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Luto: Perda, dor e superação – Mitos e Factos

5 meses atrás · · 0 Comentários

Luto: Perda, dor e superação – Mitos e Factos

A morte de alguém que amamos profundamente é um dos desafios mais difíceis que temos de enfrentar na vida. Lidar com a dor da perda de alguém, ou de algo que amamos, pode ser avassalador. Podemos sentir diferentes emoções difíceis e inesperadas, como o choque ou raiva, descrença, culpa e tristeza profunda. A dor da perda também pode interferir na saúde física, sendo frequentes as perturbações do sono, perda de apetite, ou até mesmo dificuldades de raciocínio. Estas são reacções normais a perdas significativas.

Apesar de não haver maneiras certas ou erradas de sofrer, há maneiras saudáveis de lidar com a dor que, com o tempo, podem atenuar a tristeza e ajudar-nos a aceitar a perda, a encontrar um novo sentido para a vida e seguir em frente.

O luto é uma resposta natural à perda. É o sofrimento emocional que sentimos quando algo ou alguém que amamos desaparece e, quanto mais significativa a perda, mais intensa será a dor.

O luto é uma vivência pessoal

O luto é uma experiência profundamente individual – a forma como o processo de luto é elaborado depende de factores como a personalidade, a experiência de vida, a capacidade de resiliência e a forma de enfrentamento, a fé e de quão significativa seja a perda. Inevitavelmente, quanto mais significativa é a perda, mais lento e moroso será o processo de luto.

A cura acontece gradualmente, e não pode ser forçada ou apressada – não existe cronograma para o luto, nem estratégias de superação certas ou erradas. Algumas pessoas começam a sentir-se melhor após algumas semanas ou meses, mas, para outras, o processo de luto prolonga-se durante anos. Qualquer que seja a sua experiência de luto, é importante ser paciente consigo mesmo e permitir que o processo se desenvolva naturalmente. É fácil cair na rotina do dia a dia, fazer as mesmas coisas de forma quase automática, entregando-nos à solidão e deixando-nos prender à tristeza.

Existem crenças relacionadas com o luto e a dor da perda que importa desmistificar:

Mito: A dor desaparece mais depressa se a ignorarmos.

Facto: Tentar ignorar a dor ou impedi-la de emergir só piorará a situação a longo prazo. A dor da perda deve ser encarada como uma ferida que, se não for tratada tende a agravar. Para uma verdadeira cura, é necessário enfrentar a dor e lidar activamente com ela.

Mito: É importante “ser forte” face à perda.

Facto: Sentir-se triste, assustado ou sozinho é uma reacção normal à perda. Chorar não significa que se é fraco. Não precisamos “proteger” a família ou os amigos colocando uma máscara de corajosos. Mostrar os verdadeiros sentimentos pode ajudá-los eles e a nós próprios.

Mito: Se não chora, significa que não sofre muito com a perda.

Facto: Chorar é uma resposta normal à tristeza, mas não é a única. Aqueles que não choram podem sentir a dor tão ou mais profundamente quanto os outros. Eles podem simplesmente ter outras maneiras de a processar.

Mito: O luto deve durar cerca de um ano.

Facto: Não há um prazo específico para o luto. Quanto tempo demora difere de pessoa para pessoa e do significado da perda.

Mito: Seguir em frente com a sua vida significa esquecer a sua perda.

Facto: Seguir em frente significa que aceitou a sua perda – mas é muito diferente de esquecer. Podemos seguir em frente com a vida e manter a memória de alguém ou algo que perdemos como uma parte importante de nós. De facto, à medida que nos movemos pela vida, essas memórias podem se tornar cada vez mais essenciais para definir quem somos.

Como lidar com o processo de luto

Enquanto lamentar uma perda é uma parte inevitável da vida, existem também maneiras de ajudar a lidar com a dor, de aceitá-la e, eventualmente, de encontrar uma forma de recolher os cacos, voltar a uni-los e seguir em frente com a nossa vida.

  1. Reconheça a sua dor.
  2. Aceite que o luto pode desencadear muitas emoções diferentes e inesperadas.
  3. Entenda que o seu processo de luto será exclusivo para si.
  4. Procure apoio individualizado de pessoas que se preocupam consigo.
  5. Apoie-se emocionalmente, cuidando de si mesmo, fisicamente.
  6. Reconheça a diferença entre tristeza e depressão.

