fbpx

    Li e Aceito a Política de Privacidade.

    Marcação

    Entre em contacto directo comigo para marcar uma sessão presencial (em Alfragide, Lisboa) ou online. A data indicada no formulário é apenas uma data da sua preferência, não a definitiva. Irei entrar em contacto para agendamento, tendo em conta a preferência que indiciou.

    Telefone:
    918 762 620

    Envie um email:
    contacto@anapaulavieira.pt

    Como podemos viver uma vida mais corajosa

    3 semanas atrás ··0 Comentários

    Como podemos viver uma vida mais corajosa

    A coragem é uma virtude universalmente admirada. Em todas as culturas, as pessoas corajosas são aquelas que, ao longo do tempo se tornam os heróis das gerações vindouras. Mas a verdade é que todos nós podemos escolher viver uma vida mais corajosa. Com todos os desafios que muitos de nós temos enfrentado recentemente, (e continuaremos a enfrentar no futuro próximo), a coragem é a virtude na ordem do dia.

    O que é coragem?

    A maioria dos filósofos e psicólogos concorda que a coragem envolve persistência face ao perigo ou a adversidade. Alguns dizem que coragem é sinónimo de destemor, enquanto outros sugerem que a presença ou a ausência de medo nada tem a ver com coragem.

    O psicólogo S. J. Rachman (2010) entrou neste debate com uma definição de coragem que tem em conta três componentes do medo:

    • o sentimento subjectivo de apreensão
    • a reacção fisiológica ao medo (por exemplo, aumento do ritmo cardíaco)
    • a resposta comportamental ao medo (por exemplo, um esforço para escapar à situação de medo).

    Já Mark Twain, observador atento do comportamento humano, referiu que: “Coragem é resiliência ao medo, domínio do medo, não ausência de medo.” Ou seja, quaisquer se sejam as circunstâncias que nos ponham à prova, com a coragem o medo deve ser superado.

    Diferentes tipos de coragem para diferentes tipos de medo

    O medo assume muitas formas: medo da perda do emprego, da pobreza, de perder amigos, de ser criticado, de perder estatuto, de fazer inimigos (ara citar apenas alguns medos humanos), e pode invocar a coragem moral. A coragem moral permite que a pessoa faça o que acredita ser correcto, apesar do medo das consequências.

    Da mesma forma que há muitas variações do medo, há muitas dimensões de coragem moral, desde a coragem social representada pela Madre Teresa de Calcutá e Gandhi até à coragem política (embora pouco frequentemente), representada por dirigentes eleitos como Barack Obama. As oportunidades para agir com coragem moral são inúmeras, e os medos que exigem coragem moral são tão diversos como as próprias pessoas.

    Como enfrentar o medo

    Então, se a coragem não é a ausência de medo, como é que as pessoas corajosas conseguem enfrentá-lo? As pessoas corajosas sentem medo, mas são capazes de gerir e superar o seu medo de modo a que ele não as impeça de agir. Com frequência, elas usam o medo para se certificarem de que não estão demasiado confiantes e que tomam as medidas adequadas. Elas treinam a sua resposta emocional ao medo, de modo a conseguirem geri-lo em vez de serem dominadas por ele.

    Para enfrentar o seu medo e colocar a coragem em acção faça a si mesma as seguintes perguntas:

    • Do que tenho realmente medo? Faz sentido ter medo disto?
    • Este medo é apropriado ou, racionalmente, devo ter menos ou mais medo?
    • Que mal pode esta coisa realmente fazer a mim ou a outros?
    • Quais são as coisas que podem acontecer como resultado das minhas acções e/ou inacções?
    • Qual a pior coisa que poderia acontecer em resultado das minhas acções e/ou inacções?
    • Quais são os riscos para mim e para os outros?

    A coragem dá-nos a força para avaliar uma resposta emocional (medo) e agir de forma correcta e racional (auto-regulação ou canalização emocional) realizando as acções que a emoção pede (como ensino no Programa Domine as Emoções).

    Os Benefícios da Coragem

    A coragem ajuda-nos a realizar coisas ‘extraordinárias’. Agir corajosamente geralmente faz-nos sentir bem, porque implica dominar as emoções em vez de sermos dominadas por elas.

    Em vez de encarar o medo como mau e tentar livrar-se dele quando surge, pode escolher aceitar o medo como parte do processo de mudança e praticar a coragem. Esta escolha pode ajudá-la a sentir-se mais resiliente emocionalmente à medida que faz mudanças na sua vida ou persegue os seus sonhos.

    Apesar da coragem ser frequentemente considerada um traço de carácter inato, na realidade ela é uma forma de ser que pode ser aprendida e praticada para lidar com as adversidades. O próprio facto de valorizarmos a coragem diz-nos que se trata de algo importante para o ser humano. A coragem, conforme ensino no meu Programa de Resiliência Emocional e Coragem é algo que se cultiva e exercita como um músculo, e que nos ajuda agir, a nos protegermos das ameaças, ou de quem age de uma forma errada.

