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    O que é o síndrome do ninho vazio

    2 anos atrás · · 2 comentários

    O que é o síndrome do ninho vazio

    Quando os filhos saem de casa para construir os seus próprios projectos de vida, pode ser uma fase complicada. A chamada fase do síndrome do ninho vazio. Apesar de muitos pais também serem afectados com a partida dos filhos, são as mulheres quem tem mais dificuldade em lidar com esse ritual de passagem. Este é um momento particularmente difícil para as mães que dedicaram toda a sua vida aos filhos, que pode causar um vazio incontornável.

    Um sentimento de solidão, vazio e tristeza por vezes devastador

    Muitos pais sentem solidão, sentimento de tristeza, vazio, com a saída dos seus filhos de casa. Esse sofrimento, por vezes devastador, pode ganhar proporções desajustadas. Além disso, se não conseguem lidar com a perda, pode ter consequências prejudiciais. Por exemplo, a saudade pode tornar-se em angústia e causar crises de ansiedade, podendo mesmo levar a estados depressivos e sintomas psicossomáticos.

    O sentimento de pesar é quase incontornável e inevitável, principalmente em pais que valorizam muito mais os seus papéis de mãe ou pai. Embora racionalmente os pais compreendam que esse é o ciclo normal e natural da vida, emocionalmente a situação é mais difícil de gerir. De repente, numa casa habitualmente cheia de vida, de vozes e sons, o silêncio ecoa num vazio que se instala no âmago do ser.

    Lidar com a perda e ajustar a dinâmica familiar à nova realidade

    Muito se tem escrito e falado sobre o sindrome do ninho vazio e de como lidar com esse sentimento de perda. Há muitas dicas para se preparar com antecedência para essa fase da vida familiar. Sobretudo, como ajustar a dinâmica familiar à nova realidade; ou como se reinventar como pessoas ou como casal

    Mas, o que fazer quando a partida é repentina e definitiva? O que fazer quando a vida desses filhos é ceifada cedo de mais? Como podem os pais lidar com o vazio do ninho, do coração, da alma

    Não passei apenas pelo síndrome do ninho vazio. Tenho convivido diariamente com esse vazio desde 2006. Conheço-o intimamente! Acima de tudo, tenho feito o melhor que posso para me ajustar à nova realidade.

    Os filhos representam o futuro, a continuidade, a descendência, o legado, os sonhos e expectativas… Todavia, quando as nossas idealizações, projectos, desejos, fantasias e esperanças se desmoronam como um castelo de cartas… Quando um infindável rol de expectativas se desvanece ante nós como uma névoa… Como podemos lidar com a ausência definitiva dos nossos filhos e com os impossíveis?

    A perda de um filho é inominável, indescritível e insuportável

    A perda de um filho é inominável, indescritível e insuportável. Os filhos que perdem os pais são órfãos, aqueles que perdem os conjuges tornam-se viúvos, mas quando os pais perdem os filhos não há uma designação para essa nova condição… tornam-se inadjectiváveis!

    Numa sociedade de consumo como a nossa, competitiva e centrada no Ter, há pouco espaço para o Ser e o Sentir. Quem perde um filho sente-se marginalizado e estigmatizado pela sociedade. Algumas pessoas evitam falar com os pais enlutados porque não sabem como lidar com a situação. Outras receiam passar pelo mesmo, e outras estão de tal forma centradas em si mesmas que são incapazes de sentir empatia.

    Com a morte de um filho os pais iniciam uma jornada árdua e solitária para preservar e manter viva a sua memória. O medo de que sejam esquecidos, somado ao vazio da ausência e à aniquilação do futuro, provocam uma dor insustentável, indizível, insuperável. Perder um filho é como perder parte da própria vida. Eu senti como se me tivessem amputado uma parte do coração.

    A perda de um filho interrompe a lógica cronológica

    A perda de um filho interrompe a lógica cronológica com que nos habituámos. Esperamos que os pais morrem primeiro do que os filhos, nunca o contrário. Contudo, a morte de um filho não rompe o vínculo que se criara. Independente de como ou quando os pais aprendam a viver sem esse filho, essa perda é como uma ferida aberta, que não cicatriza. É uma ferida invisível aos olhos, mas visível aos corações mais atentos. No entanto, com o tempo essa ferida irá sangrar menos, mas será sempre sensível e dolorosa…

    Por vezes estamos bem, naquele espaço de tranquilidade que aprendemos a construir… Mas, de repente uma palavra, um gesto, uma imagem, desencadeia um turbilhão de emoções… Aprender a viver com esta nova realidade, implicou dar um novo rumo à minha vida. Dei continuidade ao vínculo que criei com o meu filho integrando-o na minha vida como uma parte relevante e significativa da minha história. Além disso, ressignifiquei a minha perda dando um sentido à minha vivência.

    Acima de tudo, o que me move é o apoio a outras mulheres que se debatem com a árdua tarefa de lidar com a ausência dos seus filhos, ou outras vivências taumáticas. O que me dá alento é ajudá-las a encontrar um lugar de serenidade e plenitude para as suas vidas.

    Como evitar o vazio

    O vazio pesa, a ausência pesa, o silêncio pesa, os lugares vazios na mesa pesam… por isso é importante encontrar estratégias de autopreservação para lidar com tudo isso. Não vou negar que ainda me custa muito reconhecer que o meu filho não voltará. À data da sua morte, a minha filha tinha 13 anos. Então percebi que teria de me preparar para essa inevitabilidade. Aos poucos fui fazendo ajustamentos para prevenir o sindrome do ninho vazio. Assim, deixo-vos as minhas sugestões.