As etapas do luto

Em 1969, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross introduziu o que ficou conhecido como os “cinco estágios do luto”. Esses estágios ou fases do luto basearam-se nos seus estudos sobre os sentimentos de pacientes com doenças terminais, mas os mesmos foram aplicados a outras perdas ou mudanças negativas na vida, como a morte de um ente querido, ou uma separação.

Os cinco estágios do luto:

  1. Negação: “Isso não pode estar a acontecer comigo”.
  2. Raiva: “Porquê, comigo? Porquê a mim? Quem é o culpado?”
  3. Negociação: “Isto não está a acontecer. Isto é um pesadelo do qual vou acordar e estará tudo bem”.
  4. Depressão: “Estou demasiado triste para fazer o que quer que seja.”
  5. Aceitação: “Estou em paz com o que aconteceu.”

Se está a experienciar alguma destas emoções após uma perda, poderá ser útil saber que a sua reacção é natural e que, com o tempo, sentir-se-á melhor. No entanto, nem todas pessoas que sofrem perdas passam por todas estas etapas. De facto, algumas pessoas superam a sua perda sem passar por vários destes estágios. Se passar por estas fases de pesar, provavelmente não as experienciará de forma organizada e sequencial, ou poderá alternar entre uma fase e outra. Embora estes estágios sejam respostas que muitas pessoas têm à perda, não há respostas padrão porque as perdas não são padronizadas. O luto é tão individual quanto nós próprios.

A dor do luto muitas vezes pode fazer com que nos queiramos afastar dos outros e fechar na nossa própria concha, por isso, o apoio de outras pessoas é vital para superar a perda. Mesmo que não nos sintamos à vontade para falar sobre os nossos sentimentos em circunstâncias normais, é importante expressá-los quando estamos em sofrimento. Todavia, embora partilhar a dor da perda possa tornar o fardo mais fácil de ser transportado, isso não significa que temos forçosamente de falar sobre a perda sempre que interagimos com amigos e familiares. O conforto pode vir simplesmente do carinho recebido de outras pessoas que se importam connosco.

Se está a vivenciar um luto e sente dificuldade em seguir em frente, pode ser útil fazer uso de algumas destas sugestões:

  • Recordar – As memórias da vida de um ente querido são presentes preciosos para guardar no coração. Lembrar momentos felizes é uma maneira bonita de homenagear a pessoa que se perdeu e permitir que a luz entre num período doloroso da nossa vida.
    Obter ajuda – As pessoas que já vivenciaram perdas idênticas podem ser uma grande fonte de inspiração, esperança e encorajamento. Um grupo de apoio ou de partilha, ou um conselheiro de luto fornecem um lugar seguro para processar perdas traumáticas.
    Encontrar a esperança – Independentemente das crenças religiosas de cada um, a tristeza profunda atrai-nos muitas vezes para a procura de ajuda espiritual. Num período mais sombrio da perda, em que podemos estar imersos na tristeza, admitir a nossa incapacidade de lidar com a perda, pedir ajuda, e permitir que alguém nos apoie, pode ser um  ponto de viragem significativo para a cura.

O luto complicado

A tristeza de perder alguém que amamos nunca desaparece completamente, mas não deve permanecer no centro do palco da nossa vida. Se a dor da perda é tão constante e severa que o impede de retomar a sua vida, pode estar a sofrer de algo conhecido como luto complicado. Pode ter dificuldade em aceitar a morte muito tempo depois de ela ter ocorrido, ou estar tão perturbado com a morte da pessoa que isso interfere com as suas rotinas diárias e prejudica os seus outros relacionamentos.

Sintomas do luto complicado:

  • Saudade e desejo intenso do ente querido falecido
  • Pensamentos intrusivos ou imagens do ente querido
  • Negação da morte ou sentimento de descrença
  • Imaginar que o ente querido está vivo
  • Procurar o ente querido falecido em lugares familiares
  • Evitar coisas que lembram o ente querido
  • Raiva extrema ou amargura pela perda
  • Sentimento de vazio ou que a vida perdeu o sentido

Se a morte do seu ente querido foi súbita, violenta, ou extremamente perturbadora, o luto complicado pode se manifestar como trauma psicológico. Se a sua perda o fez sentir-se impotente e luta com emoções, lembranças e ansiedade perturbadoras que não desaparecem, é recomendável que procure ajuda especializada de um terapeuta ou conselheiro de luto. Existem muitas formas de apoio disponíveis. Não precisamos passar pela dor sozinhos e, uma orientação correcta pode promover mudanças de cura significativas e ajudar a seguir em frente com a vida.