    Como construir coragem

    Normalmente, pensamos nos hábitos como acções, como escovar os dentes ou fazer exercício físico. Contudo, os hábitos também consistem nas nossas respostas comportamentais a diferentes emoções. Para muitas pessoas, as respostas baseadas no medo são a resposta natural e habitual à adversidade. Isso deve-se ao facto dos nossos cérebros tenderem a procurar a forma mais rápida e eficiente de aliviar o stress quando o sentimos. Ou seja, confiamos em estratégias que nos proporcionaram alívio do stress a curto prazo no passado, como a procrastinação em resposta a sentimentos de dúvida sobre si mesmo, ou o perfeccionismo (o que acaba por levar à auto-sabotagem e ao esgotamento).

    Viver corajosamente implica, em primeiro lugar, olharmos para o nosso medo; em segundo lugar, reconhecermos as nossas dúvidas e hesitações, incluindo as vozes críticas interiores que são difíceis de encarar – e, por fim, olhamos para o que fazemos bem. Com base na investigação sobre a formação de hábitos e a redução do stress – e o meu próprio trabalho com clientes que enfrentam o medo – descobri quatro estratégias úteis para lidar com o medo e se aproximar da coragem.

    Estratégias para agir corajosamente:

    1. Aceder ao corpo – prestar atenção às sensações no corpo
    2. Ouvir sem se evolver – ouvir o criticismo interno sem tomar partido, como se fosse um observador
    3. Reformular histórias limitadoras – questionar a validade das histírias que conta a si mesma e ajustá-las à realidade
    4. Criar uma comunidade de apoio – procurar ajuda de um profissional ou o apoio de alguém em quem confia

    Conclusão

    Talvez este seja um momento de encruzilhada na jornada da sua vida ou apenas de uma pequena transição. Ao viver a vida com mais coragem, será mais provável que faça as mudanças que a levarão a uma maior realização. A realização provém mais de mudanças subtis e menos de fazermos grandes transformações que acabam por se revelar demasiado avassaladoras e ficam pelo caminho. Quer se trate de iniciar uma nova relação, um novo trabalho, ou de ajudar a tornar o mundo num lugar melhor, precisamos de coragem. Ao criarmos pequenos hábitos que nos aproximam, a pouco e pouco, de quem queremos realmente ser, sem darmos por isso, chegamos a onde sempre quisemos chegar…

    Viver corajosamente é um hábito como qualquer outro, só precisa de empenho, motivação, sentido e prática!

    Encontre o hábito corajoso que quer implementar, motive-se com cada passo que dá, empenhe-se, pratique regularmente e, acima de tudo, não desista!

    Autoconhecimento Emocional

    3 meses atrás ··0 Comentários

    Autoconhecimento Emocional

    O autoconhecimento emocional diz respeito à autoconsciência de si e dos seus pensamentos, e à capacidade de reconhecer as próprias emoções, atitudes e sentimentos quando estes ocorrem. Sem autoconhecimento, não temos domínio sobre nós mesmos, temos dificuldade em ter empatia e em estabelecer conexão com os outros.

    O filósofo chinês Lao Tsé já dizia há milhares de anos: “Aquele que conhece os outros é avisado, o homem que se conhece a si próprio é sábio”. Para ter autodomínio é fundamental ter capacidade para identificar o que sente, reconhecer as suas forças e limitações e confiar nas suas capacidades e no seu valor próprio. O autodomínio é o que na linguagem popular se designa por maturidade e o cristianismo eleva ao lugar de virtude fundamental, a temperança.

    Por tudo o que tenho aprendido e investigado sobre emoções, estou convicta que o ponto de partida para o verdadeiro autoconhecimento é o nosso universo emocional. A questão é que a maioria de nós apenas tem um vago conhecimento desse seu universo. Consequentemente, o conhecimento de si mesmo fica-se apenas pelo limiar do que poderia e deveria ser.

    O Autoconhecimento começa no interior

    A autoconsciência consiste em estar atento às nossas identidades e experiências vividas e como elas se relacionam com as de outras pessoas à nossa volta. Sei que à maioria de nós, eu incluída, ainda nos falta trilhar um longo caminho até conseguirmos conhecer as nossas emoções com precisão. Mas precisamos de continuar a fazer esse investimento em nós mesmos, para nosso bem e de todos à nossa volta.

    Sei que não é fácil, mas existem algumas opções simples para começar.

    1. Reconexão: A reconexão deve ser sempre o ponto de partida porque aumenta a nossa atenção. Refugie-se por algum tempo, longe de distrações físicas, sonoras, digitais, etc. e preste atenção ao seu mundo interior. O que está a sentir, o que diz a si mesma? Anote o que observa. Passe algum tempo consigo mesma todos os dias – escreva, medite e conecte-se consigo mesma – no início da manhã ou meia hora antes de dormir.
    2. Prática de Meditação Mindfulness: A atenção plena é a chave para a autoconsciência. A prática da atenção plena, consite em focar a atenção em algo específico – pode ser a respiração ou os pensamentos, mas também pode ser qualquer informação que venha através dos cinco sentidos. Através da meditação observacional, criamos um espaço entre o agente das acções, o pensador dos pensamentos e o sentimento dos sentimentos.
    3. Prática da escuta empática: Ouvir não é o mesmo que escutar. Escutar é estar presente e prestar atenção às emoções e à linguagem verbal e não verbal das outras pessoas. É mostrar empatia e compreensão sem avaliar ou julgar constantemente. Quando se tornar uma boa ouvinte, também ouvirá melhor a sua própria voz interior e tornar-se-á a melhor amiga de si mesma.
    4. Manter um diário: Escrever ajuda-nos, não só a processar os nossos pensamentos, mas também faz-nos sentir conectados e em paz connosco mesmos. Há evidência ciêntifica abundante de que escrever as coisas pelas quais somos gratos, ou até coisas com as quais nos debatemos, ajuda a aumentar a felicidade e a satisfação. Também pode usar o diário para registar o seu estado interno. Experimente – dedique a isso uma hora no fim de semana. Poderá se surpreender com o que escreve!

