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    O que é resiliência e como desenvolvê-la

    9 meses atrás · · 0 Comentários

    O que é resiliência e como desenvolvê-la

    Neste episódio do Podcast abordo o tema da resiliência e como é que podemos desenvolvê-la.

    O termo Resiliência deriva do latim, resilire e significa recuar ou dar um passo atrás.

    Este termo foi originalmente utilizado na física para caracterizar a capacidade de um material de suportar grandes e diferentes tipos de pressão. É a capacidade de um material suportar mudanças bruscas e extremas de temperatura, choques, etc. sem se alterar ou recuperar rapidamente a sua forma original.

    Ou seja, resiliência é a capacidade de um material de resistir a pressões ou de sofrer desgaste e mesmo assim se refazer e se reconstruir voltando à forma original.

    Já na área do desenvolvimento pessoal o conceito de resiliência é utilizado para caracterizar a atitude de adaptação à mudança. É a capacidade de superação de problemas e dificuldades ou de resistir à pressão de situações adversas, sem que isso cause impacto psicológico, emocional ou físico.

    Resiliência é a capacidade de lidar com as adversidades, adaptar-se à mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão sem entrar em colapso psicológico, emocional ou físico e procurar soluções para enfrentar os reveses.

    Outras definições de resiliência

    Há muitas e diferentes definições de resiliência. Uma que me agrada particularmente é dos investigadores Togage e Fredrickson. Eles definem a resiliência como sendo caracterizada pela capacidade de recuperar de experiências emocionais negativas e pela adaptação flexível às necessidades de mudança das experiências stressantes.

    Aquilo que aprecio em particular nesta definição é que ela fala da flexibilidade, de sermos capazes de experimentar diferentes estratégias para conseguirmos corresponder às exigências de qualquer que seja esse factor de stress ou desafio. Penso que isso é realmente importante na resiliência.

    A Universidade da Pensilvânia tem uma definição ligeiramente diferente de resiliência. Eles definem a resiliência como a capacidade de recuperar da adversidade e de crescer a partir dos desafios.

    A resiliência psicológica é a capacidade de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos. Então ser resiliente é desenvolver a capacidade de resistir à pressão de situações adversas ou ameaças sem entrar em colapso psicológico, emocional ou físico e procurar soluções estratégicas para enfrentar os reveses.

    É o processo de adaptação face aos contratempos, perdas, problemas de saúde graves ou tragédias, fontes significativas de stress como problemas familiares e de relacionamento ou situações de tensão no ambiente de trabalho e problemas financeiros. Assim, tal como há diversas definições do que é resiliência também há múltiplas formas de desenvolvê-la.

    A pesquisa demostrou que a resiliência é algo que pode ser aprendido

    A pesquisa demostrou que a resiliência não é algo inato ou extraordinário, mas comum. A resiliência não é um traço de personalidade que as pessoas tenham ou não tenham. Envolve comportamentos, pensamentos e acções que podem ser aprendidos e desenvolvidos em qualquer pessoa.

    Ser resiliente não significa que a pessoa não tenha dificuldades ou frustrações, que não sofra desaires ou desafios. A dor emocional e a tristeza são comuns a todas as pessoas que enfrentam grandes adversidades ou sofrem traumas nas suas vidas. De facto, o caminho para a resiliência provavelmente envolverá sofrimento emocional considerável.

    Em muitos momentos da nossa vida, quando surgem obstáculos no caminho, parece-nos mais fácil baixar os braços e aceitar a derrota do que mobilizar recurso para continuar a lutar.

    Variáveis da resiliência

    Então vamos ver o que a ciência da resiliência nos diz serem as variáveis (ou factores de protecção) que contribuem para a resiliência de uma pessoa.

    A ciência da resiliência aponta três grandes grupos de variáveis relacionadas com a resiliência: biologia, autoconsciência, autorregulação, agilidade mental, optimismo, autoeficácia, conexão e instituições positivas.

    1. Variáveis biológicas

    Um primeiro grupo de variáveis relacionadas com a resiliência é a biologia. Quando o stress activa o corpo, o aspecto físico do stress, é realmente uma forma de dizer que o nosso corpo está a reagir a uma ameaça. O sangue é desviado para músculos que nos preparam para realizar uma acção física – lutar ou fugir – e desvia-se de outros sistemas que ajudariam o corpo a se curar e a se restabelecer. Por isso, tem um custo real.

