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    Que é feito do espírito de Natal?

    3 anos atrás · · 2 comentários

    Que é feito do espírito de Natal?

    Quando era criança, o Natal era um período mágico, cheio de harmonia, solidariedade, amor e compaixão. Por vezes pergunto-me o que é feito do Espírito do Natal? Também havia materialismo, é verdade. Colocávamos o sapatinho na lareira e no dia de Natal de manhã íamos a correr ver o que o Menino Jesus nos tinha trazido. Mas havia algo muito mais transcendente.

    Actualmente, emersos no consumismo, sinto que o verdadeiro espírito de Natal se perdeu. É certo que continua a haver campanhas de solidariedade em prol dos mais carenciados. Os apelos à boa vontade e à generosidade proliferam nos mais diversos sectores da sociedade. Mas não é a mesma coisa!

    No Natal da minha infância, a celebração do nascimento de Jesus reacendia a centelha de amor e da paz nos corações, e esqueciam-se desavenças e outras quesilhias. Acima de tudo, vivia-se o verdadeiro sentido do Natal, com humildade e fraternidade. Inspirados pela figura de Jesus, a personificação do amor incondicional, da generosidade e da bondade, as famílias reuniam-se e partilhavam amor e alegria.

    Natal significava Paz e amor entre os homens de boa vontade

    As crianças aprendiam que Natal significava Paz e amor entre os homens de boa vontade. O ritual de Acção de Graças, durante o almoço de Natal, era uma solenidade que até as crianças tinham de reverenciar. Numa prece improvisada, expressava-se gratidão por todas as nossas bênçãos, pedia-se Paz na Terra e nos corações da humanidade, protecção para os indefesos, abundância para os famintos e saúde para os enfermos.

    Enviávamos e recebíamos cartões de Boas Festas, repletos de mensagens de amor e esperança. Agora, na era da Globalização e das Tecnologias de Informação, enviam-se SMS ou colocam-se Posts nas redes sociais, porque é mais fácil. Com as correrias das compras e a lufa-lufa da vida, não há tempo a perder e, assim, ninguém se sente excluído!

    Então, e as crianças?

    Como lhes será explicado o verdadeiro sentido do Natal? De que forma vão descobrir o significado dessa Paz nos corações humanos? Quem lhes vai ensinar o que é bondade e compaixão? Como vão aprender o que é empatia? Qual a probabilidade de alguém lhes falar do amor e da generosidade? Como irão integrar estes valores que influenciam de modo tão especial o sentido da vida e de ética pessoal, enquando determinantes do desenvolvimento individual.

    Até quando vamos continuar a atropelar o espírito do Natal?

    Se continuarmos obcecados com o Ter ignorando o Ser, o que acontecerá à magia do Natal? O que será das crianças no futuro se continuarmos a sonegar-lhes o que nutre verdadeiramente o espírito e molda o carácter? Se não plantarmos as sementes dos valores como o amor, a compaixão, a fraternidade e a solidariedade, nas crianças de hoje, como poderão elas ser adultos compassivos e bondosos no futuro? Como poderão viver o Natal como uma época de solidariedade, fraternidade, alegria, amor, proximidade e convívio com a família e os amigos?

    Actualmente as crianças sofrem muito com a ausência dos pais, os quais nem se dão conta disso. Muitos estão tão focados nas suas carreiras e nos seus afazeres, com horários demasiado sobrecarregados que não lhes permitem dedicar tempo de qualidade aos seus rebentos. Muitos pais não têm tempo para ouvir os filhos, para os conhecer, para lhes ensinar as coisas que nunca irão aprender na escola, como os valores e virtudes que lhes moldarão as forças de carácter.

    O meu desejo mais profundo neste Natal é que, à semelhança de antigamente, estejamos mais em família, sejamos mais amor, mais compaixão e mais solidariedade. Que nos demos de presente, sem reservas e sem egoísmo. Sejamos mais coração e menos ego, o mundo precisa de nós.

    Hábitos, o que são e como podemos modificá-los?

    3 anos atrás · · 0 Comentários

    Hábitos, o que são e como podemos modificá-los?