    10 Perguntas às quais precisa de responder se deseja conhecer-se melhor emocionalmente

    E por fim, um pouco de auto-coaching para explorar um pouco mais o seu mundo interno.

    1. Quem sou eu em essência?
    2. Quais são os meus sentimentos, emoções, medos e motivações?
    3. Do que gosto e não gosto?
    4. Com quem me identifico?
    5. Qual a frase que melhor me define?
    6. Quais os meus maiores receios?
    7. Quais são os meus maiores sonhos?
    8. O que me faz sentir-se pleno e realizada/o?
    9. Quais os meus pontos fortes e pontos de melhoria?
    10. Do que me posso orgulhar?

    O processo de autoconhecimento é fundamental para que não permaneçamos em piloto automático. A partir do momento em que comece a reflectir sobre os seus valores e crenças poderá descobrir o que a/o levou a agir de determinada maneira, sendo, assim, possível modificar padrões de comportamento.

    Em conclusão, ser autoconsciente é crucial, sobre todos os aspectos, para se estar ciente dos pensamentos e emoções que se está a sentir em cada momento, para agir em vez de reagir. A autoconsciência promove a resiliência!

    Se gostou do artigo, deixe o seu comentário abaixo. Adoraria saber de que forma este artigo contribuiu para se conhecer melhor.

    Se sentir que esta informação pode ser útil para alguém que conheça, por favor partilhe. O conhecimento só é útil quando utilizado.

     

    O que é autoconsciência e porque é importante

    3 meses atrás ··0 Comentários

    O que é autoconsciência e porque é importante

    O interesse pelo tema da auto-conscientização remonta à Grécia antiga, expresso no famoso aforismo “conhece a ti mesmo”, uma das máximas de Delfos inscrita no pronau (pátio) do Templo de Apolo. No último século, a psicologia ocidental voltou a interessar-se pelo tema da autoconsciência, o qual tem sido extensivamente estudado por filósofos e psicólogos.

    Neste artigo, irei abordar o que é a autoconsciência, em que medida ela pode ser benéfica numa uma sessão de terapia, por que é difícil alcançá-la e como é possível cultivá-la.

    Definição de auto-conscientização

    Enquanto a conscientização é saber o que está a acontecer à nossa volta, a autoconsciência é saber o que estamos a vivenciar. Por outras palavras, a autoconsciência é uma consciência do self, sendo o eu o que torna a identidade única. Esses aspectos únicos incluem pensamentos, experiências e habilidades.

    Os psicólogos Shelley Duval e Robert Wicklund desenvolveram a teoria da autoconsciência em 1972. Segundo eles:

    “Quando focamos a nossa atenção em nós mesmos, avaliamos e comparamos o nosso comportamento actual com os nossos padrões e valores internos. Nós tornamo-nos autoconscientes e avaliadores objectivos de nós mesmos”.

    Em essência, eles consideram a autoconsciência um importante mecanismo de auto-rgulação.

    A autoconsciência é a capacidade de saber o que estamos a fazer, quando estamos a fazê-lo e entender por que o estamos a fazer.

    O psicólogo Daniel Goleman, no seu best-seller “Inteligência Emocional”, propôs uma definição de autoconsciência: “conhecer os estados internos, preferências, recursos e intuições”.

    Essa definição coloca mais ênfase na capacidade de monitorar o nosso mundo interior, os nossos pensamentos e emoções à medida que eles surgem.

    Para que nos serve a autoconsciência?

    A autoconsciência é a base para a inteligência emocional, a auto-regulação e a maturidade emocional.

    A capacidade de monitorar as nossas emoções e pensamentos a cada momento é fundamental para nos compreendermos melhor, estar em paz com quem somos e gerir proactivamente os nossos pensamentos, emoções e comportamentos.

    É importante reconhecer que a autoconsciência não se limita ao que percebemos sobre nós mesmos, mas também sobre como percebemos e monitoramos o nosso mundo interior.

    A autoconsciência vai muito além do acumular de conhecimento sobre nós mesmos: trata-se também de prestar atenção ao nosso estado interior com uma mente de principiante e um coração aberto.

    À medida que percebemos o que está a acontecer dentro de nós, podemos reconhecê-lo e aceitá-lo como parte integrante do ser humano, em vez de nos incomodarmos com isso. Assim, desenvolvemos agilidade emocional.