    As glândulas supra-renais segregam o cortisol (uma das hormonas do stress) que nos ajuda a utilizar a energia armazenada para agir. Todavia, a longo prazo afecta todo o corpo prejudicando a cura e o sistema imunitário. Também está associado à diabetes e a outras patologias.

    O nosso sistema nervoso foi construído para nos ajudar a nos adaptarmos à situação em que nos encontramos. Assim, quando somos ameaçados, na realidade é como se metade do sistema nervoso autónomo, a parte simpática do nosso sistema nervoso autónomo, fosse activada.

    A outra parte é gerida pelo sistema nervoso parassimpático. Este sistema está envolvido na digestão, na absorção de alimentos e na sua utilização para curar ou restaurar o corpo. Ou seja, reconstruir o corpo com eles, com cura, com regeneração, com sono, com reparação.

    Estes dois sistemas estão sempre a funcionar em paralelo, na nossa vida, mas a forma como se activam no contexto em que nos encontramos determina como estamos nesse equilíbrio.

    2. Autoconsciência

    A autoconsciência é outro conjunto de variáveis que contribuem para a resiliência. Com que frequência prime o botão de pausa, só por um segundo, para se perguntar o que está a acontecer internamente? Com que frequência percebe quais são os seus pensamentos? E se esses pensamentos estão a ajudá-lo na situação, ou talvez a atrapalhar?

    Outra função da autoconsciência é rastrear as suas emoções.

    Então, num dado momento no tempo, consegue identificar o que está a sentir? E tem um tipo de léxico amplo para descrever as suas emoções? O papel das emoções na resiliência é crucial.

    Outro papel da autoconsciência não é somente rastrear os seus pensamentos e as suas emoções, mas também as suas reacções.

    O que está a fazer numa situação? E os seus comportamentos ou reacções estão a ajudá-lo ou prejudicá-lo?

    Outro aspecto é a fisiologia. Alguns de nós até podemos estar realmente sintonizados com o nosso pensamento e conscientes das nossas reacções. Mas será que conseguiríamos dizer o que está a acontecer nos nossos corpos?

    Outro factor da autoconsciência é estar profundamente consciente de quais são os seus pontos fortes e como alavancá-los para superar desafios. E também das suas fraquezas e de como fortalecer esses pontos fracos para obter melhores resultados.

    3. Auto-regulação

    Outra classe de variáveis que a ciência diz serem importantes para a resiliência está sob essa categoria de auto-regulação. Este é um conjunto de diferentes capacidades ou habilidades que se relacionam com a nossa capacidade de, não apenas reparar nos nossos pensamentos, reacções e fisiologia, mas também de mudar esses pensamentos, emoções e fisiologia, quando o que estamos a experienciar não está a ajudar numa situação.

    Outro elemento da auto-regulação, que se enquadra nessa categoria, é a definição de metas. Ter metas, ter uma missão, uma visão para nós mesmos do futuro que estamos a tentar alcançar, dá-nos algo em que focar.

    4. Agilidade mental

    Há outro tipo de grupo de variáveis que importam, e que são as variáveis da agilidade mental. Agilidade mental é a capacidade de ver as coisas de múltiplas perspectivas. É ser capaz de olhar para uma situação, não apenas de um ponto de vista, mas de múltiplos pontos de vista.

    Outra parte da agilidade mental é a resolução de problemas. Ser capaz de identificar a causa-raiz de um problema e, então, ser capaz de identificar e aprovar soluções.

    5. Optimismo

    Outro dos grupos de variáveis enquadra-se sob o título de optimismo. O optimismo é a crença num futuro positivo. Isso é crítico para a resiliência, para perseverar depois da ocorrência de alguma contrariedade.

    Parte do optimismo é ser capaz de separar o que se pode controlar na situação, dos aspectos de uma situação que precisamos de aceitar.

    Algo que as pessoas resilientes fazem muito bem, é pensar nos stressores, não como ameaças, mas como desafios. Quando têm um problema pela frente, os optimistas encaram-no como um desafio.

    6. Auto-eficácia

    A auto-eficácia ou maestria, é um conjunto de variáveis como saber quais são os nossos talentos, saber quais são os nossos pontos fortes, ter uma atitude confiante. A crença de que podemos dominar o nosso ambiente.

    A força de carácter e o conhecimento de quem somos, contribui da melhor maneira possível, para a alta autoeficácia. Podemos usar os pontos fortes para lidar com os desafios.

