O que é resiliência e como desenvolvê-la - Ana Paula Vieira

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    O que é resiliência e como desenvolvê-la

    2 semanas atrás · ·0 Comentários

    O que é resiliência e como desenvolvê-la

    O termo Resiliência deriva do latim, resilire e significa recuar ou dar um passo atrás.

    Então, o que é resiliência e como desenvolvê-la? Em primeiro lugar, este termo foi originalmente utilizado na física para caracterizar a capacidade de um material de suportar grandes e diferentes tipos de pressão – como mudanças bruscas e extremas de temperatura, choques, etc. – sem se alterar ou recuperar rapidamente a sua forma original.

    Ou seja, resiliência é a capacidade de um material de resistir a pressões ou de sofrer desgaste e mesmo assim se refazer e se reconstruir voltando à forma original.

    Por outro lado, na área do desenvolvimento pessoal, o conceito de resiliência é utilizado para caracterizar a atitude de adaptação à mudança, de superação de problemas e dificuldades ou a capacidade de resistir à pressão de situações adversas, sem que isso cause impacto psicológico, emocional ou físico.

    Resiliência é a capacidade de lidar com as adversidades, adaptar-se à mudanças. superar obstáculos ou resistir à pressão sem entrar em colapso psicológico, emocional ou físico e procurar soluções para enfrentar os reveses.

    Outras definições de resiliência

    Se percorremos a literatura empírica, veremos que há muitas e diferentes definições de resiliência. Uma que me agrada particularmente é dos investigadores Togage e Fredrickson. Eles definem a resiliência como sendo caracterizada pela capacidade de recuperar de experiências emocionais negativas e pela adaptação flexível às necessidades de mudança das experiências stressantes.

    Aquilo que aprecio em particular nesta definição é que ela fala da flexibilidade, de sermos capazes de experimentar diferentes estratégias para conseguirmos corresponder às exigências de qualquer que seja esse factor de stress ou desafio. Penso que isso é realmente importante na resiliência.

    A Universidade da Pensilvânia tem uma definição ligeiramente diferente de resiliência. Eles definem a resiliência como a capacidade de recuperar da adversidade e de crescer a partir dos desafios.

    A resiliência psicológica é a capacidade de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos. Então ser resiliente é desenvolver a capacidade de resistir à pressão de situações adversas ou ameaças sem entrar em colapso psicológico, emocional ou físico e procurar soluções estratégicas para enfrentar os reveses.

    É o processo de adaptação face aos contratempos, perdas, problemas de saúde graves ou tragédias, fontes significativas de stress como problemas familiares e de relacionamento ou situações de tensão no ambiente de trabalho e problemas financeiros. Assim, tal como há diversas definições do que é resiliência também há múltiplas formas de desenvolvê-la.

    A pesquisa demostrou que a resiliência é algo que pode ser aprendido

    A pesquisa demostrou que a resiliência não é algo inato ou extraordinário, mas comum. A resiliência não é um traço de personalidade que as pessoas tenham ou não tenham. Envolve comportamentos, pensamentos e acções que podem ser aprendidos e desenvolvidos em qualquer pessoa.

    Ser resiliente não significa que a pessoa não tenha dificuldades ou frustrações, que não sofra desaires ou desafios. A dor emocional e a tristeza são comuns a todas as pessoas que enfrentam grandes adversidades ou sofrem traumas nas suas vidas. De facto, o caminho para a resiliência provavelmente envolverá sofrimento emocional considerável.

    Em muitos momentos da nossa vida, quando surgem obstáculos no caminho, parece-nos mais fácil baixar os braços e aceitar a derrota do que mobilizar recurso para continuar a lutar.

    Variáveis da resiliência

    Então vamos ver o que a ciência da resiliência nos diz serem as variáveis (ou factores de protecção) que contribuem para a resiliência de uma pessoa.

    A ciência da resiliência aponta três grandes grupos de variáveis relacionadas com a resiliência: biologia, autoconsciência, autorregulação, agilidade mental, optimismo, autoeficácia, conexão e instituições positivas.

    1. Variáveis biológicas

    Um primeiro grupo de variáveis relacionadas com a resiliência é a biologia. Tal como na maioria das capacidades humanas, possivelmente possuímos algum grau de hereditariedade em termos de resiliência. Sabemos que a forma como o nosso corpo responde ao stresse afecta a nossa resiliência.