Racionalidade ou Autenticidade

7 meses atrás · · 0 Comentários

Racionalidade ou Autenticidade

Acredito que a maioria de nós, fala principalmente com a razão, ou seja, falamos sem muita conexão com o que realmente sentimos, e até pensamos que essa é a forma mais adequada de comunicar. Achamos que isso é um acto inocente e essencialmente inevitável. Contudo, tenho percebido motivações mais profundas neste hábito aparentemente inócuo.

A maior parte daquilo que dizemos, é um esforço para criar segurança com a pessoa com quem estamos a comunicar. Somos tão intuitivos que, rapidamente conseguimos perceber o que a outra pessoa quer ouvir e, então, alimentamo-a de uma forma ou de outra. Por outras palavras, a maioria das coisas que dizemos tem como objectivo ajudar-nos a interagir em segurança – ou seja, sem corrermos o risco de ofender outras pessoas, sofrer qualquer humilhação significativa ou criar conflitos.

Isso, na verdade, é um mecanismo de autoprotecção, que nos informa que toda a interacção representa uma ameaça ao nosso bem-estar, á nossa identidade, ao nosso ego. Portanto, as principais prioridades são segurança e protecção nos relacionamentos.

Mas, vamos imaginar que haja uma maneira de estarmos em contacto com o nosso fluxo interior, com a nossa alma, que nos permita fazer uma pausa antes de falar, e ouvirmos os impulsos que emanam do rio que flui dentro de nós. Com efeito podemos falar a partir desse rio e, no processo, dissolver a racionalidade, o ego, o nosso ladrão de sonhos.

Para fazermos isso, precisamos entender que a alma deseja interagir continuamente com o nosso mundo. Racionalidade, ego, mente, ladrão de sonhos – nada disso pode existir na presença do Espírito ou da alma. É como se a Luz fosse subitamente acesa e, instantaneamente lançasse as sombras no vazio.

No momento em que nos preparamos para falar, temos poder de escolha – ou falamos a partir da racionalidade, o que na verdade significa assumir um personagem, falar a partir do ego, do ladrão de sonhos, do lugar do medo. Ou fazemos uma pausa, esvaziamos a mente e abrimo-nos. Ou seja, sem racionalizar e sem reagir, esperamos apenas o momento de abertura e permitimos que a alma nos informe o que dizer.

Isto não é tão difícil quanto possamos imaginar, principalmente porque a alma quer guiar-nos em cada palavra e acção. Ao pausar e esperar pelo impulso crescente da alma – que é uma sensação de plenitude repentina na nossa mente e um conhecimento interior de que as palavras certas estão sempre disponíveis – permitimos que algo mais profundo dentro de nós se expresse através de nós. E, como tudo, com a prática torna-se rapidamente um hábito.

Frequentemente, quando falamos apenas com a razão, traímo-nos, porque somos obrigados a falar e a agir a partir da urgência do medo e de uma necessidade desesperada de segurança. Esses sentimentos podem ser inconscientes. Mas pensemos em quantas vezes dissemos sim a algo que gostaríamos de ter dito não, ou dissemos não a algo que gostaríamos de ter abraçado. O ego, esse ladrão faminto e impulsivo, furta-nos o tempo de espera por uma resposta que emergiria de um lugar mais profundo dentro de nós. Esse recurso mais profundo é a nossa alma, que nunca iria trair-nos, ou conduzir-nos a situações em que as nossas necessidades não fossem atendidas.

Todos nós somos abençoados com uma voz interior, que nos ama e apoia.

Todos temos uma voz interior, que nos ama e apoia, quando o permitimos. Esse fluxo de amor dentro de nós é a voz do Sim. E sem que a maioria de nós o saiba, essa é a voz da nossa alma. Inicialmente ela parece-nos a nossa própria voz, encorajando-nos a avançar e a continuar a acreditar. É uma voz positiva, em oposição à voz faminta do ego, do ladrão de sonhos  que nos desencoraja, mesmo quando as coisas estão a correr bem. “Sim”, diz o ladrão faminto, “desta vez tiveste sorte, mas para a próxima as coisas podem correr muito mal.”