    • Mudar a forma como encaramos os filhos – eles não são nossos, vêm até nós para os criarmos, educarmos e prepararmos, o melhor possível, para a vida;
    • Reforçar os laços com o companheiro – se ainda for o pai dos seus filhos, ele poderá estar a passar pelo mesmo, se não for pode ser uma oportunidade de ouro para voltar a namorar (se não tem um companheiro, busque uma amizade fidedigna);
    • Liste tudo o que tem vindo a adiar – Faça uma lista das coisas que tem vindo a adiar e comece a dedicar-se à sua concretização, uma coisa de cada vez;
    • Procure actividades de lazer – Envolva-se em actividades que lhe dê prazer. Se tem um companheiro, procure actividades prazerosas que possam fazer em conjunto;
    • Dedique-se a uma causa – Dedicar-se a uma causa é algo que nos traz realização pessoal, seja voluntariado, activismo, o que lhe fizer sentido;
    • Procure ajuda – Se sente que não consegue ultrapassar essa fase sozinha, procure a ajuda de uma amiga que já tenha vivenciado o mesmo, de um Coach, de um Terapeuta ou de um Psicólogo. Não precisa de atravessar o deserto sozinha.

    E, lembre-se, a felicidade vem de dentro de cada uma de nós. Não são os outros que nos fazem felizes, somos nós mesmas que construímos a nossa felicidade!

    Ser mãe é um privilégio e uma dádiva!

    2 anos atrás · · 4 comentários

    Ser mãe é um privilégio e uma dádiva!

    A maternidade foi o papel mais importante que desempenhei em toda a minha vida!

    Faz hoje 31 anos que fui mãe pela primeira vez. Continuam vivos dentro de mim os pormenores daquele momento mágico. Doloroso, mas mágico.

    É indescritível o turbilhão de emoções que experiênciei quando dei à luz aquele ser, perfeito e indefeso. Chegou ao mundo manifestando o seu desagrado. Chorou no primeiro instante e só acalmou quando o colocaram sobre o meu peito, como se me tivesse reconhecido… como se tivesse chegado a casa!

    A partir daquele momento a minha vida mudou para sempre

    A minha vida, como a conhecera e vivera até ali, mudou para sempre. Eu mudei para sempre! Deixei de ser eu, passei a ser a mãe. Fascinada e ao mesmo tempo aterrorizada com a possibilidade de não saber cuidar daquele ser tão frágil, o meu coração parecia que ia explodir. O meu amor já não cabia em mim, expandia-se para além de mim e o meu filho era a extensão viva do meu amor.

    O amor de mãe é indescritível

    Não há palavras para descrever o amor de mãe. É um amor como não há outro amor igual. A mãe é uma fonte inesgotável de amor que se multiplica por quantos filhos tenha. Ser mãe é colocar a vida de outro ser à frente da sua, sem hesitar. É altruísmo puro, é entrega total, sem reservas.

    A maternidade, a ligação entre mãe e filho, nasce muito antes do parto, é uma relação que se vai construindo ao longo da gravidez. Quer tenhamos disso consciência ou não. O parto é o culminar da experiência fascinante da gestação e, esse fascínio perdura. Entre a alegria da maternidade, o fascínio por aquele ser, tão pequenino e tão indefeso, surge também o medo de errar.

    Foram muitas as dúvidas e receios, mas o desejo cuidar, proteger e suprir todas as necessidades do meu bebé venceram qualquer obstáculo. O meu foco, o centro das minhas atenções era apenas e só aquele pequeno ser.

    Ser mãe foi um privilégio

    Para mim, foi um enorme privilégio e uma bênção, ser mãe dos meus filhos. Poder dedicar-me totalmente a eles, afagá-los, dar-lhes colo, aconchegá-los, abraçá-los, alimentá-los e protegê-los. Foi o papel mais desafiante e extraordinário que desempenhei em toda a minha vida.

    Estar atenta às necessidades de outro ser, cuidar, interpretar os seus sinais e a sua linguagem, ajudá-lo a crescer, desvendar os seus mistérios, é sem dúvida algo único. A qualidade da relação entre mãe e filho contribui positivamente para o desenvolvimento emocional e afectivo da criança. Por isso, congratulo-me por ter contribuído para a formação de seres afectuosos, compassivos, generosos e únicos. O elo que se estabeleceu entre nós é indestrutível.

    Com o meu filho aprendi as lições mais profundas, significativas e transformadoras

    Por isso, hoje celebro o nascimento do meu primogénito e também a minha transformação. Porque este filho, em particular, veio até mim para me ensinar as lições mais profundas, significativas e transformadoras. Foi com este filho que eu aprendi o significado da paciência, do amor incondicional, do altruísmo e da benevolência. Foi também com este filho que aprendi a impor limites e a dizer não. Foi este filho que me ensinou a ser mãe, e com ele aprendi que o amor de mãe é infinito e imutável.

    Uma mãe, nunca deixa de o ser, mesmo depois dos filhos deixarem o lar, os filhos continuam a habitar o seu coração e os seus pensamentos. Ser mãe é para sempre! O amor de mãe é para sempre!

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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