    Em primeiro lugar, quando o stress activa o corpo, o aspecto físico do stress, é realmente uma forma de dizer que o nosso corpo está a reagir a uma ameaça. Portanto, a nossa biologia não é assim tão inteligente. Ela não faz muitas distinções. Não sabe realmente se as tensões foram provocadas por alguém cuja opinião nos interessa ou se estamos a correr o mais depressa que podemos para escapar a um perigo real.

    O corpo reage e a resposta biológica é realmente bastante primitiva. O corpo liberta uma grande quantidade de hormonas que afectam todos os sistemas do corpo. Assim, as glândulas supra-renais libertam adrenalina que faz o coração bater mais depressa, dilata as pupilas, deixando entrar mais luz e canaliza o sangue de certas formas.

    O sangue é desviado para músculos que ajudarão a realizar uma acção física bruta como lutar ou fugir e desvia-se do aparelho digestivo e de outros sistemas que ajudariam o corpo a se curar e a se restabelecer. Por isso, tem um custo real.

    As glândulas supra-renais segregam o cortisol, que é uma das hormonas primárias relacionadas com o stress que nos ajuda a utilizar a energia armazenada para agir, mas que a longo prazo prejudica a cura e o sistema imunitário, afectando todo o corpo. Tamtém está associado à diabetes e a outras patologias.

    O nosso sistema nervoso foi construído para nos ajudar a nos adaptarmos à situação em que nos encontramos. Assim, quando somos ameaçados, na realidade é como se metade do sistema nervoso autónomo, a parte simpática do nosso sistema nervoso autónomo, fosse activada.

    Este é o sistema que nos prepara para a acção, que faz o nosso coração bater, que nos prepara para lutar ou fugir. Assim, essas actividades, esses comportamentos são impulsionados por essa parte do sistema nervoso quando somos ameaçados.

    A outra parte do sistema nervoso é gerida pelo sistema nervoso autónomo parassimpático. Este sistema está envolvido na digestão, na absorção de alimentos e na sua utilização para curar ou restaurar o corpo. Ou seja, reconstruir o corpo com eles, com cura, com regeneração, com sono, com reparação.

    Na realidade, estes dois sistemas estão sempre a funcionar em paralelo, na nossa vida, mas a forma como se activam no contexto em que nos encontramos determina como estamos nesse equilíbrio.

    2. Autoconsciência

    Outro conjunto de variáveis que contribuem para a resiliência pode ser definido como as variáveis relacionadas com a autoconsciência.

    Assim, fazendo uso da autoconsciência, com que frequência prime o botão de pausa, só por um segundo, para se perguntar o que está a acontecer internamente? Com que frequência percebe quais são os seus pensamentos? E se esses pensamentos estão a ajudá-lo na situação, ou talvez a atrapalhar?

    Outra função da autoconsciência é rastrear as suas emoções.

    Então, num dado momento no tempo, consegue identificar o que está a sentir? E tem um tipo de léxico amplo para descrever as suas emoções? O papel das emoções na resiliência é crucial.

    Outro papel da autoconsciência não é somente rastrear os seus pensamentos e as suas emoções, mas também as suas reacções.

    O que está a fazer numa situação? E os seus comportamentos ou reacções estão a ajudá-lo ou prejudicá-lo?

    Outro aspecto é a fisiologia. Então, alguns de nós até podemos estar realmente sintonizados com o nosso pensamento, e talvez também estejamos sintonizados e conscientes das nossas reacções, mas será que poderíamos dizer o que está a acontecer nos nossos corpos?

    Não estamos conscientes da nossa respiração ou da nossa frequência cardíaca. E isso é importante porque a fisiologia pode afectar a nossa resiliência e também faz parte da autoconsciência.

    Outro factor da autoconsciência é conhecer os seus pontos fortes. Estar profundamente consciente de quais são os seus pontos fortes e como alavancar esses pontos fortes para superar desafios. E também das suas fraquezas e de como fortalecer esses pontos fracos para obter melhores resultados.

    Então, temos a biologia como um conjunto de variáveis que afectam a resiliência. Temos a autoconsciência como outro conjunto de variáveis que afecta a resiliência.

    3. Auto-regulação

    Outra classe de variáveis que a ciência diz serem importantes para a resiliência está sob essa categoria de auto-regulação. Este terceiro grupo de variáveis é um conjunto de diferentes capacidades ou habilidades que se relacionam com a nossa capacidade de, não apenas reparar nos nossos pensamentos e reacções e na nossa fisiologia, mas também de mudar esses pensamentos, emoções e fisiologia, quando o que estamos a experienciar não está a ajudar numa situação.

