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    Racionalidade ou Autenticidade

    3 anos atrás · · 0 Comentários

    Racionalidade ou Autenticidade

    Acredito que a maioria de nós, fala principalmente com a razão, ou seja, falamos sem muita conexão com o que realmente sentimos, e até pensamos que essa é a forma mais adequada de comunicar. Na interacção com os outros, ou até no nosso diálogo interno, optamos pela racionalidade em prejuizo da autenticidade. Achamos que isso é um acto inocente e essencialmente inevitável. Contudo, tenho percebido motivações mais profundas neste hábito aparentemente inócuo.

    A forma como comunicamos visa a interacção segura

    A maior parte daquilo que dizemos, é um esforço para criar segurança com a pessoa com quem estamos a comunicar. Somos tão intuitivos que, rapidamente conseguimos perceber o que a outra pessoa quer ouvir e, então, alimentamo-a de uma forma ou de outra. Por outras palavras, a maioria das coisas que dizemos tem como objectivo ajudar-nos a interagir em segurança – ou seja, sem corrermos o risco de ofender outras pessoas, sofrer qualquer humilhação significativa ou criar conflitos.

    Isso, na verdade, é um mecanismo de autoprotecção, que nos informa que toda a interacção representa uma ameaça ao nosso bem-estar, á nossa identidade, ao nosso ego. Portanto, as principais prioridades são segurança e protecção nos relacionamentos.

    Mas, vamos imaginar que haja uma maneira de estarmos em contacto com o nosso fluxo interior, com a nossa alma, que nos permita fazer uma pausa antes de falar, e ouvirmos os impulsos que emanam do rio que flui dentro de nós. Com efeito podemos falar a partir desse rio e, no processo, dissolver a racionalidade, o ego, o nosso ladrão de sonhos.

    A alma deseja interagir com o nosso mundo

    Para fazermos isso, precisamos entender que a alma deseja interagir continuamente com o nosso mundo. Racionalidade, ego, mente, ladrão de sonhos – nada disso pode existir na presença do Espírito ou da alma. É como se a Luz fosse subitamente acesa e, instantaneamente lançasse as sombras no vazio.

    No momento em que nos preparamos para falar, temos poder de escolha – ou falamos a partir da racionalidade, o que na verdade significa assumir um personagem, falar a partir do ego, do ladrão de sonhos, do lugar do medo. Ou fazemos uma pausa, esvaziamos a mente e abrimo-nos. Ou seja, sem racionalizar e sem reagir, esperamos apenas o momento de abertura e permitimos que a alma nos informe o que dizer.

    Isto não é tão difícil quanto possamos imaginar, principalmente porque a alma quer guiar-nos em cada palavra e acção. Ao pausar e esperar pelo impulso crescente da alma – que é uma sensação de plenitude repentina na nossa mente e um conhecimento interior de que as palavras certas estão sempre disponíveis – permitimos que algo mais profundo dentro de nós se expresse através de nós. E, como tudo, com a prática torna-se rapidamente um hábito.

    Frequentemente, quando falamos apenas com a razão, traímo-nos, porque somos obrigados a falar e a agir a partir da urgência do medo e de uma necessidade desesperada de segurança. Esses sentimentos podem ser inconscientes. Mas pensemos em quantas vezes dissemos sim a algo que gostaríamos de ter dito não, ou dissemos não a algo que gostaríamos de ter abraçado. O ego, esse ladrão faminto e impulsivo, furta-nos o tempo de espera por uma resposta que emergiria de um lugar mais profundo dentro de nós. Esse recurso mais profundo é a nossa alma, que nunca iria trair-nos, ou conduzir-nos a situações em que as nossas necessidades não fossem atendidas.

    Todos nós somos abençoados com uma voz interior, que nos ama e apoia.

    Todos temos uma voz interior, que nos ama e apoia, quando o permitimos. Esse fluxo de amor dentro de nós é a voz do Sim. E sem que a maioria de nós o saiba, essa é a voz da nossa alma. Inicialmente ela parece-nos a nossa própria voz, encorajando-nos a avançar e a continuar a acreditar. É uma voz positiva, em oposição à voz faminta do ego, do ladrão de sonhos que nos desencoraja, mesmo quando as coisas estão a correr bem. “Sim”, diz o ladrão faminto, “desta vez tiveste sorte, mas para a próxima as coisas podem correr muito mal.”

    A voz do Sim diz: “Presta atenção: Esta situação foi resolvida, tal como todos os desafios são resolvidos – permitindo-te co-criar a tua vida. Tens dentro de ti o potencial para realizar os teus sonhos mais preciosos, ter felicidade e alegria, florescer e te tornes a pessoa que desejas ser.”

    A voz do sim oferece-nos amor e apoio incondicionais

    A voz do Sim oferece-nos garantias constantes do seu amor, ternura e apoio incondicionais. “Não tenhas medo, estamos contigo”, diz a voz de Sim. “Estás a ir muito bem. Estamos tão orgulhosos de tudo o que te tornaste. Todos os desafios que enfrentas, têm solução. Basta seguires o caminho que colocamos diante de ti e serás levado às respostas que procuras. Estás seguro e nós apoiamos-te com amor.”

