Curar a dor Emocional - Ana Paula Vieira

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Curar a dor Emocional

7 meses atrás · ·0 Comentários

Curar a dor Emocional

A vida reserva-nos muitas surpresas, umas boas outras nem por isso. Quando a vida nos deita abaixo, quer o previssemos ou não, a sensação é sempre a mesma: ficamos sem chão. Não sabemos como curar a dor emocional.

Como se reerguer quando a vida nos derruba?!

Então, como se reerguer quando a vida nos derruba? É nesses momentos que muitas vezes nos questionamos: “Porquê a mim?” ou “Porque é que isto aconteceu?” ou ainda “Que mal fiz eu a Deus para merecer isto?” – como se Deus fosse um poder vingativo que nos castiga com crueldade e impiedade, enquanto agonizamos na nossa vulnerabilidade. Curar a dor emocional é difícil e, muitas vezes nem sabemos como nos podemos reerguer.

Sabemos que o sofrimento faz parte da vida. A experiência humana envolve a probabilidade de termos de lidar com situações dolorosas como uma doença, um desgosto, a mágoa, a morte, o abandono. Todavia, embora todos possamos experienciar vivências semelhantes, toda a dor é pessoal e nenhuma dor é igual.

Palavras de consolo

Independentemente do número de vezes que passemos por experiências dolorosas, por mais que as pessoas bem-intencionadas nos digam: “Nós percebemos”, a verdade é que não percebem. Com efeito, até podemos ficar magoados com essas palavras de “consolo”. Os conselhos ou as frases feitas soam sempre a falso, ou podem mesmo parecer insultuosas, quando alguém está em profundamente sofrimento. Os clichés usuais que se dizem após uma perda,  muitas vezes, são mais nocivos do que reconfortantes.

Enquanto Caoch e Conselheira de Luto, tenho apoiado muitas pessoas nos seus processos de cura emocional, algumas profundamente magoadas. E, embora eu já tenha vivenciado a minha “dose” generosa de perdas significativas e sofrimento emocional, o que tenho constatado é que, quando a vida nos derruba demoramos a nos reerguer e, curar a dor emocional custa mais do que parece, à primeira vista.

A dor emocional fere profundamente a nossa alma

A recuperação emocional requer criar espaço para que a dor possa ser expressada, fazer o luto. No e-book “Curar, Superar, Viver” falo em maior detalhe sobre isto.É esse espaço seguro que facilito às pessoas que apoio. Quando clamam em pranto: “Porque é que isto me aconteceu?”, procuro fazê-las perceber e sentir que estou ali para elas, que reconheço a sua dor. Para que a cura ocorra é necessário validar que a dor é legítima, natural e é normal que a pessoa se sinta daquela forma. A dor emocional fere profundamente a nossa alma e é devastadora quando predemos alguém que amamos. Não há palavras que consolem ou confortem a dor devastadora da perda. Tudo o que conforta é o apoio incondicional a quem está a experienciar esse sofrimento.

A História da Fernanda*

Quando eu conheci a Fernanda, ela tinha acabado de sofrer uma das piores perdas que podemos sofrer: a morte da sua bebé de 9 meses. A bebé morrera durante a sesta, no infantário, vítima do sindrome de morte súbita. Durante as primeiras sessões individuais, ela sentava-se em frente a mim, altiva e estóica, como se não fosse nada com ela. Quando lhe perguntava como estava a lidar com a situação, respondia apenas: “As lágrimas não vão trazer a minha filha de volta”. Entretanto, ela retomara ao trabalho de recepcionista numa clínica, evitando encarar o seu sofrimento, e onde alimentava o ressentimento em relação às colegas que lhe mostravam fotos e filmes dos seus filhos pequenos.

Quando, numa sessão, lhe perguntei como estavam a lidar com a perda, o marido e a filha mais velha, ela ficou sem palavras. Os seus olhos arregalaram-se e enquanto lutava para engolir a sua dor e sufocar as suas lágrimas, começou a preparar-se para se levantar. Então, olhei-a nos olhos e disse-lhe carinhosamente: “Eu também perdi um filho.”

No momento em que partilhei com ela que eu também perdera o meu filho primogénito e que, tal como ela, eu optara por ignorar o meu sofrimento. Quando lhe expliquei o quato isso dificultou o meu processo de luto, além de ter causdo sofrimento desnecessário ao meu marido e à minha filha, as suas lágrimas começaram a caír em bica.

De repente, a Fernanda deixou-se afundar novamente na cadeira e deixou as lágrimas sair. Caíu num longo e soluçante pranto, enquanto abria espaço à sua dor. Nas semanas que se seguiram, ela chegava esperaçada às sessões. Lentamente, com a minha ajuda e apoio, ela percebeu que a melhor maneira de honrar a memória da sua filha era encontrar uma nova maneira de abraçar a vida.