    Então, tomando como exemplo a fisiologia, talvez se aperceba, através da autoconsciência, que está a pesar demais. A sua resposta de luta ou fuga está comprometida e está sempre preparada/o para uma batalha, mas na realidade não existe batalha nenhuma.

    Para se manter resiliente ou para permitir a resiliência naquele momento, precisará de algumas habilidades para regular toda essa ânsia de luta ou fuga, para poder acalmar a sua fisiologia.

    Outro elemento da auto-regulação, que se enquadra nessa categoria, é a definição de metas. Sabemos que é preciso muita autorregulação e controle para alcançar os nossos objectivos. E também sabemos que é importante ter metas, ter uma missão, uma visão para nós mesmos do futuro que estamos a tentar alcançar. Isso é importante para a resiliência, dá-nos algo em que focar.

    4. Agilidade mental

    Há outro tipo de grupo de variáveis que importam, e que são as variáveis da agilidade mental. Então, por agilidade mental, quero dizer a capacidade de ver as coisas de múltiplas perspectivas.

    Sabemos pela ciência que uma das variáveis que ajuda na resiliência é a perspectiva. É ser capaz de olhar para uma situação, não apenas de um ponto de vista, mas de múltiplos pontos de vista.

    Outra parte da agilidade mental é a resolução de problemas. Apenas habilidades básicas e ser capaz de identificar a causa-raiz de um problema e, então, ser capaz de identificar soluções e aprovar essas soluções.

    A ciência também nos diz que o bom funcionamento intelectual é importante para a resiliência. Contribui para a resolução de problemas e a tomada de perspectiva.

    Então a agilidade mental é outro grupo de variáveis.

    5. Optimismo

    Outro dos grupos de variáveis enquadra-se sob o título de optimismo. E, como sabe, o optimismo é a crença num futuro positivo. Sabemos que isso é crítico para a resiliência se pensarmos na resiliência como uma corrida de resistência.

    Por outras palavras, ele é necessário para perseverar depois da ocorrência de alguma contrariedade e continuar a trabalhar para superar um stresse ou um desafio.

    O optimismo pode muito bem ser o motor da resiliência. Isso dá-nos a atitude de continuar a persistir. Parte do optimismo, outra variável que importa na resiliência, é ser capaz de separar o que se pode controlar na situação, dos aspectos de uma situação que precisamos de aceitar.

    Algo que as pessoas resilientes fazem muito bem, é pensar nos stressores, não como ameaças, mas como desafios.

    Então, o optimismo é crítico na resiliência. Quando têm um problema pela frente, elas encaram-no como um desafio. Tenha uma mentalidade que encara as situações como desafios que pode superar, e apoie-se nisso, versus isso é uma ameaça da qual me vou afastar.

    6. Auto-eficácia

    Há outro conjunto de variáveis que se relacionam com o que eu descreveria como auto-eficácia ou maestria. Então, variáveis como saber quais são os nossos talentos, saber quais são os nossos pontos fortes, ter uma atitude de eu posso. A crença de que podemos dominar o nosso ambiente.

    A força de carácter e o conhecimento de quem somos, contribui da melhor maneira possível, para a alta autoeficácia, contribui para a percepção ou a crença de que podemos dominar o nosso ambiente. Então,  podemos usar os pontos fortes para lidar com os desafios.

    Assim, a auto-eficácia, o auto-domínio, é outro agrupamento de variáveis importante.

    7. Conexão

    Outro agrupamento adicional de variáveis intitula-se conexão. Então, neste grupo de variáveis existem elementos como o estilo de conexão. Assim, sabemos da pesquisa  que,as crianças que têm um forte apego aos cuidadores na infância , que se sentem seguras com os seus cuidadores, têm maior probabilidade de continuar a demonstrar resiliência mais tarde na vida. Ou seja, para desenvolver resiliência é necessário ter conexões.

    Uma descoberta muito comum na literatura de resiliência envolve os relacionamentos. O que alguns dos primeiros trabalhos em resiliência mostraram, e os estudos actuais continuam a apoiar isso, é que uma variável crítica na resiliência é ter pessoas significativas na nossa vida. Pode ser apenas uma pessoa, na sua vida, em quem sabe que pode confiar. Um relacionamento robusto, em que sabe que não importa onde esteja e onde essa outra pessoa esteja, essa pessoa pensa bem de si, e sabe que pode contar com ela para a/o apoiar quando as coisas começarem a ficar difíceis.