    A autoconsciência é importante?

    Segundo Daniel Goleman, a autoconsciência é a pedra basilar da inteligência emocional.

    Em primeiro lugar, as pessoas autoconscientes tendem a agir conscientemente (em vez de reagir passivamente). Em segundo lugar, tendem a ter boa saúde psicológicae a ter uma visão positiva da vida. E, por último, também têm uma maior profundidade de experiência de vida e são mais propensas a ser compassivas.

    Um estudo desenvolvido por Sutton (2016) sobre os benefícios da autoconsciência, concluiu que aspectos da autoconsciência como a auto-reflexão, introspecção e atenção plena podem levar a benefícios como mais receptividade e conexão, enquanto os aspectos de ruminação e desconexão podem causar sobrecargas emocionais.

    Por que é difícil ser auto-consciente?

    A resposta mais óbvia é que na maioria das vezes simplesmente não nos observamos. Ou seja, não prestamos atenção ao que está a acontecer dentro de nós ou à nossa volta. Outra razão é porque a autoconsciência é uma habilidade e, como qualquer habilidade, precisa de ser aprendida.

    Toda a aprendizagem passa por vários estágios primários, sendo um deles a incompetência inconsciente. Devido ao desconforto que essa incompetência nos traz, muitas vezes evitamos aprender coisas novas. Aprender a autoconsciência requer o mesmo desconforto.

    Como tal, a maioria das pessoas passa a vida sem desenvolver a autoconsciência.

    Os psicólogos Matthew Killingsworth e Daniel T. Gilbert descobriram que nós operamos, quase metade do tempo, em “piloto automático”. Ou seja, não temos consciência do que estamos a fazer ou de como nos sentimos, quando a nossa mente vagueia e não esteja no aqui e agora.

    Além do desvario mental, o viés cognitivo também afecta a nossa capacidade de compreensão precisa de nós mesmos; tendemos a acreditar no juízos e crenças que apoiam o nosso senso do eu já existente.

    O economista comportamental Daniel Kahneman, autor do best-seller Pensar,Depressa e Devagar, mostra que apesar da nossa confiança no nosso autoconhecimento, geralmente estamos errados.

    Como se pode constatar, não somos tão conscientes quanto poderíamos pensar. E, se não somos conscientes, somos inconscientes.

    Como desenvolver a autoconsciência?

    A autoconsciência é uma habilidade fundamental e essencial para qualquer pessoa interessada no desenvolvimento pessoal autêntico.

    A chave para desenvolver a autoconsciência é a mesma de qualquer outra habilidade: é necessário método e orientação corretos combinados com a prática consistente.

    Felizmente, há muitas actividades de autoconsciência e exercícios destinados a aumentar a nossa sensibilidade em relação ao que está a acontecer dentro de nós e à nossa volta.

    Como aprofundar a autoconsciência?

    A maioria das tentativas para desenvolver autoconsciência fracassa porque visam apenas o neocórtex (pensamentos, crenças, preconceitos). A nossa mente é extremamente hábil a armazenar informações sobre como reagimos a um determinado evento e a criar modelos da nossa vida emocional. Essas informações acabam geralmente por condicionar a nossa mente a responder de uma certa maneira, à medida que nos deparamos com eventos semelhantes no futuro.

    A autoconsciência permite-nos estar conscientes desse condicionamento e dos preconceitos da mente, que pode ser o ponto de partida para os libertar.

    O objectivo é tornarmo-nos mais conscientesdo que impulsiona o nosso comportamento. Assim, precisamos de aumentar a sensibilidade às nossas emoções e instintos, e explorar os nossos pensamentos, crenças e preconceitos com mais eficácia.

    Em suma, ser autoconsciente é crucial, sobre todos os aspectos, para estarmos cientes dos pensamentos e emoções que estamos a sentir em cada momento, para agirmos em vez de reagirmos.

    O que é ser emocionalmente inteligente?

    5 meses atrás ··0 Comentários

    O que é ser emocionalmente inteligente?

    Ser emocionalmente inteligente é muito mais do que possuir um conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as nossas próprias emoções. Trata-se, acima de tudo, de um poder pessoal com o qual podemos adquirir de uma verdadeira consciência emocional a partir da qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos, além de ser essencial para nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

    Ser emocionalmente inteligente consiste na capacidade de percepção, atenção, expressão e regulação das emoções, e compreensão e regulação das emoções, próprias e de outros.

    O que é inteligência emocional?

    Certamente a maioria de nós já ouviu falar ou leu sobre Inteligência Emocional ou até já fez algum curso relacionado com o tema. Ela está presente em muitos contextos da nossa vida pessoal e social diária. Esta inteligência revela-se nas interacções com os outros, em família, com amigos, na escola ou universidade, no trabalho, ou qualquer contexto de interacção social.