    Ninguém tem culpa der ter a voz do Não na mente. Todos nós fomos ensinados por pais, avós, professores, mentores, colegas de trabalho e amigos a interpretar todos os eventos das nossas vidas através dos programas do Não. Esse treino, bem intencionado, foi tão completo e profundo que dificilmente conseguimos ver os seus efeitos nas nossas vidas. Nós só nos tornamos conscientes dos seus efeitos nefastos e, por vezes, devastadores quando ficamos saturados dos nossos medos e da nossa raiva, e de todos os resultados negativos que eles criam. Nessa altura, começamos a abrir-nos a outros programas e a outra voz – ao programa e à voz do Sim, que é a voz e o caminho do amor.

    Quanto mais praticamos e ouvimos a voz do Sim, mais poderosa ela se torna nas nossas vidas.

    O momento ideal para praticar a voz do Sim é à noite, quando já estamos deitados na cama, imediatamente antes de adormecer. Nessa altura, a sentinela do Ego relaxa, em grande medida porque se sente segura. Sempre que se sente em segurança, o ladrão de sonhos baixa a guarda e a sua voz cala-se. Então, nesse momento, deixe-se ficar quieto e tranquilo.

    Perceba se consegue sentir uma energia crescente dentro do seu plexo solar a fluir para o seu coração. Delicadamente, dê voz a essa sensação e permita-se sentir as palavras de amor e apoio a fluir à sua mente. O rio corre através de nós e para a vida. Flui com amor, poder e criatividade. As suas águas cantam e tilintam em brados de alegria e êxtase. Observe a torrente dessas águas cristalinas e purificadoras a limpar tudo o que quer libertar. Sinta-se preencher com esse amor infinito e incondicional, sacie-se na Fonte.

    Viver em expansão ou em contenção?

    3 anos atrás · · 4 comentários

    Viver em expansão ou em contenção?

    Actualmente, muitos falam sobre evolução espiritual e orgulham-se em se afirmarem como seres humanos evoluídos espiritualmente. Outros perguntam-se o que significa “evolução espiritual”. Na verdade, eu própria costumava colocava-me frequentemente essa questão (e às vezes ainda coloco). Arrisco-me a partilhar convosco algumas das minhas ideias após muita reflexão e introspecção: Evolução espiritual significa calar a mente de modo a não sentirmos, pensarmos e agirmos negativamente e, em vez disso, sentirmos, pensarmos e agirmos com fé, amor e compaixão. Isso permite-nos viver em expansão em vez de contenção.

    As duas emoções primordiais são o amor e o medo e uma opõe-se à outra.

    A Negatividade é essencialmente medo e, normalmente, o pessimismo funciona como um programa de computador do subconsciente, de cuja presença (e do seu poder sobre nós) não temos realmente consciência.

    A Negatividade actua em nós sob a forma da auto-sabotagem e é a razão pela qual poucas pessoas vivem os seus sonhos. Ela manifesta-se como a máscara da prudência dizendo-nos para protegermos o nosso coração e as nossas ambições, porque se nos abrirmos ao amor, ou procurarmos alcançar os nossos sonhos, iremos fracassar, e esse fracasso será devastador.

    O ladrão de sonhos não se limita a sabotar as nossas ambições inatas.

    Portanto, jogamos pelo seguro e, para a maioria de nós, isso significa focar-se apenas na acumulação material e na individualidade, no ter em vez do ser, o que realmente significa abdicar do amor e desperdiçar a vida com objectivos menores.

    Este ladrão de sonhos não se limita a sabotar as nossas ambições inatas. Também afecta o grau em que estamos dispostos a amar, que é o maior e pior risco de todos. Quanto mais forte for a racionalidade na sua vida, mais retém o seu coração e mais os seus relacionamentos são definidos pela autoprotecção e pelo medo. Compreensivelmente, a autoprotecção tende a deixar-nos isolados, com medo e com raiva, porque ela quase garante que não cumpriremos os nossos desejos mais profundos, nem experienciaremos o tipo de amor pelo qual ansiamos.

    O antídoto para os medos autocriados

    A confiança baseia-se na crença (na verdade, na convicção crescente) de que somos divinamente amados, guiados e protegidos – a Fonte ou Universo – e que somos constantemente auxiliados nos nossos esforços para alcançar a felicidade, satisfação e amor. é termos o sentimento de que somos capazes de nos adaptar às mudanças nas circunstâncias, e sim, teremos que aprender novas formas de fazer as coisas no processo de criar e perseguir os nossos sonhos, mas que seremos bem-sucedidos, porque somos apoiados pelo Universo – Deus.

    A fé diz-nos que qualquer que seja o desafio que enfrentemos, existe sempre uma solução, e que algures se abrirá uma porta, por trás da qual estará a resposta. A nossa função é manter as portas abertas. O preço da fé é simples: devemos entregar-nos de coração, e esforçar-nos com sinceridade, em tudo o que fazemos, acreditando sempre que no final triunfaremos.

