O Poder do perdão

Cada pessoa que habita neste planeta já feriu ou foi ferida, com ou sem intenção. E é nessas situações que é tão importante usar sabiamente o poder do perdão.

O perdão irá não só oferecer-lhe paz de espírito e melhorar a sua saúde física e mental, mas, sobretudo, contribuir para ampliar o seu nível de consciência e de compaixão, trazendo altas frequências de energias subtis para o centro do seu coração.

Mas qual é o verdadeiro poder do perdão?

Somos todos criaturas imprevisíveis, mais do que gostamos de admitir, e por vezes não estamos no nosso melhor. Movidos por estados de humor ou dominados por emoções intensas, para além de nos sentirmos mal, agimos com frequência de formas que mais tarde lamentamos. Podemos, por exemplo, dizer coisas desagradáveis, reagir fisicamente e fazer coisas que ferem os outros e vice-versa. Depois podemos adoptar comportamentos prejudiciais, como recorrer ao álcool, comer emocionalmente ou recorrer a outras substâncias para entorpecer a dor.

Se se identificou com alguma destas situações, então este artigo é para si. Continue a ler.

Todos somos feridos e somos feridos, intencionalmente ou sem intenção. E quando somos magoados, é normal ficarmos ressentidos e, por vezes, cortar relações com quem ofendeu. Porém, agarrarmo-nos a mágoas e ressentimentos, prejudica a nossa vida e a nossa saúde mental e física. Quando perdoamos, libertamo-nos desses sentimentos tóxicos e tornamo-nos livres para viver a vida plenamente.

Mas por que razão é que qualquer um de nós quereria perdoar alguém que nos tivesse magoado deliberadamente?

Qual seria o benefício disso? 

Uma das coisas que interfere no processo de perdão é a ideia errada de que perdoar implica desculpar ou fazer as pazes com quem nos ofendeu. Mas o perdão não é nada disso. O perdão é, na verdade, um presente que damos a nós próprios. Ou seja, o perdão é algo que beneficia integralmente quem decide perdoar.

O perdão não exige que se reconcilie com o ofensor. Nem exige que se aceite ou desculpe o comportamento ofensivo. Tudo o que exige é que esteja disposta(o) a assumir a responsabilidade pelos seus próprios comportamentos e emoções.

E de que modo é que a falta de perdão nos prejudica?

Para perdoar precisa de confrontar o seu ressentimento, dor e raiva. Estas emoções, quando não são processadas, tronam-se tóxicas e podem levar a doenças graves. A boa notícia é que existe uma forma de se mover através destes sentimentos difíceis. É possível navegar as emoções de modo a puder realmente entrar mais em contacto consigo mesma(o). Assim, mais tarde, pode apreciar (em vez de lamentar) a forma como escolheu agir (ou não agir) na altura.

Isto chama-se regulação emocional. Trata-se de um processo que nos ajuda a agir (ou a não agir) de acordo com os nossos valores, por oposição a sermos levados a agir de acordo com as nossas emoções. Este processo requer que sejamos flexíveis e implica também conhecer o vasto leque de emoções que experienciamos.

As emoções não são boas nem más! Elas são apenas reacções a estímulos externos ou internos que transmitem informação ao cérebro. Ou seja, são dados produzidos pelo nosso sistema básico de sobrevivência, a partir dos quais o sistema nervoso central desenvolve uma série de acções, que podem ser adequadas ou desajustadas face à realidade.

Portanto, a regulação emocional é essencial.

Regulação emocional em 4 passos

1º Passo – Reconhecer

O primeiro passo é perceber que houve uma alteração no estado emocional. Isto é, quando a mente consciente tem acesso a todos os factos podemos escolher as acções adequadas a cada circunstância. Portanto, assumimos o controlo, em vez de entregarmos o poder às nossas emoções.