    As primeiras definições de inteligência referiam-se às capacidades cognitivas e intelectuais, deixando de lado as competências emocionais. O psicólogo e investigador Howard Gardner, num esforço de analisar e descrever melhor o que é a inteligência, desenvolveu, durante os anos da década de 1980, a Teoria das Inteligências Múltiplas. Numa fase inicial, Gardner (1983) identificou sete tipos de inteligência: musical, linguística, lógico-matemática, visuo-espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal e interpessoal. Isto levou a uma classificação da inteligência em diferentes tipos, como a lógico-matemática, linguística e emocional.

    O debate em torno das inteligências pessoais de Gardner, conduziu à definição básica de Inteligência Emocional (IE). O psicólogo Salovey expandiu as aptidões pessoais a 5 domínios: a capacidade de conhecer as próprias emoções; a capacidade de lidar com essas emoções e sentimentos; a automotivação; a capacidade de reconhecer emoções nos outros; e de lidar com as emoções dos outros. Para Salovey estas eram as habilidades necessárias para se ser emocionalmente inteligente.

    Uma definição de Inteligência Emocional

    Apesar das pesquisas terem sido desenvolvidas por diversos investigadores, usualmente este tema é, quase que instantaneamente, relacionado com o nome do psicólogo Daniel Goleman. Para ele, Inteligência Emocional significa a capacidade de se motivar, perseverar diante das frustrações, controlar impulsos e regular o humor, e também de ser capaz de sentir empatia e confiar nos outros.

    Daniel Goleman define a Inteligência Emocional como “a capacidade de reconhecer os nossos sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerirmos bem as emoções em nós e nas nossas relações.” (1)

    O termo Inteligência Emocional foi cunhado por Michael Beldoch em 1964, que o utilizou em artigos científicos, muito antes de Goleman publicar o seu famoso livro “Inteligência Emocional” em 1995. Estes artigos falavam da comunicação e da sensibilidade emocional, das suas implicações e da forma como determinam a nossa personalidade e os nossos relacionamentos. Desde então, o tema avançou de forma notável, dando lugar a diferentes abordagens e críticas.

    A inteligência emocional é muito mais do que um mero conjunto de abordagens e estratégias que servem para identificar e gerir melhor as próprias emoções. A implicação que esta perspectiva psicológica, social e motivacional teve no nosso dia a dia supera possíveis brechas que possam existir na teoria de Daniel Goleman.

    Componentes da Inteligência Emocional

    Goleman elencou cinco pilares que se referem à definição anterior, na qual foram identificados vários componentes.

    Autoconhecimento emocional

    Autoconhecimento emocional refere-se à capacidade de identificar, conhecer e expressar de maneira adequada e confiável os nossos próprios sentimentos e emoções, e também os seus efeitos. O primeiro passo é conhecermo-nos, analisar as nossas emoções e as acções que fazemos como resposta aos estímulos.

    Devemos estar conscientes de que a Inteligência Emocional é um processo gradual e que varia de pessoa para pessoa. É essencial conhecermos bem as próprias emoções e sentimentos, e as acções que originam. Só assim poderá ter respostas adequadas, para si e para os outros.

    Autocontrolo emocional

    Autocontrolo emocional é a capacidade de controlar os próprios impulsos e regular as emoções.

    Tenha em mente que todos nós temos momentos stressantes ou em que nos sentimos ansiosos por algum motivo. Aprender a lidar com as emoções e regulá-las, colocá-la-á na direcção certa conforme cada situação, fará toda a diferença entre o equilíbrio e a disfunção. Seja optimista, procure ver sempre o lado positivo das coisas e lembre-se que cada situação tem diversas saídas.

    Automotivação

    Automotivação é o que nos permite alcançar os nossos próprios objectivos, através da gestão adequada das emoções. Ao saber utilizar adequadamente as suas emoções terá mais facilidade em alcançar os seus objectivos, sem passar por cima de ninguém.

    É essencial aprender a responder aos seus estímulos, para depois decidir como quer agir para atingir as suas metas. Por outro lado, temos um processo inconsciente, onde experienciamos os gatilhos emocionais a que reagimos, expressando as emoções de forma instantânea. Isto muitas vezes gera arrependimentos e desvios das nossas metas.

    Consciência Social ou Empatia

    Empatia é definida como a capacidade de responder adequadamente às necessidades expressas pelos outros, bem como a capacidade de partilhar esses sentimentos.

    Aprender a se colocar no lugar do outro, de reconhecer as emoções dos outros e compreender os seus comportamentos, torna-nos mais sensíveis e abertos.

    Relações interpessoais

    Relações interpessoais neste caso, é a capacidade de nos relacionarmos eficientemente com os outros, fazendo com que se sintam bem e gerando emoções positivas.

    Saber se relacionar interpessoalmente é outro ponto chave para o sucesso. Ao perceber e gerir as emoções dos outros será capaz de manter boas relações. Isso irá criar um ambiente positivo à sua volta, melhorando não só a sua qualidade de vida, mas também contagiando aqueles que estão ao seu redor.

    Benefícios da Inteligência Emocional

    Agora que compreendeu quais são os 5 pilares da Inteligência Emocional, já deve ter extraído alguns benefícios de ter uma IE bem desenvolvida. Todos temos desafios diários, metas e prazos para cumprir, família e filhos com quem lidar, reuniões onde participar e decisões para tomar. Estamos a ser constantemente observados e avaliados e vivemos quase sempre sob pressão. Para lidarmos com as pressões diárias, a chave é aplicar os pilares da Inteligência Emocional, o que lhe trará vários resultados positivos.