    O optimismo nasce do alinhamento com os desejas da alma

    O optimismo baseia-se no conhecimento de que os nossos objectivos, ambições e sonhos são inerentemente bons e que, em última análise, podem ser alinhados com um bem maior, desde que os persigamos de coração aberto.

    A nossa alma deseja que compreendamos que podemos querer conquistar algo para nós mesmos – alcançar o sucesso profissional, por exemplo – mas, à medida que evoluirmos, cresceremos naturalmente em direcção a uma ambição ainda maior, que é colocar o nosso sucesso ao serviço dos outros. Ou seja, o sucesso pessoal só tem sentido se servir um bem maior. A fé é como uma árvore que plantamos. Começamos por nos preocuparmos com nós mesmos, mas à medida que crescemos, os seus ramos abrem-se cada vez mais, desejando que o sonho da paz pessoal leve à paz mundial.

    O sucesso que não serve um bem maior, é mera satisfação do Ego.

    Fundamentalmente, quem vive em função dos desejos egóicos, acredita que o Universo é hostil e que, portanto, deve se proteger com a falsa segurança do dinheiro, da fama e do poder. Infelizmente, isso leva inevitavelmente à ganância e ao egoísmo, porque a riqueza, por maior que seja, não nos pode fazer sentir seguros o suficiente ou felizes nos nossos corações. E, por maiores que sejam as riquezas acumuladas, acabam por ter pouco significado quando, no final da vida, se acorda para a realidade triste, solitária e sombria.

    Inversamente, quem tem fé, acredita que o Universo – a Fonte do amor incondicional – é o provedor supremo de todas as nossas necessidades, tanto temporais quanto espirituais. Na prática, acredita-se que ninguém obtém sucesso a menos que viva ou actue de acordo com os desejos do seu coração, isto é, com fé. Quanto maior a fé, maior o sucesso e, em última análise, maior a realização, plenitude e reunião com o amor.

    O pessimismo desencadeia a liberação de hormonas do stress

    É importante perceber que as duas vertentes têm efeitos drasticamente diferentes no nosso corpo físico e saúde em geral. O pessimismo activa o sistema nervoso simpático, que desencadeia a liberação de hormonas do stress e ondas de oxidação que levam ao envelhecimento rápido e a doenças. A esperança activa o sistema nervoso parassimpático e o nervo vago, que juntos produzem cascatas eletromagnéticas, hormonais e bioquímicas que criam sensações de bem-estar, optimismo, segurança e cura.

    Em última análise, o Negativismo leva à infelicidade, à amargura e à doença, em parte porque aqueles que insistem na negatividade agem de maneira a satisfazem as expectativas do pessimismo. O que significa que o Egocentrismo leva ao trágico caminho da solidão. A fé leva, em última análise, à Fonte do amor incondicional e à reconciliação entre individualidade e Unidade.

    Fluxo ou contenção?

    Acredito que todos nós bebemos da mesma Fonte e partilhamos o mesmo Espírito, que existe uma unidade que está além da individualidade, ego e mente.

    É possível que a Alma seja uma manifestação individual do Espírito e, se for esse o caso a nossa alma vive num oceano ilimitado de amor incondicional e alegria, poder e possibilidades que é a natureza da Fonte. Se tudo isto for remotamente verdade, então a alma é uma espécie de rio que liga a nossa vida individual ao amor incondicional e poder ilimitado da Fonte.

    Metaforicamente falando, se pensarmos na nossa individualidade como um lago, na Fonte como um oceano infinito, e que a nossa alma é como um rio mágico, repleto das mesmas qualidades da Fonte Oceânica – amor infinito, alegria, sabedoria, energia e vida – que estabelece a ligação entre o lago e o oceano, a maioria de nós tem uma comporta entre o lago e o rio, que limita o fluxo a um fio de água.

    De vez em quando, especialmente quando precisamos desesperadamente de ajuda, conseguimos abrir um pouco a represa, o que permite que a alma penetre no lago da nossa individualidade. Nesses momentos, bebemos do rio da alma e, de repente, conhecemos pessoas importantes que contribuem com algo essencial para as nossas vidas, ou vivenciamos eventos sincrónicos que mudam as nossas vidas para sempre.

    O problema é a barragem – o nosso Ego.

    O Ego quer que acreditemos que não existe fonte nem alma e que, se existe, não tem qualquer relevância para as nossas vidas. A represa da nossa mente Egóica consegue convencer-nos porque ela é limitadora e implacável e, para muitos de nós, intelectualmente convincente.

    Acredito que a Fonte está sempre presente, a fluir através da nossa alma, e a oferece-nos tudo o que precisamos para sermos felizes e realizados. Só depende de nós, das nossas escolhas, manter o fluxo constante ou fechar a represa.

    Feito com ♥ por Ana Paula Vieira
    Conteúdos da autoria de Ana Paula Vieira. Todos os direitos reservedos
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