O que fazer depois de ser magoada emocionalmente

Eu faço parte integrante daquele gupo de pessoas que têm o coração partido. Após múltiplas perdas profundamente significativas, umas mais devastadoras do que outras, desde o meu filho primogénito, os meus pais, duas perdas gestacionais, uma irmã e vários entes queridos, poder-se-ia dizer que me tornei perita no sofrimento. Todavia, o que aprendi após mais de 5 anos a apoiar pessoas no seu processo de cura emocional e com as minhas próprias vivências, é que a quer seja em processos de luto ou perda, trauma ou burnout (além das minhas perdas pessoais), o que eu aprendi é que, quando somos violentamente derrubados pela vida, a recuperação é lenta, sofrida e demorada. Não nos conseguimos voltar a  reerguer facilmente. Até podemos ter o impulso de nos reerguermos e de recomeçarmos a andar, mas isso só agravará a situação.

Como apoiar o seu processo de cura emocional

Tal como acontece quando tropeçamos e caímos,  se fizermos  uma lesão e a ignorarmos só agravamos a situação. A dor emocional, tal como qualquer dor física, exige igual atenção. Ela precisa de ser reconhecida e acolhida antes de podermos seguir em frente. Já chorei muito sozinha, na rua, no escritório, no carro, no cemitério… outras vezes com amigos e familiares, às vezes com clientes. E, como a maioria das pessoas, tentei esquivar-me à tristeza, mas, como acontece com todos, ela acabou por me encontrar. A dor emocional é uma das certezas cruéis da vida, se nos permitirmos amar o sufuciente.

Foi Sigmund Freud quem primeiro trouxe à tona o conceito de trabalho de luto e, embora as tarefas específicas que ele delineou tenham sido reconsideradas ao longo dos anos desde a publicação do seu livro “Luto e Melancolia” em 1917, a ideia de que o luto é proposital continua no século XXI. Há muita literatura que refere fases do luto, etapas do luto e até tarefas do luto.

As Quatro Tarefas do Luto

No final da década de 1990, James Worden, professor de psicologia, optou por ver o trabalho de luto como orientado por tarefas. No seu artigo de 1996, “Tarefas e Mediadores do Luto – Um Guia para o Profissional de Saúde Mental”, ele delineou as quatro tarefas seguintes:

1. Aceitar a realidade da perda.
2. Processar a dor do luto
3. A adaptação ao mundo sem o falecido
4. Encontrar uma ligação duradoura com a pessoa que se perdeu enquanto se empreende uma nova vida.

Segundo Worden, o trabalho que se desenvolve durante o processo de luto, irá focar a nossa atenção no alcance de cada um desses objectivos. Isso irá ocorrer sem nenhuma ordem lógica, porque, afinal, cada um de nós é diferente e o caminho que percorremos na jornada de luto não é um caminho linear. Na verdade, aqueles de entre nós que estão de luto flutuam naturalmente entre a tristeza e a normalidade. É um processo de adaptação, no qual nós nos movimentamos entre as actividades orientadas para a perda ( o processamento da dor do luto) e as actividades orientadas para a restauração (a adaptação à vida sem os nossos entes queridos, esforçando-se para criar conexões duradouras com quem perdemos).

Não há receitas mágicas para a cura emocional

Embora sem se referir às tarefas do luto, o famoso escritor francês Honoré de Balzac captou o valor do trabalho de luto quando disse: “Toda a felicidade depende da coragem e do trabalho”. Com efeito, não há receitas mágicas para elaborar um processo de luto. Mas, com efeito, é realmente necessário coragem e trabalho duro para se adaptar com sucesso à perda de um ente querido ou de algo significativo na nossa vida, todavia, é possível alcançá-lo. Com apoio, compreensão, compaixão e coragem, é possível voltar a sorrir e viver uma vida com significado, como a Fernanda.

Alguns anos depois de terminar a sua terapia de luto, a Fernanda telefonou-me para me contar as novidades acerca da sua vida. Ela deixara o emprego na clínica, formara-se em terapia da fala, e estava a trabalhar numa escola para crianças com necessidades especiais. Quando lhe perguntei como se sentia, ela respondeu simplesmente: “Eu ainda sinto muita falta dela. Mas agora tenho tantos filhos para cuidar… Gosto de imaginar que a minha filha, onde quer que esteja, está muito orgulhosa da mãe que tem”.

A dor da perda nunca é igual, percebi isso com as várias pesoas que tenho apoiado e com as perdas pessoais profundas que sofri. Mas, para ser elaborada ela precisa de ser sentida. Precisamos de atravessar a porta da dor, honrá-la, não fugir dela.

*(nome fictício para proteger a privacidade da cliente)

P.S. Se gostou deste artigo, e se gostaria de ler mais artigos sobre este tema, deixe um comentário ou envie-me um e-mail. Talvez tenha interesse num outro que escrevi sobre o luto em crianças e  adolescentes. Também pode encontrar alguns recursos úteis para apoiar no seu processo de cura neste e-book

Tags: , , , , , Categorias: Apoio ao luto, Coaching, Equilíbrio emocional, Luto e Perdas

Ana Paula Vieira

Ana Paula Vieira

Coach, Conselheira de Luto e Hipnoterapêuta, e ajudo pessoas que desejam alcançar equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, a gerir as suas emoções com eficácia para que tenham uma vida mais plena, gratificante, alinhada com os seus valores, intencional e feliz. A felicidade constrói-se de dentro para fora. Vem aprender a ser feliz!

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