A voz do Sim diz: “Presta atenção: Esta situação foi resolvida, tal como todos os desafios são resolvidos – permitindo-te co-criar a tua vida. Tens dentro de ti o potencial para realizar os teus sonhos mais preciosos, ter felicidade e alegria, florescer e te tornes a pessoa que desejas ser.”

A voz do Sim oferece-nos garantias constantes do seu amor, ternura e apoio incondicionais. “Não tenhas medo, estamos contigo”, diz a voz de Sim. “Estás a ir muito bem. Estamos tão orgulhosos de tudo o que te tornaste. Todos os desafios que enfrentas, têm solução. Basta seguires o caminho que colocamos diante de ti e serás levado às respostas que procuras. Estás seguro e nós apoiamos-te com amor.”

Ninguém tem culpa der ter a voz do Não na mente. Todos nós fomos ensinados por pais, avós, professores, mentores, colegas de trabalho e amigos a interpretar todos os eventos das nossas vidas através dos programas do Não. Esse treino, bem intencionado, foi tão completo e profundo que dificilmente conseguimos ver os seus efeitos nas nossas vidas. Nós só nos tornamos conscientes dos seus efeitos nefastos e, por vezes, devastadores quando ficamos saturados dos nossos medos e da nossa raiva, e de todos os resultados negativos que eles criam. Nessa altura, começamos a abrir-nos a outros programas e a outra voz – ao programa e à voz do Sim, que é  a voz  e o caminho do amor.

Quanto mais praticamos e ouvimos a voz do Sim, mais poderosa ela se torna nas nossas vidas.

O momento ideal para praticar a voz do Sim é à noite, quando já estamos deitados na cama, imediatamente antes de adormecer. Nessa altura, a sentinela do Ego relaxa, em grande medida porque se sente segura. Sempre que se sente em segurança, o ladrão de sonhos baixa a guarda e a sua voz cala-se. Então, nesse momento, deixe-se ficar quieto e tranquilo.

Perceba se consegue sentir uma energia crescente dentro do seu plexo solar a fluir para o seu coração. Delicadamente, dê voz a essa sensação e permita-se sentir as palavras de amor e apoio a fluir à sua mente. O rio corre através de nós e para a vida. Flui com amor, poder e criatividade. As suas águas cantam e tilintam em brados de alegria e êxtase. Observe a torrente dessas águas cristalinas e purificadoras a limpar tudo o que quer libertar. Sinta-se preencher com esse amor infinito e incondicional, sacie-se na Fonte.

Viver em expansão ou em contenção?

8 meses atrás · · 4 comentários

Viver em expansão ou em contenção?

Muitos falam hoje sobre evolução espiritual e orgulham-se de ser seres humanos evoluídos espiritualmente. Outros perguntam-se o que significa “evolução espiritual”. Na verdade, eu própria costumava colocava-me frequentemente essa questão (e às vezes ainda coloco). Arrisco-me a partilhar convosco algumas das minhas conclusões após muita reflexão e introspecção: Evolução espiritual significa transformar a mente de modo a não sentirmos, pensarmos e agirmos negativamente, e em vez disso sentirmos, pensarmos e agirmos com fé, amor e compaixão.

As duas emoções primordiais são o amor e o medo e uma opõe-se à outra.

A Negatividade é essencialmente medo e, normalmente, o pessimismo funciona como um programa de computador do subconsciente, de cuja presença (e do seu poder sobre nós) não temos realmente consciência.

A Negatividade actua em nós sob a forma da auto-sabotagem e é a razão pela qual poucas pessoas vivem os seus sonhos. Ela manifesta-se como a máscara da prudência dizendo-nos para protegermos o nosso coração e as nossas ambições, porque se nos abrirmos ao amor, ou procurarmos alcançar os nossos sonhos, iremos fracassar, e esse fracasso será devastador.

Portanto, jogamos pelo seguro e, para a maioria de nós, isso significa focar-se apenas na acumulação material e na individualidade, no ter em vez do ser, o que realmente significa abdicar do amor e desperdiçar a vida com objectivos menores.