Isto pode parecer óbvio ou demasiado simples de se fazer para sequer merecer o seu interesse neste processo. Porém, asseguro-lhe que é um passo essencial e tem de o dar para que tudo o resto corra bem.

Quando não prestamos a devida atenção a este primeiro passo, por vezes (diria até muitas vezes), somos dominados pelas emoções e agimos de formas que depois lamentamos.

O 2º passo do processo é Abordar a Emoção.

Só quando se apercebe do seu estado emocional alterado pode abordar as suas emoções. Pode, por exemplo, sentir-se sobrecarregada(o) ou dominada(o) por uma forte onda de emoções desagradáveis. Se sentir emoções realmente intensas vai querer praticar alguma forma de auto-apaziguamento. Pode conseguir isso através de simples respirações profundas. Uma vez que se sinta menos sobrecarregada(o) emocionalmente, pode prosseguir para uma experiência mais eficiente das suas emoções.

O 3º passo é desvendar os pensamentos por trás dos sentimentos.

A Terapia Cognitiva Comportamental explica o processamento das experiências de vida através da seguinte estrutura: Eventos Activadores → Crenças → Consequências

O evento activador é qualquer tipo de estímulo que perceba que continua a activar uma série de pensamentos e emoções dentro de si. A crença é o que pensa sobre o evento ou situação activadora. E, depois da crença, vêm as consequências. As consequências são os sentimentos que surgem e/ou os comportamentos em que se envolve devido ao evento activador ou da crença.

O 4º passo é agir de acordo com o que a emoção lhe pede.

Cada emoção requer uma acção. A última parte do processo de regulação emocional é precisamente satisfazer as necessidades das emoções. Mesmo que não lhe seja possível realizar essas acções imediatamente, tem o poder de escolher quando o fazer. Assim, em vez de se deixar dominar pelas emoções pode assumir o controlo da situação e agir de acordo com os seus valores.

O objectivo do processo de regulação emocional é ajudá-la a trabalhar mais habilmente no espaço que medeia o momento em que é inundada(o) por emoções e o momento em que decide agir (ou não agir). Assim, pode agir de acordo com os seus valores, em vez de reagir dominada(o) pelas suas emoções.

Em resumo

Reconheça plenamente as emoções dolorosas causadas pelo desgosto. Enfrente-as para as libertar. Procure interromper os pensamentos ou julgamentos que tem em relação ao evento activador. Aborde a situação com compaixão e aja de acordo com os seus valores em prol do seu bem-estar e paz interior.

Assim, em vez de deixar que as suas emoções definam quem é, recupera o seu poder e age de acordo com as suas próprias regras. Lembre-se, quando as pessoas agem mal, o seu comportamento advém sempre de um lugar de dor interna. Uma pessoa que tem um coração aberto e amoroso não faz mal aos outros. E à medida que começa a sentir empatia, o seu próprio coração suaviza e torna-se mais fácil desenvolver a compaixão que o perdão requer.

Convite

Se deseja de obter alguma ajuda adicional na aplicação do processo de regulação emocional está no sítio certo. Eu ajudo pessoas todos os dias a fazerem exactamente isso – e muito mais.

Não tem de fazer tudo sozinho e, ter alguém para a apoiar e guiar no caminho para uma versão melhor de si mesmo, pode ser a diferença entre uma vida de sofrimento ou com paz interior.

Não podemos mudar o passado nem temos qualquer poder sobre a maioria dos factores externos a nós. Contudo, temos total poder sobre como respondemos às situações.

Se se sentir inspirada(o), por favor partilhe este artigo para que esta mensagem chegue a mais pessoas. Adira a esta causa de vibrar no amor para, juntos, nos libertarmos do sofrimento emocional e nos movermos mais pelo amor do que pela dor.

Do meu coração para o seu, #maisamordoquedor

P.S. Se ainda não subscreveu o Podcast, faça-o agora para receber uma notificação sempre que for publicado um novo episódio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.