    Uma breve consulta à palavra hábito, no Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora (6.ª Edição), oferece-nos várias definições. Hábito (substantivo masculino) deriva do latim habĭtu veste; trajo; disposição de espírito -, 1. roupagem de um membro de comunidade religiosa; 2. tendência adquirida, estável, que facilita a prática de certos actos; modalidade motriz da memória que se manifesta na forma de actividades facilitadas pela sua repetição; uso; costume; tradição; rotina; automatismo; etc.

    Hábitos são rotinas de fuga à dor e procura do prazer

    Os hábitos são, essencialmente, padrões de comportamento que acabam se tornando uma parte do que somos. Os hábitos são rotinas que surgem como resposta a um estímulo, desencadeadas por um processo de repetição de acções que geram recompensas. Uma dada circunstância – estímulo -, desencadeia uma acção – comportamento – e, se houver recompensa por essa acção, ela tende a ser repetida. Se formos intencionais nas nossas acções e recompensas, acabamos por desenvolver bons hábitos. Se não, isso pode levar-nos à auto-sabotagem, sentimentos de fracasso e impotência. Por outro lado, os bons hábitos potenciam a boa saúde, a felicidade e a realização dos sonhos.

    Se pudéssemos associar o prazer às coisas que são benéficas para nós e a dor às coisas que nos são prejudiciais, provavelmente seria mais fácil realizar acções que nos levassem aonde queremos ir ou nos tornassem quem queremos ser.

    Todavia, é difícil associar o que gostamos de fazer ao que necessitamos fazer para o nosso próprio bem. Porquê? Segundo Merriam-Webster, os hábitos são tendências interiorizadas de acordo com um comportamento usual. Os hábitos fixam-se nos gânglios basais, a parte mais primitiva do nosso cérebro enquanto a nossa disciplina e força de vontade se fixam no córtex frontal, a área mais avançada do nosso cérebro e, na maioria das vezes é que estas duas “áreas” raramente comunicam uma com a outra. É como ter um Ferrari (disciplina) e, embora sejamos excelentes condutores (força de vontade), andamos a pé (hábitos).

    Na hora de mudar os hábitos são poucos os que o conseguem

    Todos temos uma ideia de como desejamos ser, de como gostaríamos que a nossa vida fosse, da impressão que desejamos causar aos outros, do impacto que desejamos ter, como pessoas, como pais e como lideres, mas na hora de mudarmos os nossos hábitos, por mais consciência que tenhamos dessa necessidade de mudança, a verdade é que apenas uma pequena percentagem ousa mudar.

    Isto acontece por duas razões. Primeiro, temos hábitos que criamos intencionalmente com um propósito específico. Segundo, fazemos muitas coisas de forma inconsciente, não sabendo exactamente por que as fazemos, apesar de sabermos que não são benéficas para nós. Estes dois processos acontecem simultaneamente: os hábitos são uma combinação das nossas intenções e dos nossos comportamentos passados (Jeremy Dean, Making Habits, Breaking Habits).

    A boa notícia é que podemos treinar-nos para criar novos hábitos que nos sejam mais benéficos, a má notícia é que dá trabalho.

    Uma das primeiras e mais populares obras literárias que aborda o tema da mudança de hábitos é Psycho-Cybernetics (1960) de Maxwell Maltz, um cirurgião plástico que, pela observação dos seus pacientes e dos seus próprios hábitos, determinou que as pessoas demoravam pelo menos 21 dias a se ajustarem às novidades.

    Desde então, embora vários cientistas sublinhem que Maltz referiu “pelo menos 21 dias” e não 21 dias, muitos gurus da auto-ajuda adoptaram a ideia de que levamos 21 dias para implementar um novo hábito. Outra crença que se popularizou na cultura de auto-ajuda foi que os hábitos levam de 28 a 30 dias para se formarem e edificarem como tal.