Este ladrão de sonhos não se limita a sabotar as nossas ambições inatas. Também afecta o grau em que estamos dispostos a amar, que é o maior e pior risco de todos. Quanto mais forte for a racionalidade na sua vida, mais retém o seu coração e mais os seus relacionamentos são definidos pela autoprotecção e pelo medo. Compreensivelmente, a autoprotecção tende a deixar-nos isolados, com medo e com raiva, porque ela quase garante que não cumpriremos os nossos desejos mais profundos, nem experienciaremos o tipo de amor pelo qual ansiamos.

O antídoto para os medos autocriados

A confiança baseia-se na crença (na verdade, na convicção crescente) de que somos divinamente amados, guiados e protegidos – a Fonte ou Universo – e que somos constantemente auxiliados nos nossos esforços para alcançar a felicidade, satisfação e amor. é termos o sentimento de que somos capazes de nos adaptar às mudanças nas circunstâncias, e sim, teremos que aprender novas formas de fazer as coisas no processo de criar e perseguir os nossos sonhos, mas que seremos bem-sucedidos, porque somos apoiados pelo Universo – Deus.

A fé diz-nos que qualquer que seja o desafio que enfrentemos, existe sempre uma solução, e que algures se abrirá uma porta, por trás da qual estará a resposta. A nossa função é manter as portas abertas. O preço da fé é simples: devemos entregar-nos de coração, e esforçar-nos com sinceridade, em tudo o que fazemos, acreditando sempre que no final triunfaremos.

O optimismo baseia-se no conhecimento de que os nossos objectivos, ambições e sonhos são inerentemente bons e que, em última análise, podem ser alinhados com um bem maior, desde que os persigamos de coração aberto.

A nossa alma deseja que compreendamos que podemos querer conquistar algo para nós mesmos – alcançar o sucesso profissional, por exemplo – mas, à medida que evoluirmos, cresceremos naturalmente em direcção a uma ambição ainda maior, que é colocar o nosso sucesso ao serviço dos outros. Ou seja, o sucesso pessoal só tem sentido se servir um bem maior. A fé é como uma árvore que plantamos. Começamos por nos preocuparmos com nós mesmos, mas à medida que crescemos, os seus ramos abrem-se cada vez mais, desejando que o sonho da paz pessoal leve à paz mundial.

O sucesso que não é colocado ao serviço de um bem maior, é mera satisfação do Ego.

Fundamentalmente, quem vive em função dos desejos egóicos, acredita que o Universo é hostil e que, portanto, deve se proteger com a falsa segurança do dinheiro, da fama e do poder. Infelizmente, isso leva inevitavelmente à ganância e ao egoísmo, porque a riqueza, por maior que seja, não nos pode fazer sentir seguros o suficiente ou felizes nos nossos corações. E, por maiores que sejam as riquezas acumuladas, acabam por ter pouco significado quando, no final da vida, se acorda para a realidade triste, solitária e sombria.

Inversamente, quem tem fé, acredita que o Universo – a Fonte do amor incondicional – é o provedor  supremo de todas as nossas necessidades, tanto temporais quanto espirituais. Na prática, acredita-se que ninguém obtém sucesso a menos que viva ou actue de acordo com os desejos do seu coração, isto é, com fé. Quanto maior a fé, maior o sucesso e, em última análise, maior a realização, plenitude e reunião com o amor.

É importante perceber que as duas vertentes têm efeitos drasticamente diferentes no nosso corpo físico e saúde em geral. O pessimismo activa o sistema nervoso simpático, que desencadeia a liberação de hormonas do stresse e ondas de oxidação que levam ao  envelhecimento rápido e a doenças. A esperança activa o sistema nervoso parassimpático e o nervo vago, que juntos produzem cascatas eletromagnéticas, hormonais e bioquímicas que criam sensações de bem-estar, optimismo, segurança e cura.

Em última análise, o Negativismo leva à infelicidade, à amargura e à doença, em parte porque aqueles que insistem na negatividade agem de maneira a satisfazem as expectativas do pessimismo. O que significa que o Egocentrismo leva ao trágico caminho da solidão. A fé leva, em última análise, à Fonte do amor incondicional e à reconciliação entre individualidade e Unidade.

