passar pelo mesmo,  e outras estão de tal forma centradas em si mesmas que são incapazes de sentir empatia.

Com a morte de um filho os pais iniciam uma jornada árdua e solitária para preservar e manter viva a sua memória. O medo de que sejam esquecidos, somado ao vazio da ausência e à aniquilação do futuro, provocam uma dor insustentável, indizível, insuperável. Para os pais, mas especialmente para as mães, perder um filho é como perder parte da própria vida. Eu senti como se me tivessem amputado uma parte do coração.

A perda de um filho interrompe a lógica cronológica

A perda de um filho interrompe a lógica cronológica com que nos habituámos, que os pais morrem primeiro do que os filhos, nunca o contrário. Contudo, a morte de um filho não rompe o vínculo que se criara. Independente de como ou quando os pais aprendam a viver sem esse filho, essa perda é como uma ferida aberta, que não cicatriza. É uma ferida invisível aos olhos, mas visível aos corações mais atentos. Com o tempo essa ferida poderá sangrar menos, mas será sempre sensível e dolorosa…

Por vezes estamos bem, naquele espaço de tranquilidade que aprendemos a construir, e de repente uma palavra, um gesto, uma imagem, desencadeia um turbilhão de emoções… Aprender a viver com esta nova realidade, implicou dar um novo rumo à minha vida. Dei continuidade ao vínculo que criei com o meu filho integrando-o na minha vida como uma parte importante e significativa da minha história. Ressignifiquei a minha perda dando um sentido à minha vivência. O que me move é o apoio a outras mães, outras mulheres que se debatem com a árdua tarefa de lidar com a ausência dos seus filhos, ou de encontrar um lugar de serenidade e plenitude para as suas vidas.

Como evitar o vazio

O vazio pesa, a ausência pesa, o silêncio pesa, os lugares vazios na mesa pesam… por isso é importante encontrar estratégias de autopreservação para lidar com tudo isso. Não vou negar que ainda me custa muito admitir que o meu filho não voltará. A verdade é que, quando ele morreu a minha filha tinha 13 anos e percebi que teria de me preparar para essa inevitabilidade. Por isso, deixo-vos as minhas sugestões.

  • Mudar a forma como encaramos os filhos – eles não são nossos, vêm até nós para os criarmos, educarmos e prepararmos, o melhor possível, para a vida;
  • Reforçar os laços com o companheiro – se ainda for o pai dos seus filhos, ele poderá estar a passar pelo mesmo, se não for pode ser uma oportunidade de ouro para voltar a namorar (se não tem um companheiro, busque uma amizade fidedigna);
  • Liste tudo o que tem vindo a adiar – Faça uma lista das coisas que tem vindo a adiar e comece a dedicar-se à sua concretização, uma coisa de cada vez;
  • Procure actividades de lazer – Envolva-se em actividades que lhe dê prazer. Se tem um companheiro, procure actividades prazerosas que possam fazer em conjunto;
  • Dedique-se a uma causa – Dedicar-se a uma causa é algo que nos traz realização pessoal, seja voluntariado, activismo, o que lhe fizer sentido;
  • Procure ajuda – Se sente que não consegue ultrapassar essa fase sozinha, procure a ajuda de uma amiga que já tenha vivenciado o mesmo, de um Coach, de um Terapeuta ou de um Psicólogo. Não precisa de atravessar o deserto sozinha.

E, lembre-se, a felicidade vem de dentro de cada uma de nós. Não são os outros que nos fazem felizes, somos nós mesmas que construímos a nossa felicidade!

Tags: , , , , , Categorias: Inteligência Emocional, Terapias não Convencionais, Uncategorized

Ana Paula Vieira

Ana Paula Vieira

Sou mulher, mãe, esposa e, profissionalmente sou Coach, Conselheira de Luto, Hipnoterapeuta e Terapeuta Energética.

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