    Principais benefícios

    Veja alguns dos principais benefícios que obterá ao desenvolver melhor a sua Inteligência Emocional:

    • Diminuirá os seus níveis de ansiedade e de stress;
    • Evitará discussões e melhorará os seus relacionamentos interpessoais;
    • Terá mais empatia pelo outro e maior compreensão;
    • Irá obter mais equilíbrio emocional;
    • Ganhará maior clareza dos objectivos e acções;
    • Irá melhorar a sua capacidade de tomar decisão;
    • Melhorará a sua gestão de tempo e produtividade;
    • Aumentará o nível de comprometimento com as suas metas;
    • Terá mais senso de responsabilidade e uma melhor visão do futuro;
    • Elevará a autoestima e autoconfiança.

    Conclusão

    Ser emocionalmente inteligente envolve a aquisição de uma verdadeira consciência emocional com a qual podemos construir relacionamentos mais fortes e respeitosos. A IE, além de nos permitir a auto-regulação emocional, é uma chave de poder com a qual nos sentimos mais seguros, bem-sucedidos e felizes.

    Uma vez que consigamos nos tornar mais conscientes das emoções, nossas e dos outros, e do papel que desempenham nas nossas acções, podemos usar essa conscientização e reflectir. Reflectir sobre o que aconteceu e sobre o que poderia ter tornado o resultado mais positivo é útil para prevenir dissabores futuros.

    Os investigadores concluíram que estas competências emocionais têm enorme influência nas habilidades adaptativas e cognitivas das pessoas. Por isso, lembre-se que ponderar antes de tomar decisões trar-lhe-á diversos benefícios e prevenirá o surgimento de conflitos ou de arrependimento pelos seus actos. E, quando estiver sob pressão, o mais importante é procurar manter a calma. Encontre uma distracção, faça uma actividade prazerosa e canalize a sua ansiedade de forma positiva.

    Se gostou do tema e/ou do artigo, por favor deixe o seu comentário ou envie um e-mail. Adoraria saber a sua opinião.

     

    Refeências Bibliográficas:

    Daniel Goleman, Trabalhar com Inteligência Emocional (Lisboa: Círculo de Leitores e Temas e Debates, 1998, 5ª edição, 2012.

    Emoções no ambiente de trabalho

    6 meses atrás ··0 Comentários

    Emoções no ambiente de trabalho

    Os profissionais de gestão de recursos humanos e de outras áreas de estudo do mundo do trabalho chamam às competências emocionais “soft skills”. Esta é uma competência reconhecidamente essencial em todas as situações da vida, e especialmente, no ambiente de trabalho. Mas saber gerir as emoções no ambiente de trabalho, as próprias e as dos outros, muitas vezes é tudo menos suave.

    Passamos mais tempo no trabalho do que com a família.

    A maioria de nós passamos mais tempo no trabalho (pelo menos era esse o cenário antes da pandemia), do que com a nossa família. Se somarmos as horas de trabalho e o tempo passado nos trajectos, e adicionarmos o tempo despendido em formação profissional para progredir na carreira, facilmente concluiremos que passamos mais tempo no trabalho do que em qualquer outro lugar. No entanto, para a maioria das pessoas, o local de trabalho não proporciona um ambiente agradável, saudável ou emocionalmente bem gerido. Muitos de nós temos tido empregos onde a atmosfera emocional foi tão mal gerida que afectou todos os aspectos possíveis do nosso trabalho e, não raras vezes, com impacto na nossa própria vida.

    Sabemos que as emoções são aspectos vitais da nossa capacidade de pensar, compreender o mundo, sentir e agir adequadamente. As competências emocionais são as aptidões mais importantes que podemos possuir. No entanto, a maioria de nós não foi explicitamente ensinado acerca dos estados emocionais em contexto de trabalho; supostamente, deveríamos simplesmente absorvê-los por osmose cultural. E, apesar de muitos de nós termos sido ensinados a reprimir ou a suprimir as emoções e não a sermos emocionalmente ágeis. Estranhamente, apesar de não aprendermos sobre as emoções no ambiente de trabalho, temos espectativas em relação ao estado emocional das pessoas em contextos profissionais.

    Expectativas de trabalho emocional

    Tipicamente temos expectativas implícitas em relação às pessoas em funções de atendimento ou de venda ao público. Assumimos que devem ser empáticas para com o cliente e mostrar que se preocupam connosco, mesmo que ganhem o salário mínimo e que nós sejamos ricos; mesmo que estejam bem vestidos e que nós tenhamos acabado de sair da praia, com o cabelo ainda molhado. A nossa posição como cliente – ou mesmo como potencial cliente – independentemente da nossa aparência ou do nosso comportamento, confere-nos o direito a receber gratuitamente empatia e respeito.