Fluxo ou contenção?

Acredito que todos nós bebemos da mesma Fonte e partilhamos o mesmo Espírito, que existe uma unidade que está além da individualidade, ego e mente.

É possível que a Alma seja uma manifestação individual do Espírito e, se for esse  o caso a nossa alma vive num oceano ilimitado de amor incondicional e alegria, poder e possibilidades que é a natureza da Fonte. Se tudo isto for remotamente verdade, então a alma é uma espécie de rio que liga a nossa vida individual ao amor incondicional e poder ilimitado da Fonte.

Metaforicamente falando, se pensarmos na nossa individualidade como um lago, na Fonte como um oceano infinito,  e que a nossa alma é como um rio mágico, repleto das mesmas qualidades da Fonte Oceânica – amor infinito, alegria, sabedoria, energia e vida – que estabelece a ligação entre o lago e o oceano, a maioria de nós tem uma comporta entre o lago e o rio, que limita o fluxo a um fio de água.

De vez em quando, especialmente quando precisamos desesperadamente de ajuda, conseguimos abrir um pouco a represa, o que permite que a alma penetre no lago da nossa individualidade. Nesses momentos, bebemos do rio da alma e, de repente, conhecemos pessoas importantes que contribuem com algo essencial para as nossas vidas, ou vivenciamos eventos sincrónicos que mudam as nossas vidas para sempre.

O problema é a barragem – o nosso Ego.

O Ego quer que acreditemos que não existe fonte nem alma e que, se existe, não tem qualquer relevância para as nossas vidas. A represa da nossa mente Egóica consegue convencer-nos porque ela é limitadora e implacável e, para muitos de nós, intelectualmente convincente.

Acredito que a Fonte está sempre presente, a fluir através da nossa alma, e a oferece-nos tudo o que precisamos para sermos felizes e realizados. Só depende de nós, das nossas escolhas, manter o fluxo constante ou fechar a represa.

O Dom das emoções negativas

8 meses atrás · · 2 comentários

O Dom das emoções negativas

Desde há alguns anos a esta parte, a palavra de ordem é POSITIVO. Ouvimos a toda a hora que é preciso “ser positivo”, “pensar positivo” ou “sorrir mais”, (eu própria já tenho um pouco esse hábito), como se isso fosse assim tão fácil ou até a atitude mais adequada a ter.

Segundo o psicólogo Todd Kashdan é justamente a busca desenfreada pela felicidade que pode estar a tornar-nos psicologicamente mais frágeis.

No seu livro, “The Upside of Your Dark Side: Why Being Your Whole Self — Not Just Your ‘Good’ Self — Drives Success And Fulfillment”, em co-autoria com Robert Biswas-Diener, Kashdan defende o valor das emoções negativas.

Kashdan considera que a procura desenfreada da felicidade anda de mãos dadas com uma forte tendência pela busca do bem-estar, evitando qualquer tipo de desconforto, e isso, argumenta, está a enfraquecer-nos psicologicamente.

Porquê? Porque as emoções negativas são um recurso psicológico natural muito importante. Pois é, a negatividade pode ajudá-lo a construir uma versão mais resiliente e eficaz de si mesmo e, consequentemente, uma vida mais feliz e satisfatória.

Eu não estou a defender que ser negativo é melhor do que ser positivo, mas há momentos em que é necessário sentirmos as emoções negativas e, permitirmo-nos alguma negatividade pode ajudar-nos a alcançar melhores resultados na vida, no trabalho, nos relacionamentos, etc.

O segredo é praticar a “agilidade emocional” que nos permita reconhecer as emoções apropriadas (positivas ou negativas) para qualquer situação em que nos encontremos, e desenvolver a habilidade de restabelecer o equilíbrio entre emoções positivas e negativas.

É claro que as emoções positivas geram uma sensação mais prazerosa, mas isso não significa que devemos estar sempre em estados mentais positivos, pois a vida é pautada por desafios e perdas inevitáveis, e a dor precisa ser reconhecida, aceite e sentida para ser devidamente elaborada.

Eis alguns bons motivos pelos quais devemos permitir-nos a negatividade:

  1. As emoções negativas são naturais

Como seres humanos, sentirmo-nos tristes, zangados, ansiosos, stressados e com medo é uma consequência natural dos acontecimentos do dia-a-dia, e isso é perfeitamente aceitável.

