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    O Luto em Crianças e Adolescentes

    2 anos atrás · · 0 Comentários

    O Luto em Crianças e Adolescentes

    É expectável que qualquer pessoa com uma esperança de vida média sofra múltiplas perdas ao longo da sua vida. Nelas incluem-se familiares e amigos, colegas ou de animais de estimação. Todavia a morte é um assunto tabu na nossa sociedade (Ocidental). Consequentemente, nem as escolas nem as famílias abordam o tema. O resultado desta atitude é que, quando a perda ocorre não sabemos o que fazer e/ou dizer às crianças e adolescentes, deixando-as à deriva, confusas e frequentemente assustadas com o seu luto.

    Como explicar a morte às crianças e adolescentes

    Se o adulto, perante a morte fica desorientado, as crianças e adolescentes ficam muito mais perdidas. Falta-lhes a informação, a explicação do que aconteceu e de como irão continuar a viver sem o ente querido que perderam. É óbvio que isso irá causar-lhes dor e sofrimento, mas, para que haja uma compreensão da morte e possam iniciar o processo de luto, esse é o primeiro passo a dar. Acima de tudo, a elaboração do luto implica, necessariamente, sentir a dor da perda.

    A criança, tal como o adulto, tem idêntica dificuldade em compreender que a morte é irreversível. No entanto, se ela teve um animal de estimação que morreu, pode usar-se esse facto como exemplo para explicar-lhe essa irreversibilidade. Também é útil dizer à criança que é natural sentir tristeza e/ou vontade de chorar, ou desejar que o ente querido volte. Isso vai ao encontro do que ela está a experienciar. Dá-lhe a segurança de que os seus sentimentos e emoções são reconhecidos, que é compreendida.

    Se a família acredita na vida depois da morte, ou tem crenças religiosas, filosóficas ou outras, deve explicá-las à criança para que esta possa entendê-las e participar no luto familiar. Estas práticas irão ajudar a criança a sentir o seu pesar pelo ente querido. Depois disso irá sentir-se segura para expressar as suas emoções e pensamentos de forma saudável.

    Por mais doloroso e penoso que seja para o adulto, a criança deve ser informada tão cedo quanto possível, da perda. Temos tanto medo de traumatizar a criança que, em geral, optamos por lhe ocultar a verdade. Dizemos que o ente querido foi viajar, ou que agora é uma estrelinha… Isso é precisamente o que não se deve dizer.

    O que não dizer à criança

    Quando a pessoa morre, por mais penoso que seja para o adulto, há coisas que nunca deve dizer que:

    • está a fazer uma viagem – a criança aguarda o regresso do ente querido e, quando se apercebe do logro, culpa o adulto pelo engano e perde a confiança.
    • está a dormir – a criança interpreta isso de forma literal e pode suscitar-lhe medo de adormecer e não voltar a acordar.
    • foi para o céu – a criança acredita que o céu é um lugar como os outros e, por conseguinte, aguarda o seu regresso.

    O luto deve ser vivenciado em família onde podem expressar os seus sentimentos. A tristeza e a dor devem ser partilhadas com a criança e/ou o adolescente e não ocultada. Isto é importante para prevenir que optarem, também elas, por esconder as suas emoções e deixem de fazer perguntas.

    O que a criança necessita para fazer o luto

    A criança – ou adolescente – necessita de se sentir amada, protegida, bem nutrida e acolhida no seio da família (ou pelos cuidadores), para elaborar o seu luto de forma saudável. Ou seja, o processo de luto da criança torna-se mais fácil se esta se sentir segura para falar das suas angústias e sentimentos.

    O adolescente, em particular, precisa de sentir esta segurança e protecção uma vez que, além das suas próprias mudanças, sente-se incompreendido pelos seus pares.

    Em suma, as crianças ou adolescentes precisam de se sentir amadas e ser tratadas com honestidade e sinceridade para lidarem com a perda de uma forma saudável. Precisam de sentir que têm liberdade de expressão e alguém que as ouça e compreenda. Acima de tudo, necessitam de um porto de abrigo seguro onde se refugiar, sempre que queiram.

    P.S. Se este artigo lhe suscitou interesse, pesquise outros artigos sobre o tema no blog

    Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

    2 anos atrás · · 2 comentários

    Vitimização e Manipulação – São coisas distintas ou subsistem juntas?