    Assim, a auto-eficácia, o auto-domínio, é outro agrupamento de variáveis importante.

    7. Conexão

    Outro conjunto de variáveis intitula-se conexão, no qual existem elementos como o estilo de conexão. Sabemos que as crianças que têm um forte apego aos cuidadores na infância , que se sentem seguras com os seus cuidadores, têm maior probabilidade de continuar a demonstrar resiliência mais tarde na vida. Ou seja, para desenvolver resiliência é necessário ter conexões.

    Uma descoberta muito comum na literatura de resiliência envolve os relacionamentos. Ter um relacionamento robusto, em que se sabe que independentemente de onde se esteja e de onde essa outra pessoa esteja, sabe que pode contar com ela para a/o apoiar quando as coisas começarem a ficar difíceis.

    Então, o seu estilo de apego desde a infância e ao longo da vida, os seus relacionamentos, são igualmente importantes para prever e contribuir para a resiliência. Mas não é apenas a conexão no nível das relações interpessoais. Outro aspecto que parece ser muito importante para a resiliência é a espiritualidade. Sentir-se ligado ou conectado a algo maior que si mesmo.

    O apego a algo maior do que nós mesmos também pode ser extremamente importante por ter algo pelo qual vale a pena lutar.

    8. Instituições positivas

    O último agrupamento de variáveis pode ser descrito como instituições positivas.

    Até agora, todos os aspectos que foram abordados são variáveis que residem no indivíduo, dentro dele ou entre os indivíduos nos seus relacionamentos. Essas variáveis são profundamente importantes.

    Mas também existem variáveis dentro das instituições, sejam elas a instituição familiar, a comunidade, ou o local de trabalho. São as instituições que podem apoiar e fomentar essas variáveis interpessoais e intrapessoais, ou podem desgastá-las ao longo do tempo.

    Se cresceu numa comunidade ou frequentou escola onde não se sentia segura/o; se cresceu numa família onde as suas necessidades básicas não eram atendidas; será mais difícil manter altos níveis de resiliência.

    Se pelo contrário, frequentou escolas, ou fez parte de comunidades e famílias, onde esses atributos de resiliência são valorizados é mais fácil menter elveados níveis de resiliência.

    Então, o que é resiliência e como desenvolvê-la?

    As habilidades inatas relativas a cada um dos princípios de construção de resiliência podem ser desenvolvidas e melhoradas através de ferramentas e técnicas específicas, incluindo as citadas acima.

    Não se “nasce” resiliente, esta é uma caraterística fomentada a partir das várias interacções que o indivíduo experiencia ao longo da vida, dentro dos diversos círculos em que está inserido – família, escola, cultura, meio social, etc.

    A resiliência pode ser vista como uma interacção complexa entre determinadas características dos indivíduos com o meio ambiente que os envolve. A gestão que fazemos dos momentos mais difíceis das nossas vidas define muitas vezes a capacidade futura de lidar com potenciais eventos traumáticos.

    Conclusão

    A resiliência é extremamente importante para a saúde da pessoa, tanto a nível mental como físico. As pessoas resilientes conseguem encarar positivamente as adversidades, identificando sempre o lado positivo de todas as situações.

    Em conclusão, ser resiliente é desenvolver a capacidade de se reerguer perante situações difíceis.

    Para finalizar, é importante esclarecer que resiliência não significa ignorar os acontecimentos. Não significa fingir que não aconteceu, nem é suposto agir como se estivesse tudo bem mesmo quando não está. Pelo contrário. Ser resiliente é acima de tudo ter consciência do que lhe aconteceu, enfrentar e integrar esses acontecimentos na sua história de vida.

    Extraia algo positivo dos momentos negativos e dos erros cometidos, vendo-os não como fracassos, mas sim como oportunidades de crescimento. Isso ajudará a mudar a sua perspectiva e pontos de vista.

    Tags: Categorias: Desenvolvimento Pessoal, Inteligência Emocional, Psicologia Positiva

    Ana Paula Vieira

    Ana Paula Vieira

    Coach, Conselheira de Luto e Hipnoterapêuta, e ajudo pessoas que desejam alcançar equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, a gerir as suas emoções com eficácia para que tenham uma vida mais plena, gratificante, alinhada com os seus valores, intencional e feliz. A felicidade constrói-se de dentro para fora. Vem aprender a ser feliz!

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