    Então, o seu estilo de apego desde a infância e ao longo da vida, os seus relacionamentos, são igualmente importantes para prever e contribuir para a resiliência. Mas não é apenas a conexão no nível das relações interpessoais. Outro aspecto que parece ser muito importante para a resiliência é a espiritualidade. Sentir-se ligado ou conectado a algo maior que si mesmo.

    Isto é, pode não ser apenas um relacionamento, pode ser a sua fé. Pode ser uma conexão profunda com a natureza e um senso de espiritualidade que surge em si quando está na natureza.

    O apego a algo maior do que nós mesmos também pode ser uma missão, um propósito, uma ideia, algo que se acredita ser extremamente importante e pelo qual vale a pena lutar. Assim, todos estes são exemplos de variáveis que contribuem para a resiliência, inseridos sob este título de conexão.

    8. Instituições positivas

    Agora, o último agrupamento de variáveis pode ser descrito como instituições positivas.

    Até agora, todos os aspectos que foram abordados são variáveis que residem no indivíduo, dentro dele ou entre os indivíduos nos seus relacionamentos. Essas variáveis são profundamente importantes.

    Mas também sabemos que existem variáveis dentro das instituições, sejam elas a instituição familiar ou a comunidade, ou o seu local de trabalho, que podem apoiar e aumentar ainda mais essas variáveis interpessoais e intrapessoais, ou podem desgastá-las ao longo do tempo.

    Então, se cresceu numa comunidade onde não estava segura/o; se frequentou uma escola onde se sentia ameaçada/o todos os dias; se cresceu numa família onde as suas necessidades básicas não eram atendidas; será mais difícil manter altos níveis de resiliência.

    Inversamente se fez parte de escolas, comunidades e famílias, onde esses atributos de resiliência são valorizados é mais fácil menter elveados níveis de resiliência.

    Então, o que é resiliência e como desenvolvê-la?

    Este é o panorama do que a ciência da resiliência nos dá sobre as variáveis críticas que contribuem para resiliência. As habilidades inatas relativas a cada um dos princípios de construção de resiliência podem ser desenvolvidas e melhoradas através ferramentas e técnicas específicas, incluindo as citadas.

    Em conclusão, não se “nasce” resiliente, esta é uma caraterística fomentada a partir das várias interacções que o indivíduo experiencia ao longo da vida, dentro dos diversos círculos em que está inserido – família, escola, cultura, meio social, etc.

    A resiliência pode ser vista como uma interacção complexa entre determinadas características dos indivíduos com o meio ambiente que os envolve.

    A resiliência é extremamente importante para a saúde da pessoa, tanto a nível mental como físico. A gestão que fazemos dos momentos mais difíceis das nossas vidas define muitas vezes a capacidade futura de lidar com potenciais eventos traumáticos.

    Conclusão

    As pessoas resilientes conseguem encarar positivamente as adversidades, identificando sempre o lado positivo de todas as situações.

    Então, lembre-se que: Tornar-se resiliente é desenvolver a capacidade de se reerguer perante situações difíceis. Isso irá ajudá-lo a ver o lado positivo mesmo nos momentos mais negativos.

    Para finalizar, é importante esclarecer que resiliência não significa ignorar os acontecimentos. Não significa fingir que não aconteceu, nem é suposto agir como se estivesse tudo bem mesmo quando não está. Pelo contrário. Ser resiliente é acima de tudo ter consciência do que lhe aconteceu, enfrentar e integrar esses acontecimentos na sua história de vida.

    Extrair algo positivo dos momentos negativos e dos erros cometidos, vendo-os não como fracassos, mas sim como oportunidades de crescimento ajudará a mudar a sua perspectiva e pontos de visa. Reflita em como a situação poderá fortalcê-la/o e foque-se no que pode aprender para evitar repetir o mesmo erro no futuro.

    Concentrar-se em experiências passadas e fontes de força pessoal pode ajudá-la/o a aprender sobre quais as estratégias para construir resiliência que podem funcionar para si.

    Imagine-se como alguém altamente resiliente, com abundante força interior, energia e desenvoltura, com as competências que lhe permitam lidar com todos os tipos de problemas crises, pressão, mudanças e as irritações do dia-a-dia!

    Categorias: Desenvolvimento Pessoal, Inteligência Emocional, Psicologia Positiva

    Ana Paula Vieira

    Ana Paula Vieira

    Coach, Conselheira de Luto e Hipnoterapêuta, e ajudo pessoas que desejam alcançar equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, a gerir as suas emoções com eficácia para que tenham uma vida mais plena, gratificante, alinhada com os seus valores, intencional e feliz. A felicidade constrói-se de dentro para fora. Vem aprender a ser feliz!

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