    É um facto que, fruto das mudanças que se operaram nas nossas vidas devido à situação pandémica, os estados emocionais de muitas pessoas assemelham-se mais a montanhas russas. No entanto, repare nas situações carregadas de tensão emocional das pessoas que a servem, e das pessoas a quem serve. Provavelmente há regras emocionais muito específicas para o seu trabalho (mesmo que não sejam expressas), para os proprietários e funcionários das empresas que visita (especialmente restaurantes e lojas), mesmo que nunca tenha posto os olhos em cima de ninguém nesse estabelecimento antes.

    As nossas expectativas em relação às emoções dos profissionais e à empatia profissional estão tão enraizadas que sabemos o que esperar. Sabemos como cada pessoa numa determinada área de negócio se deve comportar para connosco, como nos devemos comportar para com elas, e como os outros clientes se devem comportar em relação a todos nós. Todos temos um papel muito específico a desempenhar, e um desempenho emocional e empático particular imprescindível.

    Verifique por si mesmo

    No seu próprio trabalho, seguramente que tem expectativas muito específicas em termos de desempenhos emocionais e empatia para si próprio, para os seus colegas de trabalho, ou para os seus colaboradores e clientes, e para os gestores ou patrões. No entanto, embora saibamos como todos se devem comportar, este conhecimento não é claro. As nossas emoções e estados emocionais fazem parte do que damos (e do que se espera de nós) no local de trabalho. Mas os séculos de deseducação emocional ainda nos assombram, e continuam a ser cometidos imensos erros neste âmbito.

    Muitos dos problemas observáveis nos locais de trabalho giram em torno das emoções relacionadas com o trabalho que ou não está a ser feito (o empregado problemático), ou está a ser realizado, mas não é valorizado (o empregado sobrecarregado ou o empregado que está a trabalhar em excesso). O local de trabalho pode tornar-se realmente miserável quando há problemas na esfera da gestão das emoções.

    Exigências de trabalho emocional no local de trabalho

    Em muitos casos, as regras relativas às questões emocionais exigem que nos comportemos de forma inautêntica uns com os outros e em relação a nós próprios. Isto não quer dizer que as emoções relacionadas com o trabalho não sejam autênticas ou sejam tóxicas: Em termos empáticos, todos nós nos esforçamos por nos ajudarmos uns aos outros a funcionar (e a nos tornarmos mais competentes) no mundo social, e por vezes isso significa mostrar emoções que não estamos propriamente a sentir ou esconder as que sentimos.

    No entanto, o trabalho emocional é trabalho, e se não temos consciência de quanto trabalho emocional fazemos (ou quanto se espera que os outros façam por nós) então o burnout ou o esgotamento empático é uma possibilidade muito real para todos. Este trabalho emocional quotidiano é o que faz com que as relações fluam sem problemas; é o que nos ajuda a nos relacionarmos e a nos apoiarmos uns aos outros, e é o que nos ajuda a amadurecer como seres emocionais, sociais e empáticos. As emoções ajudam-nos em tudo aquilo que fazemos e cada emoção traz-nos uma forma única de inteligência, competência e engenho.

    Valorização do trabalho emocional

    Ao observar empaticamente o seu mundo social, faça um inventário do trabalho emocional que desenvolve e pergunte-se a si própria/o: O meu trabalho emocional está a ser reconhecido por alguém? Está a ser apreciado? É sequer referenciado? Poderá tornar-se mais intencional e consciente? E será que resulta bem com toda a gente?

    O trabalho emocional é um aspecto intrínseco das aptidões de empatia e relacionamento,mas tende a ser completamente inconsciente e, como tal, tende a permanecer no mundo oculto de subtilezas, subjectividades, gestos e expectativas não expressas. Todavia, existem formas de tirar o trabalho emocional das sombras.

    A natureza oculta do trabalho emocional

    O trabalho emocional no local de trabalho é determinante para a produtividade e eficiência. Empaticamente falando, já vi e já experienciei situações de emoções mal geridas, de emoções injustas em acção e empatia imposta, inautêntica, com impacto profundo na qualidade do ambiente de trabalho. Agora percebo que a empatia imposta é um factor importante e integrante da não rentabilidade e ineficiência no local de trabalho, mas simplesmente não sabia como lhe fazer referência de forma correcta.

    Durante décadas interroguei-me muitas vezes sobre a atmosfera emocionalmente conservadora (quando não tóxica) no local de trabalho, mas as referências em termos de literatura ou pesquisa relativas à natureza do trabalho emocional eram escassas. Ao nível do ensino académico, quer em Gestão de Recursos Humanos ou Gestão das Organizações quase não despendem tempo com trabalho emocional e exigências de empatia forçada, pois o foco principal é a organização administrativa e a forma de lidar com empregados problemáticos. Portanto muito pouca compreensão dos cambiantes das emoções no trabalho e de como um local de trabalho sem apoio pode criar uma atmosfera emocional improdutiva que depois criará empregados problemáticos!

    Há também muito pouca consciência da razão pela qual as pessoas se esgotam: a maioria das respostas e prevenção do “burnout” que me ensinaram incidiam em como tornar os empregos mais variados e interessantes, mas quase não havia consciência do potencial de “burnout” em trabalhos sem apoio emocional, pouco justos ou de empatia forçada.