    Criar novos hábitos pode demorar até 254 dias

    Enquanto as regras dos 21 ou dos 28 dias apelam directamente ao nosso desejo de mudar rapidamente, um estudo realizado por Phillippa Lally, investigadora de psicologia da saúde na University College London, publicado em 2009 no European Journal of Social Psychology, refere que uma pessoa demora entre dois a oito meses para formar um hábito e fazer algo automaticamente. Os investigadores da University College London examinaram os novos hábitos de 96 pessoas num espaço de 12 semanas e concluíram que os tempos de adaptação de cada pessoa variaram de 18 a 254 dias. Assim, o tempo necessário poderá ser inferior ou superior, dependendo de factores como a insistência, a perseverança, as habilidades das variáveis psicológicas da personalidade, o interesse e as circunstâncias.

    Embora o tempo médio de adaptação seja de 66 dias, tanto Lally como Maltz concordam que é possível formar um novo hábito. Além do tempo de adaptação, formar novos hábitos também requer planeamento, reflexão, força de vontade, disciplina e consistência. A prática leva à excelência e, quanto mais uma pessoa repete um comportamento, mais cedo ele se torna instintivo ou automático.

    Como criar novos hábitos que nos ajudarão a mudar para melhor…

    Etapa #1 (dias 1-10): Olhe para dentro

    Na primeira etapa, que se desenrola nos primeiros 10 dias, procure identificar e compreender as causas do hábito que precisa ser mudado, porque, apesar de geralmente serem bastante evidentes quais os maus hábitos que causam mais problemas nas nossas vidas, identificar a origem (estímulo), pode não ser assim tão óbvio, especialmente se o hábito se tornou tão arraigado que o fazemos inconscientemente.

    Apenas a introspecção e reflexão profundas, um olhar atento para o seu interior, para explorar a origem do hábito que quer mudar, poderá identificar o estímulo.

    Etapa #2 (dias 11-40): Comprometa-se com os outros

    Uma forma de estimular a mudança é contar com uma rede de apoio, para o incentivar e cobrar resultados. Nesta etapa, informe as pessoas do seu convívio sobre o hábito que está a tentar mudar e peça aos mais próximos que policiem o seu comportamento e chamem a sua atenção se perceberem que voltou ao hábito antigo. Além de estar se comprometendo com o processo, recebe “feedback” e apoio para evitar que volte ao velho hábito. Seja claro acerca do que espera realmente deles para não haver pressão.

    Etapa #3 (dias 41-66): Atenção aos seus gatilhos

    A verdade é que é fácil cair em tentação e esquecer por que decidiu fazer a mudança. Preste atenção aos gatilhos. Nesta altura do processo já sabe quais os sinais ou situações que estimulam o velho hábito. É preciso mudar a rotina. Sendo assim, na terceira etapa de mudança de hábito, precisa encontrar algo em que se apoiar, alguma coisa que o motive a continuar no processo. Ao antecipar os sinais indicadores dos gatilhos dos seus velhos hábitos, vé capaz de descobrir como e quando activar de forma eficaz o seu novo hábito.

    Nós somos o que repetidamente fazemos. Excelência, então, não é um acto, mas um hábito “ – Aristóteles

    Etapa #4 (dia 67): Recompense-se

    Comemore a sua vitória. Escolha uma recompensa, isso irá ajudá-lo a associar prazer à recompensa do novo comportamento. Encontre algo em que se apoiar, alguma coisa que o motive a honrar o seu processo e a manter o novo hábito. Aproveite esta oportunidade para reflectir e seleccionar o próximo hábito que pretende mudar.

    Se deseja mudanças duradouras, sucesso a longo prazo, preste atenção aos seus hábitos. Concentre-se num hábito de cada vez e siga estas etapas, e estabeleça o cronograma em que devem decorrer.

    A mudança acontece gradualmente, através de pequenas acções repetidas, uma e outra vez. Ao longo do tempo essas pequenas mudanças irão substituir os hábitos antigos e, finalmente, determinar o tipo de vida quer viver.

    Mudar é desafiante. Em qualquer contexto exige compromisso, estratégia, empenho e persistência, mas é possível. Basta compreender como funcionam os hábitos e comprometer-se com o processo de mudança, intencional e consistentemente.

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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