Quando reprimimos as emoções negativas, estamos a negar-nos um estado emocional muito natural. Estamos a dizer a nós próprios que não podemos sentir-nos tristes, ansiosos, stressados ou ​​com medo quando tudo em nós nos pede desesperadamente para libertarmos essas emoções, reconhecermos e expressarmos esses sentimentos.

Se nos forçamos sempre a sorrir quando tudo o que mais queremos fazer é chorar, estamos a maltratar-nos psicologicamente, e isso, a longo prazo, terá um impacto devastador no nosso bem-estar psicológico.

     2. A ansiedade é impulsionadora

Em situações de perigo a ansiedade fala mais alto que a positividade e ajuda-nos a encontrar soluções para os problemas. Em situações de crise, as pessoas ansiosas encontram soluções rapidamente e, quando inseridas num grupo (amigos, família, colegas de trabalho), partilham os problemas e as soluções. Os grupos são mais bem-sucedidos quando incluem vários tipos de personalidade, nomeadamente uma sentinela ansiosa.

  1. O medo deixa-nos mais alerta

As emoções negativas existem por um motivo. Elas protegem-nos, tornam-nos conscientes dos perigos e informam-nos que há algo errado no nosso ambiente ou em nós.

O medo, por exemplo, ajuda-nos a reagir ao perigo, torna-nos mais conscientes das potenciais ameaças à nossa volta.

Com efeito, é bom ser despreocupado, mas, as emoções positivas podem tornar-nos mais indiferentes, demasiado relaxados ou excessivamente confiantes e, se isso implica menos atenção aos riscos, menos consciência dos perigos, o que também representa uma ameaça e tem impacto negativo tanto em nós como naqueles que nos rodeiam.

  1. O desconforto é um motivador

Ninguém muda porque se sente bem. As emoções são métricas psicológicas do nosso bem-estar e dizem-nos quando estamos mais ou menos felizes. Nós só mudamos quando sentimos que há algo errado na nossa vida que nos deixa infelizes e não suportamos mais.

As emoções negativas são geradoras de mudanças positivas porque nos levam a agir quando estamos insatisfeitos com algo ou com o rumo das nossas vidas. Assim, é importante ouvi-las logo que começamos a senti-las, regular a sua intensidade e começar a agir de maneira mais saudável em relação às mudanças que desejamos implementar nas nossas vidas.

  1. O sentimento de culpa torna-nos pessoas melhores.

O sentimento de culpa fortalece o nossa carácter e fibra moral, motiva-nos a ser cidadãos socialmente mais sensíveis e conscientes do que seríamos de outro modo. A pesquisa demonstrou que, os adultos que tendem a sentir culpa são menos susceptíveis a conduzir embriagados, consumir drogas ilícitas, roubar ou agredir outra pessoa. Se o carácter se reflete no que fazemos quando ninguém está a ver, então a culpa é uma das emoções morais básicas que estão na base de sustentação da construção do carácter.

  1. Duvidar de si mesmo fortalece seu desempenho.

Algo que muitos não compreendem é o facto de que a dúvida, em doses moderadas, exerce uma função salutar. A dúvida é um estado psicológico que nos leva a fazer uma autoavaliação das nossas habilidades e nos impulsiona a melhorar em áreas onde podemos ser insuficientes.

A dúvida pode ser benéfica, porque, quando nos sentimos inseguros quanto ao desempenho, esses sentimentos incentivam a colaboração com os outros, fomentam a reflexão pessoal, motivam o desenvolvimento pessoal e preparam a pessoa para aceitar mudanças.

Em conclusão, as emoções negativas, quando adequadas às circunstâncias, são úteis e devem ser encaradas como tal.

Volto a sublinhar, não estou a desvalorizar o optimismo, antes pelo contrário. Contudo, é importante reconhecermos que somos seres humanos e que, como tal, sentimos emoções positivas e negativas, e isso é perfeitamente natural. A chave para uma vida plena é saber quando e como usar as nossas emoções adequadamente, a fim de construirmos versões mais autênticas e argutas de nós mesmos e vivermos vidas mais plenas e satisfatórias.

Feito com ♥ por Krystel Leal