    O que dizem os peritos

    A questão da gestão dos estados emocionais no local de trabalho sempre foi algo que me suscitou interesse. Na minha formação profissional extracurricular em gestão de equipas ou gestão de conflitos também não encontrei qualquer menção relativa ao trabalho emocional ou ao seu efeito de contágio na disposição moral no local de trabalho. Até mesmo a Inteligência Emocional que é referênciada há várias décadas como crítica para o bom desempenho profissional, continua a não ser muito valorizada em termos de formação. Infelizmente, temos especialistas e processos no local de trabalho para quase todos os outros problemas que existem no local de trabalho, excepto para a problemática do trabalho emocional.

    Os profissionais de Recursos Humanos cujo trabalho é humanizar o local de trabalho não foram formados ou treinados de forma fiável para compreender o trabalho emocional. Os profissionais de Organização de Processos cuja função é planear e organizar o trabalho e/ou equipas, não têm qualquer formação de base sobre o trabalho emocional, que é a habilidade empática central que torna o local de trabalho funcional (ou, mais comummente, disfuncional). Os Orientadores de Carreira, cujo trabalho é ajudar-nos a encontrar trabalho, normalmente não têm qualquer formação directa ou compreensão do trabalho emocional. E, em resultado disso, acaba por haver muitos locais de trabalho onde o ambiente emocional e empático não é gerido de forma eficaz.

    As emoções são aspectos vitais da nossa capacidade de pensar, decidir, comportar e agir, e cada uma delas traz-nos dons e habilidades específicas e, se não compreendermos que as emoções vêm para nos ajudar, podemos culpar as emoções pelos problemas. Os gestores podem aprender a identificar as cargas emocionais dos seus colaboradores e, com base nessa informação, começar a criar locais de trabalho emocionalmente bem geridos que não esgotem as pessoas desnecessariamente.

    Criar um local de trabalho emocionalmente produtivo

    A chave para criar um local de trabalho emocionalmente consciente e produtivo que respeite as necessidades sociais e emocionais de todos é empenhar-se para que as cargas emocionais sejam reconhecidas, apreciadas e geridas adequadamente. Com estes objectivos em mente, eis algumas abordagens para o ajudar a criar um ambiente emocionalmente bem regulado no local de trabalho que funcione para todos.

    1. Tenha consciência das cargas emocionais relacionadas com o trabalho que os seus colegas levam para casa. Em muitos (ou na maioria?) dos locais de trabalho, as pessoas devem gerir as suas próprias emoções, acalmar as emoções dos outros e oferecer empatia gratuita ao longo do dia. Isto é óptimo quando o ambiente é bom, mas se as pessoas estiverem a ser drenadas emocionalmente o trabalho emocional pode ser fatigante.
    2. Apoie o direito das pessoas de se sentirem confortáveis no trabalho. A maioria dos modelos de local de trabalho baseiam-se na poupança de custos ou em tendências actuais de organização no local de trabalho – mas raramente se focam na realidade que as pessoas vivem no trabalho. Se as pessoas trabalham 35 a 40 horas por semana, passam mais tempo no trabalho do que em casa ou com as suas famílias, por isso devem estar física e emocionalmente confortáveis no seu ambiente de trabalho.
    3. Esteja atento às exigências emocionais no seu local de trabalho. Identifique qualquer trabalho emocional não apoiado e reconheça-o abertamente. Que emoções são exigidas na interacção com clientes, fornecedores e colegas de trabalho? É necessária empatia para com os clientes, a qual não é reconhecida? Existe algum apoio para as pessoas que estão sobrecarregadas ou a caminho de um esgotamento? E que tipo de regras emocionais existem, e para quem?
    4. Identifique e reconheça qualquer situação de desigualdade emocional. Há excepções às regras emocionais em diferentes níveis da organização? É permitido a uma pessoa ou grupo expressar (por exemplo) raiva, depressão ou ansiedade, enquanto os outros devem demonstrar apenas satisfação e complacência? A empatia está disponível para todos ou é dirigida unicamente aos clientes e fornecedores? Na medida do possível, reconheça abertamente qualquer exigência de empatia ou trabalho emocional desigual ou diferenciado.
    5. Promova conversas abertas sobre o impacto do trabalho nas emoções. O esgotamento ocorre quando as pessoas não estão autorizadas a identificar ou a falar sobre as suas emoções no trabalho ou sobre as exigências de empatia na profissão. Pode ajudar a conceber um local de trabalho mais saudável, mais funcional e mais bem regulado do ponto de vista emocional se puder simplesmente falar aberta e honestamente sobre as emoções e a empatia no trabalho.

    A verdade é que geralmente passamos mais tempo no local de trabalho do que com a nossa família e amigos. E todos nós merecemos viver bem, ser bem tratados e ver o nosso trabalho emocional valorizado como o trabalho essencial que é. Enquanto líder ou gestor, pode ganhar consciência do trabalho emocional que faz e do trabalho emocional e de empatia que exige aos outros e, ao fazê-lo, pode desenvolver um ambiente mais solidário, emocionalmente bem regulado e verdadeiramente funcional para todos!

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
    error: Content is protected !!