    Todos nós, provavelmente, em algum momento da nossa vida, já nos sentimos vítimas. Face a circunstâncias difíceis das nossas vidas em que tivemos de enfrentar experiências dolorosas ou traumáticas, certamente nos sentimos vulneráveis e frágeis, desejosos de cuidado e protecção.

    Neste tipo de situações em que existe uma condição objectiva de vitimização, a vítima requer atenção, cuidado, apoio e carinho. Todavia esta é uma condição passageira, muito diferente daquela em que a pessoa passa a ostentar a condição de vítima como algo definitivo. A isto se chama cultura da Vitimização e da Manipulação emocional.

    Comecemos pela Vitimização!

    A vitimização ocorre quando o acontecimento traumático se converte em identidade própria da pessoa que o experienciou. Ao descobrirem que, sendo vítimas, beneficiam do cuidado e atenção permanente dos outros, as pessoas com tendência para a vitimização, entram num ciclo vicioso de chamada de atenção. A vitimização, só por si, não é uma patologia classificada no DSM-5, embora indicie a possibilidade do desenvolvimento de um transtorno paranóico de personalidade.

    As pessoas com propensão à vitimização acreditam que tudo que lhes acontece é culpa dos outros ou das circunstâncias. O seu locus de controlo é externo, ou seja, a pessoa não assume a responsabilidade pelas suas próprias acções. Pelo contrário, transfere-a para factores externos, alheios a si própria.

    A vitimização é uma estratégia benéfica para quem assume a condição de vítima

    A vitimização é, em muitas situações, uma estratégia extremamente benéfica para a pessoa que assume a condição de vítima, porque lhe permite obter privilégios que de outra forma não conseguiria alcançar. A pessoa acaba por contar, de uma forma ou de outra, com a compaixão e a compreensão das outras pessoas, independentemente do que faça.

    Com efeito, quem coloque em causa os comportamentos e as acções das supostas vítimas, arrisca-se a ser apontado como desumano ou insensível. Este aspecto abre espaço para uma espécie de permissividade e imunidade, dando total cobertura a tudo o que a vítima diz ou faz, sem questionar. Todavia, a vitimização calculada, seja ela consciente ou inconsciente, encobre uma espécie de chantagem emocional.

    A manipulação é uma estratégia da pessoa propensa à vitimização

    A manipulação é uma estratégia desenvolvida pela pessoa com propensão para a vitimização, no sentido de ver satisfeitas as suas necessidades de atenção. O manipulador emocional usa a sua condição de vítima para impor os seus desejos e caprichos. O manipulador age de forma a que o outro se sinta culpado e faça tudo o que ele deseja. Esse é o grande problema da manipulação. Por ser um comportamento velado, as pessoas que são manipuladas nem sempre se apercebem do que está realmente a acontecer e acabam por ser iludidas permitindo que os manipuladores façam o que querem.

    O manipulador usa a chantagem como forma de comunicação

    O manipulador usa a chantagem emocional como forma de comunicação. Quando as outras pessoas não fazem o que ele deseja, coloca-as no papel de carrascos, reclamando para si mesmos o papel de vítima. Essa atitude provoca sentimentos de culpa nos outros que tudo farão para corrigir o dano causado, mesmo que tenham de abdicar de si mesmos.

    A pessoa manipuladora com tendência à vitimização é capaz de fazer grandes sacrifícios pelos outros, sem que ninguém lhe peça nada, colocando-se assim no papel de vítima da vida. Quando alguém apresenta este tipo de comportamento, estamos perante uma pessoa com baixa auto-estima que só se sente válida quando se sacrifica em prol dos outros.

    Nestes casos, trata-se de alguém que não fechou o ciclo de uma experiência traumática ou que perdeu o gosto pela vida. Estas pessoas precisam de apoio urgente. Necessitam de alguém que as compreenda, que seja emocionalmente competente, que lhes mostre compaixão e as ajude a lidar com o seu trauma e a desenvolver maturidade emocional, para mudarem de atitude.

    Em conclusão: a cultura da vitimização e da manipulação leva-nos a renunciar aos nossos próprios desejos e necessidades em prol dos outros. Este tipo de comportamento é comum em pessoas emocionalmente imaturas ou com baixo QE. Assim, é importante que estejamos conscientes destes padrões de comportamento, não só para nos protegermos, mas também para ajudarmos a promover a mudança na pessoa que assume o papel de vítima e/ou manipuladora.

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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